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PASSAGEM LIBERADORA

  • Do ponto de vista da transcendência, há descontinuidade entre o Princípio divino e sua manifestação, enquanto do ponto de vista da imanência há continuidade, distinção que se expressa nas relações entre Essência e forma e entre Substância e acidente.
    • Na descontinuidade, distingue-se entre a Essência e a forma; na continuidade, entre a Substância e o acidente.
    • Em ambos os casos, está presente a oposição entre a Realidade e o véu, a Absolutidade e a relatividade.
  • A relação de descontinuidade entre forma e Essência é análoga à do reflexo com o sol ou da palavra com a coisa significada, enquanto a relação de continuidade entre acidente e Substância é análoga à dos estados da água (gelo, vapor) com a água ou do particípio com o verbo.
    • No plano espiritual, a distinção entre símbolo e seu arquétipo (Ideia) refere-se à relação descontínua e estática “forma-Essência”.
    • A distinção entre rito e seu efeito refere-se à relação contínua e dinâmica “acidente-Substância”.
    • O acidente é um “modo” da Substância, enquanto a forma é um “signo” da Essência.
  • Todo símbolo sagrado, como forma iluminadora, convida a um rito liberador, que opera o retorno à Substância, sendo esta a função do simbolismo nos domínios da arte sacra, da liturgia e das belezas naturais.
    • A forma revela a Essência; o rito promove o retorno à Substância.
    • O símbolo visual, o auditivo e o simbólico (rito) operam a passagem do exterior para o interior, do acidente à Substância e da forma à Essência.
  • A capacidade de ver a Substância nos acidentes é própria do homem nobre e profundo, enquanto a visão reduzida aos acidentes é própria do homem inferior, sendo o senso do sagrado a medida do valor humano.
  • As noções de conformação (ascendente) da forma à essência e de manifestação (descendente) da essência na forma são independentes da questão da descontinuidade ou continuidade, assim como a conformação do acidente à substância e a manifestação desta naquele.
    • A conformação e a manifestação não são afetadas pela distinção entre os pares forma-essência e acidente-substância.
  • O símbolo divino é paradoxalmente ambíguo, pois é Deus por sua razão de ser e não é Deus por sua materialidade, sendo imagem (manifestação) e sacramento (Atmã em Mâyâ) simultaneamente.
    • O corpo humano, feito à imagem de Deus, é um símbolo-sacramento, objeto de amor por excelência em união com a alma que o habita.
    • A forma teomórfica do corpo convida à adoração e pode ser veículo de presença celeste, acessível apenas à alma contemplativa não dominada pela paixão.
    • A sexualidade humana, determinada pela forma teomórfica do corpo, não é animalidade, exceto no homem decaído e infra-humano.
  • A distinção entre Essência e Substância corresponde aos polos masculino e feminino, referindo-se o primeiro à transcendência, à Absolutidade e à Justiça, e o segundo à imanência, à Infinitude e à Misericórdia.
    • A Verdade é associada à Riqueza e Justiça (polo masculino); a Via é associada à Doçura e Misericórdia (polo feminino).
    • No amor, o homem busca a Infinitude e Bondade na mulher; a mulher busca a Absolutidade e Potência no homem.
    • O universo é tecido de geometria (força) e musicalidade (beleza).
  • A transcendência, como descontinuidade, implica separação e a imposição de princípios derivados do imutável, enquanto a imanência, como continuidade, implica união e a outorga de graças imponderáveis que operam o milagre da Salvação.
    • A Virilidade divina impõe princípios com a implacabilidade da natureza das coisas.
    • A Feminilidade divina concede graças com a liberdade do Amor.
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