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PASSADO À LUZ DO PRESENTE
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A interrogação acerca de uma eventual mudança de atitude dos povos antigos em relação a seus primeiros antepassados, caso possuíssem os conhecimentos científicos modernos, introduz o problema da compatibilidade entre religião e ciência.
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A atitude dos antepassados encontrava-se amplamente fundamentada na religião.
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A questão sugere possível tensão entre saber tradicional e saber científico.
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A análise das chamadas “pedras de tropeço” deve ser conduzida à luz autêntica da religião e da ciência, distinguindo-as de suas deformações.
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A oposição aparente pode derivar de interpretações desviadas.
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A investigação requer discernimento entre letra e espírito.
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A cronologia da Criação segundo a interpretação literal do Antigo Testamento não pode ser afirmada como exigência necessária da religião.
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A expressão “mil anos são para Ti como um dia” relativiza a noção humana de tempo.
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Os “dias” sagrados podem designar períodos divinos incomparavelmente superiores ao dia humano.
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A leitura literal da datação aproximada de 4000 a.C. revela-se problemática.
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A ciência não pode admitir que a Terra tenha sido criada há cerca de seis mil anos, pois múltiplas evidências demonstram a anterioridade da Terra e do homem.
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Provas arqueológicas e geológicas apontam para uma antiguidade muito maior.
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A refutação científica incide sobre a cronologia literal.
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A refutação científica da letra das Escrituras não implica refutação de seu espírito, pois razões espirituais e qualitativas do tempo relativizam a cronologia literal sem diminuir a espiritualidade medieval.
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Os homens do Médio Age possuíam percepção mais qualitativa do tempo.
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A incongruência espiritual de uma criação rapidamente seguida por um dilúvio total suscita reflexão.
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A responsabilidade humana era enfatizada mais que a divina.
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A perspectiva moderna tende a considerar também responsabilidades divinas.
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A posição adotada depende do grau de desapego espiritual.
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A sensibilidade contemporânea acerca do que convém à Glória de Deus harmoniza-se mais com a perspectiva antiga dos ciclos do que com a cronologia medieval estrita.
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A tradição dos quatro idades — Ouro, Prata, Bronze e Ferro — encontra-se entre Gregos e Romanos.
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A mesma doutrina aparece entre Hindus e Índios da América do Norte.
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No Hinduísmo, a Idade de Ouro é a mais longa e qualitativamente superior.
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A Idade de Ferro corresponde ao período mais curto e sombrio, já com mais de seis mil anos.
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As designações arqueológicas modernas de “Idade do Bronze” e “Idade do Ferro” não coincidem com os ciclos tradicionais.
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A tradição universal dos quatro idades não contradiz o Livro da Gênese, mas favorece interpretação alegórica dos nomes e acontecimentos.
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Certos nomes podem designar períodos inteiros.
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Adam pode significar tanto o primeiro homem quanto a humanidade primordial.
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A duração da humanidade primitiva estende-se por milênios.
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A religião requer a afirmação de um estado primordial de excelência do homem seguido de queda, ainda que em sentido alegórico.
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A alegoria expressa verdade e não seu contrário.
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Judaísmo, Cristianismo e Islã ensinam a perfeição primordial e a queda.
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As religiões convergem na doutrina da involução e não da evolução.
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A adesão científica à teoria da evolução revela controvérsias internas e elementos de crença que ultrapassam a demonstração empírica.
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Paul Lemoine qualificou a teoria da evolução como impossível.
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Louis Bounoure citou Yves Delage reconhecendo ausência de observação direta da transformação de espécies.
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Jean Piveteau admitiu que nenhuma teoria explicativa satisfaz plenamente os fatos.
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Douglas Dewar sublinhou o mistério persistente das origens humanas.
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Divergências conjecturais entre evolucionistas revelam ausência de consenso.
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O sucesso da teoria de Darwin relacionou-se à convicção moderna do progresso e da superioridade do homem europeu do século XIX.
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A ideia de progresso preparou terreno para a hipótese do ancestral infra-humano.
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Minorias científicas contestaram a base empírica da teoria.
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Crescente número de estudiosos passou a reexaminar criticamente o evolucionismo.
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O conhecimento científico do passado pré-histórico pouco alteraria a visão tradicional dos antigos quanto aos aspectos materiais da vida humana primitiva.
