pallis:arquetipos
ARQUÉTIPOS
PALLIS, Marco Alexander. A Buddhist spectrum: contributions to Buddhist-Christian dialogue. Bloomington, Ind: World Wisdom, 2003.
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O termo archetype, derivado de duas raízes gregas relativas a origem ou princípio e a fonte, ganhou destaque recente com sua adoção pela psicologia junguiana como função do inconsciente coletivo, embora esse uso restrito permaneça equívoco e insuficiente por excluir o domínio metafísico a que o conceito pertence primariamente.
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Reconhecimento de fenômenos arquetípicos no psiquismo não esclarece plenamente o sentido original do termo.
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Em chave aristotélica, tal restrição permanece no plano físico e omite a ordem metafísica.
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Todo existente relativo no vórtice samsárico possui correspondência nas águas imóveis da consciência nirvânica.
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As cores do espectro sintetizam-se na luz incolor do Vazio, permanecendo como potência e ato em unidade.
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São Tomás de Aquino afirmou que, em Deus, não há diferença entre potência e ato.
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A formulação tomista encontra paralelo budista quando transposta para a linguagem do Bodhic dharma.
A iconografia tradicional da Roda da Existência apresenta o Cosmos como círculo amplo dividido em seis segmentos de classes de seres, circundado por faixa ilustrando as doze causas interdependentes de originação desde avidya até jaramarana.-
O ser humano figura como uma das classes de seres.
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As cenas externas correspondem ao pratitya samutpada.
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A cadeia vai de ignorância a velhice e morte.
Na noite do despertar, o Buddha percorreu as causas em ordem direta e depois inversa para mostrar que o círculo vicioso de renascimento e remorte se rompe quando o conhecimento verdadeiro substitui o vazio deixado pela inconsciência.-
O processo de despertar inicia-se com o preenchimento da inteligência pela gnose.
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A reversão da cadeia indica possibilidade de cessação.
No centro do desenho aparece círculo menor com os três venenos figurados por porco, serpente e galo mordendo as caudas e girando em luta incessante, simbolizando forças que disputam o domínio sobre mentes e corpos.-
Predominância plena nunca se estabiliza, apesar das aparências.
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Os três animais representam ignorância, agressividade e desejo-apego.
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A combinação variável desses fatores colore o caráter de qualquer ser.
Os três determinantes existenciais correspondem aos três gunas da cosmologia hindu, assumidos pelo budismo com inflexão moralizante ao reinterpretar tamas, rajas e sattva.-
Tamas corresponde à não-percepção e indica inércia, passividade e fixação.
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Rajas expressa tendência expansiva e torna-se agressividade diante de obstáculos.
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Sattva sugere ascensão e aspiração ao superior, sendo veneno apenas na medida em que todo enredamento existencial é ambíguo.
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O desejo pode ser egocêntrico ou não, mas como apego permanece equívoco.
As gunas hindus, menos negativamente enviesadas que os três venenos, servem como critério prático para qualificar seres, espécies e criações humanas em múltiplos campos.-
Lótus, rosa e lírio podem ser qualificados como sattvicos, com associações sagradas em religiões diversas.
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Diamante e ouro podem ser tomados como sattvicos entre minerais, enquanto chumbo é tipicamente tamasico, com uso simbólico alquímico.
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Fósforo amarelo é rajásico por inflamar-se após breve exposição ao ar.
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Na medicina, as gunas auxiliam diagnóstico e também orientam aplicações na dieta.
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Tamas não equivale a maldade, pois inclui estabilidade indispensável.
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O corpo de um Buddha requer tamas como solidez e a compaixão de um Bodhisattva requer rajas como impulso de iniciativa.
A Roda da Existência é mostrada nas garras de Yama, Senhor da Morte e agente da justiça kármica, cuja natureza divina se indica pelo terceiro olho como discernimento bodhíco, enquanto a esperança se afirma pela presença de um Buddha em cada compartimento, inclusive nos infernos.-
Yama é indiferente a súplicas por atuar como executor de justiça kármica.
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O terceiro olho significa visão de discernimento.
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A figura do Buddha testemunha compassivamente as vicissitudes e lembra a possibilidade de romper o ciclo.
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A passagem de delusão congênita à visão correta torna possível a ruptura do ciclo.
