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GNOSIS

LINGS, Martin. A Sufi saint of the twentieth century: Shaikh Aḥmad al-ʻAlawī : his spiritual heritage and legacy. 2d ed., rev and enl. 1st California pbk. ed ed. Berkeley: University of California Press, 1973.

  • O Shaikh al-Alawi distingue impossibilidade autoevidente — a de relegar a Essência, pondo-a de lado — de impossibilidade não autoevidente — a de o olho corporal ver a Essência como distinta do mundo sensível, o que equivaleria a relegá-la a outro lugar que não este mundo, impossibilidade não percebida por Moisés ao pedir para ver Deus.
    • O versículo alcorânico VII, 143 fundamenta o episódio de Moisés.
  • Quando Moisés pediu para ver Deus separado do mundo, a resposta divina foi que Ele não está fora nem dentro do mundo, nem separado nem unido a ele, e que a visão da montanha firme em seu lugar seria o sinal da visão Dele; ao manifestar-Se à montanha, o entre foi obliterado, o onde desapareceu, e o olho de Moisés foi substituído pelo Olho divino, fazendo-o desmaiar.
    • A expressão “o olho foi refrescado com o Olho” significa que o olho humano de Moisés foi substituído pelo Olho divino, isto é, pela Essência.
    • A fonte desta passagem é o Minah, p. 28.
  • A diferença entre a Manifestação da Verdade à montanha para Moisés e à Árvore Lote para Muhammad está no fato de Moisés estar despreparado — daí a violência extrema —, enquanto Muhammad estava plenamente preparado, pois na Viagem Noturna seu olho exterior estava espontânea e perfeitamente coordenado com seu olho interior.
    • O Shaikh afirma, porém, ser possível ao olho exterior, ainda neste mundo, ver a Verdade, desde que alcance perfeita coordenação com o olho interior.
    • A Árvore Lote do Fim Último é a árvore celeste vista por Muhammad em sua Viagem Noturna e marca o cume do universo criado.
  • O olho exterior é o raio do olho interior, e o faqir não deve abrir o olho exterior em busca da Realidade antes de estabelecer a conexão entre ambos; quando, por essa conexão, o olho exterior se torna pura visão interior, o Senhor do versículo “Nada há semelhante a Ele” é visto e ouvido com todas as faculdades.
    • Ali, neto de Umar ibn al-Farid, na Ainiyyah, l. 32, é citado: “Sou todo olhos quando Ele aparece diante de mim / assim como, quando Ele fala comigo, sou todo ouvidos.”
    • O Intelecto é posto de guarda avançado da Visão Divina, e seu raio alcança virtualmente o olho exterior; todas as faculdades exteriores são raios diferenciados do Intelecto que, como síntese, pode ser chamado “olho interior”, “ouvido interior” etc.; pela coordenação, o tato, o olfato e o paladar tornam-se como que dotados de visão e audição.
    • A fonte é o Minah, p. 174.
  • O Alcorão menciona duas visões da Verdade durante a Viagem Noturna: uma com o olho interior, o Coração, e outra com o olho exterior, sendo a visão da Árvore Lote a segunda, descrita nos versículos LIII, 13-18.
  • No comentário Lubab al-Ilm fi Surat Wa'n-Najm, o Shaikh explica que a visão da Árvore Lote foi com o olho dos sentidos, enquanto a anterior foi com o olho da inteligência, e que a Árvore Lote significa toda a manifestação que cresce de sua raiz nEle, sendo também chamada Árvore do Universo.
  • A visão da Árvore Lote foi mais excelente que a precedente por unir elementos separados e integrar fragmentos dispersos; quem alcança este ponto é envolto pelas Luzes da Presença Divina e a toda a hierarquia dos seres criados desaparece na manifestação das Luzes dos Nomes e Qualidades, de modo que nada se vê sem ver nisto Deus.
    • O versículo alcorânico XXIV, 35 é evocado: “Deus é a Luz dos Céus e da Terra.”
    • O olho exterior de Muhammad estava, em sua visão, uno com seu olho interior, razão pela qual Deus o elogiou: “Seu olho não vacilou nem transgrediu.”
  • A Verdade não pode ser vista por olhos exteriores a menos que sua visão seja invertida e assuma a função do olho interior, como ocorreu com Muhammad; o Ruh al-Bayan, citando At-Tawilat an-Najmiyyah de Ahmad as-Samnani (m. 1336), afirma que a visão do outro mundo de Muhammad uniu-se à sua visão terrena, de modo que com a primeira contemplou o Aspecto Interior da Verdade e com a segunda o Aspecto Exterior.
  • O impedimento à visão da Verdade com o olho exterior não é recusa da Verdade, mas falta de preparação da visão; o que impede as criaturas é não reconhecerem o que têm diante dos olhos, veladas não por outra coisa senão pela própria obtusidade; o privilégio especial do Profeta vem de sua maior perfeição na penetração intelectual, pois sabia com certeza que a visão não pode fixar-se no nada e que portanto nenhum objeto visível está vazio da Manifestação Exterior da Verdade.
    • Quem herda a menor parcela da penetração do Profeta não está cortado da Manifestação Exterior da Verdade nas coisas.
  • A visão do Coração estava hierarquicamente mais próxima da Verdade do que a do olho exterior, e esta só alcançou a união de elementos separados porque o universo foi envolto pelas Luzes de Unificação acesas da árvore do versículo “Para onde quer que vos volteis, lá está a Face de Deus”; quem alcança Isso chegou a um Fim além do qual não há passagem, e Muhammad o alcançou no Maior Sinal, que não era da categoria dos seres criados nem das Manifestações dos Nomes e Qualidades, mas a visão direta das Luzes da Santa Essência.
    • A Árvore Sagrada da Oliveira que não é do Oriente nem do Ocidente, do Versículo da Luz, é a árvore do “para onde quer que vos volteis”, ou seja, a árvore da Gnose.
    • As Luzes dos Nomes e Qualidades foram preparação transitória para as Luzes Supremas do Maior Sinal; para que as palavras se reabsorvam no Ponto, devem primeiro reabsorver-se nas letras.
    • O Profeta disse: “Tenho um tempo em que somente meu Senhor me basta para conter-me” e também: “Aumenta-me, ó Senhor, em admiração por Ti.”
  • A afirmação da possibilidade de o olho exterior contemplar diretamente a Verdade é considerada improvável pela maioria dos letrados e foi negada pelos mutazilitas, que exigiam a localização do objeto visto para que a visão recaísse sobre ele, sem perceber que o mesmo argumento impediria Deus de ver as criaturas, o que implicaria atribuir-Lhe incapacidade; o remédio é deixar as questões desses estados espirituais a seus mestres, pois seus mistérios estão além do alcance da maioria das inteligências.
    • Os mutazilitas são uma seita herética racionalista do Islã primitivo.
    • A fonte é o Lubab, pp. 8-10.
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