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VIDA INTERIOR
PALLIS, Marco. The Way and the Mountain: Tibet, Buddhism, and Tradition. 1st ed ed. New York: World Wisdom, Incorporated, 2008.
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Convidado a substituir o Lama Venerável em uma conferência sobre formação espiritual de jovens, o autor confessa o constrangimento diante da perspectiva de substituir alguém cuja formação inteira, desde a infância, foi condicionada pelo objetivo de desenvolver a vida interior em toda sua extensão.
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O Lama Venerável, formado na tradição do Budismo Tibetano sob sua forma mais contemplativa, estava bem qualificado para discorrer sobre os meios pelos quais uma alma humana pode ser aberta às suas possibilidades latentes de iluminação.
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O Lama havia comunicado ao autor a linha que pretendia seguir, servindo isso de orientação.
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A questão levantada no prospecto da conferência — como ajudar os jovens a se formarem no amor e conhecimento do Senhor de forma não apenas conceitual, mas efetiva — diz respeito a todos, jovens ou velhos, simples ou doutos, europeus ou asiáticos, religiosos ou leigos.
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O Budismo expressa que, para qualquer empresa humana ser levada a bom termo, sabedoria e método devem operar conjuntamente, como um princípio único.
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Os tibetanos ilustram essa lição pela parábola dos dois homens que tentavam chegar à Cidade do Nirvana: um era cego e o outro coxo; o coxo subiu nas costas do cego e apontou o caminho (sabedoria), enquanto o de pernas sãs carregou o companheiro pela estrada (método).
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Essa é a estrutura de toda vida espiritual; todo o resto é apenas questão de circunstância e detalhe variáveis.
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Tradicionalmente, método e sabedoria são chamados de marido e mulher, que nunca podem ser divorciados; na iconografia budista, o método é sempre representado por uma figura masculina e a sabedoria por uma feminina.
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Quando os dois aparecem juntos no mesmo ícone, são usualmente mostrados em abraço conjugal, fato frequentemente mal interpretado em sentido obsceno por observadores europeus não iniciados.
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Para os budistas, esses ícones do “casamento místico da sabedoria e do método” transmitem uma mensagem de mais austera pureza; suspeitar o contrário seria, para eles, sacrilégio.
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Embora o método seja representado como exercendo o papel masculino na alquimia divina, é a sabedoria, contraparte feminina, que o aspirante humano encontrará primeiro, pois deve haver algum tipo de visão inicial da verdade antes que alguém se sinta impelido a alterar a direção de sua vida.
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Essa mudança de direção — o que a palavra “conversão” expressa em sua etimologia — implica uma graça inicial pela qual se torna subitamente consciente da futilidade do estado presente e da possibilidade de alcançar um estado melhor.
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Essa graça, o dom da fé, marca o primeiro despertar da sabedoria na alma e automaticamente suscita a pergunta “O que devo fazer para alcançar o objetivo que agora diviso?”, pergunta que é, ela mesma, uma oração por método.
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As prescrições positivas e negativas da religião podem ser agrupadas sob dois títulos: formulações doutrinárias indicando o que deve ser realizado (sabedoria) e equipamentos ritual, moral e artístico (suportes metódicos em vários níveis).
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O instrumento supremo do método é a vida de oração no sentido mais amplo; os budistas preferem dizer “prática de meditação” — diferença de terminologia que indica certa diferença de ponto de vista, mas certamente nenhuma incompatibilidade essencial.
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Do ponto de vista budista, uma apresentação excessivamente abstrata da verdade teológica é perigosa porque pode degenerar em mero filosofar, em uma arte mental pela arte.
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Uma teologia oferecida sem seus meios concorrentes de verificação ativa na alma levará, na melhor das hipóteses, a um beco sem saída intelectual; na pior, engendrará seu próprio oposto, pois as heresias do mundo surgiram de uma apresentação desequilibrada de alguma verdade.
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O erro em relação à sabedoria implica sempre uma falha paralela em relação ao método, e vice-versa.
