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MARGEM HUMANA

  • O reconhecimento, por parte do Cristo, de prescrições rabínicas como meramente humanas indica a existência de um setor ortodoxo e tradicional onde a influência divina atua apenas indiretamente, cedendo espaço a fatores étnicos e culturais.
    • A influência divina plena restringe-se às Escrituras e às consequências fundamentais da Revelação, estabelecendo uma margem humana na periferia das tradições.
    • As especulações do exoterismo derivam majoritariamente dessa zona periférica, onde a ortodoxia admite graus variados de absolutidade ou relatividade.
    • Conflitos terminológicos e anatemas entre seitas como diofisitas e monofisitas sobre a natureza e substância do corpo do Cristo exemplificam as flutuações dentro dessa margem humana.
  • A fixação teológica em precisões doutrinárias não cruciais revela uma incapacidade de admitir o caráter indefinido de aspectos que a própria Revelação não julgou necessário especificar.
    • A tendência à dogmatização excessiva produz divisões e anatemas desnecessários, como observado na questão do filioque.
    • A aceitação da natureza humana do Cristo, evidenciada por limitações como o discernimento sobre a figueira, deveria bastar tanto para o dogma quanto para a mística sem necessidade de enumerações exaustivas de suas prerrogativas sobrenaturais.
  • A santidade de um indivíduo não supre carências intelectuais ou lógicas naturais, de modo que a inspiração pelo Espírito Santo atua sobre as capacidades do receptáculo humano sem anular suas limitações ou substituir a inteligência por uma nova Revelação.
    • A elaboração teológica e as divergências ortodoxas entre nomes como Thomas de Aquino e Gregório Palamas demonstram que o Espírito guia o homem segundo a intenção divina, mas respeita a estrutura do sujeito.
    • A diversidade de tratados e pais da Igreja confirma que a inspiração não produz uma ciência humana única, exaustiva e definitiva.
    • Existe uma distinção entre aqueles que são inspirados por serem santos e aqueles que se tornam santos por força da inspiração.
  • As cisões em religiões intrinsecamente ortodoxas constituem exemplos da margem humana concedida pelo Céu, refletindo a dificuldade da mente coletiva em lidar com flutuações entre pontos de vista e aspectos da realidade.
    • Tais polarizações, embora providenciais ou inevitáveis, representam imperfeições perigosas permitidas pela paciência divina.
    • A condescendência divina com as limitações da estrutura humana não implica uma aprovação total de Deus sobre tais divisões.
  • A ambiguidade dos textos cristãos primitivos sustenta tanto a tese latina quanto a grega, sugerindo que o equilíbrio normal residiria em uma Igreja com um papa em comunhão espiritual com patriarcas, sem o autoritarismo de um monarca absoluto.
    • As desordens contemporâneas na Igreja romana indicam uma estreiteza teológica e um excesso jurídico na concepção latina do poder pontifício.
    • A história da Cristandade apresenta um círculo vicioso entre a supremacia mundana do pontifex e a submissão deste ao poder do imperador.
  • O conceito de mistério insondável frequentemente mascara uma insuficiência metafísica ou uma contradição teológica, exceto quando se refere à evidente impossibilidade de a consciência objetivante perceber a subjetividade divina.
    • A tese do mistério atua muitas vezes como um véu para inconsistências lógicas ou como um truísmo sobre os limites naturais do pensamento humano.
  • O drama das teologias reside na incompatibilidade de seu simplismo com a ideia de Maya ou da Relatividade divina, o que as obriga a recorrer a expedientes filosóficos para sustentar seu voluntarismo.
    • No Sufismo, a alta metafísica aparece mesclada à teologia, o que pode resultar em confusões sobre a Onipotência ou, inversamente, em lumes libertadores para a própria teologia através da sapiência.
  • As teologias operam com dados rigidamente artificiais e tendências sentimentais, ignorando a diferenciação entre aspectos e pontos de vista, o que as conduz a contradições insolúveis no plano da razão pura.
    • O trinitarismo cristão tenta conciliar a Unidade com a diferenciação das Hipóstases de forma forçada, enquanto o unitarismo islâmico choca-se com a diversidade do mundo por falta de flexibilidade metafísica.
    • O zelo religioso frequentemente substitui o pensamento pela virtude e a verdade pelo heroísmo, dificultando a percepção de que a alma piedosa pode pensar com destacamento sem se opor à fé.
