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DIMENSÕES DA PRECE
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O ser humano deve encontrar Deus com tudo o que é, pois Deus é o Ser de tudo, e por isso se compreende a injunção bíblica de amar Deus com todas as forças.
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Encontro com Deus é exigido na totalidade do ser humano.
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Deus é apresentado como Ser de tudo.
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Mandato bíblico do amor total a Deus é tomado como expressão desse princípio.
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A condição humana factual inclui viver voltado para o exterior e tender aos prazeres, de modo que extroversão e concupiscência devem ser renunciadas diante de Deus porque Deus está presente no interior e porque deve haver possibilidade de encontrar prazer em si mesmo independentemente dos fenômenos sensoriais.
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Extroversão é indicada como orientação habitual para fora.
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Concupiscência é indicada como tendência aos prazeres.
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Presença divina interior é afirmada como primeiro motivo de renúncia.
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Autossuficiência interior do prazer é afirmada como segundo motivo de renúncia.
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Tudo o que aproxima de Deus traz consigo beatitude, de modo que elevar-se na oração acima das imagens e ruídos da alma constitui libertação pelo Vazio divino e pela Infinitude, configurando a estação da serenidade.
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Aproximação de Deus é vinculada à beatitude.
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Oração é descrita como elevação acima de imagens e ruídos interiores.
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Vazio divino e Infinitude são apresentados como meio de libertação.
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Serenidade é definida como estação dessa elevação.
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Fenômenos exteriores podem ter virtude interiorizante por nobreza e simbolismo e toda coisa pode ser boa a seu tempo, porém o desprendimento deve ser realizado para que haja direito à exterioridade legítima e para evitar exterioridade sedutora e concupiscência mortífera, pois assim como o Criador é independente da criação por transcendência o ser humano deve ser independente do mundo em vista de Deus, o que remete ao livre-arbítrio como apanágio humano e à capacidade singular de resistir a instintos e desejos sob o signo de Vacare Deo.
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Nobreza e simbolismo dos fenômenos exteriores são associados a participação em arquétipos celestes.
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Desprendimento é posto como condição de legitimidade da exterioridade.
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Exterioridade sedutora e concupiscência mortífera são indicadas como riscos sem desprendimento.
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Independência do Criador em relação à criação é tomada como analogia da independência humana em relação ao mundo.
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Livre-arbítrio é identificado como apanágio humano.
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Resistência a instintos e desejos é apresentada como capacidade exclusiva do ser humano.
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Vacare Deo é indicado como expressão dessa disponibilidade para Deus.
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A faculdade humana de pensamento racional e de palavra deve atualizar-se na oração como encontro com Deus, pois a salvação não se limita à abstenção do mal e se realiza ainda mais pelo cumprimento do Bem, cuja obra melhor é a que tem Deus por objeto e o coração por agente, identificada como o lembrar-se de Deus.
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Pensamento racional e palavra são caracterizados como dimensões humanas próprias.
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Oração é definida como encontro com Deus que requer atualização dessas faculdades.
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Abstenção do mal é afirmada como insuficiente sem realização do Bem.
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Melhor obra é definida por ter Deus como objeto e o coração como agente.
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Lembrança de Deus é identificada como essa obra suprema.
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A essência da oração é a fé enquanto certeza, manifestada pelo discurso ou apelo dirigido ao Sumo Bem, de modo que oração ou invocação equivale à certeza de Deus e da vocação espiritual humana.
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Fé é definida como certeza e como essência da oração.
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Discurso e apelo são apresentados como forma de manifestação dessa certeza.
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Sumo Bem é nomeado como destinatário do apelo.
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Certeza de Deus e da vocação espiritual é tomada como conteúdo equivalente da invocação.
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O valor do ato depende da intenção, de modo que na oração não deve haver intenção marcada por ambição e ela deve permanecer pura de vaidade mundana sob pena de provocar a Ira do Céu.
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Intenção é indicada como medida do valor da ação.
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Ambição é excluída do interior da oração.
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Vaidade mundana é indicada como impureza a ser evitada.
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Ira do Céu é apresentada como consequência de oração vaidosa.
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A oração íntegra não beneficia apenas quem a realiza, pois ela também irradia ao redor e, nesse aspecto, constitui ato de caridade.
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Benefício é indicado como pessoal e também circundante.
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Irradiação é apresentada como efeito espiritual da oração.
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Caridade é definida como dimensão decorrente desse alcance.
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Todo ser humano busca felicidade, mas não há felicidade perfeita fora de Deus e qualquer alegria terrestre requer a bênção do Céu, de modo que a oração coloca diante de Deus como Beatitude pura e, havendo consciência disso, nela se encontra Paz, sendo bem-aventurado quem possui senso do Sagrado e abre o coração a esse mistério.
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Busca de felicidade é apresentada como dimensão natural humana.
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Felicidade perfeita é negada fora de Deus.
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Bênção do Céu é indicada como necessidade para qualquer felicidade terrestre.
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Deus é apresentado como Beatitude pura perante a qual a oração coloca o ser humano.