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O grande valor da tradição é que ela serve para manter o equilíbrio polar entre teoria e prática, entre sabedoria e sua realização efetiva; se a sabedoria diz respeito ao conhecer, o método diz respeito ao ser — e só se pode realmente conhecer algo sendo esse algo.
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A realização pode ser dita ocorrer no momento em que ser e conhecer coincidem.
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O processo de regeneração ou iluminação espiritual pode ser descrito como um circuito em que a sabedoria suscita seu método apropriado em cada etapa, com o resultado de que essa mesma sabedoria se integra na alma como elemento inalienável do ser.
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O Budismo, por seu próprio testemunho, oferece-se como uma série de métodos calculados para conduzir os seres sofredores à iluminação — essa é a “nota” específica do Budismo.
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Cristo oferece-se aos homens tanto como “Luz” — outro nome para sabedoria — quanto como “o Caminho”; poderia igualmente ter dito “Eu sou o Meio”.
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Antes de entrar na discussão do método sob seus aspectos mais técnicos, cabe dar atenção a duas condições importantes para qualquer forma de disciplina contemplativa ser frutífera: a atitude do homem perante a natureza e as coisas naturais, e a função do que pode ser chamado de “manto mitológico da verdade”.
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Se a educação racionalista tornou muitos impermeáveis ao modo de comunicação mitológico, é importante reanimar a faculdade em falta, pois uma mente fechada nesse respeito será gravemente tolhida na descoberta da vida interior.
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A humanidade, para existir, é compelida a extrair da natureza ao redor sustento e outros recursos, não diferindo nisso muito da vaca ou do tigre, exceto que a engenhosidade humana em obter o que quer excede a deles — o que, falando religiosamente, não é causa de satisfação.
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Sugerir que o direito de usar os frutos do jardim do mundo, conforme registrado no Gênesis, equivale a permissão para uma cupidez irresponsável e ilimitada, destrutividade e crueldade para com as criaturas não humanas é um insulto ao Criador.
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Tal sugestão torna absurda a afirmação de que “Deus não odeia nada do que criou” e restringe a ideia de utilidade das coisas a suas possibilidades materiais apenas, ignorando seus usos iluminativos como sinais ou lembretes da presença misericordiosa de Deus.
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A beleza dos animais e das plantas, e as qualidades intrínsecas que fazem de cada coisa criada uma testemunha única e insubstituível de um ou outro aspecto divino, são alimento para o intelecto, instrumento eleito da contemplação intuitiva com a qual o homem pode contemplar mistérios muito além de sua razão discursiva.
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É essa faculdade transcendente, que desde a queda de Adão está como que adormecida, que precisa ser reacordada de modo a permitir que todas as outras faculdades se agrupem harmoniosamente ao redor dela; a palavra “Buda”, que significa “o desperto”, testemunha essa necessidade suprema.
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Para os budistas, a bondade é antes de tudo inteligente, pois leva a Deus; o pecado, ao contrário, é estúpido — procede da ignorância e a ela retorna, e sua simples “maldade” empalidece diante de sua principal desvantagem, que é engrossar o véu entre nós e o Divino.
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O Budismo tende a ver no pecado um maior ou menor grau de incompetência e na virtude uma prova de habilidade.
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Um budista concordaria prontamente com a afirmação de que o “amor” cristão — o que faz o homem ansiar por conhecer Deus e experimentar sua presença constante já neste mundo — é primária e ultimamente uma atividade de consciência.
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As palavras de Cristo “Na medida em que o fizestes ao menor destes, a mim o fizestes” sempre encontrarão eco pronto em qualquer coração budista.
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Uma atitude compassiva em pensamento e prática em relação a tudo que vive é uma das chaves da verdadeira contemplação, precedida no treinamento religioso budista por intensa meditação sobre o tema da impermanência, incluindo o sofrimento e a morte que homens e todas as criaturas compartilham.
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No Tibete, praguejar contra um cavalo ou uma mula, quanto mais espancá-lo, era algo desconhecido; os animais selvagens e as aves eram na maior parte semi-selvagens porque tinham pouco motivo para temer seus vizinhos humanos, e sua proximidade pacífica era um fator especialmente poderoso na moldagem da perspectiva espiritual do povo em geral.
