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CONTRADIÇÃO DO RELATIVISMO
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O relativismo reduz todo elemento de absolutidade à relatividade, mas preserva de modo ilógico a própria redução como se ela escapasse ao regime relativista que proclama.
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A fórmula resultante equivale a afirmar como verdadeiro que não há verdade.
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A pretensão de que só exista verdade relativa é sustentada como absolutamente verdadeira.
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A contradição é comparada a negar a existência de linguagem por meio de uma frase, ou negar a escrita por meio de um texto.
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Toda ideia é remetida a relatividades psicológicas, históricas ou sociais, e a asserção se anula ao incluir-se no mesmo regime.
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A autonegação lógica, caso a asserção fosse verdadeira, funcionaria como prova de sua falsidade.
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A absurdidade inicial reside na pretensão de ser a única proposição a escapar “por encanto” da relatividade declarada universal.
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O axioma relativista segundo o qual jamais se sairia do subjetivo humano invalida-se por carecer de qualquer objetividade e por recair sob o próprio veredito que impõe.
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A falta de valor objetivo decorre de a asserção ser ela mesma um produto do subjetivo humano.
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A possibilidade de ultrapassar o subjetivo é apresentada como evidente, sob pena de o humano deixar de ser humano.
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A concepção do subjetivo e de sua superação é tomada como prova de que o confinamento total é falso.
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O animal vive a subjetividade sem concebê-la, enquanto o humano dispõe do dom da objetividade.
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O relativismo social desloca a questão da verdade para a origem social de quem afirma, mas deixa de reconhecer que, se o meio determina o pensamento, então o determina em todos os casos sem exceção.
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A pergunta sobre “dois e dois” é substituída pela pergunta sobre o meio social do enunciador.
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A tese de que o meio prima sobre a verdade implica que toda verdade seria sempre efeito de meio.
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A objeção de que um meio particular favoreceria a verdade pode ser revertida por outra hierarquia de valores.
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O argumento é caracterizado como petição de princípio ou, no máximo, cálculo de probabilidade sem alcance concreto.
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A mesma lógica é estendida ao relativismo histórico, pois toda atividade mental ocorre em um momento determinado.
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O relativismo histórico, ao reduzir toda ideia à duração do processo mental, implicaria que todo pensamento nasceria já “ultrapassado”, tornando inútil o ato de pensar.
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A relatividade é atribuída ao processo mental situado no tempo, não necessariamente ao conteúdo.
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A desvalorização imediata do pensamento é apresentada como consequência direta dessa posição.
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A impossibilidade de sair da duração é tratada como motivo para negar alcance ao pensar humano.
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O relativismo pode visar não apenas a verdade em si, mas também suas expressões, especialmente valores morais e estéticos, permitindo reduzir a retidão a fatores contingentes e abrindo espaço a abusos e imposturas.
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A redução do moral e do estético a contingências favorece assimilações indevidas.
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A via relativista é associada a degradações e falsificações.
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A aplicação do relativismo a fatos tradicionais é descrita como confusão entre elementos estáticos e dinâmicos.
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“Épocas” e “estilos” encobrem a ideia de manifestações de dados objetivos e estáveis.
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A analogia do crescimento de uma árvore serve para afirmar que fases temporais não dissolvem a identidade objetiva das partes, e que um elemento tradicional não se reduz a mero “momento” de outro.
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A correspondência entre fase e momento da duração não elimina a distinção entre tronco, ramos e frutos.
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O tronco de uma macieira não é reduzido a simples etapa em relação à maçã.
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A maçã não é reduzida a simples etapa em relação ao tronco ou ao ramo.
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A imagem sustenta a ideia de dados definitivos “à sua maneira” no domínio tradicional.
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A época dita “gótica” é apresentada como possuidora de direito intrínseco de perdurar no seu setor, pois os dados étnicos que a determinaram permaneceriam os mesmos, e sua extinção é atribuída a uma força extra-cristã, o neopaganismo da Renascença.
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A sobrevivência indefinida é afirmada como coerente com a natureza do estilo e de seus determinantes.
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A mudança só ocorreria se a Cristandade latino-germânica se tornasse mongol.
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A civilização gótica ou romano-gótica não teria sido superada por evolução.
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A interrupção é descrita como assassinato por força extra-cristã ligada à Renascença.
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A confusão habitual no século XX entre evolução e decadência é associada ao uso do argumento relativista para desculpar todo tipo de declínio e para impedir reações corretivas.
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Nenhuma falsificação ou diminuição deixaria de ser justificado como “evolução”.
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O reforço por assimilações abusivas amplia o erro.
