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ACONSELHAMENTO (14)

PALLIS, Marco. The Way and the Mountain: Tibet, Buddhism, and Tradition. 1st ed ed. New York: World Wisdom, Incorporated, 2008.

  • A busca por um mestre espiritual ou guru é inerente à indagação sobre como encontrar a via em meio ao labirinto moderno, embora tal busca seja restrita por natureza àqueles cuja aspiração transcende o domínio individual e meramente religioso.
    • O acesso à tradição é um dever e direito universal, mas o caminho iniciático é seletivo e exige qualificação prévia do discípulo.
    • A escassez de mestres autênticos e a proliferação de figuras pseudo-espirituais, que utilizam a publicidade para atrair incautos, dificultam o discernimento do buscador contemporâneo.
    • Mestres verdadeiros são raros e encontram-se majoritariamente no Oriente, embora essa localização não seja uma condição absoluta de sua existência.
  • Em uma civilização normal, a aproximação ao guru ocorre organicamente através da tradição, partindo dos aspectos periféricos para o centro; no mundo anômalo atual, a necessidade do centro pode despertar subitamente em quem está fora de qualquer forma tradicional.
    • Para o buscador moderno, a vinculação tradicional deve ser despertada a posteriori como um suporte indispensável para a aspiração central já manifesta.
    • A aceitação da disciplina formal periférica torna-se o preço necessário para a obtenção do prêmio maior da realização iniciática.
    • O processo incomum de buscar a forma a partir do desejo do espírito é uma resposta razoável às condições caóticas do tempo presente.
  • O aspirante deve, por regra, aderir à forma tradicional do mestre encontrado para garantir a consistência do método, exceto em casos de elevada capacidade contemplativa onde os princípios metafísicos tornam as barreiras formais transparentes.
    • Exemplos na Índia mostram hindus recorrendo a mestres muçulmanos e vice-versa, evidenciando que o princípio unificador pode superar a variedade formal.
    • A normalidade e a conveniência ditam que a forma do instrutor seja a bússola do discípulo, salvo condições pessoais muito específicas.
  • A ausência temporária de um mestre não justifica a passividade; o buscador deve adotar uma atitude ativa, assemelhada à Parábola dos Talentos, indo ao encontro da Graça através dos recursos do exoterismo existente.
    • O caminho iniciático é ativo por definição, e o desejo meramente passivo constitui um sinal de desqualificação espiritual.
    • Bater continuamente à porta e aceitar os atrasos impostos pela Vontade Divina distingue a esperança teológica da simples ansiedade humana.
  • Diante do mestre ainda oculto, o viajor deve explorar as fronteiras máximas do exoterismo, praticando ritos, estudando escrituras rigorosas e cultivando virtudes com atenção aos menores detalhes.
    • O exoterismo vivido generosamente e com rigor prepara o terreno para “atrair a graça do guru” no momento oportuno.
    • A linha de demarcação entre o exotérico e o esotérico é um ponto de referência fluido; a realização plena das possibilidades de um domínio projeta o ser para o limiar do outro.
    • A disciplina do coração desendurece o ser até que a barreira formal se torne transparente e o mestre se manifeste.

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