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O FIM DE UM MUNDO
REINO DA QUANTIDADE E SINAL DOS TEMPOS
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O conjunto dos fenômenos descritos constitui os “sinais dos tempos” precursores da “fim de um mundo” ou de um ciclo, que só aparece como “fim do mundo” sem especificação para aqueles que não veem além dos limites desse ciclo, erro de perspectiva que gera terrores injustificados, mas há muitas “fins do mundo” referentes a ciclos de duração diversa, e a que se considera aqui é a de um Manvantara inteiro, o que não significa o fim do mundo terrestre, pois o “endireitamento” final se torna imediatamente o começo de outro Manvantara.
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Tudo o que foi descrito constitui os “sinais dos tempos”, precursores da “fim de um mundo” ou ciclo, que só aparece como “fim do mundo” para quem nada vê além desse ciclo, erro de perspectiva que gera terrores injustificados.
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Há muitas “fins do mundo” referentes a ciclos de duração diversa, contidos uns nos outros, e a que se considera aqui é a de um Manvantara inteiro, ou seja, da existência temporal de uma humanidade.
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Essa “fim de mundo” não é o fim do mundo terrestre, pois, pelo “endireitamento” que se opera no momento último, essa fim se torna imediatamente o começo de outro Manvantara.
Os partidários do “progresso” erram ao situar a “idade de ouro” no futuro, pois, para o Manvantara atual, ela está no passado, no “estado primordial”, mas, considerando a sucessão dos ciclos terrestres, a idade de ouro de um outro Manvantara está no futuro, separada da época atual por uma “barreira” intransponível para os profanos, e o erro levado ao extremo será o do Anticristo pretendendo instaurar a idade de ouro pelo reinado da “contratradição”, uma contrafação do Sanctum Regnum.-
Os partidários do “progresso” dizem que a “idade de ouro” está no futuro, mas, para o Manvantara atual, ela está no passado, no “estado primordial”.
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Considerando a sucessão dos ciclos terrestres, a “idade de ouro” de outro Manvantara está no futuro, separada da época atual por uma “barreira” intransponível para os profanos.
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O erro dos profanos, levado ao extremo, será o do Anticristo pretendendo instaurar a “idade de ouro” pelo reinado da “contratradição”, dando a aparência enganosa da contrafação do Sanctum Regnum.
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É por isso que nas “pseudo-tradições”, que prefiguram a “contratradição”, as concepções “evolucionistas” desempenham papel preponderante.
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A “barreira” que obriga a tudo encerrar no ciclo atual é um obstáculo mais absoluto para os representantes da “contra-iniciação” do que para os profanos, pois, orientados para a dissolução, a fim do ciclo é realmente para eles a “fim do mundo” no sentido mais integral.
Quanto à consciência que os representantes da “contra-iniciação” têm do seu papel, a fronteira é determinada pela do mundo espiritual, que lhes é inacessível; podem ter vasto conhecimento do “mundo intermediário”, mas esse conhecimento é falseado pela ausência do espírito, e, embora enganem conscientemente ao lançar ideias da “antitradição” negativa, sua ilusão mais profunda é crerem na validade da “contratradição” que visam constituir, por ignorarem a verdadeira natureza da espiritualidade, ilusão esta enraizada no dualismo, que os leva a crer numa oposição real ao espírito e a serem, em última análise, os mais “iludidos” de todos, o que os torna aptos a cumprir sua função necessária no plano divino.-
A fronteira entre a consciência e a inconsciência do papel dos representantes da “contra-iniciação” é determinada pela do mundo espiritual, no qual não podem penetrar.
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Podem ter conhecimentos extensos sobre o “mundo intermediário”, mas esses conhecimentos são falseados pela ausência do espírito, que lhes daria seu verdadeiro sentido.
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Não são mecanicistas, materialistas, “progressistas” ou “evolucionistas” no sentido vulgar; enganam conscientemente ao lançar essas ideias da “antitradição” negativa, que são para eles um meio, não um fim.
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Sua ilusão mais profunda é sobre a “contratradição” que visam constituir, pois podem crer que se opõem realmente ao espírito, situando-se ao mesmo nível que seus representantes.
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Essa ilusão tem raiz no erro “dualista”, que os leva a crer numa dualidade irredutível e a negar a Unidade suprema, e o Anticristo será o mais “iludido” de todos os seres.
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São, em última análise, duplos de seu próprio papel, e sua ilusão é a pior de todas, pois é aquela pela qual um ser pode perder-se sem retorno, o que os torna aptos a cumprir sua função necessária no plano divino.
A marcha do mundo, como manifestação cíclica, apresenta um duplo aspecto “benéfico” e “maléfico”: considerado em si mesmo, o ciclo é uma “descida” progressiva (aspecto maléfico), mas, inserido num conjunto maior, produz resultados positivos que exigem o desenvolvimento completo, inclusive das possibilidades inferiores, para que a “integração” desses resultados seja possível e princípio de um novo ciclo (aspecto benéfico); o mesmo se aplica ao fim do ciclo: “catastrófico” para o que é destruído, mas “endireitamento” para o que é reintegrado no princípio, mostrando que o aspecto “maléfico” é instável e ilusório, inerente à “separatividade”, enquanto o “benéfico” é permanente, e, superada a oposição, a “fim de um mundo” é apenas a “fim de uma ilusão”.-
A marcha do mundo, como manifestação cíclica, apresenta um duplo aspecto “benéfico” e “maléfico”.
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Considerada em si mesma, a manifestação, do começo ao fim, é uma “descida” progressiva (aspecto maléfico).
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Recolocada no conjunto de que faz parte, a mesma manifestação produz resultados positivos, e é necessário que seu desenvolvimento se complete, inclusive com as possibilidades inferiores da “idade sombria”, para que a “integração” desses resultados seja possível e princípio de um novo ciclo (aspecto benéfico).
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Quanto ao fim do ciclo, é “catastrófico” do ponto de vista do que é destruído, mas “endireitamento” do ponto de vista do que, desaparecendo como manifestação, é reintegrado em seu princípio.
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Analogamente, para um ser ou um mundo, o ponto de vista parcial é “maléfico”, e o ponto de vista total (ou relativamente total) é “benéfico”, pois os desordens parciais se anulam diante da ordem total em que se integram, como elementos constitutivos despojados de seu aspecto “negativo”.
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O “maléfico” é a limitação que condiciona toda existência contingente, e essa limitação tem existência puramente negativa.
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Os dois aspectos não são simétricos: o “maléfico” é instável e transitório, o “benéfico” é permanente, e o primeiro se desvanece por ser uma ilusão inerente à “separatividade”.
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Superada a oposição, já não se pode falar propriamente de “benéfico” nem de “maléfico”; há simplesmente o que é, e a “fim de um mundo” é, em toda a rigor, a “fim de uma ilusão”.
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