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INTELECTUALIDADE E CIVILIZAÇÃO
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A intelectualidade verdadeira é absolutamente independente da ciência exata e não é sequer incompatível com noções contrárias a ela, pois a ciência exata busca a exatidão apenas nos fatos brutos e não em seus conteúdos universais.
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Os erros científicos devidos a uma subjetividade coletiva, como o ser humano ver o sol evoluir ao redor da terra, traduzem um simbolismo adequado e por conseguinte verdades, que permanecem independentes dos fatos que as veiculam provisoriamente.
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É legítimo para o homem admitir que a terra é plana, pois empiricamente o é; mas saber que ela é redonda não acrescenta nada ao simbolismo das aparências, destruindo-o inutilmente para substituí-lo por outro contrário à experiência humana imediata e geral.
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O conhecimento dos fatos por eles mesmos não tem nenhum valor fora das aplicações práticas de interesse sempre limitado: ou se está na Verdade absoluta, e então os fatos não são nada, ou se está no terreno dos fatos, e então se está de qualquer forma na ignorância.
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A destruição do simbolismo natural e imediato dos fatos acarreta graves inconvenientes para a civilização em que se produz, como demonstra amplamente o exemplo da civilização ocidental moderna.
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A essência das velhas civilizações é que são ordenadas para realizar o equilíbrio mais perfeito e portanto uma máxima estabilidade, conformando-se profundamente às possibilidades de seu plano de existência; a civilização moderna, ao contrário, substitui os princípios inelutáveis por aspirações humanas que não modificam em nada as leis cósmicas.
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O idealismo moderno está sempre acima das possibilidades humanas coletivas e o realismo moderno abaixo das possibilidades humanas; esses ideais vão de encontro ao real porque respondem a desejos e não a intelecções.
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O rejeito dos princípios normais é consequência inevitável do rejeito da tradição, que é a única capaz de dar a um grupo humano o quadro conforme às suas possibilidades; uma vez quebrado esse quadro, toda aspiração individualista pode se dar livre curso.
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O reproche que se pode fazer aos modernistas não é constatar os enfraquecimentos e endurecimentos que se produzem nas civilizações tradicionais, mas concluir pela inferioridade global dessas civilizações; para ter o direito de julgar assim, o mundo moderno deveria antes de tudo possuir os valores espirituais que estão na base de toda civilização normal.
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Os progressos científicos modernos não poderiam ter valor senão como fruto de uma civilização inspirada pelas realidades espirituais, e a condição de não serem neutralizados por outros progressos negativos ou por calamidades devidas ao desrespeito do possível.
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Há apenas duas possibilidades: civilização integral e espiritual, implicando abusos e superstições, e civilização fragmentária e materialista, implicando muito provisoriamente certos vantagens terrestres mas excluindo o que constitui a razão suficiente e o fim último de toda existência humana.
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O critério decisivo contra os chamados progressos é que era impossível realizá-los sem sacrificar largamente a única coisa necessária, isto é, o que só dá sentido à vida.
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A história está aí para provar que não há outra escolha; o resto é retórica e quimera.
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