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Metanoia, no sentido grego primitivo, é mudança de ponto de vista e não mero pesar.
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Jesus e o Buddha propõem primeiramente essa mudança de visão.
A descrição clássica budista da Roda da Existência visa impressionar pela dinâmica de impermanência, alternância e relatividade, reforçada pelos doze elos periféricos e pelos três animais centrais em competição.-
A percepção de movimento contínuo é induzida pela ação visual dos elementos do símbolo.
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A máxima de Heráclito segundo a qual tudo flui resume a condição.
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Samsara define-se por esse regime de fluxo.
Um modelo alternativo do cosmos, próprio de certas escolas tântricas, denomina-se mandal e deve ser construído, dissolvido e reconstruído mentalmente muitas vezes, com apoio material de um disco e grãos de cevada em gesto de invocação semi-visível.-
O modelo não recebeu forma pictórica fixa.
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Repete-se o procedimento até completar cem mil recriações.
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O suporte concreto é um disco frequentemente de prata.
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A miniatura cósmica é montada com pinças de cevada e varrida ao final.
Na construção do mandala, coloca-se cevada no centro para representar o eixo assimilado a Sumeru, dispõem-se os quatro pontos cardeais e agrupam-se continentes e países, acrescentando-se sol, lua, marcos e seres, antes de desfazer tudo com um gesto.-
Sumeru é o centro mitológico do Universo na geografia sagrada indiana.
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Os quatro pontos são indicados por montículos de grãos.
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A contemplação precede a dissolução do arranjo.
O segundo mandala, em contraste com a imagem plana e dinâmica, propõe modelo tridimensional de implicações mais estáticas, sugerindo estrutura piramidal ou cônica de níveis existenciais hierárquicos em relação ao eixo.-
A forma geométrica exata é indiferente ao simbolismo.
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Cada nível representa um modo de existência e sua classe de seres.
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O nível aponta simultaneamente para um dharma comum.
A hierarquia axial implica que níveis superiores cobrem áreas menores e produzem concentração existencial, enquanto níveis inferiores são mais amplos e dispersivos, fundamentando sentidos tradicionais de infernal e supernal.-
Inferno é terrível por dispersividade antes de quaisquer qualidades térmicas.
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Céu é bem-aventurado por razão oposta.
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Há estado de concentração quase autoatuante junto ao cume.
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O anagamin é aquele para quem não há retorno ao entorpecimento samsárico.
Dentro de cada plano horizontal pode-se estabelecer escala de valores pela proximidade ao ponto de interseção com o eixo, fazendo do eixo critério decisivo de discriminação existencial, sem confundir analogias geométricas com naturalismo científico.-
As analogias funcionam como upayas, meios para referência e estímulo intuitivo.
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A confusão entre ordens distintas gera dupla distorção.
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A advertência contra cientificismo deve ser mantida em mente.
A recordação dos termos islâmicos exaltation e amplitude, associados aos eixos vertical e horizontal, descreve uma cruz cuja importância arquetípica é realçada pelo uso cristão ligado ao Calvário e comentada extensamente por René Guénon.-
A cruz resulta da interseção de dois eixos.
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O uso cristão intensifica o símbolo pela referência ao Calvário.
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Guénon escreveu Symbolism of the Cross, traduzido ao inglês e publicado por Luzac em 1958.
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Guénon escreveu também Etats multiples de l’Etre, ainda sem tradução mencionada.
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As duas obras completam-se e poderiam reunir-se num único volume.
A importância de Multiple States of the Being em Guénon reside em mostrar a possibilidade de ver simultaneamente todos os episódios das manifestações samsáricas de um ser a partir de um ponto de vista elevado, equivalente a uma perspectiva nirvânica fora de tempo e espaço.-
O mesmo vale para entidades naturais, mundos ou a totalidade cósmica.
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O termo simultaneous pode ser trocado por present na ausência de sucessão.
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Samsara consiste em passagem contínua de potência a ato.
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O presente é sentido como abstração e sua realidade transcende a experiência sucessiva.
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Eternal present é expressão sugestiva, porém tautológica.
A visão arquetípica afirma a realidade das coisas como anterior, posterior e inclusiva de suas modificações relativas, tratando ocorrências empíricas como reais sem estatuto intrínseco e portanto anatta, evitando confundir ilusório com irreal.-
Ilusório significa ser menos e mais do que parece.
