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MISTÉRIOS CRÍSTICOS E VIRGINAIS
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A deificação do homem pressupõe uma participação nos mistérios da Encarnação e da Redenção, onde o ego deve ser crucificado em relação ao mundo para que a graça salvadora nasça no coração como o Cristo interno.
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A santidade é definida como a nascimento e a vida do Verbo no receptor humano.
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A alma deve assumir o estado mariano de pureza virginal e simplicidade original para acolher a presença divina, pois o pecado turva a receptividade espiritual.
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O mistério não é uma incompreensibilidade racional, mas uma realidade que deságua no Infinito, tornando a inteligibilidade humana ilimitada e inexaurível.
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Maria personifica a pureza, a beleza, a bondade e a humildade da Substância cósmica, sendo a alma em estado de graça o reflexo microcosmicamente fiel dessa perfeição primordial.
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O estado mariano é a condição essencial para a recepção sacramental e para a atualização da presença real do Verbo na alma.
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A pureza da Substância consiste na ausência de tudo o que não seja Deus; sua bondade reside no equilíbrio total que absorve os desvios cósmicos; e sua beleza deriva de sua submissão absoluta ao Princípio.
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A saudação angélica descreve a relação ontológica e transcendente entre Deus e a Substância: gratia plena indica a imanência do mistério divino na Substância, enquanto Dominus tecum aponta para a revelação de Deus em Sua transcendência à própria Substância.
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Benedicta tu in mulieribus distingue a Substância total e perfeita das substâncias secundárias e das almas decaídas que derivam dela por ruptura de equilíbrio.
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A alma purificada, ao recuperar a perfeição primordial, torna-se abençoada entre todas as substâncias microcosmos.
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O Verbo manifestado como fructus ventris tui, Jesus, representa a inversão do fluxo divino: o que é causa e raiz na ordem transcendente aparece como fruto e resultado na ordem da manifestação e da alma.
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A alma que parece dar nascimento a Deus é, em realidade, transmutada e absorvida por Ele, tal como a Igreja militante é absorvida pela triunfante.
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Microcosmicamente, a presença real afirma-se no centro da alma, espalha-se e opera a morte do ego na imutabilidade do Verbo.
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As perfeições virginais necessárias para a busca de Deus compreendem a pureza (vazio de desejos), a beleza (paz divina e equilíbrio), a bondade (misericórdia e abolição da distinção egoísta entre o eu e o outro) e a humildade (consciência do próprio posto e submissão ao que ultrapassa a criatura).
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A pureza é descrita como a imortalidade diamantina que exclui toda corrupção passional.
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A humildade mariana reflete o comportamento da Materia Prima, que não tenta apropriar-se da transcendência do Princípio.
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Maria é simultaneamente virgem, esposa e mãe, assim como a alma santificada e a Substância universal.
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A natureza do Cristo manifesta-se nos mistérios da encarnação (presença vitoriosa do milagre divino), do amor (liquefação do coração endurecido e indiferença ao mundo), do sacrifício (aniquilamento do ego no vazio perfeito) e da divindade (união permanente e espiritualidade pura).
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A encarnação na alma identifica-se com a gnose transformante e com a oração do coração, onde o Nome de Deus atua como força invencível.
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O sacrifício do ego é a participação humana no abandono de Cristo na cruz entre o Céu e a terra.
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A pessoa humana só atinge sua plenitude real além de si mesma, na união inefável com o centro espiritual.
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O Pai Nosso destaca-se como a oração mais excelente por sua autoria divina, relacionando-se aos Pequenos Mistérios e à plenitude do estado humano, enquanto a Ave Maria é superior por conter o Nome do Verbo, que é Deus mesmo.
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O Nome de Jesus identifica-se misteriosamente com o Verbo e corresponde aos Grandes Mistérios, cuja finalidade ultrapassa o estado individual.
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A Ave Maria constitui a substância do Rosário por conter o Verbo, que é superior à oração por Ele ensinada.
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Na estrutura simbólica do Rosário, Maria representa a dimensão horizontal e superficial (o Lótus/receptor), enquanto Jesus representa o centro e o eixo vertical (a Joia/transmutador) que penetra e transfigura o ser humano.
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Os Mistérios Gozosos referem-se à presença real do Divino no humano.
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Os Mistérios Dolorosos descrevem o aprisionamento redentor do Divino nas limitações e profanações humanas.
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Os Mistérios Gloriosos celebram a vitória final do Espírito sobre a alma e a libertação da criatura.
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