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LINGUAGEM DO SI
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A diferença entre jnâna e bhakti pode ser expressa pela inversão dos polos Deus e ego em cada perspectiva, pois para o bhakta Deus é Ele e o ego é eu, enquanto para o jnânî Deus é Eu ou Si e o ego é ele ou o outro, o que explica que o dogmatismo religioso seja determinado pela primeira perspectiva devido ao predomínio da certeza do ego na maioria, pouco apta a abstrair concretamente do eu empírico por falta de contemplatividade impessoal que permita deixar Deus pensar em nós.
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Bhakta é definido como volitivo e afetivo.
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Jnânî é definido como gnóstico e intelectivo.
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Dogmatismo religioso decorre de partir da certeza do ego e não da certeza do Absoluto.
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A dificuldade de abstrair do eu empírico é problema intelectual e não moral.
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Contemplatividade impessoal é condição para deixar Deus pensar no interior da pessoa.
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A natureza da intelecção pura exige distinguir três aspectos do Intelecto uno na ilusão separativa, sendo o Intelecto divino luz e ato puro, o Intelecto cósmico receptáculo para Deus e luz para o homem, e o Intelecto humano espelho dos dois anteriores e luz para a alma individual, de modo que no Intelecto não divino há um aspecto incriado essencial e um aspecto criado contingente, e essa visão se funda no princípio de não alteridade pelo qual o que não é outro é idêntico sob o aspecto considerado.
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Toda criatura enquanto tal situa-se na ilusão separativa.
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Intelecto divino é luz e puro ato.
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Intelecto cósmico é espelho em relação a Deus e luz em relação ao homem.
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Intelecto humano é espelho em relação aos dois anteriores e luz em relação à alma individual.
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Aspecto incriado do Intelecto é essencial.
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Aspecto criado do Intelecto é contingente.
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Inteligência que se conforma à verdade é comparada à planta voltando-se irresistivelmente para a luz.
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A inteligência enquanto tal é a de Deus sob o conteúdo essencial.
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A inteligência é humana ou vegetal apenas por limites específicos.
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Virtudes e qualidades positivas são de Deus quanto ao conteúdo ou essência e não quanto à acidentalidade diminutiva.
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As grandes virtudes evangélicas tendem ao fim último no Si, pois caridade, humildade, pobreza e infância negam a dilatação ontológica do ego de modo não individualista, mas intelectivo, partindo do próprio Si, e por isso o sábio não pode em última instância satisfazer-se com bem-aventurança criada, já que o Intelecto tende à sua Fonte e o Si quer libertar-se no interior da pessoa, sendo a divindade do Cristo ligada ao fato de o Intelecto descido do Céu ser o Si e de toda tradição plena postular a extinção do ego em vista do Eu divino.
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As virtudes evangélicas são apresentadas como negações do ego.
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A negação é intelectiva e conforme à natureza profunda das coisas.
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A bem-aventurança criada é insuficiente ao sábio, formulada pela máxima de que o paraíso criado é prisão para o sufista.
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A tendência do Intelecto à Fonte exprime a exigência de libertação do Si.
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O Cristo é Deus porque o Intelecto descido do Céu é o Si.
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Em um sentido, toda religião é cristã por postular Intelecto incriado ou Logos e sua manifestação terrestre.
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A Lei sagrada fornece o quadro elementar para a extinção do ego.
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A letra da Lei deve permanecer dualista por necessidades da maioria e por psicologia social.
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As religiões são interiormente doutrina do Si único e de sua manifestação terrestre e via de abolição do falso si por reintegração no Protótipo celeste, mas exteriormente são simbolismos ajustados a diferentes receptáculos humanos e suas limitações manifestam misericórdia e não contradição em Deus, de modo que o exotérico vela a equação Intelecto-Si por imagética mitológica e moral para lidar com o individualismo, enquanto o esotérico comunica a essência da posição universal entre o nada e o Infinito e considera o universo a partir de Deus.
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Interiormente há doutrina do Si e da extinção do falso si.
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Exteriormente há mitologias no sentido de simbolismos.
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Limitações expressam misericórdia ajustada a receptáculos humanos diversos.
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Exoterismo é condicionado pelo individualismo e pela paixão influindo no pensamento.
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A imagética pode conter ou não elemento de historicidade.
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Esoterismo comunica a situação universal entre o nada e o Infinito.
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Esoterismo visa a natureza das coisas e não apenas a escatologia humana.
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O universo é visto a partir de Deus e não a partir do homem.