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A difusão do relativismo na opinião pública facilitaria a corrupção.
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A mesma difusão impediria reações sãs capazes de frear a queda.
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Erros que negam a inteligência objetiva se autodestruem por dependerem de um postulado que a própria existência do postulado contradiz, sem que isso implique falibilidade inevitável da inteligência.
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A autocontradição decorre de a tese negar a condição de possibilidade de sua própria formulação.
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A existência de erros não é tomada como prova de fracasso necessário da faculdade cognitiva.
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O erro é apresentado como fenômeno privativo ligado a paixão ou cegueira.
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A paixão ou cegueira desvia a atividade intelectual sem infirmar a natureza da inteligência.
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O existencialismo é indicado como exemplo de contradição moderna ao postular uma definição de mundo incompatível com a possibilidade de uma promulgação objetiva dessa própria tese.
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Se a conhecimento objetivo, absoluto no seu gênero, é possível, a tese existencialista seria falsa.
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Se a tese existencialista fosse verdadeira, sua promulgação seria impossível por não haver lugar para intelecção objetiva e estável.
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A alternativa apresentada faz a doutrina oscilar entre falsidade e impossibilidade.
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A redução de tudo o que é humano a razões psicológicas conduz à pretensão de explicar tudo pela psicologia, produzindo psicologia das religiões e crítica psicológica de textos sem acesso às dados objetivos indispensáveis.
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O procedimento é caracterizado como especulação no vazio.
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A falta de dados objetivos é ligada a métodos arbitrariamente definidos como normais.
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O alargamento abusivo do método psicológico é apresentado como invasão de todo o campo do saber.
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No terreno do psicologismo, a “crítica” de matriz kantiana é tratada como “ultrapassada” e substituída por uma “análise” que tende a reduzir até a lógica e a metafísica a questões de gramática.
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A preferência por “análise” é tomada como sintoma de aversão ao intelectual.
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A pretensão de analisar tudo assume feição quase física ou química.
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A ideia de analisar Deus aparece como intenção, ainda que só indiretamente.
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O ataque recai sobre a noção de Deus, suas concomitâncias mentais e morais e expressões da verdadeira intelecção consideradas fora de alcance.
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A tese freudista de que a racionalidade seria disfarce de animalidade recalcada volta-se contra si mesma, pois é formulada racionalmente e, se correta, reduziria o próprio freudismo a produto de instintos fisico-psíquicos.
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A asserção “racional” ficaria submetida ao veredito que ela impõe à racionalidade.
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O freudismo seria apenas desnaturação simbolizante de instintos, caso tivesse razão.
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A alegação de exceção para os psicanalistas é recusada por não ser justificável dentro da própria doutrina.
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A exceção também deveria valer para doutrinas espirituais rejeitadas com hostilidade.
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A figura do acusador do humano como tal é tratada como absurda por exigir um “semi-deus” que acusasse a partir de fora.
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A psicanálise é apresentada como eliminando fatores transcendentais e substituindo complexos de inferioridade por complexos de conforto e egoísmo, oferecendo tranquilidade para pecar e para se condenar.
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A eliminação do transcendente é considerada um empobrecimento essencial.
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A substituição psicológica é associada à permissividade moral.
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Atribui-se a doutrinas demolidoras, como a de Nietzsche, o mesmo gesto de absolutizar o relativo.
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A oscilação moderna entre extremos é associada à incapacidade de reconhecer a verdade na profundidade do humano.
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Religiões e sabedorias tradicionais aparecem como porta-vozes, conservadoras e garantidoras dessa verdade.
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A mentalidade difundida pela psicanálise recusa o diálogo lógico e intelectual e o substitui por conjecturas insolentes baseadas em pseudo-critérios fisiológicos ou sociológicos, passíveis de reversão por contra-análises.
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O foco desloca-se de verificar se o interlocutor tem razão para investigar pais, pressão sanguínea ou equivalentes simbólicos.
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A facilidade de inverter tais argumentos é indicada como evidente.
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A preferência por critérios fisiológicos e sociológicos é atribuída à mania de época.
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A possibilidade de análise séria da análise imaginária é afirmada como disponível.
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A existência de um “complexo psicanalítico” é indicada como corruptor da inteligência.
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A negação do absoluto pela via psicologizante e existencialista é situada no interior da própria inteligência.
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A inteligência assume papel de deus ao preço de destruir a própria natureza, valor e eficácia.
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A ideia de “maturidade” aparece como autodestruição.
