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VICISSITUDES DOS TEMPERAMENTOS ESPIRITUAIS
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A natureza humana tende a enclausurar-se em alguma limitação, tendência intensificada numa época que destrói quadros de universalidade, de modo que o bhakta arrisca negligenciar a verdade objetiva e o jnânî arrisca negligenciar as perfeições humanas e o vínculo humano com Deus.
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A distinção amor-conhecimento ou bhakti-jnâna estrutura duas alternativas: caridade-egoísmo e verdade-erro.
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O bhakta é volitivo e afetivo e pode subestimar a verdade objetiva.
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O jnânî é intelectivo e pode subestimar perfeições humanas e ligação humana com Deus.
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A referência recai sobre tipos espirituais, não sobre realizações plenas.
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O jnânî pode carecer de caridade como gênio intelectual preso à teoria, mas não como espírito realizado.
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A bhakti comporta realizações mais elementares e fáceis por não ultrapassar necessariamente o humano.
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A bhakti é concebível fora da intelectualidade estrita e, parcialmente, fora da ortodoxia estrita.
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Uma perfeição bhaktica sem elemento intelectual equivale a corpo sem esqueleto fora do meio tradicional.
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A civilização tradicional funciona como esqueleto externo que pensa pelo bhakta e neutraliza suas incartadas.
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Sacrificar o próprio juízo só é legítimo quando existe inteligência garantida na ambiência tradicional.
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Uma perfeição jnânica sem caridade ou sem serenidade equivale a esqueleto sem carne.
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A beleza da alma, feita de paz e generosidade sem frouxidão, complementa a atividade mental derivada da intelecção.
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Essa beleza é inerente ao jnâna na medida em que se identifica à gnose pura.
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A confrontação mostra que o equilíbrio é externo e indiretamente intelectual no volitivo e interno e aparentemente moral no intelectivo, pois a ambiência tradicional se afirma por simbolismo e a caridade do jnânî é conformidade impessoal ao que preexiste no divino.
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O caráter indireto do intelectual no bhakta liga-se ao predomínio do simbolismo tradicional.
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O caráter apenas aparente do moral no jnânî decorre de não ser atitude psicológica individual.
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A bhakti situa-se a priori no plano humano enquanto via.
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O jnâna e o Intelecto situam-se além do ego como lugar e órgão da via.
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A qualidade do jnânî não pertence propriamente a um indivíduo, mas ao sopro do Espírito.
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Mesmo o contemplativo jnânico precisa de um quadro exterior simbolista e o bhakta precisa de uma ambiência interna análoga, de modo que a beleza funciona como complemento providencial do jnânî e o discernimento fenomenal como complemento necessário do bhakta.
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A beleza requerida pelo jnânî é inteligibilidade, simbolismo vivido e harmonia, não agrado superficial.
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A beleza permite descanso confiante da inteligência e atua como elemento indireto de equilíbrio.
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A beleza privilegiada é a da natureza virgem mais que a dos templos por refletir espontaneidade, ilimitado e intemporalidade.
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A natureza corresponde à liberdade primordial do Intelecto puro.
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O espírito do jnânî é anterior a toda cristalização e é em toda parte e em parte nenhuma.
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A ambiência interna exigida pela bhakti é a inteligência como discernimento racional e fenomenal.
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Santa Thérèse d’Avila recusava a estupidez como norma para religiosas.
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A primazia do bhakta é a perfeição da vontade, o que favorece subestimação da inteligência.
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A vontade não prescinde da verdade que determina sentido e modos da perfeição.
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A relação entre jnâna e bhakti pode ser descrita como via viril e via feminina, exigindo cada uma complementos duplos do polo oposto para evitar inquietação mental e sentimentalismo sem verdade.
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A virilidade do jnâna requer complemento feminino interno e moral e complemento externo e estético.
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A feminilidade bhaktica requer complemento viril externo e tradicional e complemento interno e mental.
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O amor requer inteligência ou discernimento na tradição e eventualmente na alma conforme o nível da via.
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A atividade intelectual requer beleza na alma e secundariamente na ambiência visível.
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Deve-se evitar a inquietação mental com egoísmo inconsciente e a sua esclerose.
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Deve-se evitar o sentimentalismo opaco que pretende suprir a ausência de verdade por virtudes.
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O gênio intelectual não se confunde com acuidade lógica, pois a intuição intelectual é contemplatividade receptiva à Luz incriada e difere da razão que opera por lógica, sendo o gênio uma fissura sobrenaturalmente natural no receptáculo humano.
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A razão percebe o geral e procede por operações lógicas.
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O Intelecto percebe o principial e procede por intuição.
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A intelecção é concreta em relação às abstrações racionais e abstrata em relação ao Concreto divino.