  • O trinitarismo extremo, ao condicionar a existência de Deus à Trindade, torna-se incapaz de reconhecer valor no Judaísmo ou no Islamismo, justificando as acusações de tritheismo feitas por estes.
    • A incapacidade de identificar o Deus de Abraão no Corão decorre de uma projeção axiomática do trinitarismo sobre o Absoluto.
    • O Cristo e as Revelações do Sinai definiram a Unidade divina sem referência explícita ao desdobramento hipostático.
  • O trinitarismo deve ser compreendido como uma concepção determinada pelo mistério da manifestação divina, onde a Essência assume a forma para permitir a deificação do humano.
    • Toda Revelação constitui uma humanização do Divino visando o retorno do homem ao Principio.
  • O Judaísmo e o Islamismo objetam que os conceitos de geração e delegação aplicados ao Filho e ao Espírito Santo contradizem a natureza absoluta e não gerada de Deus.
    • A resposta cristã baseada na identidade de essência entre atributos e Deus é rebatida pela distinção entre a divindade das qualidades e a redução da totalidade divina a apenas uma delas.
    • O problema central reside na tentativa cristã de reduzir toda a relatividade hipostática à absolutidade pura no nível teológico.
  • A aplicação de uma equação absoluta à frase sobre a identidade entre Pai e Filho, enquanto se relativiza a afirmação sobre a superioridade do Pai, ignora a necessária combinação de ambos os enunciados para explicar a Realidade principial.
    • A atribuição arbitrária da subordinação do Filho exclusivamente à sua natureza humana oculta a hierarquia existente no seio do metacósmico.
  • O hiato entre Criador e criatura encontra-se prefigurado in divinis pela diferenciação entre o Absoluto puro e o Absoluto relativizado, conforme sugerido pela noção de Maya.
    • Para o Vedantismo, embora a separação entre Paramatma e Ishwara seja rigorosa, existe um aspecto unificador onde tudo o que existe é uma manifestação do Si ou Atma.
  • A Divindade pessoal e atuante representa Atma enquanto Maya, assim como o Universo total manifesta Maya enquanto Atma, estabelecendo uma realidade una e polivalente.
    • O conceito de que o Avatara foi criado antes da criação aponta para a necessidade de Deus criar-se a si mesmo in divinis antes de manifestar o mundo.
  • As naturezas humana e divina do Cristo refletem a polaridade fundamental entre o Absoluto e o Relativo, que se repete em múltiplas modalidades na confrontação entre Deus e o mundo.
    • O Prólogo de João exemplifica essa polaridade ao alternar entre a subordinação do Verbo perante Deus e sua identidade com Ele.
    • As interpretações monofisitas e ortodoxas derivam da complexidade entre o homem terrestre, o homem divino e o Deus essencial.
  • O arianismo continha uma intuição profunda sobre o principio da relatividade in divinis, embora formulada de maneira imperfeita através de termos antropomorficos.
    • O Verbo possui um aspecto de limitação que o torna não totalmente idêntico ao Absoluto, servindo de protótipo para a limitação cósmica.
    • A vitória de Niceia preservou a verdade mais importante para a religião, mas sacrificou nuances metafísicas essenciais para o equilíbrio pluridimensional da doutrina.
  • A formulação teológica da Trindade funciona como uma forma providencial que protege o mistério e fornece um ponto de referência para a doutrina total em um meio humano específico.
  • A capacidade de expressão dialética, detida por gregos e hindus, não define o grau de sabedoria, uma vez que a metafísica profunda encontra-se condensada em fórmulas bíblicas e corânicas de origem semita.
    • A sophia perennis fundamenta-se nas noções de absolutidade e relatividade, essenciais para compreender a margem humana nas tradições.
  • O Testemunho islâmico sobre a Unidade divina possui um sentido objetivo de discernimento entre o Real e o ilusório, e um sentido subjetivo de distinção entre o exterior mundano e o Interior divino.
    • A doutrina total requer a dimensão unitiva onde o relativo, ao manifestar o Absoluto, identifica-se com Ele, tornando o mundo transparente ao Si.
  • A relatividade deve estar prefigurada no próprio Absoluto para que a relação entre Deus e o mundo seja inteligível, tornando a Criação um prolongamento do Criador.
