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ACONSELHAMENTO (13)
PALLIS, Marco. The Way and the Mountain: Tibet, Buddhism, and Tradition. 1st ed ed. New York: World Wisdom, Incorporated, 2008.
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O reconhecimento da corrupção mundial exige um discernimento equilibrado, cuja natureza varia conforme a vocação natural ou “casta” do indivíduo, evitando que a constatação da decadência leve ao desespero.
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Para o homem de ação, uma visão dualista é normal, sendo superada apenas pelo desapego aos frutos do agir.
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Para o bhakta (devoto), o campo espiritual é matizado pela emoção, onde o fervor amoroso pode ocasionalmente obscurecer o discernimento sem comprometer a integridade de sua via.
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Exageros passionais nesses dois tipos são de importância relativa, pois o sentimento atua neles como um fator integrante da espiritualidade.
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Para o jnani (intelectual), a despaixão e a discriminação são virtudes essenciais, exigindo uma avaliação justa das formas estrangeiras para que a transparência intelectual não seja afetada por intrusões passionais.
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Críticas que excedem o discernimento equilibrado podem impedir o acesso ao Conhecimento sem forma, tornando a própria tradição do sujeito opaca.
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O instrutor deve desencorajar críticas arbitrárias, fundamentando o julgamento em critérios tradicionais rigorosos, como exemplificado pela postura de René Guénon.
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Aceitar uma forma como ortodoxa apesar de suas corrupções não é um sinal de leniência, mas de rigor metafísico.
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Figuras enigmáticas do Ocidente pós-medieval, como William Blake, demonstraram lampejos de intuição metafísica que sugerem conexões tradicionais ocultas ou dons quase proféticos, embora não devam ser tratadas como autoridades tradicionais.
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Tais casos são anomalias de um período de crepúsculo e não servem como precedentes para a espiritualidade normal, melhor observada em tempos de doutrina rigorosa.
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A manifestação esporádica da sabedoria em eras de materialismo é louvável, mas carece de evidência conclusiva para conferir status de autoridade aos seus expoentes.
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Existe uma distinção fundamental entre o gênio metafísico, que utiliza a razão humana a serviço do intelecto para expressar doutrinas, e o porta-voz tradicional, que encarna as verdades transmitidas por meio do apagamento de sua individualidade.
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No gênio metafísico, a mente desempenha um papel essencial na formulação de expressões doutrinárias admiráveis.
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O mestre tradicional manifesta a presença do intelecto sem necessariamente possuir talentos mentais acima da média, agindo como veículo da influência espiritual.
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O gênio exemplifica o uso supremo da razão; o porta-voz exemplifica a submissão da razão à ordem espiritual e à tradição.
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A verdadeira intuição metafísica depende de uma mente aberta às realidades superiores, diferenciando-se radicalmente do filosofar meramente racional ou da virtuosidade científica contemporânea.
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A mente de pensadores como A. K. Coomaraswamy ou René Guénon comunica verdades de ordem principial devido à sua não-limitação intelectual.
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O virtuoso racionalista atinge apenas o domínio geral que, isolado do universal, torna-se uma fonte fecunda de erros e ilusões.
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O julgamento final sobre qualquer sistema ou doutrina deve repousar sobre a capacidade de distinguir entre a manipulação mental e a visão intelectual pura.
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