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O uso corrente que identifica ilusório com inexistência é rejeitado.
A noção abstrata de igualdade, invocada para justificar experimentos sociais e políticos, repousa em equívoco ao ignorar que nenhum par de seres pode ocupar o mesmo lugar no espaço existencial definido pela relação axial, tornando impossível igualdade estrita em samsara.-
Não há duplicação ou repetição idêntica no devir.
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Igualdade aproximada não constitui princípio de valor por si.
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Diferenças podem escapar à percepção empírica e ainda assim existir.
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Todos os seres nascem desiguais e têm necessidades desiguais.
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Justiça estrita exige meios diferenciados de satisfação.
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Direitos naturais só fazem sentido nesse quadro.
A consciência dessas desigualdades modifica a abordagem de problemas práticos e de políticas paliativas, pois situações injustas exigem reparo sem recorrer a um falso princípio de igualdade.-
Injustiças graves emergem e pedem correção.
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Políticas devem ser avaliadas por proximidade à justiça.
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Efetivar desigualdades naturais aproxima da justiça.
Considerações análogas valem para a liberdade, pois seres humanos não nascem livres, mas em servidão compartilhada com outros seres, e o reconhecimento disso deve impulsionar esforço compassivo segundo a ética budista.-
Relatividade e impermanência implicam alternância de prazer e dor e de bem e mal.
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A ética budista deduz responsabilidade compassiva de tais fatos.
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O Oitavo Caminho oferece diretrizes para responsabilidades humanas.
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Ação correta e meio de vida correto dependem de visão correta.
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Nirvana é extinção de ignorância e moksha é libertação em forma positiva.
Em Buddhahood não há graus e a palavra igualdade aplica-se propriamente, pois todos os Tathagatas trilharam caminho semelhante embora em mundos distintos.-
Tathagata significa tal-qual veio, com referência ao caminho.
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Diversidade de mundos não altera a plenitude da realização.
A afirmação anterior de que o presente não pode ser experienciado em samsara requer qualificação, pois a presentidade não é experienciável como parte do processo samsárico, embora a eternidade seja transcendente e também imanente.-
A sucessão vai de potencial futuro a atual passado.
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A consciência fala de um presente meio sentido sem saber o que designa.
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A eternidade envolve e permeia a existência.
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Sinais de presentidade podem emergir na superfície da consciência.
A possibilidade de uma antecipação do Despertar manifesta-se quando a agitação sonambúlica cede a uma consciência ativa e calma, evento não tão raro quanto parece, salvo quando sofisticação cultural embota a responsividade.-
Evidência pode ser pessoal ou recebida por testemunho.
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A exceção confirma a regra sem anulá-la.
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Civilizações solidificadas tendem a amortecer percepção.
Um estado de suspensão temporária do raciocínio pode permitir que a imaginação intuitiva encontre catalisador sensível, como flor lembrando o gesto do Buddha a Ananda, fenômenos naturais, sons de aves migratórias ou obras de arte, podendo mesmo doença severa ocasionar satori.-
No Tibete, a referência às aves recai sobre grous.
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Satori é descrito como iluminação arquetípica.
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A receptividade do sujeito é mais decisiva que o objeto catalisador.
Quando ocorre a conjunção entre sujeito receptivo e contraparte objetiva, a experiência tem caráter de reconhecimento sem surpresa, com atenção suavemente fixada fora da autoconsciência e marcada por anatta.-
A familiaridade antecede a plena tomada de consciência.
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O objeto funciona como foco sem reforçar egoidade.
A percepção nesse recolhimento tende a revelar a essência arquetípica de que o objeto é imagem manifesta, como quando uma rosa deixa ver sua roseness e espelha o sujeito sem figura de ego em intimidade além do psicofísico.-
A apreensão difere de dissecação botânica.
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A participação mútua excede mera apreciação sensorial.
O encontro com realidade arquetípica comporta-se como sacramento natural por produzir efeitos objetivos na substância anímica, operando ex opere operato e deixando marca indelével ainda que encoberta por distrações.-
A experiência de iluminação, mesmo fugaz, permanece como conhecimento latente.
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O esquecimento obscurece sem apagar.
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O cultivo atento reintegra ao arquétipo humano por instantes renovadores.
