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TRÊS MUNDOS
LINGS, Martin. A Sufi saint of the twentieth century: Shaikh Aḥmad al-ʻAlawī : his spiritual heritage and legacy. 2d ed., rev and enl. 1st California pbk. ed ed. Berkeley: University of California Press, 1973.
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O relato de Mawlāy Al-'Arabi ad-Darqāwi sobre a revelação da hierarquia do Ser Absoluto mediante a compreensão de que não há outro manifestado senão Deus, após ouvir a voz repetir os Nomes divinos “o Primeiro, o Último, o Manifesto, o Oculto” e questionar a aparente existência de criaturas como manifestação externa.
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A percepção direta da realidade de que, se houvesse qualquer outro manifestado além d'Ele, a voz o teria informado.
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A realização, naquele momento, de toda a hierarquia do Ser Absoluto.
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O comentário do Shaikh sobre os atributos necessariamente pertencentes a Deus, listados por Ibn 'Ashir, enfatizando que o Ser é prerrogativa divina, sendo o Ser Absoluto ilimitado e imensurável, e que Sua manifestação é tão evidente aos Gnomos quanto os objetos sensíveis o são aos velados.
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A impossibilidade de existir qualquer outro ser juntamente com este Ser, dada a Sua Ilimitação e a Força de Sua Manifestação.
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A constatação do Gnóstico, ao percorrer a Infinitude, de que não encontra início, limite ou escapatória, sendo então chamado pelas Verdades dos Nomes e Atributos a render-se ao Ser.
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A rendição final ao Ser, com a percepção de que, além d'Ele, não há nem nada nem ser.
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A explicação sobre a Incomparabilidade Divina, que para os Gnomos não é um suporte de conhecimento pois a comparação é impensável, já que o vidente está envolvido no que é visto e não há nada com ser além de Deus para ser comparado a Ele.
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A utilidade da qualificação de Incomparabilidade como arca de salvação para os velados.
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A transcendência da Transcendência que se revela aos Gnomos, cujas tentativas de expressá-la podem resultar em afirmações que, embora soem como comparação aos velados, são na verdade uma afirmação extrema de Transcendência.
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A segurança contra a limitação de Deus estar apenas na companhia dos Gnomos e na senda daqueles que realizam a Unicidade.
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A ineficácia de afirmar a Transcendência com a língua enquanto o coração afirma a semelhança, pois a afirmação de semelhança pelos Gnomos transcende a afirmação de Transcendência do comum das pessoas.
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A formulação da Unicidade Divina em Essência, Atributos e Ações, com base no princípio de que “Deus era, e nada havia com Ele” e que “Ele é agora como era”, pois os Atributos não subsistem por si mesmos separados da Essência.
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A impossibilidade de haver qualquer ato senão o Ato de Deus, como realização da Unicidade na Ação.
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A divisão dos “Folk” em três grupos: os que veem um só Agente através da multiplicidade das ações; os que realizam a Unicidade nos Atributos; e os que realizam a Unicidade na Essência, velados de todo o mais.
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A condição dos essencialistas e Gnomos unificadores, para quem não há senão Deus, em contraste com os velados que apenas ouviram falar da doutrina.
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A caracterização dos Sete Atributos divinos (Poder, Vontade, Conhecimento, Vida, Audição, Fala, Visão) como véus sobre a Essência, cada um velado por suas próprias manifestações, e sua distribuição por três mundos distintos.
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A função dos Atributos como véus devido à força da manifestação externa da Essência.
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A especificidade de Audição, Visão e Fala pertencerem ao Mundo do Sensível Humano (nasut); Poder, Vontade e Conhecimento ao Mundo do Domínio (malakut); e Vida ao Mundo da Dominação (jabarut), sem que nenhum deles se separe da Essência.
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A explicação de que a dependência dos Atributos em relação às coisas criadas significa sua dependência de Si Mesmos para a manifestação, sendo Eles a própria tessitura de todas as coisas existentes.
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A unicidade do Ato com o Agente, tanto antes quanto depois de sua existência, pois as coisas em si mesmas são nada.
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A paráfrase do ensinamento oral do Shaikh sobre a doutrina do Shaikh Al-Buzidi, que afirma a existência de um só Mundo, o Real, sendo o mundo sensível um conglomerado de véus dos sentidos que ocultam esse Mundo e que, uma vez removidos, revelam a continuidade entre a centelha da consciência humana e a Grande Luz do Infinito.
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A identificação dos sentidos (visão, audição) como os véus sobre a Verdadeira Visão e a Verdadeira Audição.
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A possibilidade, mediante a percepção da continuidade, de a consciência fluir e espraiar-se no Infinito através da prece, tornando-se Uma com Ele.
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O direito do Sufi, nesse estado, de exclamar “Eu sou Allah”, com a invocação do nome divino servindo como intermediário que afirma a continuidade até a “fusão na identidade”.
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O comentário do Shaikh sobre os opostos dos Atributos Divinos, inerentes ao escravo, que é o mundo inteiro e tudo o que é “outro”, enfatizando que o reconhecimento da própria nulidade, extinção, surdez, mudez e cegueira é o caminho para ser incrementado com os Atributos de Deus.
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A necessidade de o escravo realizar seus próprios atributos (nulidade, extinção, morte, surdez, mudez, cegueira) para ser incrementado com os de Deus.
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A ilustração da inexistência do escravo através da metáfora da cebola, que ao ser descascada nada resta, e do comentário de Rabi'ah al-'Adawiyyah de que a existência própria é um pecado incomparável.
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A afirmação de que a surdez, a mudez e a cegueira do escravo o impedem de ouvir o Discurso de Deus, de falar com Sua Fala e de ver Sua Manifestação, o que só é possível ao reconhecer essas faltas.