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O autor lê um trecho do grande santo Isaque o Sírio que expressa perfeitamente o amor compassivo por toda a Criação — e confessa ter pregado uma “brincadeira espiritual de mau gosto”: o trecho expressa bem o espírito budista, mas é cristão.
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Os Padres do Deserto, os eremitas celtas e São Francisco representam tendência semelhante; contemplação dos mistérios divinos e comunhão com a natureza caminham lado a lado.
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Um amplo movimento tem se manifestado no Ocidente cristão com o objetivo de “desmitologizar” os ensinamentos da Igreja — um desenvolvimento sinistro, pleno de perigo tanto para a fé quanto para o objeto da fé, que é a verdade.
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Esse viés antimitológico procede de dois causas evidentes: um sentimento de derrotismo diante da ciência moderna e suas descobertas, e uma incapacidade de ver que é da natureza das coisas a revelação usar meios variados para comunicar sua mensagem, sendo a forma mitológica um desses meios.
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Toda religião contém esse elemento em alguma medida; em certas religiões, como o Hinduísmo, entra muito largamente, conforme o autor pôde observar vivendo nas colinas do Bengala do Norte, onde seu jardineiro tinha um sentido fortemente desenvolvido da onipresença de Deus, veiculado principalmente por narrativas escriturais de caráter mitológico e, portanto, também atemporal.
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O Budismo, como o Cristianismo e o Islã, possui um forte arcabouço histórico, mas mesmo nessas tradições encontram-se outras formas concordantes de transmitir a mensagem salvífica, e as respectivas Escrituras incluem partes que não pertencem ao desdobramento histórico nem ao lado puramente doutrinário — narram acontecimentos mitológicos que, para serem compreendidos, devem ser lidos não fisicamente, mas metafisicamente.
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Isso não significa que essas histórias sejam invenção humana e, portanto, desprovidas de verdade — muito pelo contrário.
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Seu lugar no corpus da verdade revelada é garantido pelo fato de que certas lições podem ser melhor transmitidas por esse meio, e pelo fato de que elas levam a uma dimensão metafísica tão real hoje quanto ontem.
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Muitos tendem a confundir o miraculoso com o mitológico, o que é errado: um milagre, quando ocorre, pertence por definição à ordem dos acontecimentos históricos; um milagre é uma manifestação excepcional, neste mundo, de uma influência de ordem transcendente em uma ocasião particular.
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A arca de Noé e a Torre de Babel são exemplos de mitos universais cuja validade independe da questão histórica e que permanece tão atual quanto no passado.
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Uma pessoa na Idade Média facilmente poderia ter calculado que um navio do tamanho descrito no Gênesis não poderia ter acomodado todos os animais conhecidos — e se não o fez, é porque para ela a dimensão dos acontecimentos sagrados era aceita como um todo, por aquilo que claramente dizia; sua verdade intrínseca brilhava intensamente demais para requerer corroboração por um exame minucioso de detalhes.
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A lição da Arca é para todos os tempos: o dilúvio (ou seu equivalente) está sempre prestes a submergir alguma seção da humanidade, e a fuga ao desastre é sempre por meio de alguma arca à qual só podem ter acesso os que temem ao Senhor.
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A Torre de Babel é igualmente aplicável à época atual: o espírito de Babel se repete continuamente na história humana na forma de planos megalomaníacos em que o homem se vê como “conquistador da natureza”; os comentários dos cosmonautas transmitidos das alturas do espaço têm sido de uma trivialidade abisal que contrasta com a suposta grandeza de seu feito — a história de Babel repetindo-se com intensidade redobrada.
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A parte final da discussão trata do “método” em seu sentido positivo de auxiliar a concentração e em seu sentido negativo de superar a distração; o Lama Venerável, autor do livro Born in Tibet, fará grande falta nesse ponto, pois tem ampla experiência no manejo do treinamento contemplativo tanto com discípulos individuais quanto com grupos.