Animais podem exibir carisma arquetípico em caso especial às vezes ligado a contato com santo, sendo narrado exemplo em In search of God de Swami Ramdas, santo do sul da Índia falecido por volta de 1960.-
A experiência envolve paradoxos e imponderáveis metafísicos.
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O relato é apresentado como clássico de busca espiritual.
Swami Ramdas, em suas peregrinações, compartilhou caverna com grande cobra, reconheceu-lhe direito de morada, ofereceu-lhe prasada que foi aceito, e ao final contemplou o pôr do sol acompanhado pelo réptil que se enroscou em sua perna.-
A convivência transcorreu em boa vizinhança.
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O alimento consagrado funcionou como penhor de boa vontade.
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A adoração extática coincidiu com o gesto da cobra.
A interpretação do episódio atribui à cobra reconhecimento instintivo em Swami Ramdas da qualidade de homem total, restaurando a relação normal entre humanidade e criação e reinscrevendo ambos em seus arquétipos.-
A ruptura comum decorre de falha em reconhecer ou viver a vocação humana.
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A queda semítica é simbolizada pelo fruto da árvore dualista do bem e do mal.
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O reconhecimento da cobra aponta para um arquétipo adâmico.
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A comunhão do animal com seu arquétipo de cobrahood acompanha a restauração.
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Um visitante mundano não seria confundido e poderia matar o animal.
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Santos são descritos como conhecedores do mundo e do que nele há.
Após o encontro com a cobra de Ramdas, introduz-se a pulga de Meister Eckhart com a frase de que uma pulga como é em Deus supera um anjo como é em si mesmo, condensando o princípio arquetípico.-
A pulga em Deus indica o arquétipo de fleaness abrangendo toda a totalidade do gênero pulex.
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O anjo em si mesmo é situado entre os devas como um dos seis tipos de seres na cosmologia budista.
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Um anjo em Deus remeteria a outro estatuto por via arquetípica.
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Em Deus, maior e menor, melhor e pior perdem sentido.
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Arquétipos não são partes de Deus, pois Deus é sem partes.
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Como nomes e atributos divinos, arquétipos são um com a Divindade, sendo a pluralidade do lado humano.
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A formulação teísta acompanha a linguagem de Meister Eckhart sem alterar o argumento.
O clima religioso ocidental recente mostra interesse crescente por doutrinas de não-dualidade vindas sobretudo da Índia e além, com contribuição islâmica pelos mestres sufis, e a compreensão dos arquétipos facilita a passagem intelectual entre multiplicidade e unidade.-
O hábito dualista é persistente.
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A concepção do Divino torna-se excessivamente antropomórfica sob tal hábito.
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A máxima hermética do Emerald Tablet, as below so above, é evocada como as here so beyond.
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Hermes Trismegistos é citado como fonte da fórmula.
A identidade essencial entre samsara e nirvana, ensinada nos sutras mahayanas, permanece como paradoxo máximo diante do qual toda especificação se reduz ao silêncio, sendo shunyata o termo preferido para a Vacuidade que inclui arquetipicamente todos os desdobramentos do ser.-
A totalidade de samsara e suas particularidades estão incluídas sem exceção.
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Toda manifestação relativa explicita o que o Vazio contém essencialmente.
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A distinção humana entre mundo e vacuidade afirma arquetipicamente a relatividade.
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Tal distinção tem uso provisório sem equivaler a conhecimento pleno.
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O salto restante só pode ser dado na escuridão.
Pyrrho de Elis advertiu que nada se sabe além de saber que nada se sabe, e sua trajetória ligada à Índia e a contatos com gymnosophists e bhikkus situa essa advertência no horizonte de anatta e do diálogo de Menandros com Nagasena.-
Pyrrho visitou a Índia, vista como centro de atração intelectual helênico.
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Gymnosophists são associados aos nanga sannyasins e também a budistas.
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O reino greco-báctrio abrangia regiões hoje chamadas Afeganistão.
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Menandros, chamado Milinda, dialogou com Nagasena.
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Milinda tornou-se santo budista venerado por theravadins do Sudeste Asiático.
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O aviso de Pyrrho recomenda não presumir conhecimento suficiente.
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O mistério aguarda o amanhecer de Bodhi.
