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DIMENSÕES DA PRECE

  • O ser humano deve encontrar Deus com tudo o que é, pois Deus é o Ser de tudo, e por isso se compreende a injunção bíblica de amar Deus com todas as forças.
    • Encontro com Deus é exigido na totalidade do ser humano.
    • Deus é apresentado como Ser de tudo.
    • Mandato bíblico do amor total a Deus é tomado como expressão desse princípio.
  • A condição humana factual inclui viver voltado para o exterior e tender aos prazeres, de modo que extroversão e concupiscência devem ser renunciadas diante de Deus porque Deus está presente no interior e porque deve haver possibilidade de encontrar prazer em si mesmo independentemente dos fenômenos sensoriais.
    • Extroversão é indicada como orientação habitual para fora.
    • Concupiscência é indicada como tendência aos prazeres.
    • Presença divina interior é afirmada como primeiro motivo de renúncia.
    • Autossuficiência interior do prazer é afirmada como segundo motivo de renúncia.
  • Tudo o que aproxima de Deus traz consigo beatitude, de modo que elevar-se na oração acima das imagens e ruídos da alma constitui libertação pelo Vazio divino e pela Infinitude, configurando a estação da serenidade.
    • Aproximação de Deus é vinculada à beatitude.
    • Oração é descrita como elevação acima de imagens e ruídos interiores.
    • Vazio divino e Infinitude são apresentados como meio de libertação.
    • Serenidade é definida como estação dessa elevação.
  • Fenômenos exteriores podem ter virtude interiorizante por nobreza e simbolismo e toda coisa pode ser boa a seu tempo, porém o desprendimento deve ser realizado para que haja direito à exterioridade legítima e para evitar exterioridade sedutora e concupiscência mortífera, pois assim como o Criador é independente da criação por transcendência o ser humano deve ser independente do mundo em vista de Deus, o que remete ao livre-arbítrio como apanágio humano e à capacidade singular de resistir a instintos e desejos sob o signo de Vacare Deo.
    • Nobreza e simbolismo dos fenômenos exteriores são associados a participação em arquétipos celestes.
    • Desprendimento é posto como condição de legitimidade da exterioridade.
    • Exterioridade sedutora e concupiscência mortífera são indicadas como riscos sem desprendimento.
    • Independência do Criador em relação à criação é tomada como analogia da independência humana em relação ao mundo.
    • Livre-arbítrio é identificado como apanágio humano.
    • Resistência a instintos e desejos é apresentada como capacidade exclusiva do ser humano.
    • Vacare Deo é indicado como expressão dessa disponibilidade para Deus.
  • A faculdade humana de pensamento racional e de palavra deve atualizar-se na oração como encontro com Deus, pois a salvação não se limita à abstenção do mal e se realiza ainda mais pelo cumprimento do Bem, cuja obra melhor é a que tem Deus por objeto e o coração por agente, identificada como o lembrar-se de Deus.
    • Pensamento racional e palavra são caracterizados como dimensões humanas próprias.
    • Oração é definida como encontro com Deus que requer atualização dessas faculdades.
    • Abstenção do mal é afirmada como insuficiente sem realização do Bem.
    • Melhor obra é definida por ter Deus como objeto e o coração como agente.
    • Lembrança de Deus é identificada como essa obra suprema.
  • A essência da oração é a fé enquanto certeza, manifestada pelo discurso ou apelo dirigido ao Sumo Bem, de modo que oração ou invocação equivale à certeza de Deus e da vocação espiritual humana.
    • Fé é definida como certeza e como essência da oração.
    • Discurso e apelo são apresentados como forma de manifestação dessa certeza.
    • Sumo Bem é nomeado como destinatário do apelo.
    • Certeza de Deus e da vocação espiritual é tomada como conteúdo equivalente da invocação.
  • O valor do ato depende da intenção, de modo que na oração não deve haver intenção marcada por ambição e ela deve permanecer pura de vaidade mundana sob pena de provocar a Ira do Céu.
    • Intenção é indicada como medida do valor da ação.
    • Ambição é excluída do interior da oração.
    • Vaidade mundana é indicada como impureza a ser evitada.
    • Ira do Céu é apresentada como consequência de oração vaidosa.
  • A oração íntegra não beneficia apenas quem a realiza, pois ela também irradia ao redor e, nesse aspecto, constitui ato de caridade.
    • Benefício é indicado como pessoal e também circundante.
    • Irradiação é apresentada como efeito espiritual da oração.
    • Caridade é definida como dimensão decorrente desse alcance.
  • Todo ser humano busca felicidade, mas não há felicidade perfeita fora de Deus e qualquer alegria terrestre requer a bênção do Céu, de modo que a oração coloca diante de Deus como Beatitude pura e, havendo consciência disso, nela se encontra Paz, sendo bem-aventurado quem possui senso do Sagrado e abre o coração a esse mistério.
    • Busca de felicidade é apresentada como dimensão natural humana.
    • Felicidade perfeita é negada fora de Deus.
    • Bênção do Céu é indicada como necessidade para qualquer felicidade terrestre.
    • Deus é apresentado como Beatitude pura perante a qual a oração coloca o ser humano.