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A lógica se situa em relação à intuição como esta em relação à gnose efetiva, sem comparabilidade estrita.
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O gênio pertence ao receptáculo e não ao Intelecto como tal.
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O gênio é descrito como fissura na opacidade humana.
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A necessidade de esforço de caridade no intelectivo, sobretudo em condições que enfatizam teoria e carecem de cultura moral tradicional, decorre do fato de que a ausência de virtude pode cindir homem e inteligência, cuja presença depende da graça.
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O vínculo indireto entre conhecimento e virtude não implica insuficiência do Intelecto.
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A ausência de virtude pode produzir cisão entre homem e sua inteligência.
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O homem pode ser porta-voz do Espírito por graça, salvo absorção do eu pelo Si.
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Não há pacto de segurança entre homem e Deus fora da estação suprema.
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A inteligência pode retirar-se e quem se obscurece é o homem.
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O mental se desgasta quando a alma não repousa em Deus, enquanto o Intelecto permanece intacto.
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A metafísica está além da caridade, mas o metafísico sem caridade compromete a doutrina por rebatimento do vício.
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Santa Teresa do Menino Jesus atribui a queda de Pedro à confiança em si sem a fórmula com ajuda de Deus.
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O risco é confiar na presença da luz e não na luz como tal, pois a presença depende da graça.
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O Intelecto é simultaneamente dom e essência pessoal, conforme a potência da graça.
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O homem pode ter a Verdade e pode ser a Verdade.
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A objeção de que a caridade deve ser superada na gnose é respondida pela distinção entre virtude positiva e virtude negativa, segundo a qual o jnânî busca liberdade de egoísmo e mantém a alma na virgindade do ser fundamental sem substituir Deus por obras.
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A caridade positiva é necessária enquanto o sentido da virtude negativa não foi compreendido.
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A pergunta do jnânî é se há liberdade de egoísmo.
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A virtude do jnânî é negativa como teosofia apofática.
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A virtude intrínseca é o ser fundamental e consiste em abster-se dos vícios da natureza caída.
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A abstinência pode assumir forma de afirmação volitiva conforme circunstâncias.
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A moralidade que adiciona obras ao ser tende ao individualismo.
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Obras e virtudes podem ocupar o lugar de Deus na perspectiva moral.
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A via jnânica é impessoal ao ver virtude como qualidade existencial da natureza primordial do criado.
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O ser fundamental é camada ontológica mais profunda que o plano da queda.
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A virtude permanece ligada à contemplação e se retira do jogo de oposições morais.
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Superar virtudes não equivale a privação, mas a libertação de limitações individuais.
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O que mais conta para Deus é a qualidade da contemplação, entendida como modo de ser.
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O espírito bhaktico distingue a priori Deus e ego e tende a situar Deus no próximo e o diabo no eu, simplificação que, fora do contexto tradicional, abre caminho a esquecimento das potências de ilusão e a confusão entre verdade e Deus.
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A redução do diabo ao ego implica abolição prática do demônio.
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O esquecimento do demoníaco abre porta a otimismo pueril.
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O otimismo se mistura ao progressismo e aceita encolhimento e falsificação modernos.
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A satanização do ego induz divinização simplista do outro.
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Deus é substituído pelo próximo e surge altruísmo como fim em si.
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O altruísmo perde contato com a verdade metafísica e com a espiritualidade verdadeira.
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A distinção entre verdade e erro se apaga, restando ego como erro e Deus e próximo como verdade.
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A incoerência obriga a excetuar certas manifestações do ego e acrescenta nova ilusão.
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A incoerência obriga a confundir noções de verdade e de Deus e favorece desprezo pela inteligência.
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A aceitação do Anticristo por humildade ou gentileza torna-se proximidade possível.
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A depreciação da inteligência substitui suposto orgulho intelectual por orgulho contra o Intelecto.
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A deriva desemboca em pecado contra o Espírito.
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As posições de situar diabo no ego e Deus no próximo são válidas como remédio moral dentro de contexto, mas exigem discernimento dos espíritos, pois a inteligência é dom de Deus e a espiritualidade feminilizada como totalidade conduz à dissolução.
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As posições valem no plano moral e contra egoísmo natural, não fora dessa polaridade.
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A inteligência distingue o homem dos animais e é dom como a caridade.
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A caridade não é possível sem inteligência.
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Simplicidade deve ser acompanhada de prudência como exigência complementar.
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O discernimento dos espíritos é necessário num mundo em decomposição.
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O subjetivismo moral isolado implica sentimentalidade e caráter feminino.
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A feminilidade integral corresponde a parte e não a totalidade.
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A feminização da espiritualidade indica desequilíbrio e via de dissolução.