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A promessa de que, ao realizar sua cegueira e aproximar-se de Deus, Ele se tornará sua Audição e sua Visão, permitindo que ouça e veja somente a Ele.
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O dito de um Gnóstico sobre a manifestação de Deus nas coisas criadas, sendo o homem um pedaço cortado de Sua Própria Essência, nem unido nem separado d'Ele.
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A distinção feita pelo Shaikh entre o uso de provas lógicas sobre a Eternidade de Deus, adequado para iniciantes, e a certeza dos Gnomos, que, firmes na contemplação direta, não imaginam vicissitude na Divindade e entendem a prova em outro sentido.
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A inadequação do raciocínio lógico sobre fases e vicissitudes na Divindade para os Gnomos, cujo cérebro não pode concebê-lo.
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A compreensão dos Gnomos de que, na presença do Ser Puro, não apenas o ser relativo, mas também a pura nulidade, desvanece-se.
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A ideia de que toda impossibilidade aparente encerra uma Verdade divina subjacente, conforme o versículo “Para onde quer que vos volteis, aí está a Face de Deus”.
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A ressalva de que apenas quem realizou a Verdade da Unicidade na Essência compreende que esta Unicidade recusa qualquer coisa coexistente com Ela, pois o mundo é uma de Suas Manifestações e Luzes.
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A interpretação do Shaikh para a experiência de Abraão com os astros, descrita no Alcorão, como uma afirmação da Transcendência divina em cada coisa e uma recusa em conhecer Deus apenas em formas limitadas e transitórias, culminando na inocência de tudo o que é posto ao lado de Deus.
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A revelação a Abraão da verdade indicada em “onde quer que vos volteis, aí está a Face de Deus”, levando-o a encontrar a Verdade do Criador em cada coisa criada.
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A declaração “Não amo as que se põem” como expressão da recusa em fixar-se em formas passageiras de manifestação divina, para não esquecê-Lo quando a forma desaparece.
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O desejo de Abraão de conhecer Deus em todas as Suas manifestações, não em apenas uma, e a prova de sua sinceridade quando Deus o testou com a ordem de sacrificar o filho predileto.
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A exortação para que se conheça Deus tanto na Sua Beleza quanto na Sua Majestade, não apenas nos estados de expansão e outorga, mas também nos de contração e privação, pois o conhecimento nascido da realização abrange todos os estados e opostos.
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A necessidade de estar profundamente fundado em todos os estados e considerar Deus nos opostos, sob pena de um conhecimento superficial.
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O exemplo do simbolismo da peregrinação, onde a circum-ambulação significa estar submerso na Unicidade, e o percurso entre Safa e Marwah representa o balanço entre a Beleza e a Majestade.
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O relato de Sidi Muhammad al-Buzidi que, em meio ao sofrimento e paralisia, identificou a ilusão de um corpo estranho como exemplo da ilusão do buscador antes da Gnose, encontrando-se sempre com Deus para além das manifestações de Majestade ou Beleza.
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A condição do Gnóstico que, estando com Aquele que contrai e expande, é ativo e não passivo, sendo embalado pela Mão do Cuidado Divino em ambos os estados.
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O convite para que o buscador se volte a Deus, deixando-se buscar pela Estação, e ocupe-se apenas em proclamar o Infinito até que a Perfeição seja seu atributo.
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O comentário sobre a Gnose, que só é completa quando se conhece Deus de todos os pontos de vista, pois onde quer que se voltem os sentidos, inteligências ou imaginações, ali está a Face de Deus, estando todo ser compreendido na afirmação da Unicidade (la ilaha illa 'Llah).
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A compreensão de que em cada “onde” há um “olho” (ain) e que tudo é “não há deus senão Deus”.
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A divisão do ser na fórmula: o ser da criação, que é nulo (bātil), cai sob “la ilaha” (negação), e o ser da Verdade, sob “illa 'Llah” (afirmação).
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A abrangência de todo o mal sob a primeira metade e de tudo o que é louvável sob a segunda.
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A explicação de que o segundo testemunho (Muhammadun Rasulu 'Llah) compreende os três mundos, com “Muhammad” indicando o Mundo do Reino sensível, o termo “Apostolo” indicando o Mundo do Domínio mediador, e o Nome da Divindade apontando para o Mundo da Dominação, de onde ambos emanam.
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A função de “Rasul” (mensageiro) como mediador entre o efêmero e o Eterno, sem o qual a existência seria aniquilada pelo encontro direto entre ambos.
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A ordenação do mundo a partir da exata relação do Apóstolo, que é exteriormente argila e interiormente o Califa do Senhor dos Mundos.
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A necessidade da Unicidade na Essência, Atributos e Ações, compreendida em “Muhammadun Rasulu 'Llah”, para que o significado da afirmação da Unicidade seja completo.
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A exortação final para que não se busque a Gnose através da mera enunciação da fórmula, mas que se conheça a Deus como Ele é, através da negação efetiva de tudo o que é “outro” por meio da percepção direta e visão face a face, orientada por um Shaikh experimentado.
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A constatação de que o mero dizer “la ilaha” com a língua não faz a negação efetivar-se, ao contrário dos “Folk” que negaram a existência de outro senão Deus e encontraram descanso.
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A necessidade de frequentar um médico que ensine a arte da obliteração de tudo exceto Deus, conduzindo à sobriedade onde nada além d'Ele é encontrado.
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A distinção entre o conhecimento do comum das pessoas (“Ninguém é adorado com verdade senão Deus”) e o conhecimento dos “Folk”, que requer a negação de tudo pela mão de um Shaikh até que reste apenas Deus por percepção direta.
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A advertência de que o conhecimento atual (da mera frase) é o que separa o buscador do conhecimento verdadeiro, pois ouvir falar não é o mesmo que ver face a face.
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