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REFUTAR OU ACEITAR A REVELAÇÃO

  • As histórias corânicas sobre a rejeição dos profetas ilustram um padrão de punição divina e recompensa, o qual os céticos tentam invalidar apelando para desculpas psicológicas ou para a negação moderna dos milagres.
    • Justificativa humana para a fidelidade aos ídolos e tradições.
    • Argumentos dos fariseus contra Cristo baseados na ortodoxia mosaica.
    • Negação a priori da eficácia dos prodígios pelos modernos.
  • A desculpa moderna para a incredulidade dos pagãos árabes ignora que a rejeição não se baseava em lógica sincera, mas no apego passional aos bens terrestres que impedia o reconhecimento da natureza do Profeta.
    • Cegueira causada pelo amor desordenado ao mundo.
    • Incapacidade de pressentir o Mensagem inscrita no coração.
  • O julgamento da verdade religiosa exige uma disposição interna de conformidade com o Verdadeiro, pois o erro e a profanidade são incapazes de avaliar validamente o sagrado e a Mensagem divina.
    • Natureza deiforme necessária para antecipar a verdade.
    • Função unânime das religiões de desligar o homem do ego.
    • Identificação dos psicólogos modernos com as limitações dos antigos pagãos.
  • O homem providencialmente destinado a receber a Mensagem reconhece nela a melhor parte de si mesmo, não podendo escapar intelectual ou moralmente de uma verdade que reflete a realidade de seu próprio coração.
    • Confrontação autêntica independente de choques culturais.
    • Conversão baseada no reconhecimento interior.
  • O Cristianismo defrontou-se com uma religião válida mas decadente, o Judaísmo, o que introduz a distinção entre o domínio dogmático necessário e o domínio das elaborações humanas que podem ser dispensáveis.
    • Diferença entre o que deve ser e o que pode ser.
    • Ortodoxia impecável versus ortodoxia problemática.
    • Caráter abusivo de certas especulações rabínicas.
  • A atuação de Cristo visou renovar e interiorizar a Lei ao atacar a mentalidade moralista e as interpretações problemáticas dos fariseus, agindo simultaneamente como Doutor da Lei e Profeta legislador.
    • Abolição da Lei a posteriori em favor dos Sacramentos.
    • Independência em relação à forma, mas não ao espírito da ortodoxia.
  • A existência de cisões doutrinais profundas entre fariseus e saduceus demonstra que o Judaísmo da época não constituía um bloco perfeitamente homogêneo ou plenamente ortodoxo diante de Cristo.
    • Heterodoxias graves da elite sacerdotal do Templo.
    • Rejeição saduceia da tradição oral e da imortalidade.
  • A incoerência lógica das facções judaicas, com saduceus praticando a Lei sem crer na eternidade e fariseus tolerando essa heresia no Templo, sugere que ambos tinham muito a aprender com o Mestre.
    • Distinção entre lógica pura e lógica sectária.
    • Proximidade espiritual dos Essênios com Jesus.
    • Necessidade de acordo interno antes de acusar terceiros de heresia.
  • A acusação de deicídio é teologicamente absurda, mas a rejeição coletiva de Jesus implica uma responsabilidade tradicional que deve ser compreendida à luz do amor divino e não do ódio inter-religioso.
    • Direito do Mosaísmo à sobrevivência provado pelo Islã.
    • Salvação pelo amor de Deus apesar das incompreensões.
  • A recusa subjetiva de uma mensagem religiosa pode derivar do ódio à espiritualidade e à ascese, levando o homem a preferir um modus vivendi formalista que proteja seu ego contra a demanda divina pelo coração.
    • Vontade de Deus de quebrar as cascas formais.
    • Insistência de Cristo na interioridade.
  • O Cristianismo prestou um serviço indireto ao Judaísmo ao catalisar seu retorno à plenitude de sua própria identidade, de modo análogo ao serviço prestado pelo Budismo ao Bramanismo.
    • Aceitação de rejeições proféticas como purificação.
    • Reafirmação das antigas revelações pelas novas.
  • A constituição do Cristianismo como religião independente exigiu o abandono das prescrições mosaicas e a acumulação subsequente de definições teológicas que pertencem à margem humana e não à necessidade absoluta.
    • Papel de São Paulo na desjudaização.
    • Assistência indireta do Espírito Santo nas cristalizações tardias.
    • Distinção entre inspiração apostólica e elaboração conciliar.