    • Os nomes divinos Ezh-Zhahir e El-Batin expressam essa relação de exterioridade e interioridade que permite afirmar a presença da Face de Deus em toda parte.
    • O Logos e o Coração são aparições particulares do relativo reintegrado na absolutidade.
  • O Cristianismo expressa a identidade de essência ao afirmar que o Cristo é Deus, o que pressupõe que o homem pode reintegrar o Absoluto através da união com o Logos humano.
    • A humanização de Deus visa a possibilidade de o homem tornar-se Deus virtualmente, demonstrando que o Absoluto comporta em si a dimensão da relatividade.
  • A deificação do homem não implica a destruição da forma individual, mas sim uma adoção divina onde o segredo espiritual de identidade coexiste com a subsistência do indivíduo.
    • O Nirvana imortaliza o Buda sem aniquilá-lo, permitindo a manifestação humana do Logos sem concorrência entre o divino e o humano.
  • A polarização entre absolutidade e relatividade manifesta-se tanto em Deus, através da Essência e dos Atributos, quanto no mundo, através do Céu e da terra, unidos pela ação do Espírito Santo.
  • A distinção entre o Incriado e o Absoluto é necessária, pois apenas a Essência é o Absoluto puro, enquanto a Relatividade divina, embora incriada, atua como Absoluto apenas em relação ao criado.
    • A oração do Cristo ao Pai reflete não apenas sua humanidade, mas também a relatividade do próprio Logos incriado.
  • O dogma da Trindade procede da Revelação, enquanto a teologia trinitária constitui o processo de ocidentalização e combinação dessas dados dentro da margem humana.
  • A limitação de uma religião reside no que ela exclui, e essa exclusão manifesta-se na margem humana através de especulações teológicas e fervores morais que frequentemente negam compatibilidades intrínsecas.
    • A sapiência reconhece que teses contraditórias podem ocultar uma identidade essencial, funcionando como vias de acesso distintas à verdade total.
  • Os anatemas lançados entre religiões e confissões contra santos ou Logoi estrangeiros constituem erros de fato e de atribuição que não invalidam a espiritualidade essencial da tradição que se engana.
    • O vilipendio da sabedoria alheia atua como uma consolação humana diante da própria incapacidade de realizá-la de forma autônoma.
    • O Cristianismo, apesar de críticas a Sócrates e aos gregos, não pôde prescindir do auxílio da sabedoria helênica.
  • A gnose e a liturgia representam as aberturas da teologia para o Ilimitado, onde a beleza do sagrado complementa a sapiência e fala tanto ao sábio quanto ao simples.
    • A arte sacra satisfaz a inteligência e a imaginação, alimentando as sensibilidades de acordo com suas necessidades espirituais.
  • Expressões paradoxais sobre seguir um mestre até o inferno ou aceitar a vontade divina mesmo na condenação eterna visam provocar o perfeito destacamento do ego através do choque dialético.
    • A mística voluntarista utiliza argumentos violentos e absurdos porque a verdade pura revela-se inoperante para o nível sentimental.
    • Para o tipo pneumático, a verdade como tal é o único fator de atração, tornando desnecessárias tais pressões psicológicas.
  • A gnose utiliza formulações aparentemente absurdas como elipses que pressupõem a intuição intelectual, focando em relações metafísicas essenciais e não em descrições fenomenológicas exaustivas.
  • A dialética dos sufis utiliza complicações abstrusas para proteger verdades espirituais da profanação e assegurar o equilíbrio entre o saber e a realização metódica.
  • A santidade define-se pela exclusividade e intensidade da vontade voltada ao transcendente, enquanto a sabedoria é determinada pela profundidade da percepção intelectual, podendo ambas interpenetrar-se no indivíduo.
    • O dom dos milagres depende da intensidade inspirada, enquanto a orientação espiritual depende da envergadura do conhecimento.
  • Práticas excessivas ou supersticiosas em tradições como o Hinduísmo derivam do desejo de preservar a pureza original e da necessidade de oferecer às coletividades um linguagem incisiva e desmesurada.
    • Tais excessos podem servir como uma antecipação preventiva das possibilidades negativas, neutralizando reações das trevas através de uma disciplina tradicional exaustiva.
  • A diversidade de caminhos tradicionais justifica-se pela existência de três tipos humanos fundamentais — passional, sentimental e intelectual — cujas combinações determinam a recepção da doutrina.
