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TER CONSCIÊNCIA DO REAL
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A razão de ser da inteligência humana é a consciência do Absoluto, tanto além quanto no interior da consciência das contingências, pois sem essa finalidade a existência humana e o fenômeno da inteligência seriam inexplicáveis.
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A inteligência humana não se justificaria se fosse reduzida a um luxo inútil para distrações ou para uma vida puramente material.
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O argumento ontológico de Santo Anselmo não prova a existência de Deus pela capacidade de imaginá-Lo, mas sim que a capacidade de conceber Deus atesta uma envergadura espiritual que só se explica pela realidade divina.
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A capacidade de conceber Deus prova uma envergadura espiritual que demanda a realidade de Deus como sua explicação.
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A relação entre fé e conhecimento é complementar, podendo a fé ser a qualificação para a intelecção (credo ut intelligam) e o conhecimento conceitual ser a chave para a ciência do coração (intelligo ut credam).
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A fé é apresentada como a posse do sentido do transcendente e do sagrado, condição para a compreensão.
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A pré-disposição do coração é a chave para a verdade metafísica refletida no mental, assim como o conhecimento conceitual é a chave para a ciência do coração.
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A bem-aventurança dos que creram sem ver refere-se ao homem exterior imerso nos fenômenos, sendo a fé a intuição do transcendente própria de um coração não endurecido, que coloca essa intuição acima de um raciocínio rasteiro.
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A incredulidade provém do endurecimento do coração, que exclui a intuição do transcendente.
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O coração humano é comparado a um líquido ou a um espelho: pode ser fluido ou congelado, polido ou enferrujado.
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A consciência do Absoluto, por sua própria natureza, exige totalidade e perseverança, devendo ser “sempre”, embora na vida terrena essa continuidade seja operada por meio de ritmos que suprem os vazios inevitáveis.
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A parábola da viúva perseverante e do juiz iníquo ilustra a necessidade de uma consciência que, por ser do Absoluto, deve ser contínua.
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A perseverança na oração opera através de ritmos, e os vazios entre os atos espirituais são preenchidos pela graça, funcionando como recipientes dela.
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A consciência do Absoluto e o dever de praticá-la são incomensuráveis com todos os aspectos da existência terrena, justificando o chamado de Cristo para deixar os mortos enterrarem seus mortos e segui-Lo em direção ao reino interior.
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Prazeres, labores, alegrias e tristezas não têm medida comum com a consciência do Absoluto.
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O convite a seguir Cristo é um chamado para o reino de Deus que está dentro de cada um.
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Para manter a consciência do Absoluto em meio às perturbações, são necessários argumentos irrecusáveis, sendo o fundamental a afirmação de que “Brahma é real, o mundo é ilusório”, que corta todas as artimanhas da maya.
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O argumento fundamental exige uma intuição concreta do Real, não apenas uma ideia abstrata.
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Outras ideias-chave, mais próximas da experiência cotidiana, devem acompanhar o argumento fundamental.
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No plano do relacionamento humano com Deus, o primeiro argumento é a resignação à natureza das coisas e ao destino, aceitando o que não pode ser mudado e resistindo à tentação da revolta contra a vontade do Céu.
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A resignação é aceitar aquilo que não pode deixar de ser.
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À resignação junta-se a confiança na bondade substancial da Divindade, que prime sobre Sua rigor acidental.
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A preocupação com o direito próprio e a intolerância à injustiça são escolhos na relação com o Céu, sendo necessário o esquecimento de si diante de Deus para, em última análise, ter acesso à certeza da identidade da alma com Brahma.
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O amor aos inimigos e a oferta da face são prescrições para superar o egoísmo e o partidarismo.
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O clima de desapego é condição para a realização da identidade entre a alma e Brahma.
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A gratidão pelos bens desfrutados, em contraste com a privação alheia, e a consciência da liberdade de recorrer à consciência salvífica do Soberano Bem são argumentos que contribuem para a serenidade necessária.
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O reconhecimento dos bens recebidos pode atenuar provações e fomentar a serenidade.
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A liberdade humana de ser e fazer o que se quer não pode ser obstada por nenhuma sedução ou prova.
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Na consciência de Deus, o desejo humano de libertação encontra a vontade divina de libertar, sendo a oração simultaneamente questão e resposta, assim como a beleza e a bondade são esplendores da verdade que tendem a se comunicar e liberar.
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A beleza e a bondade são esplendores da verdade.
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O bem, por sua natureza, tende a se comunicar e, portanto, a liberar.
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O mandamento de amar a Deus com todo o ser exige a totalidade do sujeito diante da unicidade do objeto, indicando que, em última análise, sujeito e objeto se reúnem na Realidade pura, fonte de todas as diferenciações.
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A unicidade do objeto (o Absoluto) exige a totalidade do sujeito (todo o coração, alma, força e pensamento).
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O Absoluto, sendo Infinito, implica a manifestação e a diversidade, sendo a projeção do Bem ontologicamente acompanhada pelo retorno ao Bem.
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A espiritualidade, sendo constituída pelos elementos da Verdade, da Via e da Virtude, integra as faculdades humanas de inteligência, vontade e sentimento, devendo todas pautar-se pela objetividade.
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A inteligência busca a Verdade, a vontade percorre a Via e o sentimento se expressa na Virtude.
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A Via se apega à Verdade, e a Virtude se apega tanto à Verdade quanto à Via.
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A humildade e a caridade são os dois polos complementares da Virtude, prolongando respectivamente a Verdade e a Via, e referindo-se, a primeira, à transcendência e, a segunda, à imanência.
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A humildade decorre do conhecimento da verdade sobre as proporções das coisas, ensinando o autoconhecimento.
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A caridade decorre da realização da Via, que apela à Graça, e ensina a misericórdia para ser digno dela.
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A exaltação vem pelo rebaixamento conforme a natureza das coisas; a aceitação por Deus vem pela aceitação do próximo, no qual o Eu está oculto por onipresença.
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A metafísica, embora a priori abstrata, dá necessariamente origem a prolongamentos concretos na existência humana, pois a consciência do Real, que engloba tudo o que é, implica a totalidade do ser humano.
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