  • A instituição do papado representa uma ortodoxia relativa e necessária para o mundo latino, mas torna-se problemática quando reivindica atributos de profeta e imperador que não lhe correspondem naturalmente.
    • Adequação ao contexto ocidental.
    • Crítica legítima da perspectiva grega.
  • A resistência do paganismo europeu ao Cristianismo distinguia-se da árabe por conter motivos positivos baseados em valores tradicionais e intelectuais, além dos motivos negativos de mundanismo.
    • Encontro entre uma bhakti vital e um jnana decadente.
    • Mistura de racionalismo e sabedoria na oposição filosófica.
  • O aristotelismo oferece a ferramenta da lógica correta, mas encoraja o excesso de pensamento em detrimento da intuição, transformando o silogismo em um luxo sistemático que pode sufocar a cognição.
    • Utilidade condicional do silogismo.
    • Risco de a lógica substituir o pensamento em vez de servi-lo.
  • A mentalidade semita, voluntarista e impulsiva, necessitava da disciplina grega para aprender a expressar-se e raciocinar com coerência, garantindo que a inspiração fosse sustentada pela lógica.
    • Tendência semita à associação de ideias descontinua.
    • Complementaridade entre intelecção e correção formal.
  • As aparentes absurdidades das Escrituras desaparecem quando o texto é contemplado em sua totalidade, revelando uma profundidade teúrgica e sobrenatural que a literatura profana jamais alcança.
    • Miopia diabólica focada em fragmentos.
    • Inimitabilidade do rayonnement divino do texto.
  • As passagens bíblicas problemáticas, como a história de Jacó e Esaú, resolvem-se mediante o conhecimento dos comentários tradicionais e das leis do jogo de Maya que opõem planos divinos a situações sociais.
    • Jacó como o verdadeiro Esaú espiritual.
    • Culpa de Isaac pela preferência cega.
    • Expiação posterior das fraudes aparentes.
  • As elipses narrativas nas Escrituras, exemplificadas pela origem da mulher de Caim, são esclarecidas por tradições orais ou paralelas que revelam o simbolismo geométrico e compensatório dos eventos.
    • Explicação tradicional sobre as irmãs gêmeas.
    • Recusa de Caim em aceitar a ordem divina de troca.
  • As listas corânicas de profetas que parecem anacrônicas ou tautológicas desempenham na verdade uma função de classificação tipológica onde os epítetos possuem significados técnicos precisos.
    • Diferença entre cronologia e tipologia espiritual.
    • Sentidos específicos de guiamento e bem-fazer.
  • As elipses dogmáticas e as ineptidões aparentes servem frequentemente como medida do sobrenatural, sugerindo através do paradoxo a situação do homem entre a contingência e o Absoluto.
    • Credibile quia ineptum de Tertuliano.
    • Desproporção entre causa finita e consequência eterna.
    • Apelo à intuição moral e existencial.
  • As contradições formais entre as religiões resultam da necessidade de Deus se individualizar para falar à diversidade humana, não afetando a homogeneidade interior e essencial da Revelação.
    • Multiplicidade de subjetividades exige multiplicidade de formas.
    • Deus não se contradiz no fundo.
  • O Islã utiliza os fatos históricos do Cristianismo como símbolos edificantes em uma nova estrutura teológica, seguindo o modelo arquetípico do Logos que se polariza ao entrar na diversidade humana.
    • Fato cristão tornado símbolo islâmico.
    • Luta da Luz contra as trevas como mito invariável.
  • A validade das religiões estrangeiras comprova-se pelo seu conteúdo intrínseco e eficácia sacramental, embora o crente não tenha a obrigação a priori de reconhecê-las para sua própria salvação.
    • Autonomia ontológica de cada sistema religioso.
    • Graças que corroboram a lógica interna.
  • A existência e a persistência de múltiplas religiões poderosas provam que Deus não desejou salvar o mundo através de um único meio exclusivo que barrasse o caminho aos demais.
    • Identidade substancial dos conteúdos religiosos.
    • Argumento da Providência divina.
  • O subjetivismo lógico leva os crentes a raciocinarem exclusivamente dentro de sua própria herança doutrinal, demonstrando uma falta de imaginação para compreender a plausibilidade das posições alheias.
    • Identificação da subjetividade com a ambiência.
    • Instinto de conservação versus inteligência pura.
  • O solipsismo religioso é inevitável porque cada Mensagem é um absoluto que fala ao interior do homem e precisa sugerir unicidade para ser captado pela média humana.
