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DIVERSIDADE DA REVELAÇÃO
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A unicidade da Verdade não implica unicidade de Revelação ou de Tradição, porque a Verdade está além das formas e a Revelação é formal, e forma implica limitação, diferenciação e pluralidade.
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A forma introduz número, repetição e diversidade.
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O princípio formal, inspirado pela infinitude da Possibilidade divina, diversifica a repetição.
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A diferença dos receptáculos humanos determina a diferença das formas da Verdade.
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A humanidade divide-se há milênios em ramos distintos, constituindo humanidades relativamente fechadas.
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Os receptáculos espirituais podem ser grupos variados submetidos a condições mentais homogêneas.
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O coletivo humano não é absoluto, e indivíduos podem ultrapassar esses quadros.
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As Revelações não se contradizem realmente por não se aplicarem ao mesmo receptáculo.
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Deus não dirige o mesmo mensagem a receptáculos de caracteres divergentes.
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Contradição só ocorre no mesmo plano.
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Antinomias aparentes equivalem a diferenças de linguagem e símbolo.
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Contradições pertencem aos receptáculos humanos, não a Deus.
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A diversidade do mundo depende de seu afastamento do Princípio divino.
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A exclusão relativa entre Revelações decorre do fato de que Deus fala em modo absoluto, mas essa absoluidade concerne sobretudo ao conteúdo universal, sendo relativa e simbólica quanto à forma.
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A forma simboliza o conteúdo e a totalidade humana a que ele se destina.
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Deus não compara Revelações de fora, como um sábio.
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Deus situa-se no centro de cada Revelação como se ela fosse a única.
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A Revelação fala linguagem absoluta por causa da absoluidade de Deus.
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A absoluidade da Revelação é absoluta em si e relativa pela forma.
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A linguagem das Escrituras é divina e ao mesmo tempo humana, de modo que só pode ser divina de maneira indireta, revelando a desproporção entre intenção celeste e expressão mortal.
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Palavras e lógica humanas não alcançam a intenção celestial.
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A linguagem humana não considera as coisas sub specie æternitatis.
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O Verbo incriado rompe a palavra criada e a ordena para a Verdade.
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A transcendência divina manifesta-se diante das limitações da lógica humana.
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O homem ultrapassa tais limites pela conhecimento metafísico, fruto da intelecção pura.
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O amor toca as essências e também ultrapassa limites.
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Reduzir a Verdade divina aos condicionamentos terrestres ignora a desmedida entre finito e Infinito.
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A exigência de unicidade ligada à absoluidade da Revelação não pode realizar-se como fato absolutamente único, pois só a Realidade é única em sentido pleno, ao passo que os fatos comportam unicidades relativas que coexistem com a diversidade.
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Deus, Substância universal e Espírito divino imanente são únicos sob diversos graus.
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A Revelação pode ser fato relativamente único.
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Se não houvesse unicidades factuais, a diversidade seria absoluta, o que é contraditório.
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Unicidade e diversidade devem manifestar-se, ambas de modo relativo.
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A diversidade não abole a unidade substancial que a sustenta.
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A unidade deve ser contradita por diversidade no próprio plano de existência.
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O fato único ocorre na parte, não na totalidade de um cosmos.
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Um fato é único por representar Deus para certo meio, não por existir absolutamente.
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A existência repete o símbolo fora do quadro providencial onde ocorre o fato único.
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A diversidade contradiz a unicidade fora desse quadro para indicar que só o Verbo incriado não-manifestado é absolutamente único.
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A objeção de que uma Revelação é única no mundo quando ocorre é respondida pela distinção entre unicidade de fato e unicidade de princípio, e pela extensão da diversidade tanto no tempo quanto no espaço.
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A diversidade não precisa ser simultânea, podendo ocorrer por sucessão temporal.
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Um fato pode parecer único por certa duração sem ser único em sentido absoluto.
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Unicidade espacial não implica unicidade temporal, e inversamente.
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Não é possível afirmar unicidade absoluta de gênero por não se poder medir tempo, espaço e modos desconhecidos.
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A questão envolve o gênero ou a qualidade, não a particularidade.
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A analogia do sol mostra que uma unicidade válida num sistema pode ser desmentida por multiplicidade em escala maior, sem perder sua eficácia providencial no domínio próprio.
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O sol é único no sistema solar, mas não no espaço.
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Outros sóis são visíveis como estrelas, não como sóis.
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A unicidade do sol é contrariada pela multiplicidade das estrelas fixas.
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A unicidade vale no sistema determinado pela Providência.
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A parte manifesta unicidade e representa a totalidade para o espírito humano limitado às formas.
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A parte é totalidade sob o aspecto da eficácia espiritual.
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A diversidade observável em raças, línguas, ciências e artes torna coerente a diversidade religiosa, já que a diversidade de receptáculos humanos implica diversidade formal dos conteúdos divinos, sem alteração da essência.
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Não existem raças falsas contrapostas a raças verdadeiras.
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A multiplicidade de línguas é aceita como legítima.
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A diversidade de ciências e artes é igualmente reconhecida.
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A diversidade religiosa concerne à forma e não à essência.
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Cada religião apresenta-se necessariamente como a religião no próprio plano, assim como cada raça e cada língua se apresentam como o homem e a língua, e a prática explícita de uma religião implica implicitamente todas.
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Em cada raça, o homem aparece como homem tout court.
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Em cada língua, a língua aparece como a língua no próprio terreno.
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A comparação relativizante explícita não faz sentido diante do fim a atingir.
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Dizer religião implica religião única no plano respectivo.
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Praticar explicitamente uma religião implica praticar implicitamente todas.
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A diversidade étnica e a vastidão geográfica tornam altamente improvável uma religião única para todos e tornam provável a necessidade de pluralidade, sendo absolutos apenas a metafísica pura e a oração pura.
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A religião única enfrenta contradição entre reivindicações de absoluidade e universalidade e impossibilidade psicológica e física de realização.
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Há antinomia entre essas reivindicações e o caráter relativo de toda mitologia religiosa.
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Metafísica pura e oração pura são absolutas e universais.
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A mitologia é indispensável para que a verdade essencial se enraíze numa coletividade humana.
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A mitologia contém verdade e eficácia em seu conteúdo intrínseco.
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A religião, como fato sobrenaturalmente natural, prova-se extrinsecamente pela universalidade humana, e a pluralidade e ubiquidade do fenômeno religioso sustentam a religião como tal.
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A universalidade do fenômeno religioso funciona como argumento a favor da religião.
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A planta orienta-se infalivelmente para a luz como imagem de orientação verdadeira.
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O homem não se engana ao seguir a Revelação e a tradição.
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Há instinto infalível nos animais e instinto sobrenatural nos homens.
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O homem pode contrariar a natureza, violando-a ou ultrapassando-a.
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