User Tools

Site Tools


guenon:rqst:xxxvii

O ENGODO DAS "PROFECIAS"

REINO DA QUANTIDADE E SINAL DOS TEMPOS

  • As pretensas “profecias” modernas, que deveriam ser propriamente chamadas de “predições”, constituem um misto de verdade e falsidade, originando-se de fontes diversas como ciências tradicionais secundárias ou visões de “videntes” sinceros mas pouco esclarecidos, cujas interpretações confusas e frequentemente deformadas são exploradas para turvar a mentalidade pública e servir aos propósitos da subversão, independentemente de se concordarem ou se contradizerem.
    • O termo “profecias” só se aplica propriamente às que provêm de inspiração espiritual nos Livros sagrados; para as demais, o termo correto é “predições”.
    • Algumas predições obtidas por ciências tradicionais secundárias são as mais válidas, mas seu sentido é obscuro e sujeito a interpretações errôneas ou “tendenciosas”.
    • A maioria das predições modernas provém de “videntes” sinceros, mas pouco esclarecidos, que percebem coisas confusas sobre um futuro mal determinado e as expressam ainda mais confusamente, misturando-as com suas próprias ideias.
    • Essas predições, geralmente apresentando um aspecto inquietante e terrífico, são propagadas para perturbar a mentalidade pública, e seu efeito é reforçado tanto se concordam entre si como se se contradizem, pois em ambos os casos aumentam o desordem.
    • As predições, provindo de regiões baixas do domínio psíquico, trazem consigo influências desequilibrantes e dissolventes que aumentam seu perigo, podendo afetar até os que não creem nelas.
  • As predições, mesmo as que contêm traços de certas verdades, são deformadas pelos “espelhos” do psiquismo inferior e pela mentalidade dos videntes, que as “materializam” e “localizam” em suas ideias preconcebidas, e sua propagação, muitas vezes a partir de “videntes” que são também “sugestionados”, constitui um dos sintomas mais significativos da segunda fase da ação antitradicional, ligando-se a “subterrâneos” tenebrosos cuja história verdadeira difere da oficial.
    • Exemplos de predições, como as que falam do “Grande Papa” e do “Grande Monarca”, contêm traços de verdades, mas estranhamente deformadas pelos “espelhos” do psiquismo inferior e “materializadas” e “localizadas” conforme a mentalidade dos videntes.
    • A forma como essas coisas são apresentadas pelos videntes, que são também “sugestionados”, liga-se de perto a certos “subterrâneos” tenebrosos, cujas ramificações, desde o início do século XIX, dariam uma história bem diferente da oficial.
    • A simples propagação de predições é a parte mais elementar do trabalho de subversão, pois o trabalho já foi feito, em grande parte, pelos próprios “videntes”.
  • Outro aspecto desse trabalho consiste em elaborar interpretações mais sutis para fazer as predições responderem a certos desígnios, como no caso das baseadas em conhecimentos tradicionais (incluindo profecias bíblicas), cuja obscuridade é aproveitada por intérpretes que, frequentemente de boa-fé mas “sugestionados”, propagam uma espécie de “epidemia” psíquica cujo ponto de partida, como o de todas as manifestações do desordem moderno, supõe uma vontade consciente.
    • É necessário elaborar interpretações mais sutis para fazer as predições responderem a certos desígnios, como no caso das baseadas em conhecimentos tradicionais, cuja obscuridade é posta a proveito.
    • Profecias bíblicas são objeto de interpretações “tendenciosas” por autores frequentemente de boa-fé, mas que contam entre os “sugestionados” que servem para sugestionar outros, numa espécie de “epidemia” psíquica cujo ponto de partida, como o de todas as manifestações do desordem moderno, supõe uma vontade consciente.
    • A difusão crescente de certos “artes divinatórios”, resíduos incompreendidos de antigas ciências tradicionais, também é perigosa, pois sua prática, sob pretexto de “intuição”, abre a porta a influências psíquicas de caráter duvidoso.