    • Deus não faz religião comparada na Revelação.
    • Independência do esoterismo em relação à sugestão de exclusividade.
  • O reconhecimento da verdade em outras formas não deve levar ao ecumenismo sentimental, mas à admissão de que o Absoluto habita simbolismos diversos sem perder sua própria Absolutidade.
    • Unicidade como testemunho necessário e limitado.
    • Infinitude divina exigindo diversidade de formas.
  • A insuficiência prática de qualquer religião para salvar a humanidade inteira levanta questões legítimas que comprometem o exclusivismo e apontam para a necessidade de uma perspectiva mais ampla.
    • Perguntas providenciais suscitadas pela experiência histórica.
    • Limites da apologética confessional.
  • O esoterismo surge das profundezas da religião para resolver as contradições aparentes e demonstrar que o Céu não se contradiz, revelando a unidade da Verdade por trás da diversidade das formas.
    • Revelação absoluta versus relatividade da forma.
    • Vitória da essência religiosa sobre as limitações factuais.
  • As divergências religiosas assemelham-se às contradições formais nas visões dos místicos, que variam conforme a perspectiva sentimental ou o simbolismo sem invalidar a verdade subjacente.
    • Distinção teológica entre dogma necessário e opinião possível.
    • Influência do temperamento na coloração da verdade.
  • O Cristianismo e o Islã fundam-se em perspectivas distintas de salvação, um baseando-se no sacrifício e nos sacramentos do Cristo único, e o outro na obediência à Verdade imutável e à natureza teomorfa.
    • Unicidade da Encarnação versus Unidade de Deus.
    • Diferentes condições e garantias de salvação.
  • O ascetismo muçulmano é intrínseco à sua perspectiva de equilíbrio, aceitando a beleza como reflexo divino e rejeitando o prazer como distração, sem depender de influências cristãs ou budistas.
    • Tensão entre aceitação e recusa em nome de Deus.
    • Jardim terrestre como Paraíso velado.
    • Dimensão vertical que santifica o meio-termo.
  • O cientificismo condena-se a ver apenas o que quer acreditar, ignorando as contradições flagrantes da existência como a subjetividade única e a ilimitação cósmica que escapam à lógica empírica.
    • Lógica como desejo de não ver o mistério.
    • Cegueira para o paradoxo do eu.
  • A tentativa de explicar a realidade total sem a metafísica leva ao suicídio da inteligência, pois o finito não pode dar conta do Infinito nem resolver a cisão entre sujeito e objeto.
    • Absurdidade de reduzir o real a um mecanismo.
    • Necessidade da ciência do Absoluto.
  • A religião aceita a contradição de jure como limite humano diante do mistério divino, enquanto a ciência pretende excluí-la mas falha ao não reconhecer a natureza do real.
    • Contradição religiosa como consciência de uma unidade superior.
    • Autoridade da Revelação baseada no supra-racional.
  • O conhecimento integral exige a admissão do invisível e do absurdo existencial como parte da economia de Maya, onde a realidade joga a esconder-se e resiste à redução matemática.
    • Absurdo como manifestação do indefinido.
    • Contingência implicando o insolúvel.
  • A distinção causal explica que certos fenômenos são absurdos por ignorância humana, enquanto outros o são por necessidade cósmica de manifestar a impossibilidade de modo simbólico.
    • Função das possibilidades do impossível.
    • Necessidade do desnecessário.
  • A eficácia moral da Lei Divina constitui uma prova indireta de Deus, visto que as leis civis humanas baseadas no interesse comum carecem de autoridade absoluta e estabilidade.
    • Decadência inevitável do homem sem Deus.
    • Lei religiosa como mensagem de verdade insubstituível.
  • A autoridade divina é a única capaz de refrear intrinsecamente os maus impulsos através do temor de uma Justiça absoluta, ao contrário da justiça humana que é relativa e falível.
    • Poder do braço secular versus temor de Deus.
    • Ineficácia da moral laica.
  • A ausência de religião acarreta a perda da dignidade pessoal e da nobreza de comportamento, pois a aristocracia do caráter deriva consciente ou inconscientemente da espiritualidade.
    • Degradação do comportamento popular sem fé.
    • Nobreza do camponês crente.
  • O industrialismo e o cientificismo privaram o povo da religião e do artesanato, eliminando as fontes de sentido da vida e de felicidade baseada na vocação e na confiança.
    • Contradição do catolicismo burguês que aceita a máquina.
    • Máquina como anti-Deus e anti-homem.
