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ACONSELHAMENTO (1)
PALLIS, Marco. The Way and the Mountain: Tibet, Buddhism, and Tradition. 1st ed ed. New York: World Wisdom, Incorporated, 2008.
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A função de upaguru, conforme definida pela perspectiva tradicional e comentada por René Guénon, designa o instrutor ocasional cuja autoridade não reside em qualificações especiais, mas em uma conjunção particular de circunstâncias.
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Qualquer ser humano, animal, planta ou objeto inanimado pode atuar como substituto do mestre para trazer iluminação relativa a quem dela necessita.
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O termo iluminação, embora empregado em sentido relativo, justifica-se quando o conhecimento obtido contribui espiritualmente para a meta final da libertação.
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O agente humano dessa instrução deve aceitar a responsabilidade como parte de seu próprio karma e submissão à lei universal, tratando o episódio como uma oportunidade espiritual vinculada ao seu dharma.
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A experiência de ser consultado por buscadores ansiosos sob a pressão do mundo moderno é um desdobramento natural para aqueles que publicam obras imbuídas do espírito tradicional, inspirados pelo exemplo de Guénon.
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Leitores de obras tradicionais frequentemente sentem a necessidade premente de dar efeito prático às doutrinas assimiladas intelectualmente.
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O aconselhamento espiritual torna-se uma extensão da vocação de quem se dedica à exposição das verdades perenes.
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O preparo para o exercício da instrução ocasional exige desapego, flexibilidade e o reconhecimento das próprias limitações para evitar que o buscador seja repelido por avaliações sumárias ou manejos temperamentais falhos.
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A disposição para discutir temas vitais com distanciamento raramente é inata, exigindo paciência frente à falta de objetividade inicial do interlocutor.
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A consciência da própria insuficiência atua como um corretivo essencial contra a impaciência ou a complacência do instrutor.
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A condução do aconselhamento oscila entre a necessidade de respostas rigorosas que confrontam desejos secretos e a paciência frente a reações sentimentais ou irritabilidade resultantes da divisão mental do buscador.
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Pessoas em estado de dúvida aguda vivem sob tensão, o que pode gerar sintomas de hostilidade durante o diálogo espiritual.
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Em casos de buscadores que buscam apenas validar decisões predeterminadas, uma resposta direta e cortante pode ser o único recurso eficaz.
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A função de upaguru não depende de qualificações transcendentes, sendo a própria busca do aconselhado um reconhecimento de uma superioridade temporária e limitada que não fere a verdadeira humildade do instrutor.
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Nenhum instrumento humano é plenamente adequado a uma vocação divinamente conferida, portanto a indignidade pessoal não invalida o ofício.
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A desproporção entre a fraqueza do instrutor e a grandeza da verdade transmitida serve para ilustrar a transcendência da fonte de iluminação.
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A eficácia de um ofício sagrado ou de uma função tradicional é objetiva e independe das deficiências morais ou da santidade pessoal do ocupante, princípio que invalida ataques baseados em falhas individuais de clérigos ou autoridades.
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O valor de uma função tradicional permanece idêntico à sua origem, independentemente da corrupção ou virtude de quem a exerce temporariamente.
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Reformas que ignoram esse princípio tendem a converter males relativos em desordens incontroláveis.
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Diferentemente do upaguru, o Guru em sentido pleno fundamenta sua autoridade na realização espiritual e no status iniciático objetivo, tornando-o um porta-voz infalível do Self.
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O Guru possui uma qualidade espiritual adquirida que não pode ser perdida.
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Casos de humildade suprema e realismo puro ocorrem quando um mestre reconhece que o discípulo o superou, invertendo as posições de instrutor e aprendiz.
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No caso do upaguru, o instrutor pode ser, na balança geral, inferior ao consultante, sendo essa comparação irrelevante para a eficácia do momento.
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O instrutor ocasional deve exercer a caridade de encaminhar o buscador a outros meios ou leituras quando a questão excede suas capacidades ou quando o interesse demonstrado ainda é superficial.
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Referir alguém a livros adequados pode despertar uma compreensão incalculável sobre as exigências da vida espiritual.
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O encaminhamento a terceiros melhor equipados deve ser feito por zelo e não por indiferença.
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O objetivo desta exposição sobre a instrução ocasional é oferecer diretrizes práticas para o buscador sério, sem a pretensão de esgotar o tema ou tratar de casos limítrofes.
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A doutrina da ação aplicada ao aconselhamento exige um compromisso com a necessidade e a verdade.
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