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ESTAÇÕES DA SABEDORIA
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A natureza humana comporta três planos – vontade, amor e conhecimento – cada um polarizado em dois modos complementares, de modo que a vontade se apresenta como renúncia e ato, o amor como paz e fervor, e o conhecimento como discernimento e união.
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Plano da vontade divide-se em renúncia e ato.
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Plano do amor divide-se em paz e fervor.
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Plano do conhecimento divide-se em discernimento e união.
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Polarização é descrita como complementar em cada plano.
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A vontade comporta um modo negativo e um modo afirmativo porque só pode agir ou abster-se, devendo na via espiritual a negação preceder a afirmação, já que a vontade está mergulhada num estado passional após a queda e necessita de conversão mediante separação interior da falsa plenitude do mundo, o que corresponde à estação do desapego, da sobriedade e do temor de Deus, sendo o protótipo divino dessa virtude a Pureza, a Impassibilidade e a Imortalidade, qualidade comparada ao cristal, à neve ou à serenidade da montanha, e na alma antecipação da morte como vitória sobre ela.
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Negação precede afirmação na ordem espiritual.
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Conversão é descrita como retorno indireto a Deus.
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Superação do desejo e da idolatria do efêmero é exigida.
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Paixão é ligada à impureza, corrupção, sofrimento e morte.
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Pureza, Impassibilidade e Imortalidade são apresentadas como arquétipos divinos.
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Temor de Deus é associado à imobilidade espiritual.
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Antecipação espiritual da morte é descrita como vitória sobre ela.
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A vontade deve simultaneamente negar e afirmar, pois se nega objetos impermanentes também afirma pela liberdade própria, exigindo decisão, vigilância e perseverança diante das solicitações do mundo e da alma, transmutando o tempo em instantaneidade e participando simbolicamente da Onipotência e da Liberdade divinas, vencendo a passividade, a distração e o sonho pela Presença divina que se encarna no ato sagrado, cujos símbolos são o relâmpago e a espada e cuja expressão humana é a santa cólera ou guerra santa como afirmação interior do Si.
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Virtudes combativas são associadas ao ato espiritual.
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Ritmo e repetição são ligados à duração temporal.
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Participação na Onipotência e no Ato puro é afirmada.
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Presença divina é apresentada como princípio regenerador.
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Relâmpago e espada são símbolos do combate espiritual.
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Santa cólera e guerra santa são citadas como analogias humanas.
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No plano do amor distingue-se um modo passivo de contentamento contemplativo e paciência, caracterizado por repouso no Ser, harmonia e ausência de curiosidade e inquietação, derivado da Paz divina e da Beleza infinita cuja raiz é calma e ilimitação, sendo a essência da alma beatitude e a dissipação causa de pobreza e fealdade, e essa estação é figurada pelo lago que reflete o céu e pelo lótus que se abre à luz, incluindo tanto a quietude fundada na certeza de que tudo está em Deus quanto o contentamento ascético fundado na suficiência divina.
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Paz divina é ligada à Beatitude e à Beleza.
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Dissipação é descrita como alienação da essência.
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Movimento desordenado é oposto ao fundamento estático.
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Imagens do lago e do lótus simbolizam serenidade.
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Dois aspectos são distinguidos: doce e áspero.
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Ao lado desse repouso há um movimento ativo de saída de si na forma de fervor e confiança caritativa, abertura à Misericórdia e ao Amor infinito, opondo-se ao endurecimento do coração e à trivialidade mortal da vida ordinária, sendo a liquefação espiritual do ego comparada ao fogo que derrete o gelo ou ao vinho que inebria, e manifestando-se na aceitação caridosa do próximo como critério do amor de Deus, com aspectos ativo de convicção e passivo de derretimento do coração em nobre tristeza e nostalgia da Beleza do Amado, onde alegria e melancolia se encontram.
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Endurecimento do coração é descrito como fechamento à Misericórdia.
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Egoísmo e avareza são indicados como petrificação.
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Fervor é comparado a fogo e primavera.
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Aceitação do próximo é apresentada como critério do amor.
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Amor implica reconhecer Deus no outro.
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Dimensão ativa e passiva do fervor são distinguidas.
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O plano do conhecimento comporta um modo separativo e outro unitivo, pois a gnose opera por discernimento que distingue o Real do irreal e exige consciência do nada do ego e do mundo, e por identificação que realiza a unidade na Luz pura além do dualismo, sendo o sujeito falso e o Objeto verdadeiro na perspectiva distintiva, enquanto na realização unitiva o Sujeito é o Si infinito e o objeto é o que o vela, de modo que a verdade consiste em tornar-se o que se é, embora o pensamento permaneça limitado por sua natureza separativa.