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A substituição de formas por cores e de ritmos por sons descreve a dissolução.
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A feminilidade é necessária na espiritualidade, mas deve ocupar lugar próprio.
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O humanitarismo laico e antitradicional confunde-se com caridade por sentimentalismo e se funda na ideia de que o homem é bom, invertendo o axioma tradicional e convertendo ressentimento contra Deus em ataque às religiões e seus representantes.
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A crença na bondade humana se acompanha de suspeita de maldade divina ou de negação de Deus.
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O deísmo científico é inoperante e não freia o ressentimento moderno.
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O ressentimento se dirige a sacerdotes e religiões tidas como invenções interessadas.
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O axioma tradicional afirma Deus como fonte de toda bondade.
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O homem é dito mau por vontade não conforme ao ser divino e por falso instinto de conservação.
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Muitos homens são bons por acidente na ausência de circunstâncias que ativem covardia, ferocidade e perfídia.
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Há camada pré-satânica boa, mas soterrada sob carapaça da queda.
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Só amor de Deus ou gnose rompe a crosta produzida pela queda.
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Virtude puramente humana é desafio a Deus e pretende provar superioridade humana.
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O homem não cria o bem nem destrói o mal, apenas desloca bens e males.
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O prometeismo ateu e demagógico destrói valores mais altos e gera males maiores.
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O santo queima raízes do mal em certa ambiência conforme a Providência.
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A impossibilidade de reencontrar no homem a inocência da natureza virgem revela miséria consciente que exige explicação, e os males terrestres são inevitáveis porque o mundo não é Deus, sendo a superação possível apenas no Absoluto.
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A imagem de Moisés descreve o homem como erva que cresce e murcha.
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A consciência humana torna a miséria incompatível com normalidade de mera erva.
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Se o homem fosse bom, seria incoerente a necessidade de proteção contra si mesmo.
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Se não houvesse Deus e religião fosse humana, faltaria base para culpar religião por estragar o homem.
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A fonte do mal não pode ser animalidade, pois animal não alcança perversão humana.
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A inevitabilidade do mal deriva do hiato entre efeito e Causa.
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Sofrimento e morte exprimem o hiato inevitável do termo relativo.
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Só no Absoluto há escape da fatalidade, não pela eliminação do mal como tal.
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A atitude otimista equivale a escolher o mundo sem querer que ele seja mundo.
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A prioridade do Reino de Deus é apresentada como condição para o resto.
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A influência moderna sobre a bhakti não doutrinal conduz a deformações teológicas e a dilapidação inconsciente de herança tradicional, gerando erros e perda de senso de proporções.
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Em certos reformadores hindus, salvar a honra de Deus levou a reduzir Deus à alma coletiva.
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A experiência subjetiva mal definida preserva resíduo de lugar para Deus.
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A liberdade moderna aplicada por ancestrais teria eliminado toda espiritualidade em poucos séculos.
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O espiritualista moderno vive de herança desprezada e a desperdiça.
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O modernismo destrói bases doutrinais e introduz preconceitos e erros.
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Resultam confusões e falta de sentido das proporções.
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A doutrina do kali-yuga e do Kalki-Avatâra é apresentada como critério de ortodoxia e barreira contra o evolucionismo, exigindo rejeição da ideia de evolução da verdade e de doutrinas reveladas como produto evolutivo.
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A doutrina é universal sob símbolos diversos e não pode ser ignorada por revelação alguma.
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A doutrina exclui evolucionismo como princípio universal.
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O rechaço abre porta a traições e corrupções.
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Evolução pode existir dentro de limites sem ser lei que afete o imutável.
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Evolução e degenerescência podem coexistir em planos distintos.
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Deve-se rejeitar a ideia de que a verdade evolui e de que doutrinas reveladas evoluem.
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O verdadeiro jnâna coincide com ortodoxia por definição, enquanto a bhakti necessita de ortodoxia para a vida coletiva e continuidade tradicional, pois o amor não pode ser experiência autossuficiente nem transcender dogmas por baixo.
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A bhakti não pode ser arte pela arte nem fim em si.
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Tudo ser amor não implica que amor seja qualquer coisa.
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Retirar substância metafísica do amor elimina verdade e eficácia.
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O desprezo por hierarquias, símbolos e instituições divinas é efeito do achatamento.
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Dogmas limitam, mas têm valor positivo por conteúdos e por oportunidade humana.
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A Sapiência e Misericórdia divinas previram a função social e psicológica dos dogmas.
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Nem todo amor é impecável, e entusiasmo pode encobrir desenvoltura estéril.
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É preciso apoio formal para ultrapassar formas, pois o além-forma exige ponto de apoio formal.
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A máxima evangélica sobre chegar ao Pai pelo Filho é invocada.