A reformulação cristã do princípio arquetípico é exemplificada por Jesus ao dizer antes de Abraão eu sou, distinguindo a pertença de Abraão ao samsara e a identificação a priori da natureza humana de Cristo com o arquétipo da humanidade como Homem Verdadeiro e Universal.-
A referência é a João VIII, 58.
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O uso de tempos verbais é dito significativo.
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Cristo é também Deus Verdadeiro como cognato arquetípico de sua humanidade.
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Logos é referido como Palavra divina associada ao homem Jesus.
As duas naturezas de Cristo não são mera junção histórica no tempo e espaço, mas associação arquetípica situada desde toda a eternidade, da qual a tradição cristã flui como rio de sua fonte.-
O postulado da associação eterna é apresentado como primeiro reconhecimento do cristianismo.
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A criação é dita prefigurada e posfigurada na ordem arquetípica.
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O mundo e a história existem arquetipicamente em Deus como na pulga de Eckhart.
A compreensão arquetípica oferece chave para predestinação ao desfazer a falsa antítese entre predestinação e livre-arbítrio por pertencerem a ordens distintas, sendo a predestinação a visão eterna de Deus em presente sem sucessão.-
Fora da ordem arquetípica, predestinação perde sentido.
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Dentro dela, predestinação explica-se.
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O prefixo pre é visto como enganoso por sugerir temporalidade.
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A temporalidade é imposição humana sobre a visão divina.
O livre-arbítrio concerne ao ser humano enquanto existente no relativo e tem por arquétipo a vontade divina, não podendo ser oposto à vontade eterna de Deus, e a reconciliação verbal tradicional falha por formular mal a questão.-
O dom do livre-arbítrio liga-se à imagem divina na qual o homem foi moldado.
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A controvérsia gerou sofismas e equivocações.
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Questões mal postas não produzem respostas válidas.
A controvérsia do século V entre predestinação e livre-arbítrio é comparada às divergências japonesas entre jiriki e tariki no Jodo-shin, onde visões diferentes permanecem dentro da ortodoxia ao se implicarem reciprocamente sob perspectiva não-dual.-
Amitabha Buddha é referido como compaixão ativa, comparável à graça em linguagem cristã.
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A divergência é tratada como questão de ponto de vista.
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Darshanas hindus são lembrados como perspectivas legítimas apesar de disputas.
A história cristã apresenta como tragédia a ausência de encontro entre St Augustine e Pelagius, o que poderia ter prevenido desvios posteriores associados a Calvin, enquanto o Oriente cristão evitou excessos jurídicos comuns ao Ocidente.-
Agostinho e Pelagius são descritos como homens santos que se respeitavam.
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A herança patrística oriental é dita mais rica.
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Invectiva desmedida no Oriente é assinalada como carente de mindfulness.
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Heresias podem nascer de endurecimento prematuro por paixão partidária.
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Tradições indianas são apontadas como superiores nesse aspecto.
Exemplos de mau uso do livre-arbítrio incluem Judas Iscariote e Devadatta, primo invejoso do Buddha, cujos méritos karmicos apontam para inferno, embora no nível arquetípico tais acidentes do devir sejam irrelevantes diante da possibilidade sempre presente de retorno ao arquétipo.-
Devadatta tentou matar o Buddha e desapareceu na terra em chamas.
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Mara e Satã são mencionados como figuras comparáveis.
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A presença de um Buddha nos infernos iconográficos ensina a possibilidade de saída.
Um dito sufi de Abd al Karim al Jili sugere que o inferno inclui algum prazer que fixa as almas e as faz negligenciar a súplica pela misericórdia divina, e o inferno não pode ser pura horror assim como paraísos de devas não podem ser puramente bem-aventurados.-
Pureza significa ausência de mistura.
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A Terra Pura do Jodo-shin simboliza nirvana.
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O budismo não atribui eternidade ao inferno.
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No Islã menciona-se que ao fim dos tempos os fogos do inferno começarão a esfriar.
Orígenes, figura alexandrina da gnose cristã, foi censurado por sugerir redenção final de Satã, e uma referência aos arquétipos poderia ter evitado tal censura ao permitir definições graduadas em níveis diversos.-
Orígenes sofreu tortura e sobreviveu sem ser tecnicamente mártir.
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Religiões de base indiana não se oporiam à hipótese.
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Demônios em mitologia budista podem submeter-se ao Dharma e tornarem-se defensores.
