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MANIFESTAÇÕES DO PRINCÍPIO DIVINO
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Apesar da incomensurabilidade fundamental entre o Princípio supremo e sua manifestação cósmica, a existência humana requer pontos de contato com o Divino, os quais são estabelecidos por meio de manifestações divinas que funcionam como interseções entre os dois termos.
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O Princípio é por si mesmo e não é afetado por suas expressões, enquanto a manifestação nada é por si mesma.
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A necessidade de pontos de contato entre o homem e Deus decorre da realidade da existência humana em seu próprio nível.
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A incomensurabilidade entre o Princípio e a manifestação é velada por esses pontos de interseção, chamados manifestações divinas.
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O Princípio se manifesta não apenas como cosmos, mas também no interior do mundo, fornecendo pontos de referência para o Infinito, o que implica que a criação contém em si mesma reflexos da relação Princípio-manifestação, sem, contudo, estabelecer uma simetria definitiva entre o Infinito e o finito.
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A existência do cosmos exige que ele contenha em seu seio manifestações daquilo que manifesta por sua própria existência.
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A homogeneidade do real impede um isolamento ontologicamente inconcebível entre o Criador e a criação.
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A distinção entre “manifestação do Princípio” e “Princípio manifestado” indica que não há um ponto de interseção único e absoluto entre o Divino e o humano, havendo sempre predominância de um dos pólos.
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O contato entre o Divino e o humano constitui um mistério devido à sua natureza elusiva, situando-se entre a perspectiva da identidade essencial e a da analogia simbólica, sendo que a idolatria e o ateísmo representam reduções absurdas desses dois aspectos do simbolismo.
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A interpretação de um símbolo pode seguir a ordem horizontal da analogia ou a ordem vertical da identidade.
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Deus está infinitamente próximo, mas o homem está longe d'Ele; o símbolo pode ser apreendido apenas em sua casca.
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A idolatria diviniza a sombra, enquanto o ateísmo nega Deus devido à Sua intangibilidade, reduzindo ao absurdo os aspectos unitivo (identidade) e separativo (analogia) do simbolismo.
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Para esclarecer metafisicamente a manifestação divina, é necessário considerar no próprio Princípio a distinção entre o Ser (autodeterminação) e o Não-Ser ou Sobre-Ser, sendo o Ser uma manifestação in divinis do Sobre-Ser, que é absolutamente infinito.
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O Ser (Deus pessoal) é infinito em relação à manifestação cósmica, mas não em relação ao Sobre-Ser (Essência divina suprapessoal).
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O Ser pode ser definido como “nem finito, nem infinito” em relação ao Sobre-Ser.
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O Ser se polariza em Ato criador e Matéria prima (Purusha-Prakriti), projetando a Criação como uma manifestação fora de Si mesmo, num sentido que, apesar da inadequação das palavras, remete o intelecto ao que lhe é inerente desde toda a eternidade.
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As palavras servem como suportes provisórios para um “lembrete” no intelecto do que lhe é inerente por natureza.
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A ideia de “projeção fora de Si mesmo” não implica que algo esteja fora de Deus ou que afete Sua imutabilidade.
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A complexidade do Real exige o uso de imagens contraditórias, não ilógicas.
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A bipolarização ontológica entre Princípio e manifestação reflete-se na distinção, no seio da manifestação, entre o Espírito universal e a Criação total, sendo o Espírito o centro desta.
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Dentre as inúmeras manifestações divinas, podem ser consideradas fundamentais a Criação, o Espírito universal, o Homem, o Intelecto, o Avatâra, a Revelação, o Símbolo e a Graça.
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A Criação é a grande objetivação do Sujeito divino, uma manifestação divina por excelência, que, embora tenha começo e fim em ciclos particulares, é uma possibilidade divina permanente e metafisicamente necessária decorrente da infinidade divina.
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A liberdade divina não anula a necessidade, perfeição derivada da qualidade de absoluto; a necessidade divina não deve ser confundida com a coação humana.
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A Criação é perfeita em sua unicidade e totalidade, resolvendo em sua perfeição todos os desequilíbrios parciais.
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A Existência é “Virgem” e “Mãe”, misericordiosa, sendo a Virgem Maria a sua encarnação e a objetivação de suas perfeições.
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O Espírito universal é a Inteligência divina imanente ao Cosmos, o reflexo do Sol divino na Substância cósmica, constituindo o centro e o coração da Criação, do qual procede o desabrochar do mundo.
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O Espírito é o Intelecto divino imanente, penetrando em todos os domínios do Universo manifestado por inúmeras artérias luminosas.
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Esta projeção ou “desvelamento” (tajallî) é “intelectual”, procedendo do aspecto “Intelecto” (Chit) de Deus.
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A Criação total é “existencial”, procedendo do aspecto “Ser” (Sat) de Deus.
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No Espírito, Deus manifesta-se como Centro e Luz; na Criação, como Totalidade e Vida.
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O homem é uma manifestação divina em virtude de seu teomorfismo e de sua perfeição primordial, sendo o lugar de manifestação do intelecto, que reflete o Espírito universal e o Ser de Deus.
