guenon:rqst:xxiii

O TEMPO TRANSFORMADO EM ESPAÇO

REINO DA QUANTIDADE E SINAL DOS TEMPOS

  • O tempo, ao contrair o espaço, contrai-se também a si mesmo ao longo do ciclo, acelerando progressivamente seu próprio desenrolar.
    • O tempo não é homogêneo, mas qualitativamente diferenciado segundo as condições cíclicas.
    • A aceleração torna-se mais visível nas fases finais do ciclo.
    • A proporção decrescente dos quatro Yugas exprime essa contração.
    • A diminuição da duração da vida humana integra o mesmo processo.
    • A pressa moderna reflete percepção confusa dessa aceleração.
  • No grau extremo, a contração do tempo conduz à sua redução a um instante único, suprimindo toda sucessão.
    • A duração desaparece quando não há mais sucessão.
    • O tempo devora a si mesmo na “fim do mundo”.
    • Onde não há sucessão, não há morte.
    • A sucessão transmuta-se em simultaneidade.
    • O tempo transforma-se simbolicamente em espaço.
    • O espaço absorve o tempo no momento final.
    • Tal inversão corresponde à revanche simbólica de Abel sobre Caim.
  • As teorias físico-matemáticas do complexo espaço-tempo oferecem prefiguração inconsciente dessa absorção do tempo pelo espaço.
    • Tratam espaço-tempo como conjunto único.
    • Interpretação vulgarizada fala em “quarta dimensão”.
    • O tempo é comparável a quarta coordenada nas equações do movimento.
    • Representação é puramente quantitativa e insuficiente.
    • O que funciona como coordenada é o “tempo imaginário”.
    • Tornar o tempo imaginário implica cessação de sua existência real.
    • Transmutação só é plenamente realizável na fim do ciclo.
  • A absorção do tempo pelo espaço não implica necessariamente adição literal de dimensão, mas expansão qualitativa inapreensível ao domínio corporal.
    • Supressão da restrição temporal permite dilatação superior do espaço.
    • Tal condição não pode ser figurada por imagens corporais.
    • Eliminação do tempo implica saída do mundo corporal.
    • Trata-se de prolongamento extracorporal do mesmo estado individual.
    • O fim do ciclo não é aniquilação do mundo corporal, mas transmutação.
    • Após o ponto de parada, inicia-se novo ciclo.
  • O fim do ciclo é intempestivo como o seu começo, restaurando o estado primordial.
    • Existe correspondência rigorosa entre início e fim.
    • Relação simbólica entre Jerusalém celeste e Paraíso terrestre.
    • Ambos manifestam o centro do mundo.
    • A árvore axial ocupa o centro em ambas as extremidades.
    • Durante o ciclo, o centro permanece oculto.
    • A humanidade afasta-se gradualmente do centro.
    • Esse afastamento constitui o sentido da queda.
    • Movimento do centro à circunferência simboliza passagem da essência à substância.
    • Representa ida da unidade à multiplicidade.
  • O Pardes, centro do mundo, é simultaneamente região suprema e região longínqua, conforme os dois pontos de vista.
    • Paradêsha designa região suprema.
    • Torna-se região distante pela inacessibilidade progressiva.
    • Situa-se na “fim do mundo” espacial e temporal.
    • Permanece sempre no centro real de todas as coisas.
    • Inversão entre ponto de vista exterior e interior.
    • Realização da proximidade exige supressão da condição temporal.
    • Tempo não pode retroceder por definição.
    • Libertação é possível individualmente.
    • Para a humanidade inteira, exige término do ciclo.
    • Reintegração ocorre no estado primordial.
    • No centro, o tempo se transforma em espaço.
    • Reflete a eternidade principial.
    • A morte não alcança esse estado.
    • Trata-se do domínio da imortalidade.
    • Todas as coisas aparecem em simultaneidade imutável.
    • O “terceiro olho” restitui o sentido da eternidade.
guenon/rqst/xxiii.txt · Last modified: by 127.0.0.1

Except where otherwise noted, content on this wiki is licensed under the following license: Public Domain
Public Domain Donate Powered by PHP Valid HTML5 Valid CSS Driven by DokuWiki