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RESÍDUOS PSÍQUICOS
REINO DA QUANTIDADE E SINAL DOS TEMPOS
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Os vestígios de uma tradição degenerada são comparáveis aos resíduos psíquicos deixados por um ser após a morte.
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Quando o “espírito” se retira, permanecem apenas suportes psíquicos.
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Esses resíduos podem ser utilizados para qualquer fim.
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Podem ser manipulados conscientemente por magos ou inconscientemente por espíritas.
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Os efeitos não têm relação com a qualidade original do ser.
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Tornam-se “influências errantes”, conservando apenas aparência ilusória.
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As influências espirituais, ao atuar no mundo, necessitam de suportes psíquicos e corporais.
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Existe analogia com a constituição humana.
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Quando o princípio espiritual se retira, subsistem elementos psíquicos carregados de força.
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Quanto mais poderosa foi a ação original, mais persistentes esses elementos.
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Centros tradicionais extintos apresentam perigos proporcionais à sua antiga importância.
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Tais “conglomerados” podem reagir violentamente ou ser manipulados por “magos negros”.
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A exumação imprudente de vestígios antigos explica muitos efeitos nocivos.
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Arqueólogos modernos ignoram a natureza dessas influências.
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Civilizações degeneradas por magia deixam marcas psíquicas inferiores.
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Alguns locais ou objetos foram preparados defensivamente.
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Tais precauções não são ilegítimas, embora indiquem certa preocupação secundária.
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Elementos psíquicos “larvares” podem reagir desordenadamente.
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Fenômenos são análogos aos “cadáveres psíquicos” evocados em sessões espíritas.
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As forças atuam por sua própria natureza, independentemente de intenções passadas.
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As escavações modernas abrem “fissuras” ao reativar tais influências.
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Influências sutis podem ser captadas e utilizadas como as forças físicas.
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Podem servir a fins opostos conforme a intenção do operador.
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Um “mago negro” pode invertê-las para fins antitradicionais.
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O uso atual não guarda relação com o uso legítimo original.
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Há também tradições que sobrevivem apenas como formas vazias.
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O “espírito” retirou-se completamente.
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Permanecem conhecimentos contingentes e inferiores.
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Esses resíduos tornam-se suscetíveis a desvios.
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Influências psíquicas podem ser captadas por agentes externos.
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Utilizam-se não só objetos, mas homens vivos como suportes.
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Tais suportes conferem maior vitalidade às influências desviadas.
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O exemplo do xamanismo ilustra esse processo em certos casos.
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Uma tradição desviada está tão morta quanto uma totalmente extinta.
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A subversão implica inversão antitradicional do que subsiste.
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Antes da morte total, agentes do “adversário” podem infiltrar-se.
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Trabalham para apressar a decomposição interna.
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Se a organização morre, o inimigo utiliza o “cadáver”.
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Centros tradicionais autênticos deveriam vigiar infiltrações enquanto há tempo.
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A apropriação de antigos centros espirituais envolve também a geografia sagrada.
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Tais lugares não foram escolhidos arbitrariamente.
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Sua posição é qualificada para emissão de influências.
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Conhecimentos tradicionais podem ser aplicados “ao inverso”.
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Um ponto privilegiado serve tanto a fins espirituais quanto contrários.
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A reserva tradicional visa prevenir abusos.
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O segredo iniciático verdadeiro permanece inatingível.
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Contudo, conhecimentos contingentes exigem proteção prática.
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O princípio “corruptio optimi pessima” aplica-se com particular força.
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A corrupção é literal, comparável à decomposição de um ser vivo.
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Produtos de dissolução tornam-se contagiosos.
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Exercem ação desagregadora onde quer que atuem.
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Podem ser dirigidos por uma vontade consciente.
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Configura-se uma espécie de necromancia aplicada a resíduos coletivos.
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Tal prática possui alcance muito superior à feitiçaria comum.
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A cegueira moderna impede perceber a gravidade dessa situação.
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