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A acusação de hipocrisia universal coloca uma alternativa em que ou ninguém poderia constatá-la sem sair milagrosamente da humanidade, ou a hipocrisia seria apenas relativa e já reconhecível sem esperar a psicanálise.
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A constatação exigiria escapar da natureza humana caso a hipocrisia fosse essencial e total.
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Se a hipocrisia for acidental e relativa, o reconhecimento sempre existiu.
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A saúde é tratada como mais fundamental no humano do que a doença.
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A exclusividade explicativa da psicanálise é recusada como arbitrária e perversa.
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A invocação de “evolução” exigiria cegueira quanto a virtudes dos ancestrais e vícios contemporâneos.
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A admissão de súbita objetividade num processo biológico e quantitativo é tratada como absurda ou indemonstrável.
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Se um desenvolvimento natural culmina em consciência reflexiva que percebe o próprio desenvolvimento, essa consciência não poderia ser causada pelo movimento contingente que a precede, o que nega o evolucionismo transformista e a ideia de “homem-elo” ou “homem-acaso”.
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A tomada de consciência sairia totalmente da ordem da evolução que a precede.
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A falta de medida comum entre consciência e movimento anterior exclui causalidade do segundo sobre a primeira.
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A crítica alcança a mística da matéria geradora, biosfera, noosfera e “ponto ômega”.
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A alternativa “o homem é o que é ou não é” afirma fixidez e irredutibilidade do ser pensante.
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A capacidade de objetividade e absolutidade indica caráter quase absoluto, fixo e insubstituível da criatura pensante.
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A fórmula “feito à imagem de Deus” é apresentada como indicação dessa fixidez.
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A capacidade humana de objetividade e absolutidade refuta antecipadamente ideologias do dúvida, pois a possibilidade de duvidar pressupõe a certeza e a noção de ilusão pressupõe acesso à realidade.
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Duvidar é possível apenas porque existe certeza.
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Falar de ilusão implica acesso ao real.
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A existência de pessoas com certeza decorre dessa possibilidade.
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Os grandes porta-vozes da certeza são apresentados como os melhores entre os humanos.
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Se a verdade estivesse do lado do dúvida, o duvidador seria superior aos porta-vozes da certeza e aos humanos normais ao longo dos milênios.
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Se o dúvida fosse conforme ao real, a inteligência humana careceria de razão suficiente.
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O humano seria inferior ao animal, pois a inteligência animal não duvida do real proporcionado a ela.
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Uma ciência da alma é definida como ciência das ordens de limitação ou infirmitude, distinguindo-se quatro ordens essenciais: universal, geral, individual e acidental.
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A limitação universal provém de ser criatura e não Criador, manifestação e não Princípio ou Ser.
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A limitação geral provém de ser humano terrestre e não anjo nem bem-aventurado.
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A limitação individual provém de ser si mesmo e não os outros.
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A limitação acidental provém de estar abaixo de si mesmo, salvo no caso de perfeição.
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Não há ciência da alma sem base metafísica e sem remédios espirituais.
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A base metafísica é colocada como condição de inteligibilidade.
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Remédios espirituais são colocados como condição de eficácia.
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O pensamento psicologista é descrito como apressando etapas ao querer ser eficaz antes de ser verdadeiro, buscando solução antes de constatação e raciocinando de viés para escapar à responsabilidade intelectual.
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A comparação com negar a mortalidade por causar melancolia ilustra a fuga do conteúdo verdadeiro.
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Objeções a verdades desagradáveis são apresentadas como confusões de planos.
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A analogia do incêndio mostra a recusa do direito de constatar se não houver remédio imediato.
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A soma “dois e dois” é tratada como pretexto para imputar um complexo de exatidão ligado ao passado.
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O procedimento é apresentado como frequente e não meramente caricatural.
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O efeito final é a perversão da inteligência.
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Um relativismo moral é caracterizado como odioso ao atribuir vícios a afirmações sobre Deus e o além, e virtudes a negações da religião, o que implicaria a anulação da possibilidade mesma de verdade e heroísmo no humano.
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A crença em Deus e no além é associada a covardia, desonestidade, infantilidade ou anormalidade.
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A negação da religião é associada a coragem, honestidade, sinceridade e maturidade.
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Se tais juízos fossem verdadeiros, o humano não teria capacidade de veracidade nem de heroísmo.
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A inexistência de alguém capaz de constatar isso é apontada como consequência.
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A impossibilidade de extrair herói de covarde ou sábio de fraco de espírito é afirmada mesmo sob o nome de evolução.
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O viés moralista é apontado como antigo na desqualificação da vida contemplativa como “fuga”.