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Antigos concebiam os primeiros homens vivendo em simplicidade natural.
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A diferença principal reside na interpretação valorativa dos mesmos fatos.
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A mudança moderna atinge sobretudo o sentido dos valores.
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A vida em cavernas e florestas não implicava juízo depreciativo nas tradições antigas, como ilustrado por Shakespeare e pelo ideal eremítico medieval e oriental.
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O Duque na floresta de Arden celebra o mundo natural.
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A presença contínua de eremitas venerados no Ocidente atesta esse valor.
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Entre Hindus, a retirada final à natureza permanece ideal espiritual.
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A agricultura, após certo desenvolvimento, pode ser vista como etapa decisiva na degenerescência humana, simbolizada por Caim no relato da Gênese.
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Caim representa a fixação territorial e fundação de cidades.
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A vida pastoral associa-se à inocência.
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Tacite relata a aversão germânica às casas.
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Povos nômades, como certos Índios, preservam ideal de liberdade não fixada.
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A recusa da fixação e da escrita entre povos como os Índios da América do Norte e os Druides revela fundamento espiritual positivo.
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A escrita pode “fixar” e “cristalizar” o fluxo espiritual.
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César menciona a relutância druídica em escrever doutrinas sagradas.
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A tradição oral demonstra capacidade extraordinária de preservação.
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A literatura oral, segundo A.K. Coomaraswamy, precede e frequentemente independe da escrita, e a alfabetização pode precipitar sua decadência.
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Grandes textos como Bíblia, Vedas e Eddas existiram oralmente.
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A alfabetização pode destruir rapidamente tradições orais.
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Observações sobre gaélico e Novas Hébridas confirmam precisão e beleza da oralidade.
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Árabes pré-islâmicos valorizavam pureza linguística beduína.
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A civilização e a escrita tendem a enfraquecer a vigilância linguística e a vitalidade da língua falada.
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A duplicidade entre língua escrita e oral favorece degenerescência.
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A nova tradução inglesa da Bíblia testemunha empobrecimento.
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A fala exerce influência direta sobre a alma.
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A escrita possui utilidade, especialmente na preservação de heranças espirituais, mas não confere superioridade intrínseca.
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Arquivos escritos preservaram herança judaica.
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Artes caligráficas sugerem inspiração sagrada da escrita.
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A imprensa, mais que a escrita, multiplicou livros inúteis.
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A escrita tornou-se necessária após certo grau de degeneração.
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A tradição judaica e islâmica ensina que Adam recebeu linguagem verdadeira por Revelação Divina, ideia não refutada pela filologia.
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Cada língua conhecida deriva de forma mais antiga e mais potente.
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Línguas antigas exibem maior complexidade e sutileza.
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O tempo simplifica formas, sons e sintaxe.
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A vitalidade orgânica das línguas antigas manifesta-se na capacidade interna de formação de palavras, ao passo que línguas modernas dependem de criações artificiais.
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Línguas antigas podem ser consideradas vivas mesmo quando não faladas.
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Modernas podem ser chamadas “mortas” sob certo aspecto estrutural.
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A distinção entre complexidade ordenada e complicação desordenada aplica-se tanto à alma humana quanto às línguas sintéticas antigas.
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Simplicidade verdadeira implica integração interior.
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Línguas sintéticas modulam partes do discurso como elementos da alma.
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A unidade concentrada da frase reflete unidade espiritual.
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A língua árabe constitui exemplo notável de conservação linguística devido à centralidade do Alcorão e à memorização rigorosa.
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Árabes pré-islâmicos eram majoritariamente iletrados.
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O Alcorão fixou modelo linguístico arcaico.
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Ciência da recitação preservou pronúncia exata.
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Dialetos convivem com retorno frequente ao árabe clássico.
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Situação análoga verifica-se no sânscrito.
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Antigos possuíam órgãos auditivos e articulatórios mais delicados.
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A filologia revela tendência histórica descendente paralela à tendência cosmológica reconhecida por cientistas como Dewar, convergindo parcialmente com a visão religiosa.
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Física, química e astronomia reconhecem necessidade de “remontar” o universo.
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Religião afirma possibilidade de resistência individual à tendência descendente.
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Alguns podem nadar contra a corrente.
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Uma elite pode remontar à fonte já nesta vida.
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