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A mentalidade exotérica tende a respostas unilaterais e teme rótulos como dualismo, panteísmo ou quietismo, mas em metafísica e psicologia há questões que exigem simultaneamente sim e não, como na pergunta se o mundo é Deus, pois não o é enquanto manifestação separativa e demiúrgica, mas o é enquanto manifestação causal ou substancialmente divina, já que nada pode estar fora de Deus, e negar qualidade divina ao mundo e ao mesmo tempo afirmá-lo real ao lado de Deus implica dois Absolutos.
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Exoterismo é associado a lógica unilateral e racionalismo apaixonado.
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Respostas ambíguas são necessárias em certos problemas.
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Mundo como manifestação separativa não é Deus.
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Mundo como realidade causalmente divina é Deus no sentido de substância universal inclusiva.
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Deus é princípio exclusivo e transcendente sob um aspecto.
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Deus é realidade total e substância universal sob outro aspecto.
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Deus só é, e o mundo é aspecto divino limitado no próprio plano.
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Negar qualidade divina e manter realidade paralela implica duplicação de divindade e absoluto.
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Aquilo que é encarnação no cristianismo corresponde a revelação ou descida nas outras religiões monoteístas, e a verdade de que só a manifestação divina é o Si torna-se exotérica como exclusividade de uma única manifestação, sendo possível dizer no microcosmo que apenas o Intelecto é o Si e não as demais faculdades, enquanto a literalidade histórica é válida no cosmos humano particular em que a manifestação ocorreu, mas torna-se inadmissível quando se acrescenta um fato à verdade metafísica como se ela dependesse do tempo, e o esoterismo restitui a totalidade dos princípios em casos como a afirmação corânica de que Deus é Deus.
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Exoterismo transforma princípio em exclusividade formal de uma manifestação.
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No microcosmo, Intelecto é o Si e razão, imaginação, memória, sentimento e sentidos não o são.
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Estruturas existenciais refletem o Si de modos diversos.
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A exclusividade tem sentido literal no cosmos humano providencial de uma manifestação.
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Para o Cristo, esse cosmos é o mundo do Império romano e, em sentido mais amplo, os escolhidos por sua graça.
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Literalismo é recusado quando submete a verdade metafísica ao tempo.
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A frase Deus só é Deus significa que não há Si fora do Si.
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Exotericamente, isso pode negar a encarnação ao impedir manifestação fora de Deus.
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Esoterismo restitui a verdade total no plano dos princípios.
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Diferença entre gnose cristã e sufismo é descrita pela projeção do Homem-Deus e da Trindade na alma do gnóstico e pela unificação e unidade da existência derivadas da natureza da unidade divina.
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Para o gnóstico, a distinção exotérica entre religião verdadeira e religiões falsas é substituída pela distinção entre gnose e crenças, ou entre essência e formas, e apenas a perspectiva sapiencial é esoterismo em sentido absoluto por necessariamente superar as relatividades.
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Exoterismo opera por classificação de verdadeiro e falso no plano das formas.
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Gnose distingue essência e formas.
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Esoterismo absoluto é identificado com perspectiva sapiencial.
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Superação das relatividades é condição de esoterismo integral.
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A gnose precede o amor porque Deus é luz antes de ser calor e o amor é a beatitude que sai da gnose, de modo que se pode amar o falso sem cessar de amar, mas não se pode conhecer o falso sem privação de conhecimento, e a saída do amor fora da conhecimento explica a polarização inteligência-vontade e a possibilidade de tentação e queda, simbolizadas pelo androginismo adâmico e pela criação de Eva, com o serpente como tamas e tendência descendente que no contato com a pessoa se personifica em Satan.
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Amor pode vincular-se ao falso sem perder a natureza afetiva.
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Erro implica privação de conhecimento.
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Pecado não implica privação de vontade.
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Polarização inteligência-vontade deriva da saída do amor fora da conhecimento.
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A intervenção da vontade separa a faculdade racional do Intelecto.
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A vontade seduzida pelo serpente torna-se livre por baixo ao poder escolher entre verdadeiro e falso.
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A sedução do falso surge com força torrencial quando se torna possível.
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Razão é apresentada como mãe da sabedoria segundo a carne e como filho natural do pecado de Adão.
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Serpente é identificado ao que os hindus chamam tamas, com traços de obscurecimento, compressão, dissipação e dissolução.
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O mal é ligado à existência, pois o serpente está no paraíso porque o paraíso existe.
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Paraíso sem serpente é identificado com Deus.