    • A concepção espontânea que o homem possui de si e do mundo marca seu tipo espiritual e sua via de acesso ao Divino.
  • O homem passional percebe o ego e o mundo como realidades quase absolutas, exigindo uma via penitencial baseada em ameaças, promessas e ascese violenta para transcender as aparências.
  • Para o tipo intelectual e contemplativo, as formas e desejos são transparentes e a realidade reside no invisível, prevalecendo o destacamento e o sentido platônico da beleza.
    • O contemplativo busca o que o mundo e o ser são em essência antes de se submeter a desejos contingentes.
  • O tipo emotivo ou musical atua como intermediário, operando através do amor, da nostalgia e de manifestações devocionais como a liturgia.
  • A fragmentação do homem primordial e a diversidade de dons tornam necessário o jogo de ocultamentos e revelações que caracteriza o pensamento tradicional e suas adaptações étnicas e culturais.
  • As aparentes ingenuidades das Escrituras em temas científicos não são erros, mas adequações ao que o homem médio pode suportar sem perder o sentido da dimensão infinita da vida.
    • O desenvolvimento do cientismo físico fecha o homem para os conhecimentos suprassensoriais que conferem significado à existência.
  • A localização do Paraíso no alto e do inferno embaixo obedece à eficácia do simbolismo sensorial e não a uma descrição factual de geografia cósmica.
    • O simbolismo preocupa-se com a intenção salvadora e não com o acúmulo de fatos materiais insignificantes para o espírito.
  • O homem antigo captava as intenções espirituais dos símbolos sem questionar o mecanismo físico dos relatos, pois reconhecia a história da queda e do Paraíso em sua própria alma.
    • A intenção divina na imagem da eternidade é estabelecer o contraste absoluto com a contingência passageira do mundo.
  • A mentalidade modernista, ao reduzir fenômenos não materiais ao plano psicológico, demonstra uma ignorância sobre as dimensões suprassensíveis do Real e a estrutura das cosmologias tradicionais.
    • Detalhes sobre a Ascensão e o retorno do Cristo correspondem a realidades precisas de transição entre graus cósmicos, incompreensíveis para o ceticismo contemporâneo.
  • A ciência moderna falha ao ignorar a causalidade universal, substituindo causas reais por hipóteses como o evolucionismo, que constituem construções filosóficas materialistas e não fatos científicos.
  • A insuficiência da argumentação religiosa tradicional para a consciência moderna decorre do desgaste psicológico de métodos sentimentais que não atendem à necessidade de causalidade acumulada pela experiência histórica.
    • Uma pastoral eficaz deveria recorrer a argumentos de ordem intelectual e superior em vez de se adaptar aos erros do cientismo e da demagogia.
  • A margem humana pode ser vista como uma adaptação da Misericórdia divina que prefigura divergências e formulações incompatíveis para atender a diferentes necessidades humanas.
    • A pluralidade de doutrinas é necessária porque nenhuma expressão humana da Verdade pode ser exaustiva.
  • Fatos históricos religiosos possuem valor de demonstração simbólica e lógica para Deus, podendo ser substituídos por outros símbolos sem alterar o conteúdo essencial da verdade salvadora.
    • Contradições nas Escrituras e visões dos santos refletem a diversidade de ângulos de visão possíveis sobre a mesma Realidade celeste.
  • Cada religião funda-se em um ponto de partida específico que torna sua evidência sublime e exclusiva para seus seguidores, como o pecado para o Cristianismo ou a sofrimento para o Budismo.
    • O Judaísmo e o Islamismo partem do homem em si, percebendo a perspectiva centrada no pecado como uma visão real, porém unilateral.
  • A religião constitui a ciência da hierarquia e do equilíbrio cósmico, harmonizando a manifestação exteriorizante com a atração interiorizante de Deus.
  • As Epístolas do Novo Testamento representam uma inspiração divina de segundo grau, onde o Espírito Santo por vezes deixa a palavra ao homem santo, conforme reconhecido pelo próprio apóstolo.
    • Decisões como a obrigatoriedade do celibato sacerdotal derivam de deduções tardias de teólogos que confundiram ascese com moral comum, ignorando aspectos espirituais da sexualidade.