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A inteligência divina confere ao homem o intelecto, a razão, o livre arbítrio e a palavra, distinguindo-o dos animais de forma “relativamente absoluta”.
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O intelecto humano é direto e transcendente, tendo acesso ao Divino, ao contrário da inteligência presente em outras formas de vida.
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O caráter quase divino do homem implica que a realização de Deus pressupõe a realização prévia da norma humana.
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A questão do livre arbítrio situa-se entre os extremos da ausência total de liberdade e do determinismo absoluto, pois a existência do termo “liberdade” e a impossibilidade de o homem alterar certos dados fundamentais demonstram a verdade intermediária.
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Se o homem não fosse livre, não haveria diferença entre agir sob coação e agir livremente.
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Se o homem fosse inteiramente determinado, poderia mudar características como altura, raça ou data de nascimento.
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O homem, sendo feito de terra, é corruptível, o que implica a necessidade de redenção, e sua situação é ambígua por estar suspenso entre sua Essência divina e a forma humana, podendo converter-se a Deus ou identificar-se com a essência satânica.
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A manifestação informal é incorruptível, exceto na queda de Lúcifer, cuja essência não pode se converter.
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O homem, como forma, pode converter-se à sua natureza divina ou identificar-se com a essência satânica, separando sua forma de sua Essência divina.
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A essência satânica, princípio de individuação tenebroso, é caracterizada pelo endurecimento egocêntrico e pela paixão contra a Alteridade universal.
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A aparência física do homem como “imagem de Deus” é um aspecto fundamental de seu teomorfismo, sendo a profanação dessa beleza um contra-senso, pois ela sintetiza a Criação total e é uma obra do Criador.
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A beleza humana, embora possa ser perfeita em seu gênero, é exclusiva de outros gêneros e limitada, ao contrário da beleza divina que possui todas as possibilidades.
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O teomorfismo do corpo humano reside em sua qualidade de totalidade (riqueza de faculdades) e nobreza (posição vertical e démarche livre).
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O teomorfismo humano se expressa diferentemente nos dois sexos, com o corpo masculino revelando o Espírito (inteligência, força, impassibilidade) e o corpo feminino revelando a Existência (beleza, inocência, fecundidade).
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O homem expressa a geometria e a mulher a música; o homem expressa o conhecimento e a mulher o amor.
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O corpo masculino é a imagem “abstrata” da Pessoa divina; o corpo feminino é a expressão “concreta” da Substância existencial e da Beatitude infinita.
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A beleza feminina tem um papel alquímico de “liquefazer o coração endurecido”, enquanto a emoção passional não consagrada permanece na animalidade.
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O ser humano é constituído de geometria e música, sendo que a geometria ordena o caos existencial e a música reconduz a forma segmentada à vida unitiva, função que se manifesta simbolicamente nos corpos masculino e feminino.
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O corpo masculino é um signo que subjuga as forças cegas do Universo.
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O corpo feminino é uma música celestial que restitui à matéria decaída sua transparência paradisíaca.
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A forma divina assumida pela matéria, como no corpo humano, é acompanhada de humilhações existenciais que lembram seu exílio e impedem sua divinização, sendo estas imperfeições um lembrete de que a pátria do homem é alhures.
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A necessidade física das imperfeições não as explica suficientemente, pois elas pressupõem condições metafísicas.
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O diabo busca fazer o homem crer que sua animalidade física é sua própria identidade.
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A consciência da necessidade profunda e do nada das coisas purifica das marcas psíquicas da materialidade.
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O intelecto é uma manifestação divina no centro do homem, participando do Sujeito divino e sendo, segundo Mestre Eckhart, “incriado e incriável”, atuando como a manifestação divina permanente no microcosmo humano, ainda que frequentemente obscurecida.
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O intelecto é, em modo subjetivo, o que a Revelação é em modo objetivo, mas esta é transmissível, enquanto a Conhecimento em si é incomunicável.
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O caráter “incriado” que alguns teólogos discernem na fé indica que esta é um aspecto do intelecto, uma adesão à Verdade incriada.
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O Avatâra ou a Revelação é o reflexo divino na humanidade, distinguindo-se do intelecto (subjetivo) e da Criação (objetiva), pois o Avatâra subjetiva a Criação e objetiva o intelecto, restaurando a qualidade primordial do homem.
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Pela queda, o Intelecto individualizou-se em razão e a Criação interior exteriorizou-se em mundo material.
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O Avatâra une em sua pessoa a totalidade do macrocosmo objetivo e o centro do microcosmo subjetivo.
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O Avatâra encarna Deus e, por estar no mundo, personifica a Criação, o Espírito universal, o Homem e o Intelecto.
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A encarnação de Deus no homem prova que a humanidade é uma manifestação divina em seu mundo, mas que essa divindade se tornou inoperante no indivíduo como tal, sem o que a Encarnação seria um pleonasmo, além de mostrar que não há simetria entre o Infinito e o finito.
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O homem é centro do mundo terrestre, mas não um polo absoluto do cosmos, havendo outros centros em outros mundos.
