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CONHECIMENTO
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Todo conhecimento tem por objeto necessário e único a Realidade absoluta, sendo os conhecimentos aparentemente voltados para outros objetos meras modalidades ou limitações do Conhecimento, não conhecimentos de objetos distintos do Divino.
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O objeto de todo conhecimento possível é Deus visto por Deus.
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Conhecimentos que parecem ter outros objetos os têm enquanto limitações do Conhecimento, não enquanto Conhecimento em si.
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O mundo não contradiz a unicidade da Realidade absoluta, pois, embora não seja essa Realidade como tal, é sua expressão e limitação, de modo que afirmar o mundo implica implicitamente afirmar Deus.
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O mundo, enquanto não é Deus, reduz-se ao nada; enquanto não é nada, é essencialmente Deus.
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O conhecimento do mundo é menos verdadeiro que o Conhecimento da Realidade divina, mas é sempre, em última análise, conhecimento dessa Realidade.
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A distinção, no plano dos princípios, é função da ignorância, pois o Uno é o único real; no plano manifestado, a relação se inverte e a distinção é função do conhecimento.
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O mundo apresenta também um aspecto subjetivo no microcosmo, e a distinção entre o eu e o não-eu, embora espontânea e real, não separa o homem do Conhecimento divino que conhece em si e que é infinito.
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A dualidade do conhecente e do conhecido é expressão necessária do caráter distintivo da afirmação da suprema Realidade fora de sua Aseidade.
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O homem pode conhecer a Realidade pura, o mundo e o eu, sem que, enquanto conhece, seja outra coisa que o Conhecimento.
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Conhecer a si mesmo equivale a conhecer a Realidade enquanto ela é o próprio homem, pois não há objeto de conhecimento, interior ou exterior, que não seja essencialmente a Realidade una.
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O ato humano, assim como o conhecimento, reflete a Realidade divina, pois o Ato divino é modo secundário do Conhecimento divino, e é porque a Onisciência divina nos conhece que existimos.
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Se Deus não fosse de nenhuma forma Ato puro, a criatura não poderia agir.
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O Conhecimento divino é suscetível de uma limitação universal que é a afirmação e o ato, assim como o Objeto divino é suscetível da limitação que constitui o mundo.
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A existência de cada ser é a ciência que o Infinito tem de sua possibilidade.
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O sentido e a razão suficiente do homem é conhecer, e conhecer é inevitavelmente conhecer a Divindade, que o homem afirma e proclama pela força das coisas em toda ação, pois a criatura não pode fazer nada que não afirme Deus de algum modo.
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A Divindade afirma o homem dando-lhe existência, e o homem afirma e deve afirmar a Divindade porque existe.
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Negar a Divindade é contradição, pois a própria existência de quem nega afirma o que se nega.
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Quem nega a Divindade nega sua própria existência, mas essa negação opera apenas de modo simbólico, pois a existência não pode ser efetivamente retirada de quem não se a deu; e isso ocorre porque a Divindade é infinita e sua afirmação deve retraçar igualmente a Infinidade.
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O nada é uma possibilidade no grau que a Toda-Possibilidade lhe assinala, pois excluí-lo seria limitar a Infinidade.
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O nada não é possível em si mesmo, mas é possível na Infinidade e em razão dela; sua exclusão da Infinidade a limitaria.
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A imperfeição é aspecto necessário da Infinidade manifestada, e o Verbo deve afirmar o mal não como tal, mas como sombra necessária na afirmação cósmica do Infinito.
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Todo ser é de algum modo manifestação do Verbo e comporta a imperfeição apenas como parte, nunca como totalidade, pois o nada é possível apenas relativamente, nunca em si mesmo.
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O Absoluto é o único absoluto, e a ausência relativa de realidade existe em razão da Toda-Possibilidade que deve incluir a possibilidade contraditória de sua própria impossibilidade.
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O vazio é figurado no espaço pelos vazios relativos, que manifestam e esgotam toda a possibilidade do vazio, o qual em si mesmo é impossibilidade.
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O mal não tem realidade senão a título de parte, e toda coisa afirma a Divindade porque é afirmada por ela; o mal afirma a Divindade de modo inverso, mediante relativa negação.
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Além da afirmação, a manifestação universal comporta a submissão, que abrange igualmente todos os seres, mas afirmação e submissão são complementares e a segunda se reduz essencialmente à primeira, pois para submeter-se é preciso existir.
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A criatura, enquanto não é manifestação de Deus, é submissão a Ele, e afirma por sua submissão ao mesmo tempo que se submete em sua afirmação.
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O Universo afirma a Realidade suprema e a ela se submete, assim como ela é, por assim dizer, submetida à sua própria Natureza.
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O homem, para estar em acordo consigo mesmo, deve submeter-se consciente e voluntariamente ao mundo enquanto Realidade divina e Verbo, e não enquanto mundo; essa submissão é conformidade ao destino, único aspecto em que o mundo exige submissão.
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A submissão ao mundo é também Conhecimento, segundo o modo próprio ao aspecto passivo das criaturas.
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O preceito citado de oferecer a outra face se dirige ao inimigo enquanto destino, portanto enquanto expressão do Verbo, e não ao inimigo como tal.
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Conhecendo a Realidade divina, o homem afirma também o mundo enquanto se identifica essencialmente a ela, e afirma a si mesmo enquanto é essa mesma Realidade, o que fundamenta o amor ao próximo e o amor a si mesmo como amor à Realidade una.
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O preceito de amar o próximo como a si mesmo implica que o homem deve amar-se, pois só se pode amar o que é.
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Quem conhece sua alma conhece seu Senhor; quem a afirma afirma o Senhor, isto é, salva-a, pois quem verdadeiramente se ama se salva.
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A afirmação espiritual do mundo implica a negação da imperfeição, que existe no mundo como parte, nunca como totalidade.
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A danação é a identificação com o nada que existe; o homem, não tendo se criado, não pode se aniquilar, apenas se danar.
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O homem deve submeter-se ao Verbo enquanto este é destino, mas participa ativamente de seu destino enquanto é ele mesmo Verbo por sua afirmação existencial, distinguindo-se um destino externo e aparentemente evitável e um destino interno e aparentemente inevitável.
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O destino externo é manifestação do Verbo no mundo; o destino interno é manifestação do Verbo no ego.
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É possível combater uma doença sem contradição com a submissão a ela como Verbo, pois a submissão se dirige ao destino e o esforço se dirige à doença como negação da afirmação corporal.
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A natureza física, a idade e a morte são incontornáveis porque são o próprio ser do indivíduo; a extinção em Deus é o único plano em que a negação da determinação individual é possível.
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Como tudo é Conhecimento e nada existe fora dele, o único caminho para a Realidade é o próprio Conhecimento, e todo ato de conhecer é o conhecimento que a Divindade tem de si mesma.
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O homem só pode tornar-se o que já é; se não fosse essencialmente Conhecimento, seu fim não poderia ser o Conhecimento.
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O Amor é também Conhecimento, e nada pode conduzir à Realidade a não ser ela mesma.
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Dizer “conhecemos tal coisa” significa: a Divindade, enquanto nós, conhece a Divindade enquanto tal coisa, sendo todo conhecimento absoluta e infinita Plenitude.
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