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O TEOSOFISMO E AS RELIGIÕES
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A Sociedade Teosófica, embora proclame em seus regulamentos uma tolerância religiosa que impede seus agentes de manifestar preferências sectárias, na prática coloca seus dirigentes acima dessas leis, que servem apenas para controlar os membros comuns.
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A declaração de princípios da Sociedade proíbe seus agentes de demonstrarem, em público, preferência ou hostilidade por qualquer religião ou filosofia, assegurando que todos os credos sejam tratados com imparcialidade.
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Apesar dessa regra, Charles Leadbeater afirmou que a política de Annie Besant, de promover uma religião particular, é assunto da presidente e não dos membros, que devem se curvar à sua autoridade, pois ela sabe mais do que eles.
Os escritos de Helena Blavatsky e de Alfred Sinnett revelam um forte antijudaísmo e anticristianismo, atacando as religiões estabelecidas, especialmente o Cristianismo, por considerá-las prejudiciais ao progresso humano e baseadas em dogmas abrutalhadores.-
Helena Blavatsky atribuía ao Judaísmo a origem de tudo o que considerava negativo no Cristianismo, opondo a lei de Moisés à lei de amor do Cristo, que teria sido em vão.
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Essa aversão ao “judaico-cristianismo” levou Helena Blavatsky a se aliar a Émile Burnouf, que via no Cristianismo uma degenerescência causada por São Paulo, em oposição aos ensinamentos originais do Cristo, vistos como expressão da “filosofia ariana”.
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Alfred Sinnett afirmava que todas as religiões são igualmente perigosas para o Ego, pois prendem os indivíduos em suas práticas, e atacava a ideia de um Deus pessoal e justiceiro, considerando-a abrutalhadora.
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Helena Blavatsky rejeitava explicitamente a ideia de um Deus pessoal, semelhante ao dos cristãos, qualificando-o como uma contradição lógica e uma impossibilidade.
Apesar das evidências em contrário, os chefes teosofistas, como Annie Besant, continuam a afirmar que a Sociedade não ataca nenhuma religião e que seus ensinamentos ajudam os fiéis a compreenderem melhor sua própria fé, uma estratégia para se apresentarem como uma missão pacificadora.-
Annie Besant declarava que a Sociedade não afasta os homens de suas religiões, mas os encoraja a buscar alimento espiritual em sua própria fé, combatendo a superstição e o materialismo.
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Charles Leadbeater comparou a Sociedade Teosófica a uma “missão” que percorre as diferentes “paróquias” religiosas (as religiões constituídas), não para desviar os fiéis, mas para fazê-los compreender melhor sua própria religião.
A nova doutrina apresentada por Charles Leadbeater, que atribui a fundação de todas as religiões a um departamento da “Grande Loja Branca” chefiado pelo Bodhisattwa, eleva as pretensões da Sociedade Teosófica a um nível ainda mais extravagante, colocando-a como a conhecedora da origem de todas as fés.-
Todas as religiões teriam se originado na “Fraternidade da Loja Branca”, que constitui o verdadeiro governo do mundo, onde existe um “departamento de Instrução religiosa”.
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O chefe desse departamento, o Bodhisattwa, teria fundado todas as religiões, seja pessoalmente ou por meio de um discípulo, adaptando seus ensinamentos a cada época e povo.
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Charles Leadbeater atribui os grandes movimentos históricos e culturais, como a Reforma de Tsong-khapa, o movimento de Christian Rosenkreutz, a Renascença, e até a fundação da Sociedade Real de Ciências, a esforços especiais, realizados a cada século, pela “Loja Branca” para ajudar a humanidade.
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