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Discernimento separa Real e irreal.
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Conhecimento exige vazio do ego.
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Identificação realiza plenitude além da confrontação.
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Lua e noite são usadas como imagem do discernimento.
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Sujeito e Objeto invertem-se nas duas perspectivas.
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Pensamento é comparado à cor branca diante da luz.
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As duas estações da gnose podem ser formuladas como conhecer somente Deus ou ser somente o Si, implicando extinção do sujeito pela unicidade do Objeto ou extinção dos objetos pela unidade do Sujeito, sendo Deus o Objeto puro e o Si o Sujeito puro, e o mundo e o ego separando-se de Deus nos conteúdos mas identificando-se a Ele na Existência e na Inteligência, culminando na afirmação de que ser e conhecer principialmente são totais e que o conhecimento individual deve tornar-se ser e o ser individual tornar-se consciência.
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Fórmulas resumem as duas perspectivas.
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Círculo é usado como símbolo da Verdade.
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Mundo e ego são distinguidos e identificados sob aspectos diversos.
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Deus transcende Pessoa e Ser.
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Si é descrito como Testemunha indivisível.
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Ser e conhecer são apresentados como totalidades principiais.
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Os planos da vontade e do amor podem pertencer ao exotérico ou ao esotérico segundo o nível, sendo o amor mais próximo do esotérico por sua natureza fluida, enquanto o plano do conhecimento é propriamente esotérico com compreensão doutrinal e sabedoria unitiva, e todas essas estações dizem respeito ao metacosmo e ao microcosmo e constituem chaves para o macrocosmo, sublimando as virtudes fundamentais.
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Amor é descrito como mais próximo do esotérico.
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Conhecimento é reservado ao esoterismo.
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Compreensão doutrinal e sabedoria unitiva são distinguidas.
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Microcosmo e macrocosmo são relacionados.
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Virtudes são pressupostas e elevadas.
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A perspectiva do discernimento sintetiza no plano intelectual as atitudes de desapego e ato, e a perspectiva da identidade sintetiza além do humano as atitudes de paz e fervor, podendo essas posições combinar-se de diversos modos nas tradições, como no cristianismo que une renúncia e amor, no budismo que une renúncia e paz nirvânica, no islã que combina combate e equilíbrio, e no Vedânta que funda-se no discernimento entre Real e irreal e o compensa pela identificação com o Si, sendo afirmado que toda tradição contém de algum modo as seis estações da sabedoria.
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Cristianismo é ligado a pureza e misericórdia.
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Budismo é ligado a renúncia e paz.
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Islã é ligado a combate e equilíbrio.
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Vedânta é ligado a discernimento e identificação.
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Seis estações são consideradas universais nas tradições.
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A divisão e inquietação do mundo suscitam respostas espirituais diversas como a afirmação da Unidade no islã, a encarnação redentora no cristianismo diante da impotência humana, e o renunciamento no budismo diante do sofrimento e da instabilidade universais.
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Unidade é apresentada como evidência diante da divisão.
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Deus feito homem responde à natureza pecadora.
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Extinção responde ao sofrimento universal.
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Não há incompatibilidade entre metafísica e amor de Deus, pois amor designa toda via que nos liga ao Divino e nos faz preferir Deus ao mundo, sendo o melhor amor o que mais profundamente nos prende à Realidade, e Deus quer as almas independentemente dos métodos, sendo Amor tanto ao querer o mundo como Misericórdia quanto ao querer-Se a Si mesmo na própria infinitude.
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Amor é definido como preferência pelo Divino.
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Metafísica não é reduzida a construções mentais.
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Deus é Amor na criação e em Si mesmo.
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Misericórdia é ligada ao querer o mundo.
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Todas as grandes experiências espirituais concordam que não há proporção entre meios humanos e resultado divino, pois a separação entre homem e Realidade é como uma montanha ilusória que parece intransponível mas desaparece quando o homem persevera em agir em nome de Deus, revelando que a barreira nunca existiu.
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Palavra evangélica sobre impossibilidade humana é evocada.
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Deus é descrito como infinitamente próximo.
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Montanha simboliza a ilusão da separação.
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Perseverança em nome de Deus conduz ao desaparecimento do obstáculo.
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