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O sofrimento humano ligado a separação e morte corresponde à agressão prévia do ego ao Si pela própria egoidade, pois individuação é separação do Eu divino e ego é morte diante da vida infinita, e embora não se seja responsável por existir, a responsabilidade é continuamente recriada nas ações, sendo esse o sentido profundo do pecado original, e o Cristo apaga esse pecado assumindo a dor que dele deriva ao ser o Si que estende a mão ao eu e ao exigir perder a vida do ego para conservar a vida do Si.
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Egoidade é apresentada como raiz do sofrimento.
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Separação do Eu divino é o núcleo da individuação.
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Ações recriam responsabilidade que se julga inexistente.
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Pecado original é interpretado pelo vínculo entre egoidade e sofrimento.
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O Cristo assume sofrimento e o converte em via de apagamento do pecado fundamental.
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O Si tende a unir e absorver todos os seres sob aspecto solar.
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O Si torna-se ego para que o ego se torne o Si.
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O sujeito divino torna-se objeto cósmico para que o objeto retorne ao sujeito.
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O ego é outro e por isso é desequilibrado e insaciável, buscando o Eu transcendente em beatitudes dispersas.
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O Reino de Deus é situado no interior.
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A identidade com o Si explica que o nascido do Espírito seja espírito e seja como o vento sem origem cognoscível, pois o Espírito é o Si e não há outro sujeito que conheça ou ame na beatitude infinita, e a ausência de origem decorre de saída do encadeamento das causações cósmicas para o imutável, havendo ainda referência ao Si na afirmação de que só sobe ao céu quem desceu do céu, já que tornar-se si mesmo é reconhecer que a essência do ego é o Si.
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Espírito é identificado com o Si.
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Beatitude infinita admite um único sujeito conhecedor e amante.
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O nascido do Espírito é comparado ao vento de origem e destino desconhecidos.
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Identificação ao Si implica ausência de origem e entrada no imutável.
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Subir ao céu é tornar-se si mesmo no sentido do Si.
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Perder a vida do eu é condição para obter vida do Si.
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Em Platão-Sócrates, o verdadeiro filósofo é definido pela prática da separação da alma e do corpo e pelo exercício da morte, pois o retiro do corpóreo e do que no ego é sombra do mundo conduz à alma pura, à alma imortal e ao Si, e a contemplação das coisas em si é associada ao Fédon, fazendo do critério de verdade a verdade em si e a inteligência pré-fenomenal pela qual tudo foi feito.
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Verdadeiro filósofo pratica libertação da alma.
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Prática da morte é apresentada como ocupação constante.
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Retiro do corpóreo implica retirada das influências do mundo no ego.
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Contemplar coisas em si é meta do alma em si.
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Critério de verdade é a verdade em si.
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Inteligência pré-fenomenal é princípio pelo qual tudo foi feito.
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No microcosmo, apenas o Intelecto é o Si e isso exige distinguir pensamento racional discursivo do mental e pensamento intelectivo intuitivo do Intelecto puro, pois o primeiro é expressão voltada à manifestação e o segundo é exteriorização visando interiorização, com correspondência entre pensamento racional e mundo infra-humano do cérebro cósmico e entre pensamento intelectivo e humanidade como expressão do coração, sendo o avatâra a figura correlata em escala menor, e a razão deve ser transfigurada por fé ou gnose.
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Pensamento racional é discursivo e mental.
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Pensamento intelectivo é intuitivo e do Intelecto puro.
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Pensamento intelectivo é exteriorização em vista de interiorização.
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Pensamento racional visa manifestação como tal.
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Mundo infra-humano é produção do cérebro cósmico.
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Humanidade é expressão do coração em relação ao pensamento intelectivo.
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Avatâra corresponde à segunda forma de pensamento em escala menor.
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Drama da revelação é prefigurado ou pós-figurado no ato intelectual e na meditação unitiva.
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Pensamento celeste é suscitado pela substância eterna e encontra fim no Si.
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Razão é qualificada como inteligência profana e origem do ponto de vista profano.
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Fé e gnose determinam regeneração da razão, sendo gnose quintessência da fé.
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A gnose, por ser conhecer e não querer, centra-se no que é e produz visão do mundo diversa daquela dos volitivos, pois para o bhakta o fundo dos dramas é a vontade de Deus e a aceitação do destino nasce do amor incondicional e do dever ser, enquanto para o jnânî o fundo é a natureza das coisas e a aceitação nasce do discernimento da necessidade metafísica e do que é, com impassibilidade baseada na distinção real e irreal e com eventos explicados pelas combinações dos gunas e anulados quando a relatividade é superada.
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Bhakta vê dramas sob vontade de Deus.
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Jnânî vê dramas sob natureza das coisas.