  • Também são utilizadas, por meio de interpretações apropriadas, predições de origem suspeita mas antiga, que podem ter sido preparadas desde os inícios da devoção moderna (séculos XIV a XVI) para uma ação de longo prazo, preparação que nunca cessou e que se manifesta, entre outras formas, na sugestão de videntes modernos e na organização de “aparições” de caráter pouco ortodoxo, mostrando a intervenção direta de influências sutis.
    • Utilizam-se, por meio de interpretações apropriadas, predições de origem suspeita mas antiga, que podem ter sido preparadas desde os inícios da devoção moderna (séculos XIV a XVI) para uma ação de longo prazo.
    • Essa preparação nunca cessou, prosseguindo sob outras modalidades, como a sugestão de videntes modernos e a organização de “aparições” de caráter pouco ortodoxo, onde se mostra a intervenção direta de influências sutis.
    • Mesmo predições aparentemente “fabricadas” de todo podem envolver tais influências, devido à fonte “contra-iniciática” de sua inspiração primeira e ao uso de certos elementos como “suportes” para sua elaboração.
  • Um exemplo notável de fabricação de predições é o das chamadas “profecias da Grande Pirâmide”, que, por meio de medições arbitrárias dos corredores e câmaras, pretendem extrair datas e períodos históricos, mas que, ao reduzi-las exclusivamente a uma perspectiva judaico-cristã, cometem o absurdo lógico de transformar o monumento egípcio em algo “judaico-cristão”, revelando pela presença de elementos grotescos, como a datação de acontecimentos modernos (primeiros caminhos de ferro), a verdadeira origem dessas interpretações.
    • As “profecias da Grande Pirâmide” são um exemplo surpreendente de fabricação, difundidas na Inglaterra e no mundo para fins que vão além da política, ligadas à ideia de que os ingleses seriam descendentes das “tribos perdidas de Israel”.
    • Medindo-se as partes da Grande Pirâmide de forma arbitrária, fazem-se corresponder os números a períodos e datas da história, pretendendo-se descobrir “profecias”.
    • O absurdo manifesto é que, em vez de se referirem à história geral do mundo ou à do Egito, essas interpretações reduzem tudo ao ponto de vista do Judaísmo e do Cristianismo, como se a Pirâmide fosse um monumento “judaico-cristão”.
    • A “cronologia” bíblica usada é contestável e conforme ao “literalismo” protestante mais estreito, adaptada à mentalidade do meio onde seria difundida.
    • A ausência de datas marcantes até o advento dos primeiros caminhos de ferro revela uma perspectiva moderna na apreciação dos eventos, traindo a origem da interpretação pelo elemento grotesco que sempre acompanha as obras do “diabo”.
  • Além de aumentar o desordem, as predições são usadas como meio de sugestão direta para contribuir efetivamente para a produção de certos eventos futuros, criando um “estado de espírito” favorável à realização de algo que se insere nos desígnios subversivos, uma perspectiva pouco tranquilizadora para um futuro próximo, independentemente de atitudes sentimentais como otimismo ou pessimismo.
    • Anúncios baseados nas “profecias da Grande Pirâmide” ou outras predições, marcando datas para “a entrada da humanidade numa era nova” ou “um renovo espiritual”, já passaram sem que nada de particularmente marcante tenha ocorrido.
    • Há uma utilização das predições como meio de sugestão direta para determinar efetivamente a produção de certos eventos futuros, como no caso de se anunciar insistentemente uma revolução para ajudar a fazê-la eclodir no momento desejado.
    • Trata-se de criar um “estado de espírito” favorável à realização de “algo” que se insere nos desígnios subversivos, perspectiva pouco tranquilizadora para um futuro próximo, independentemente de atitudes sentimentais como “otimismo” ou “pessimismo”, que são alheias ao ponto de vista tradicional.
guenon/rqst/xxxvii.txt · Last modified: by 127.0.0.1

Except where otherwise noted, content on this wiki is licensed under the following license: Public Domain
Public Domain Donate Powered by PHP Valid HTML5 Valid CSS Driven by DokuWiki