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Paz é indicada como fruto da consciência dessa presença.
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Senso do Sagrado é apresentado como condição de abertura do coração ao mistério.
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A mortalidade humana e a posse de uma alma imortal determinam outra dimensão da oração, pois é necessário atravessar a morte e preocupar-se com a Eternidade que está nas mãos de Deus.
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Mortalidade é indicada como dado da condição humana.
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Alma imortal é indicada como contraponto essencial.
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Passagem pela morte é afirmada como inevitável.
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Eternidade é apresentada como objeto de cuidado e como dependente de Deus.
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Nesse contexto a oração é simultaneamente apelo à Misericórdia e ato de fé e confiança.
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Misericórdia é indicada como finalidade do apelo.
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Fé e confiança são apresentadas como modos do ato orante.
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Dupla função da oração é explicitada como pedido e adesão.
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A inteligência capaz de conhecimento metafísico é apresentada como apanágio fundamental humano e por isso determina uma dimensão da oração que coincide com meditação, tendo por sujeito primeiro a realidade absoluta do Princípio Supremo e depois a não-realidade ou realidade relativa do mundo que o manifesta.
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Inteligência metafísica é indicada como distintivo humano fundamental.
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Oração como meditação é apresentada como consequência necessária dessa capacidade.
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Princípio Supremo é afirmado como realidade absoluta e primeiro tema.
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Mundo é qualificado como não-realidade ou realidade relativa e como manifestação do Princípio.
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Intenções que excedem a própria natureza não devem ser adotadas, de modo que quem não é metafísico não deve supor obrigação de sê-lo, pois Deus ama crianças e sábios e ama a sinceridade de quem sabe permanecer criança.
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Limite da natureza pessoal é apresentado como critério de intenção legítima.
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Obrigação de ser metafísico é negada para quem não o é.
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Deus é dito amar crianças e sábios.
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Sinceridade de permanecer criança é indicada como objeto desse amor.
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Há dimensões da oração que se impõem a todos e outras que podem ser apenas saudadas de longe, pois importa que haja sinceridade diante de Deus e não grandeza ou pequenez, já que o ser humano é sempre pequeno diante do Criador e ao mesmo tempo há grandeza em dirigir-se a Deus, e em última análise toda qualidade e mérito pertencem ao Sumo Bem.
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Dimensões universais da oração são distinguidas de dimensões opcionais.
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Sinceridade diante de Deus é indicada como critério central.
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Pequenez humana diante do Criador é afirmada.
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Grandeza do ato de dirigir-se a Deus é afirmada.
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Qualidade e mérito são atribuídos ao Sumo Bem em última instância.
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A oração meditativa possui uma dimensão cujo tema é a realidade absoluta do Princípio e correlativamente a não-realidade ou menor realidade do mundo que o manifesta.
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Meditação é reafirmada como dimensão específica da oração.
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Princípio é reiterado como realidade absoluta.
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Mundo é reiterado como realidade menor ou aparência que manifesta o Princípio.
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Relação de correlação entre os dois temas é indicada.
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Não basta afirmar que Brahma é realidade e o mundo é aparência, pois também se requer a verdade de que a alma não é outra senão Brahma, o que permite tender ao Princípio não apenas intelectualmente mas existencialmente graças à consciência do eu capaz de união subjetiva, de modo que o ego é separado da Divindade imanente enquanto manifestação e não Princípio e contudo não é outro que o Princípio enquanto manifestação, como o reflexo do sol no espelho não é o sol mas não é outro que ele enquanto luz solar.
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Brahma como realidade e mundo como aparência são tomados como primeiro enunciado insuficiente.
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Alma como não outra que Brahma é apresentada como segundo enunciado necessário.
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Tendência ao Princípio é descrita como intelectual e também existencial.
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Consciência do eu é indicada como base possível de união subjetiva.
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Ego é caracterizado como manifestação e por isso separado do Princípio.
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Não-outredade do ego em relação ao Princípio é afirmada enquanto manifestação.
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Reflexo do sol no espelho é usado como analogia de distinção sem alteridade essencial.
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Com essa consciência permanece a postura diante de Deus simultaneamente transcendente e imanente, e cabe a Deus decidir a amplitude da consciência contemplativa e o mistério do destino espiritual, pois conhecer Deus unitivamente significa que o próprio Deus se conhece no ser humano, ainda que não seja possível saber em que medida tal Consciência divina de Si será realizada, sendo irrelevante sabê-lo ou não já que tudo está nas mãos da Providência.
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Transcendência e imanência divinas são mantidas conjuntamente.
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Envergadura da consciência contemplativa é atribuída à decisão divina.
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Destino espiritual é colocado sob o mistério querido por Deus.
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Conhecer unitivamente é definido como Deus conhecendo a si mesmo no ser humano.
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Medida dessa realização é indicada como incognoscível ao ser humano.
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Irrelevância prática de conhecer essa medida é afirmada.
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Providência é indicada como domínio final de todas as coisas.
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