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Aceitação bhaktica resulta de amor incondicional e do dever ser.
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Aceitação jnânica resulta de discernimento e do que é.
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Bhakta aceita destino como vindo do Amado.
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Bhakta reduz distinção entre eu e outros e por isso não se revolta contra evento sofrido por si.
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Amor a Deus funda amor ao próximo.
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Jnânî formula impassibilidade por máximas como mundo é falso e Brahma é verdadeiro e tu és isso.
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Gunas são sattwa, rajas e tamas.
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Karma é encadeamento sucessivo associado às qualidades.
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Superada a relatividade, cessam eventos, bem e mal e vínculo kármico.
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Plano de gunas e karma é anulado na serenidade indiferenciada do ser ou do si.
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Não há relação jurídica entre inquietudes da alma e serenidade do Intelecto.
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A serenidade já está oculta na inquietude e permanece próxima.
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Querer na vida espiritual é querer um bem e por isso equivale a bem querer ou querer por Deus, podendo ser dito amar e associar o bem ao belo, enquanto conhecer é conhecer o que é e em última análise ser aquilo que conhece, isto é, o Si.
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Vontade espiritual implica orientação ao bem.
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Bem querer é querer por Deus.
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Amor pode nomear o querer.
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Belo pode nomear o bem.
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Conhecer o que é conduz ao ser do conhecedor.
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O termo final do conhecer é o Si.
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A serenidade que transcende gunas e karma situa-se como núcleo de paz e luz no centro da existência, comparável a gota de orvalho salvadora em oceano de chamas, e a ignorância de que a existência é braseiro impede desejo de saída, sendo o temor de Deus apontado como cabeça da sabedoria por relacionar-se às mordidas divinas como preço do afastamento.
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Serenidade é centro libertador no interior da existência.
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Buda é citado pela frase de que todo o universo está em chamas.
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Substância existencial é identificada ao fogo.
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Corpos são descritos como estrangeiros no tecido dessa substância.
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Homem ingênuo e impenitente trata o mundo como espaço neutro de escolhas agradáveis.
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Ignorar braseiro existencial enfraquece motivo para sair da existência.
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Provérbio árabe afirma que a cabeça da sabedoria é o temor de Deus.
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Temor é associado a mordidas divinas.
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O núcleo luminoso no centro das formas é o souvenir de Dieu exigindo a totalidade do ser, e por isso a recordação de Deus é apresentada como exceção à maldição do mundo e a existência como falta máxima, ao mesmo tempo em que a afirmação de que Deus só é bom implica participação do nome e da recordação na bondade, e o fogo virtual se retira na medida do centramento no souvenir tornando as coisas transparentes e reveladoras de seus arquétipos.
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Aforismos maometanos distinguem a recordação de Deus do que está na terra.
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A existência é enunciada como falta maior.
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A frase Deus só é bom é atribuída ao Cristo.
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Nome de Deus participa da bondade como o que vem de Deus.
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Recordação participa da bondade como o que conduz a Deus.
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Centrar-se na lembrança torna as coisas transparentes.
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Coisas comunicam raios de arquétipos imutáveis e bem-aventurados.
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A existência é fogo quando vista fora de Deus e por isso conduz ao fogo, mas torna-se iluminação para a inteligência contemplativa e queimadura para a vontade pervertida, sendo simultaneamente ameaça e consolação e também sedução servil e visão libertadora, e a adesão às sombras do mundo busca arquétipos bem-aventurados mas produz sofrimento quando sombras desaparecem e quando a morte revela os arquétipos dos quais o amor às sombras afastou.
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Fora de Deus a existência é configurada como queimadura.
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Para a inteligência contemplativa a existência torna-se iluminação.
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Para a vontade pervertida a existência torna-se sofrimento.
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A existência tem dupla função de ameaça e consolação.
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A existência opera como sedução asservente e como visão Liberadora.
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Apego às sombras visa arquétipos imutáveis.
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Sofrimento ocorre com perda das sombras.
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Sofrimento ocorre ao perceber arquétipos na morte após amar sombras.
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Na realidade global, a Existência é serena e a cólera cósmica é reabsorvida no equilíbrio total e virginal, de modo que a Existência em si é descrita como Virgem universal que vence pela pureza e misericórdia o pecado da Ève demiúrgica produtora de criaturas e paixões, e a Eva que produz e prende é vencida pela Virgem que purifica, perdoa e liberta.
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Equilíbrio total é qualificado como virginal.
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Virgem universal é associada à pureza e misericórdia.
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Eva demiúrgica é associada a produção de criaturas e paixões.