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A vida contemplativa é reinterpretada como peregrinação a Deus.
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Fugir de Deus, como fariam os mundanos, é descrito como mais insensato do que afastar-se do mundo.
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A fuga de Deus é simultaneamente fuga de si mesmo, pois a solidão humana põe o humano diante do Criador.
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A redução das atitudes religiosas a reflexos de medo e servilidade é colocada em continuidade com o psicologismo simplificador e exigiria prova de que os temores religiosos são infundados e compreensão do sentido interior das atitudes devocionais.
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A necessidade de provar o caráter mal fundado das temores religiosos é explicitada.
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A exigência de compreender sentido e consequências interiores das atitudes devocionais é apresentada.
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Humilhar-se diante do Absoluto é afirmado como não degradante objetiva nem subjetivamente.
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A pergunta “quem” se prostra distingue ego e núcleo transpessoal ligado à Imanência divina.
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A prostração é tratada como consciência de dependência ontológica do Ser Uno.
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A aparência de humilhação é atribuída à decadência congênita humana.
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A personalidade deiforme e imortal é descrita como portadora de majestade visível no corpo humano.
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As religiões são apresentadas como as primeiras a reconhecer essa majestade.
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Também é afirmada a existência de algo no humano que merece constrangimento e rebaixamento.
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O ego na animalidade humana não é colocado como imune a reprovação celeste.
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O desequilíbrio deve contas ao Equilíbrio e à Totalidade, não o contrário.
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A consciência dessa situação é colocada como condição primeira da dignidade humana, obscurecida por demagogia erigida em “imperativo categórico”.
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O relativismo é apresentado como gerando e sendo fruto do espírito de revolta, entendido como doença crônica dirigida contra o Céu e o que o representa, com consequente abolição do sentido do pecado.
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O espírito de revolta difere da santa cólera por não ser passageiro nem dirigido a abusos terrestres.
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A referência a Lao-Tsé exprime a inversão de valores no fim dos tempos.
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O relativismo psicologista e existencialista toma a revolta como norma e a ausência dela como doença.
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A abolição do sentido do pecado decorre dessa inversão.
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O sentido do pecado é descrito como consciência de equilíbrio superior ao querer pessoal.
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Esse equilíbrio pode ferir, mas é orientado ao bem da personalidade integral e da coletividade.
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O sentido do pecado é solidário ao sentido do sagrado.
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O sagrado é descrito como instinto do que supera o humano e não deve ser tocado por mãos ignorantes e iconoclastas.
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A ideia de merecer danação por ferir a majestade divina é condicionada à compreensão sensível ou cognitiva do que está em jogo, distinguindo-se o plano da impessoalidade divina do plano da revelação como Pessoa divina onde intervém a Misericórdia.
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A Divindade é impessoal antes de se determinar como Pessoa divina diante da pessoa humana.
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No plano impessoal, há relação ontológica e lógica de causa e efeito entre Deus e humano.
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Nesse plano não se coloca “bondade” como categoria, pois a Realidade absoluta é o que é.
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A causalidade pura é descrita como não especificamente moral.
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No plano pessoal da revelação, a Misericórdia pode intervir como mistério decisivo.
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A Misericórdia indica que o Absoluto não é potência cega.
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A prescrição humana de humilhação tola é indicada como frequente por preguiça mental e falta de imaginação.
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A exigência divina dessa humilhação é recusada.
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A manifestação inteligente da consciência de causalidade e equilíbrio é tratada como possível.
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A preferência por humilhação tola em vez de orgulho inteligente é afirmada como escolha divina.
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A limitação e degradação humanas são tratadas como prova por contraste do Protótipo divino, e a recusa de admitir o que supera e de superar-se é identificada como programa do psicologismo e sinal de Lúcifer.
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A condição humana funciona como “prova pelo contrário” do que o Protótipo divino determina.
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O programa psicologista é descrito como recusa de transcendência e de auto-superação.
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A atitude é associada ao assinalamento de Lúcifer.
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A atitude normativa é descrita como pensar em função do que supera e viver para superar-se.
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A grandeza é situada fora do plano do indivíduo e de sua pequenez revoltada.
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A aproximação da verdadeira grandeza exige consentir em pagar a dívida da pequenez e aceitar ser pequeno no plano onde isso é inevitável, pois o sentido do objetivo e do absoluto implica abnegação que torna possível a fidelidade à vocação humana.
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O reconhecimento do limite aparece como condição inicial do caminho.
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A abnegação acompanha o sentido do objetivo e do absoluto.
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A abnegação é apresentada como meio de fidelidade plena à vocação humana.
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