guenon:rqst:vi
O PRINCÍPIO DE INDIVIDUAÇÃO
REINO DA QUANTIDADE E SINAL DOS TEMPOS
-
A atribuição da matéria como princípio de individuação pelos escolásticos fundamenta-se na relação entre o indivíduo e a espécie, onde a espécie representa o aspecto essencial e qualitativo, enquanto o que distingue os seres dentro dela pertence ao domínio substancial.
-
O termo eidos designa simultaneamente a forma e a espécie, evidenciando que a natureza específica é puramente qualitativa e comum a todos os indivíduos que dela participam.
-
A individuação não deve ser confundida com a definição de um estado de existência, mas sim com a determinação que torna os seres de mesma natureza entes distintos e separados entre si.
-
A matéria segunda do mundo sensível, sendo marcada pela quantidade, atua como um princípio de separabilidade que se adiciona à natureza específica para constituir o indivíduo incorporado.
-
O conceito de forma exige uma distinção rigorosa entre o sentido escolástico, que se refere à essência, e o sentido comum ou geométrico, que designa a figura ou contorno de um objeto.
-
Na manifestação individual, a forma é a condição que caracteriza esse estado, embora não possua necessariamente caráter espacial fora do domínio da manifestação corpórea.
-
A hierarquia dos gêneros e espécies situa-se em um plano horizontal de existência individual, não constituindo por si mesma algo transcendente em relação ao estado em que se manifesta.
-
A distinção entre os indivíduos dentro da espécie é de ordem estritamente quantitativa, o que justifica a definição da matéria como o fundamento dessa separação.
-
A espécie não deve ser confundida com uma coletividade, erro recorrente na mentalidade moderna que tende a reduzir o geral ao coletivo por meio de uma soma aritmética de indivíduos.
-
A coletividade é uma entidade puramente quantitativa, enquanto a espécie é uma natureza qualitativa que reside integralmente em cada indivíduo, independentemente do número destes.
-
A confusão entre o qualitativo e o quantitativo é uma consequência direta da tendência moderna de enxergar apenas a multiplicidade numérica em detrimento da unidade essencial.
-
A redução do indivíduo à sua condição puramente quantitativa resulta em uma separabilidade extrema que o torna uma unidade fragmentária, aproximando-o do conceito físico de átomo desprovido de qualidades.
-
Quanto mais a quantidade predomina sobre a qualidade, mais os indivíduos se tornam separados e menos diferenciados qualitativamente, caminhando para uma uniformidade que é o inverso da verdadeira unidade.
-
O mundo atual dirige-se para esse limite de desqualificação, onde a supressão das distinções qualitativas visa transformar a multiplicidade humana em uma massa uniforme e inerte.
-
A ilusão moderna confunde a uniformização com a unificação, ignorando que a quantidade, por sua natureza substancial, é capaz apenas de separar e gerar antagonismo entre as unidades que a compõem.
-
A uniformização constitui um aspecto central da degradação moderna, representando uma tendência que acentua a fragmentação sob a máscara de uma coesão puramente mecânica.
-
Tudo o que procede da matéria tende para a separação, pois a quantidade não equilibrada pela qualidade exerce um peso que afasta os seres da unidade principial.
-
A análise da uniformização e de suas falsas interpretações é necessária para compreender a direção atual da manifestação cíclica rumo ao reino da quantidade.
-
guenon/rqst/vi.txt · Last modified: by 127.0.0.1
-
-
-
-