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O livro de Dom Aelred Graham, beneditino inglês, mostra como certas técnicas budistas correntes podem ser adaptadas vantajosamente para uso cristão, com o objetivo de aprofundar a consciência contemplativa dos cristãos; a sabedoria presente nesse livro é ilustrada por uma série notável de citações de São Tomás de Aquino, dispostas de modo que os comentários subsequentes sobre meios e métodos sejam reconhecíveis como “atos” das verdades por elas expressas.
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Em sua escola, um grupo de meninos pediu espontaneamente a Dom Aelred para participar de sessões de “meditação católica Zen” aos domingos, uma das experiências mais comoventes de sua vida no colégio, mostrando que os jovens, dado o exemplo certo pela presença de um professor venerado, podem descobrir em si mesmos a possibilidade de contemplação que dá à fé sua dimensão interior.
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Certos métodos de induzir um hábito de atenção ou “mindfulness” têm sido usados desde o início do Budismo, como a prática de observar as respirações alternadas de entrada e saída; no Hinduísmo, exercícios de controle da respiração e movimentos quase ginásticos são igualmente comuns.
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Vários instrutores nesses métodos chegaram ao Ocidente, muitos dos quais os oferecem como meio de promover saúde corporal e psíquica, à parte qualquer propósito religioso — resultados que sempre sofrerão de uma mancha de profanação, assim como o tabagismo foi a profanação de um rito sacramental dos índios americanos.
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Realizados sob orientação adequada e mantido o vínculo indispensável com uma sabedoria tradicional, esse tipo de adjunto físico ou psicológico à meditação pode ter grande utilidade.
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Em um tempo de crescente alienação e descrença, o aparato de tipo muito complexo dificilmente corresponde à necessidade, que clama por uma disciplina ao mesmo tempo “central” — expressiva das verdades mais centrais da tradição — e extremamente concisa quanto aos instrumentos que põe em movimento, permitindo seu exercício metódico em todas as circunstâncias.
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Tal instrumento é tipicamente representado pela invocação de um nome sagrado (o japa indiano) ou de uma fórmula curta em que um nome sagrado está consagrado.
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Todas as grandes tradições concordam em dizer que esse modo de concentrar a atenção e impregnar todo o ser de lembretes contínuos de Deus é um meio espiritual particularmente adequado às necessidades da Era das Trevas, quando a religião está em refluxo.
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No Budismo japonês, esse método está associado à escola Jodo ou “Terra Pura”, em que o nome do Buda Amitabha é o meio invocatório; no Budismo tibetano, existe a fórmula de seis sílabas Om mani padme hum; na tradição islâmica, o nome de Deus (em árabe, Allah) é reconhecido como o meio espiritual por excelência, cuja invocação nas confrarias sufis é conhecida como dhikr, recordação.
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Um lama encontrado pelo autor perto de Shigatse no Tibete, em 1947, ofereceu o seguinte conselho: a tarefa particular que foi atribuída ao homem deve ser cumprida com diligência segundo as necessidades do momento; feito isso, o tempo restante deve ser preenchido com a invocação, sem deixar lacunas.
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Esse conselho evoca a história evangélica do homem de quem o espírito imundo acabara de sair: o espírito, vagando pelos lugares áridos à procura de repouso, voltou à sua antiga morada e a encontrou vazia, varrida e enfeitada — então recrutou mais sete espíritos piores que si mesmo, e o estado final desse homem foi pior que o primeiro.
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Esse é um quadro perfeito do processo de distração da mente: se um pensamento distrativo for expulso, uma multidão de outros virá preencher o lugar vazio, pois a força de vontade sozinha não será suficiente para afastá-los.
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O que é necessário é uma presença saudável que não deixe espaço para nada de natureza nociva — essa presença é o Nome e sua invocação contínua.
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Na tradição cristã existe um método espiritual análogo aos das tradições orientais: a Oração de Jesus, nas igrejas do rito oriental, invocada de modo muito semelhante ao das tradições do Extremo Oriente e dando origem a um método espiritual completo chamado Hesicasmo, do grego hesychia, “tranquilidade”.
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O livro A Caminho de um Peregrino, de autor russo não identificado do século XIX, descreve como a Oração de Jesus iluminava o caminho de salvação de muitos homens e mulheres piedosos na Rússia e nos países balcânicos.