  • O angolismo irrealista e a estreiteza de certa pastoral contribuíram para as explosões naturalistas da Renascença e para os desequilíbrios contemporâneos na carne da própria instituição religiosa.
  • A perspectiva cristã, centrada na consciência da natureza pecaminosa, tende a identificar a sexualidade com o pecado, enquanto outras tradições a percebem como neutra ou positivamente sacramental sob certas condições.
    • O pecado fundamental reside no esquecimento de Deus e na exteriorização mundana, independentemente do suporte natural da ação.
  • A incompreensão ocidental média sobre a poligamia bíblica e semítica decorre de uma visão unilateral das coisas naturais que domina o pensamento ocidental há séculos.
  • A tese judaica da imutabilidade da Lei Mosaica é irrefutável dentro de sua dimensão legalista, embora o Cristianismo a tenha essencializado sob o argumento de que o espírito vivifica.
    • Se o Cristianismo nega o ponto de vista esotérico, ele torna-se a transgressão que o Judaismo afirma que ele é.
    • A distinção entre forma relativa e essência absoluta é a razão de ser do Cristianismo, que não pode abolir essa mesma distinção em favor de sua própria forma.
  • O Cristianismo possui um caráter de esoterismo pela sua perspectiva de interioridade, mas reveste-se de exoterismo pelo seu voluntarismo dogmático e necessidade de expansão.
  • Jesus, como profeta enviado a Israel para a regeneração interior, deveria ter sido aceito pelo Judaismo, o que exigiria uma flexibilidade espiritual incomum na Judéia de então.
    • Aspectos da margem humana impediram a coexistência do Judéo-Cristianismo como uma comunidade esotérica dentro do Judaismo.
  • Deus manifesta aspectos da Verdade que corrigem não a Revelação anterior, mas a insistência humana unilateral sobre tais aspectos, assemelhando-se a um arrependimento divino frente à corrupção da recepção humana.
  • O exoterismo atribui erroneamente ao Sujeito divino absoluto a subjetividade humana dos Egos que falam nas Revelações, ignorando que o Eu revelador é uma adaptação ao receptáculo humano.
    • A Verdade essencial permanece una e informe, enquanto as enunciações relativas podem contradizer-se para manter a eficácia pedagógica entre diferentes povos.
    • O Eu que dita as Escrituras identifica-se com o Espírito de Deus e o Centro cósmico, servindo de ponte entre o Absoluto e o linguagem humano.
  • A acusação islâmica de falsificação das Escrituras refere-se a uma insuficiência de receptividade dos judeus e cristãos perante a totalidade da Revelação celeste não manifestada.
    • As restrições de perspectiva das teologias antecedentes são vistas pelo Islamismo como limitações que deformam o Verbo incriado original.
  • Limitações e negações no plano da expressão formal são exigidas pela oportunidade espiritual de cada povo, sem que a Verdade essencial seja comprometida.
  • A falsificação pode ser entendida como uma questão de interpretação teológica e litúrgica que fixa um aspecto da verdade em detrimento de outro, como ocorreu nos cismas e cisões tradicionais.
    • Divergências narrativas entre a Bíblia e o Corão sobre figuras como Arão, Davi e Salomão refletem essas diferenças de foco espiritual.
  • Teses religiosas polêmicas ocultam um ponto de vista divino que ultrapassa o dogmatismo, onde ideias são repensadas em função de novos receptáculos humanos.
  • Toda Revelação adaptada a um recipiente é, por definição, uma restrição e uma falsificação analógica em relação ao Verbo incriado e à universalidade total.
  • A Revelação comporta três graus: a Palavra eterna em Deus, sua especificação archangélica e sua manifestação terrestre em linguagem humana e circunstâncias históricas.
    • O Corão terrestre utiliza contingências e nomes humanos para exprimir intenções divinas que no nível absoluto são informais.
  • O Livro revelado poderia manifestar-se através de outros eventos ou palavras sem que sua substância celeste ou essência divina fossem alteradas.
    • O principio da abrogação demonstra a existência da margem humana no nível do linguagem das Escrituras.
  • A revelação pessoal dada a um santo através de ação divina direta difere da simples inspiração, permitindo ao sábio tornar-se sua própria lei sob uma eleição celestial particular.
    • Casos como a Bhagavadgita e certos escritos de Ibn Arabi exemplificam essa participação microcósmica na descida do Livro incriado.
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