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PERDIÇÃO E SUBVERSÃO
REINO DA QUANTIDADE E SINAL DOS TEMPOS
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A ação antitradicional constitui uma obra de desvio em relação ao estado normal das civilizações tradicionais.
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O estado normal é comum a todas as formas tradicionais, apesar de suas diferenças particulares.
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O mundo moderno foi “fabricado” por esse processo de desvio.
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O desvio pode operar-se de modo gradual e quase imperceptível.
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É necessário distinguir entre desvio e subversão.
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O desvio comporta graus indefinidos e pode desenvolver-se progressivamente.
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Exemplos desse processo são a passagem do humanismo ao racionalismo, depois ao mecanicismo e ao materialismo.
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A ciência profana tornou-se progressivamente mais quantitativa.
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Todo o desvio moderno tende ao estabelecimento do “reino da quantidade”.
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A subversão é o termo extremo do desvio, implicando verdadeiro “reversar”.
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Trata-se de um estado diametralmente oposto à ordem normal.
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Subversão não deve ser confundida com o “retorno” final do ciclo.
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O “retorno” final é um redirecionamento restaurador do estado primordial.
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A subversão é o oposto desse restabelecimento.
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A subversão é o último grau do desvio e seu objetivo final.
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O mundo atual apresenta sinais visíveis de subversão.
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Tais sinais aparecem nas múltiplas formas de “contrafação” e “paródia”.
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A contrafação revela a origem “satânica” do desvio.
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“Satânico” designa tudo o que nega e inverte a ordem.
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O espírito de negação manifesta-se como espírito de mentira e disfarce.
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Ele imita o que pretende negar.
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“Satanás é o macaco de Deus” e “se transfigura em anjo de luz”.
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O desordem assume aparência de falsa ordem.
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A negação dos princípios é mascarada como afirmação de falsos princípios.
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O simulacro é apresentado com habilidade suficiente para enganar a maioria.
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O gosto popular pelo engano facilita a eficácia da paródia.
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Toda contrafação contém elemento grotesco que a denuncia.
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O grotesco pode ser mais ou menos evidente.
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A perspicácia natural é anulada por “sugestões” inconscientes.
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O caráter paródico constitui marca de origem da falsificação.
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Exemplos públicos de paródia no mundo moderno ilustram essa contrafação.
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Pseudo-ritos cívicos e laicos substituem ritos religiosos.
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O “naturismo” moderno confunde estado de natureza com animalidade.
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A “organização dos lazeres” ameaça desnaturar até o repouso humano.
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Todos esses fenômenos pertencem ao domínio público.
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O senso do ridículo diante deles é raro.
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A maioria dos produtos modernos exige o prefixo “pseudo”.
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A ciência profana é uma “pseudo-ciência”.
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Trata-se de falsificações com finalidade deliberada.
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A possibilidade da contrafação funda-se na analogia inversa entre o mais alto e o mais baixo.
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O ponto inferior pode imitar o superior por analogia invertida.
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A aproximação da quantidade pura permite simular a unidade principial.
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A uniformidade e a simplicidade modernas são caricaturas da unidade transcendente.
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Quando o inferior imita o superior, chega-se propriamente à subversão.
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A tendência à quantidade pura não pode realizar-se plenamente.
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A redução total à quantidade é impossível na manifestação.
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Para que a subversão seja completa, é necessária intervenção suplementar.
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Tal intervenção liga-se ao termo final da manifestação cíclica.
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O “redirecionamento” final aparece como inversão total da subversão precedente.
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As duas fases da ação antitradicional podem ser caracterizadas distintamente.
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A primeira fase é obra de desvio, culminando no materialismo.
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A segunda fase é obra de subversão, visando a uma “espiritualidade às avessas”.
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As forças sutis inferiores convocadas são forças subversivas.
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A utilização invertida de vestígios tradicionais também constitui subversão.
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Tais vestígios, abandonados pelo “espírito”, caem nas regiões inferiores do domínio sutil.
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Um exemplo notável de subversão é a inversão intencional do sentido legítimo dos símbolos tradicionais.
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Essa inversão constitui caso típico de uso “às avessas”.
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A questão remete ao duplo sentido inerente aos símbolos.
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O duplo sentido simbólico requer explicitação para compreensão adequada.
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