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A vitória da Virgem é purificação, perdão e libertação.
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Para a gnose, o fogo existencial é inseparável da ignorância e da ilusão, mas a causa fundamental da ilusão é o princípio de objetivação pelo qual o polo ser se retrai do sujeito puro, de modo que até a Virgem universal é ilusória sob esse ângulo e até o Ser o é enquanto distinto do sujeito supra-ontológico que é o Si, embora Existência e Ser permaneçam além do fluxo das formas e portanto além de separação, sofrimento e morte.
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Ignorância é ligada a ilusão na perspectiva gnóstica.
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Princípio de objetivação funda a separação do polo ser em relação ao sujeito puro.
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Virgem universal é dita ilusória sob o ângulo da objetivação.
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Ser é ilusório enquanto distinto do sujeito supra-ontológico.
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Existência e Ser estão no domínio de Mâyâ mas acima do fluxo das formas.
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Estar além das formas implica estar além de separação, sofrimento e morte.
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A gnose é participação possível na perspectiva do sujeito divino além da polaridade sujeito-objeto, participação precária mas real pois distinção absoluta implicaria ausência de realidade, e essa perspectiva não elimina a causa das polarizações cósmicas no sujeito, mas exige ver nela polaridade sem separação nem oposição.
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Participação é possível porque não há distinção absoluta sob todo aspecto.
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Sujeito divino está além da polaridade separativa.
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O sujeito contém causa das polarizações conforme à essência.
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A polaridade no sujeito não deve ser tomada como separação ou oposição.
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O sujeito absoluto contém seu objeto imediato e connatural que é a beatitude infinita, e a descrição de Atmâ como Sat Chit Ananda indica ser conhecente tendo por objeto a beatitude, com uso provisório do termo ser por o Si estar além da unidade ontológica, e o mundo é incluído na beatitude por meio do ser como dimensão exterior do si do ponto de vista do mundo, o que fundamenta dizer que Deus criou por bondade e implica que mesmo a dor mantém o dom positivo da existência e é limitada em natureza e duração.
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Atmâ é descrito como Sat, Chit, Ananda e como Sachchidânanda.
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A fórmula indica sujeito como ser consciente de possibilidades e orientado à beatitude.
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O termo ser é provisório por o Si estar além da unidade ontológica.
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Mundo é dito incluído na beatitude e no ser como dimensão exterior vista pelo homem.
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Criação por bondade é ligada a amor, bondade e beleza como aspectos da beatitude.
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Beatitude é identificada à toda-possibilidade.
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Sofrimento inclusive infernal permanece limitado porque Deus só é absoluto.
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Existência é dom positivo preservado no ser.
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O princípio subjetivo que emana do sujeito divino atravessa o universo como raio e termina na multiplicidade dos egos, pois o mundo formal se caracteriza por segmentação indefinida e por isso sua subjetividade é múltipla, e o estado humano constitui para o mundo terrestre a limite do raio criador e a porta de saída única desse mundo e do cosmos formal e até da objetivação universal, já que como microcosmo total o eu plênio abre para o si e a imortalidade.
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Raio criador culmina em múltiplas almas e egos.
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Segmentação formal deriva de limites exteriores dos conteúdos.
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Subjetividade múltipla corresponde à diversidade das almas.
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Homem é limite do raio de exteriorização do si no mundo terrestre.
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Homem é espelho ou eco que detém o raio de exteriorização.
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Estado humano é porta de saída única para o mundo terrestre.
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Saída inclui ultrapassar cosmos formal e objetivação da existência universal.
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Microcosmo total é chamado eu plênio.
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A abertura conduz ao si e à imortalidade.
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Shankarâchârya exprime a unidade assimétrica entre eu e Senhor ao afirmar que sendo um só o eu pertence a Deus como ondas pertencem ao mar e não o mar às ondas, e identifica Bénarès com a sabedoria inata e com o próprio eu ao descrever a cessação da agitação mental, o apaziguamento supremo, o Manikarnikâ, o Gange primordial e o rio do saber.
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Shankarâchârya é mencionado por hinos a Hari.
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A relação entre unidade e pertencimento é simbolizada por ondas e mar.
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Kâshîpanchakam é mencionado como fonte de outra formulação.
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Cessação da agitação mental é associada a apaziguamento supremo.
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Manikarnikâ é referido como lago e peregrinação por excelência.
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Gange primordial é descrito como muito puro e como rio do saber.
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Bénarès é identificada com a sabedoria inata.
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A fórmula final identifica essa sabedoria com o próprio eu.
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