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O sannyâsî abandona ritos ritualmente e não legitima abolição arbitrária.
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A ausência de castas para o sannyâsî não implica pregação de abolição das castas.
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O espiritualismo moderno na Índia negligencia bases humanas garantidas pelo sagrado e oferece atalhos e yogas sem garantias tradicionais, que exigiriam preparação ancorada na tradição para não se tornarem inoperantes ou nocivos.
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Atalhos espirituais existem e podem ser possíveis.
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Esses atalhos exigem intelecção pura e técnica sutil e rigorosa.
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Exigem preparação intelectual e condicionamento psicológico enraizados na tradição.
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Sem tradição, tornam-se inoperantes e podem levar a fim contrário.
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Protagonistas de certos yogas oferecem via científica e não sectária a inaptos.
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A via é apresentada como depurada de superstição e escolástica e perde garantia tradicional e razão suficiente.
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Pode haver casos em que, apenas na bhakti, irregularidades sejam atribuídas à Misericórdia em época caótica, mas em geral as graças não compensam nem justificam o vírus progressista que falsifica os espíritos.
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A questão do saldo entre vantagens e inconvenientes é remetida ao juízo de Deus.
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Na maioria dos casos, vantagens não compensam os danos.
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Graças eventuais não justificam nem sancionam a falsificação progressista.
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O bhakta ingênuo pode ser vítima mais que responsável quando falta ambiência tradicional.
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A simplicidade sem prudência aumenta riscos e os transfere a outros.
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A imagem de crianças tomando-se por adultos descreve o perigo coletivo.
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No polo cristão, a reação contrária declara técnicas inoperantes e tudo dependente de graça e caridade, mas atribuir virtude salvadora a técnicas reveladas é legítimo, pois a prática normal purifica ou é abandonada pela dificuldade de fato.
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Acrescentar que tudo depende da graça enuncia evidência trivial.
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A analogia de atravessar uma rua ilustra a trivialidade de invocar predestinação para um ato possível.
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Expressões hindus são elípticas sem serem simplistas.
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O alvo da crítica é o esquecimento do clima humano indispensável, não a elipse verbal tradicional.
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Asiáticos modernos generalizam categorias de sua ambiência e as atribuem ao homem como tal.
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A falta de experiência e de comparação produz erro de óptica.
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Subestima-se o quanto o mundo da máquina e da demagogia molda psicologicamente os modernos ocidentais.
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Uma lógica ingênua e impecável mostra-se ineficaz diante dessas condições.
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As falhas do néo-bhaktismo exigem lembrar que ortodoxia e heterodoxia não coincidem com piedade e mundanidade, e que a decadência procede por reações que caricaturam verdades e depois as abolem por baixo.
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O paradoxo entre verdade doutrinal e virtude é terreno de sedução e hipocrisia.
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O mal se compraz na indignação do herético contra vícios do ortodoxo.
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O mal se compraz na condenação farisaica de valores espirituais incompreendidos.
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A modernização do Ocidente e do Oriente decorre em parte dessas oscilações.
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A decadência primeiro caricatura o legítimo e depois reage abolindo o conteúdo positivo.
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A heresia absolutiza verdades parciais.
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A época absolve o erro por conter alguma verdade parcial.
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O colapso das civilizações orientais relaciona-se ao predomínio de mundanos fascinados por uma civilização moderna mundana, enquanto contemplativos ocidentais podem reencontrar o cristianismo intemporal por via asiática, e a fuga dos males coletivos deve ser por cima e não por baixo.
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A maioria dos homens é mundana e se fascina por uma civilização mundana.
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A teocracia torna o modernismo atraente como falsa liberdade e universalidade.
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O modernismo explora aspectos acidentais de constrição, rotina e estreiteza da tradição.
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A sinceridade moderna pode ser cinismo sem caridade.
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A ilusão impede distinguir trivialidade e nobreza.
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Preferir cão saudável a santo leproso é imagem da cegueira valorativa.
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Males coletivos das velhas civilizações são inevitáveis.
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A saída deve ocorrer por elevação e não por rebaixamento.
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O espiritualismo contemporâneo deveria reconhecer que a caridade não pode prescindir da verdade, pois a verdadeira caridade oferece bem sem mistura, nutrição adequada e consciência de responsabilidades, levando em conta fraquezas humanas e perigos previstos pela sabedoria tradicional.
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A verdade é bem precioso para o ser dotado de inteligência.
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A caridade procura oferecer alimento ajustado, mesmo dogmático ou dualista.
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A caridade não se lança em idealismo de curto alcance e de duplo fio.
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A caridade considera necessidades e riscos que derivam da natureza humana.
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A sabedoria tradicional prevê melhor que sonhos generosos as condições da integridade espiritual.
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