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A Europa medieval é descrita como inclinada a condenação eterna e regozijo.
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A sensibilidade atual tende a simpatia pelo criminoso, sem que isso se identifique automaticamente com compaixão.
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A atribuição de eternidade a punições é chamada de impropriedade metafísica.
Uma esperança simples de reencontro com uma tia santa, como aunt Lucy, exprime sem o saber que a pessoa amada como é em Deus já está presente na eternidade, ainda que para o vivente pareça futuro.-
A ingenuidade religiosa moderna provoca constrangimento por efeito de educação massificada.
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O reencontro é dito já consumado em eternidade.
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O riso é admitido como dom e válvula psíquica.
O epíteto eternal é essencial aos arquétipos e seu uso para fenômenos temporais é impróprio, de modo que usos relativizados do termo, como na psicologia, são melhor evitados, preferindo-se a expressão archetypal symbols.-
O uso maléfico do termo como causa de desintegração psíquica revela perigos de emprego frouxo.
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Archetypal symbols preserva precisão e consistência.
Formas geométricas elementares como círculo, quadrado, esfera, cubo e triângulo equilátero, bem como o selo de Salomão, exemplificam símbolos arquetípicos de eficácia primordial.-
O selo resulta da sobreposição do triângulo com sua inversão.
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A tradição judaica o toma como emblema cardinal com usos ampliados.
A Cruz figura como símbolo arquetípico maior cujos eixos abrangem o Universo, e números desde Pythagoras, plantas como lótus, rosa e shamrock, e animais como águia, vaca sagrada, pomba e cordeiro compõem um repertório simbólico sem fim.-
A águia é associada ao thunderbird ameríndio.
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A pomba significa Espírito e descida da Graça.
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O cordeiro remete ao arquétipo do sacrifício.
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Um tipo de álgebra arquetípica culmina na equação de alfa e ômega.
Símbolos arquetípicos sustentaram a arte tradicional desde tempos primitivos, com bases geométricas visíveis em catedrais medievais e em mandalas tibetanos que inscrevem um quadrado num círculo sob o tema squaring the circle.-
Investigações arquitetônicas recentes são mencionadas como perspicazes.
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O mandala tibetano inclui objetos rituais como vajra e sino.
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Vajra e sino representam método e sabedoria.
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Assistentes angélicos e cores apropriadas completam o esquema.
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Uma figura central preside como Buddha, Bodhisattva ou retrato celeste.
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A prática ocorre sob orientação do lama e o mandala atua como auxílio mnemônico.
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Anti-símbolos por inversão deliberada caracterizam feitiçaria negra.
A paisagem chinesa e japonesa é apresentada como suporte espiritual de potência quase miraculosa por visar revelar essências e por emergir do Vazio apenas o necessário, sob convergência taoista e budista em uma arte arquetípica.-
Motivos meramente estéticos não governam formação nem prática.
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O resultado parece escapar à explicação por técnica material.
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A pintura atrai atenção de modo singular quando se entra em seu alcance.
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A qualidade torna-se quase regra no Extremo Oriente enquanto a tradição permanece íntegra.
Um ser participa normalmente de vários arquétipos ao mesmo tempo, e o arquétipo individual designa a síntese de influências que convergem no nível deste mundo para determinar a vocação, svadharma, onde karma e dharma coincidem.-
Karma é fruto de livre-arbítrio relativo.
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Dharma é predestinação arquetípica.
A discussão encaminha-se para a ideia de lar como união com o próprio arquétipo, pois moksha é libertação e a Terra Pura é a terra dos arquétipos, tema que os Padres gregos chamaram deificação.-
Deificação é dita paradoxal por parecer tornar o criado Deus.
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A união com o arquétipo é retorno ao que já se é em Deus, segundo Meister Eckhart.
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A não-dualidade de samsara e nirvana fundamenta a possibilidade do retorno do errante ao lar parental.
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O ciclo de nascimento e morte pode cessar de uma vez por todas nesse retorno.
A citação do Vinaya-pitaka, Mahavagga I, 23, atribui ao Him-thus-come a exposição das coisas surgidas de causa e de sua cessação, e a mensagem dos arquétipos é apresentada como anúncio da mesma esperança.-
A figura do grande Mendicant é evocada como autoridade da fórmula.
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