    • Necessidade de retorno ao artesanato e à fé.
  • A dúvida religiosa baseada em maus exemplos ou no culto à natureza é uma simplificação narcisista que recusa a vocação humana de autotranscendência e a busca pela verdade total.
    • Sensibilidade insuficiente do naturalismo.
    • Dever de não parar no meio do caminho.
  • A credibilidade da mensagem religiosa fundamenta-se na pré-disposição inata do homem para o sagrado, o milagroso e a adoração, que constituem a herança do Paraíso perdido.
    • Necessidade de duplo destacamento (mundo e ego).
    • Normatividade da natureza crente.
  • A fé é um mérito quando aceita o humanamente impossível por intuição da verdade sobrenatural, superando a razão desinformada que rejeita o que não compreende.
    • Exemplo de Abraão e Maria.
    • Bem-aventurança de crer sem ver.
  • O perfume espiritual dos Livros Sagrados oferece uma evidência direta de sua origem celeste que dispensa análises históricas para quem possui sensibilidade para o sagrado.
    • Auto-evidência dos Salmos e Upanishads.
    • Mensagem como lembrança do que somos.
  • A rejeição dos Mensageiros divinos denota um endurecimento do coração, pois a combinação de santidade e beleza neles manifesta torna visível a presença de Deus para quem não é cego.
    • Ver o Profeta é ver Deus.
    • Culpa moral acima da dificuldade intelectual.
  • A arte sacra perpetua a teofania dos Mensageiros e prova a verdade da inspiração pela sua beleza inteligente e profunda, que não poderia ser inventada pelo homem.
    • Arte como Céu descido à terra.
    • Impossibilidade de a humanidade ter vivido de ilusão por milênios.
  • O racionalismo e o naturalismo constituem abusos da inteligência que invertem os valores, tornando amargo o amor de Deus e doce a ilusão do mundo.
    • Violação da intelectualidade pura.
    • Sabedoria aos próprios olhos como cegueira.
  • A compreensão do sobrenatural depende da compreensão do homem como ser criado para contemplar o Absoluto a partir da contingência e ver Deus em todas as coisas.
    • Visão indireta incluída na Infinitude.
    • Vocação humana de conhecimento divino.
  • A credibilidade da Mensagem reside no fato de que ele reflete a Ipseidade imanente do homem, sendo uma voz que vem do mais profundo de nós mesmos e de além de nós.
    • Identidade entre o fundo da alma e a Verdade.
    • Transcendência na imanência.
  • A negação da fé do Profeta em sua própria revelação baseia-se na ignorância do fenômeno profético e na premissa ateísta, pois Deus, sendo real, necessariamente se faz ouvir.
    • Petição de princípio dos céticos.
    • Inevitabilidade da comunicação divina.
  • A prova fundamental de Deus reside na correspondência ontológica entre o macrocosmo e o microcosmo, onde a Revelação atualiza a coincidência entre a dimensão subjetiva e a verdade objetiva.
    • Fé como intelecção indireta.
    • Credo ut intelligam.
  • O conhecimento é possível porque trazemos em nós a realidade que conhecemos, sendo a transcendência divina a própria essência e fundamento da nossa imortalidade.
    • Simbolismo do círculo com polos sujeito-objeto.
    • Absurdidade de negar o não-percebido objetivamente.
  • O fenômeno religioso é a manifestação diversificada do relacionamento entre o Princípio e a manifestação, onde cada religião dramatiza um arquétipo específico para a vontade e sensibilidade humanas.
    • Mito como humanização do arquétipo.
    • Necessidade de um Deus semelhante ao homem.
  • O símbolo do Yin-Yang ilustra perfeitamente a interpenetração entre o Absoluto e o relativo, prefigurando os mistérios do Verbo e da Teofania necessários para a existência do mundo.
    • O homem em Deus e Deus no homem.
    • Jogo de Maya e seus ciclos.
  • O Princípio projeta a manifestação por sua Infinitude e mantém com ela uma relação dupla de rigor (punição da distinção) e amor (reintegração da identidade), que fundamenta a Revelação.
    • Mundo como “não-irreal”.
    • Respiração recíproca entre Céu e Terra.
  • A aceitação da Mensagem religiosa coincide com a aceitação profunda do que somos, pois os arquétipos objetivos da religião são idênticos à estrutura do nosso próprio Intelecto.
    • Coincidência entre o Senhor exterior e o Si interior.
    • Crer em Deus é voltar a ser si mesmo.
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