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O caráter de centro e totalidade do homem, que permite a Encarnação divina, prova que ele não é suscetível de uma evolução essencial que o separe de sua forma atual.
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A Revelação, sendo Deus a dizer “Eu”, apresenta-se como algo absoluto, comparável à subjetividade empírica e única do ego, cuja pluralidade é tão ininteligível quanto a ilimitação do espaço e do tempo, o que revela uma parcela de ilusão na estrutura do cosmos.
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O ego é praticamente solipsista, devendo admitir outros egos, mas sem abolir a unicidade empírica do próprio “eu”.
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A subjetividade relativa é contraditória por ser “objetividade” em relação ao Sujeito puro, o divino Si-mesmo, que contém todos os sujeitos sem contradição.
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A “egoidade” de fato das Revelações explica-se pela unidade divina e pelo meio humano formal, exclusivo e diverso.
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Podem-se distinguir quatro categorias de Avatâras, sendo duas maiores (fundadores de religião ou dispensadores supremos de graças) e duas menores (grandes sábios ou santos), subdivididas em manifestações solares (plenárias) e lunares (parciais).
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Os Avatâras maiores podem ser solares ou lunares conforme a natureza da Mensagem e do receptáculo coletivo.
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Os Avatâras menores repetem, em menor escala e no quadro de uma tradição, a função dos maiores, de modo solar ou lunar.
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As encarnações femininas (shakti) têm papel secundário.
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Os Avatâras maiores são atribuídos a Vishnu (função de conservação) e os menores a Shiva (função transformadora).
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A criação do homem e da Criação em geral não se deu por evolução a partir de uma célula única, mas por manifestações ou materializações sucessivas a partir do estado sutil, matriz cósmica das ideias a encarnar, conforme ilustrado por mitos como o pele-vermelha das três criações.
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As formas de animais fósseis representam tentativas preliminares de encarnação de “ideias”, não uma continuidade genética entre espécies.
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Nas primeiras ondas da criação, a matéria não era nitidamente separada do mundo sutil, permitindo materializações a partir do estado sutil.
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Evoluções parciais e adaptações ao meio são possíveis, mas em proporções compatíveis com os princípios metafísicos.
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Relatos antigos e medievais ilustram a antiga transparência da matéria e a interpenetração dos estados material e sutil, época em que o maravilhoso era frequente e as analogias cósmicas eram mais diretas, ao contrário do endurecimento mental dos últimos séculos.
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Nas épocas primordiais, a “geografia sagrada” tinha plena eficácia espiritual.
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A criação deve ser concebida como uma elaboração anímica, análoga às produções descontínuas da imaginação, não como um transformismo na matéria empírica.
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O advento do homem foi uma descida súbita do Espírito num receptáculo perfeito e definitivo, conforme à manifestação do Absoluto, não havendo comensurabilidade ou continuidade psicológica entre o homem e as formas antropomórficas que o precederam.
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A absolutez do homem é comparável à do ponto geométrico, que não pode ser atingido quantitativamente a partir da circunferência.
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As formas que precederam o homem parecem ser esboços cada vez mais centrados na forma humana, cujos vestígios díspares seriam os símios.
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O Símbolo e a Graça são manifestações divinas, sendo o primeiro exterior e formal, veiculador de graça, e a segunda interior e informal, presença ou essência divina.
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Toda forma que exprime Deus, natural ou tradicionalmente, é um símbolo suscetível de veicular e desencadear a graça.
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A graça, a Revelação, o intelecto e o Espírito universal podem ser chamados “incriados” devido à sua identidade essencial com a fonte divina.
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Por extensão, seus receptáculos (símbolo, Avatâra, homem, Criação) poderiam ser ditos “incriados criados” para precisar sua função, se a expressão não fosse tão antinômica.
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Há dois gêneros de símbolos: os da natureza (correspondência horizontal) e os da Revelação (correspondência vertical), sendo que estes últimos recebem sua eficácia espiritual do Avatâra ou da Palavra revelada.
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Antes da queda, toda a criação era “interior” e todo fenômeno natural era um símbolo pleno; para o sábio, essa transparência é restituída.
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O Avatâra deve “viver” uma forma para a tornar efetiva, razão pela qual as fórmulas sagradas e os Nomes divinos devem provir da Revelação para serem realizados.
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Há dois gêneros de graças: as naturais (acessíveis pela existência, virtudes ou consolações sensíveis) e as sobrenaturais (em conexão com uma Revelação ou com a intelecção), que provêm diretamente da fonte divina em sentido vertical.
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As graças sobrenaturais não vêm das “reservas cósmicas”, mas da fonte divina.
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Embora todo bem venha de Deus, o homem decaído já não é capaz de ver espontaneamente a Causa celestial no efeito terrestre, o que exige a “reencarnação” de Deus nas formas “mortas” através da Revelação, cujo quadro é necessário para a atualização do intelecto.
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O intelecto tem em princípio os mesmos poderes que a Revelação, mas sua atualização não se dá contra ela no quadro de uma tradição dada.
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É pouco provável que o intelecto se atualize sem o concurso de um quadro tradicional ou de múltiplas fontes tradicionais.
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