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Os centros monásticos ou eremitérios onde mestres eminentes dessa arte espiritual eram conhecidos atraíam uma corrente contínua de peregrinos de todas as camadas da população; tal mestre era chamado geron em grego e starets em russo, ambos significando “ancião”; o “Ancião” Zósima, no romance Os Irmãos Karamazov de Dostoiévski, é um retrato algo fantasioso de tal mestre.
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O centro mais famoso onde os métodos hesicásticos eram praticados e ensinados foi o Santo Monte Atos, desde os tempos bizantinos; mas as raízes dessa forma de ioga cristã, como bem pode ser chamada, remontam muito mais longe, às comunidades de eremitas dos Padres do Deserto no Egito e em outras partes do Oriente cristão.
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No século XVIII foi compilada e impressa em Veneza, sob o nome de Filocalia, uma coleção selecionada de textos gregos dos Padres, destinada a fornecer a fundação sapiencial apropriada para os seguidores do caminho hesicasta; dois volumes de extratos dessa obra existem em inglês, traduzidos por E. Kadloubovsky e G. E. H. Palmer.
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A Oração de Jesus consiste em uma única frase: “Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, tem misericórdia de mim” — fórmula que resume os elementos essenciais da sabedoria dada por Cristo em relação à necessidade humana, sendo para um budista um upaya, ou meio espiritual, de grandíssima eficácia e poder.
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Sua concisão a torna adequada para todas as ocasiões possíveis — mesmo na presença de zombadores e perseguidores pode ser pronunciada discretamente, assim como se presta a ser murmurada pelo moribundo com seu último suspiro consciente.
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Quanto à questão de se o rosário, como forma ocidental existente, poderia cumprir o mesmo propósito, a invocação em sentido metódico parece requerer um máximo de concentração na fórmula utilizada; segundo um mestre espiritual, o equivalente natural para um seguidor ocidental do método poderia ser Christe eleison ou simplesmente o nome duplo Jesus-Maria.
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Quanto menos a fórmula utilizada se presta à análise racional, melhor se ajustará à síntese interior de que está destinada a ser o suporte operativo; é o nome sagrado, presença sonora da graça divina consagrada na fórmula, que é ao mesmo tempo a fonte de seu poder de iluminar e uma espada afiada para cortar ignorância e distração pela raiz.
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Com aqueles em quem a invocação se torna plenamente operativa, a fórmula começa a se repetir espontaneamente no coração, de dia e de noite; santos cristãos, hindus, budistas e muçulmanos que seguiram métodos correspondentes atestaram esse fato.
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Em todos os casos é um nome divino que está no centro do processo, sendo primeiro o objeto aparente da invocação e depois tornando-se seu sujeito, até que a distinção sujeito-objeto desaparece completamente.
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Para os budistas, essa é a consumação do casamento de sabedoria e método no coração — mas aqui as palavras falham inteiramente, e apenas o silêncio permanece para expressar essa experiência suprema.
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Os que escreveram com conhecimento real sobre a invocação foram quase unânimes em enfatizar a necessidade de praticar esse método sob a direção de um mestre espiritual que já tenha avançado largamente nesse caminho.
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O discípulo hesicasta é advertido de perigos que podem surgir do uso não guiado de um instrumento espiritual de tão grande potência intrínseca — por exemplo, o desenvolvimento de poderes psíquicos incomuns pelos quais a atenção poderia ser desviada para o próprio ego como orgulhoso possuidor desses poderes.
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Perguntado onde encontrar hoje orientação qualificada, o autor recorre à resposta dos próprios Padres Hesicastas: se apesar de todos os esforços nenhum mestre for encontrado, o aspirante não deve desesperar, mas deve praticar a Oração de Jesus com temor e amor, instruindo-se onde possível por meio de leituras, lançando-se confiadamente à misericórdia de Cristo o Senhor.
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É a vida interior em si que escolhe o homem, e não o contrário; esperar o Senhor de dia e de noite é já estar bem encaminhado; não há tempo ou lugar em que o homem seja privado de toda oportunidade espiritual, a não ser que ele mesmo recuse ou ignore a misericórdia divina que o envolve.
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