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O TEMPO TRANSFORMADO EM ESPAÇO
REINO DA QUANTIDADE E SINAL DOS TEMPOS
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O tempo, ao contrair o espaço, contrai-se também a si mesmo ao longo do ciclo, acelerando progressivamente seu próprio desenrolar.
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O tempo não é homogêneo, mas qualitativamente diferenciado segundo as condições cíclicas.
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A aceleração torna-se mais visível nas fases finais do ciclo.
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A proporção decrescente dos quatro Yugas exprime essa contração.
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A diminuição da duração da vida humana integra o mesmo processo.
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A pressa moderna reflete percepção confusa dessa aceleração.
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No grau extremo, a contração do tempo conduz à sua redução a um instante único, suprimindo toda sucessão.
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A duração desaparece quando não há mais sucessão.
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O tempo devora a si mesmo na “fim do mundo”.
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Onde não há sucessão, não há morte.
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A sucessão transmuta-se em simultaneidade.
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O tempo transforma-se simbolicamente em espaço.
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O espaço absorve o tempo no momento final.
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Tal inversão corresponde à revanche simbólica de Abel sobre Caim.
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As teorias físico-matemáticas do complexo espaço-tempo oferecem prefiguração inconsciente dessa absorção do tempo pelo espaço.
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Tratam espaço-tempo como conjunto único.
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Interpretação vulgarizada fala em “quarta dimensão”.
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O tempo é comparável a quarta coordenada nas equações do movimento.
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Representação é puramente quantitativa e insuficiente.
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O que funciona como coordenada é o “tempo imaginário”.
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Tornar o tempo imaginário implica cessação de sua existência real.
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Transmutação só é plenamente realizável na fim do ciclo.
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A absorção do tempo pelo espaço não implica necessariamente adição literal de dimensão, mas expansão qualitativa inapreensível ao domínio corporal.
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Supressão da restrição temporal permite dilatação superior do espaço.
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Tal condição não pode ser figurada por imagens corporais.
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Eliminação do tempo implica saída do mundo corporal.
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Trata-se de prolongamento extracorporal do mesmo estado individual.
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O fim do ciclo não é aniquilação do mundo corporal, mas transmutação.
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Após o ponto de parada, inicia-se novo ciclo.
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O fim do ciclo é intempestivo como o seu começo, restaurando o estado primordial.
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Existe correspondência rigorosa entre início e fim.
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Relação simbólica entre Jerusalém celeste e Paraíso terrestre.
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Ambos manifestam o centro do mundo.
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A árvore axial ocupa o centro em ambas as extremidades.
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Durante o ciclo, o centro permanece oculto.
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A humanidade afasta-se gradualmente do centro.
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Esse afastamento constitui o sentido da queda.
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Movimento do centro à circunferência simboliza passagem da essência à substância.
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Representa ida da unidade à multiplicidade.
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O Pardes, centro do mundo, é simultaneamente região suprema e região longínqua, conforme os dois pontos de vista.
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Paradêsha designa região suprema.
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Torna-se região distante pela inacessibilidade progressiva.
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Situa-se na “fim do mundo” espacial e temporal.
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Permanece sempre no centro real de todas as coisas.
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Inversão entre ponto de vista exterior e interior.
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Realização da proximidade exige supressão da condição temporal.
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Tempo não pode retroceder por definição.
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Libertação é possível individualmente.
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Para a humanidade inteira, exige término do ciclo.
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Reintegração ocorre no estado primordial.
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No centro, o tempo se transforma em espaço.
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Reflete a eternidade principial.
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A morte não alcança esse estado.
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Trata-se do domínio da imortalidade.
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Todas as coisas aparecem em simultaneidade imutável.
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O “terceiro olho” restitui o sentido da eternidade.
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