    • Paz é indicada como fruto da consciência dessa presença.
    • Senso do Sagrado é apresentado como condição de abertura do coração ao mistério.
  • A mortalidade humana e a posse de uma alma imortal determinam outra dimensão da oração, pois é necessário atravessar a morte e preocupar-se com a Eternidade que está nas mãos de Deus.
    • Mortalidade é indicada como dado da condição humana.
    • Alma imortal é indicada como contraponto essencial.
    • Passagem pela morte é afirmada como inevitável.
    • Eternidade é apresentada como objeto de cuidado e como dependente de Deus.
  • Nesse contexto a oração é simultaneamente apelo à Misericórdia e ato de fé e confiança.
    • Misericórdia é indicada como finalidade do apelo.
    • Fé e confiança são apresentadas como modos do ato orante.
    • Dupla função da oração é explicitada como pedido e adesão.
  • A inteligência capaz de conhecimento metafísico é apresentada como apanágio fundamental humano e por isso determina uma dimensão da oração que coincide com meditação, tendo por sujeito primeiro a realidade absoluta do Princípio Supremo e depois a não-realidade ou realidade relativa do mundo que o manifesta.
    • Inteligência metafísica é indicada como distintivo humano fundamental.
    • Oração como meditação é apresentada como consequência necessária dessa capacidade.
    • Princípio Supremo é afirmado como realidade absoluta e primeiro tema.
    • Mundo é qualificado como não-realidade ou realidade relativa e como manifestação do Princípio.
  • Intenções que excedem a própria natureza não devem ser adotadas, de modo que quem não é metafísico não deve supor obrigação de sê-lo, pois Deus ama crianças e sábios e ama a sinceridade de quem sabe permanecer criança.
    • Limite da natureza pessoal é apresentado como critério de intenção legítima.
    • Obrigação de ser metafísico é negada para quem não o é.
    • Deus é dito amar crianças e sábios.
    • Sinceridade de permanecer criança é indicada como objeto desse amor.
  • Há dimensões da oração que se impõem a todos e outras que podem ser apenas saudadas de longe, pois importa que haja sinceridade diante de Deus e não grandeza ou pequenez, já que o ser humano é sempre pequeno diante do Criador e ao mesmo tempo há grandeza em dirigir-se a Deus, e em última análise toda qualidade e mérito pertencem ao Sumo Bem.
    • Dimensões universais da oração são distinguidas de dimensões opcionais.
    • Sinceridade diante de Deus é indicada como critério central.
    • Pequenez humana diante do Criador é afirmada.
    • Grandeza do ato de dirigir-se a Deus é afirmada.
    • Qualidade e mérito são atribuídos ao Sumo Bem em última instância.
  • A oração meditativa possui uma dimensão cujo tema é a realidade absoluta do Princípio e correlativamente a não-realidade ou menor realidade do mundo que o manifesta.
    • Meditação é reafirmada como dimensão específica da oração.
    • Princípio é reiterado como realidade absoluta.
    • Mundo é reiterado como realidade menor ou aparência que manifesta o Princípio.
    • Relação de correlação entre os dois temas é indicada.
  • Não basta afirmar que Brahma é realidade e o mundo é aparência, pois também se requer a verdade de que a alma não é outra senão Brahma, o que permite tender ao Princípio não apenas intelectualmente mas existencialmente graças à consciência do eu capaz de união subjetiva, de modo que o ego é separado da Divindade imanente enquanto manifestação e não Princípio e contudo não é outro que o Princípio enquanto manifestação, como o reflexo do sol no espelho não é o sol mas não é outro que ele enquanto luz solar.
    • Brahma como realidade e mundo como aparência são tomados como primeiro enunciado insuficiente.
    • Alma como não outra que Brahma é apresentada como segundo enunciado necessário.
    • Tendência ao Princípio é descrita como intelectual e também existencial.
    • Consciência do eu é indicada como base possível de união subjetiva.
    • Ego é caracterizado como manifestação e por isso separado do Princípio.
    • Não-outredade do ego em relação ao Princípio é afirmada enquanto manifestação.
    • Reflexo do sol no espelho é usado como analogia de distinção sem alteridade essencial.
  • Com essa consciência permanece a postura diante de Deus simultaneamente transcendente e imanente, e cabe a Deus decidir a amplitude da consciência contemplativa e o mistério do destino espiritual, pois conhecer Deus unitivamente significa que o próprio Deus se conhece no ser humano, ainda que não seja possível saber em que medida tal Consciência divina de Si será realizada, sendo irrelevante sabê-lo ou não já que tudo está nas mãos da Providência.
    • Transcendência e imanência divinas são mantidas conjuntamente.
    • Envergadura da consciência contemplativa é atribuída à decisão divina.
    • Destino espiritual é colocado sob o mistério querido por Deus.
    • Conhecer unitivamente é definido como Deus conhecendo a si mesmo no ser humano.
    • Medida dessa realização é indicada como incognoscível ao ser humano.
    • Irrelevância prática de conhecer essa medida é afirmada.
    • Providência é indicada como domínio final de todas as coisas.
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