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RITMO TERNÁRIO DO ESPÍRITO

  • A existência humana pode ser compreendida como um processo de expansão a partir de um ponto central, submetido a um ciclo de surgimento e dissipação que atinge tanto as existências individuais quanto o próprio universo visível.
    • A expansão a partir de um ponto implica um ciclo, no qual o que se manifesta externamente deve retornar à sua origem.
    • A Existência, em sentido absoluto, é considerada uma dimensão permanente e necessária da Realidade divina, estando além do ciclo temporal.
    • As existências individuais e o universo visível, ao contrário, estão sujeitos ao ciclo de manifestação, expansão e desaparecimento.
  • A morte é definida como o retorno ao ponto de origem da existência terrestre, sendo que, no plano espiritual, antecipar esse retorno de forma consciente e voluntária constitui a realização espiritual.
    • A morte física representa a passagem involuntária pelo ponto do qual a existência se originou.
    • A expressão “morrer antes de morrer” designa a realização consciente e deliberada desse retorno à origem.
    • Tal realização implica manter continuamente a consciência do ponto central de origem, identificado como a pura Existência.
  • No âmbito do Universo total, podem-se distinguir três polos fundamentais — Ser, Consciência e Joia —, sendo que a perfeição espiritual, ou santidade, manifesta-se de modos distintos conforme se relacione primordialmente com o Ser ou com a Consciência.
    • Os três polos são identificados com a tríade védantina: Ser, Consciência e Joia, sendo a Joia o princípio que expande os outros dois através da manifestação.
    • Sob o aspecto existencial ou ontológico, a alma atinge a perfeição ao permanecer em sua simplicidade e substância originais, sem se dispersar nos fenômenos.
    • Essa perfeição existencial é associada, na linguagem cristã, ao “mistério marial” e a virtudes como a infância espiritual, pobreza e humildade.
    • As expressões tangíveis dessa perfeição são as virtudes e a beleza, tanto na arte quanto na natureza, caracterizada por repousar no que é, sem intenção de conquista.
  • Sob o aspecto da Consciência ou Inteligência, a perfeição espiritual consiste na concentração do espírito em sua essência transpessoal, visando à identificação com o Intelecto em si, sendo as verdades o correlato objetivo desse estado, em contraste com as virtudes que expressam a perfeição existencial.
    • O sábio realiza um retorno à quintessência ao concentrar seu espírito no clima transpessoal do Intelecto, buscando identificar-se com “O que pensa”, em vez de se perder nos objetos pensados.
    • A concentração na essência do espírito não prescinde do repouso no Ser, sendo ambas as dimensões interdependentes.
    • As verdades correspondem à perfeição intelectual, assim como as virtudes correspondem à perfeição existencial.
    • A virtude é definida como simplicidade, beleza interior e generosidade, enquanto a verdade consiste no discernimento entre o Real e o ilusório, ou entre o Absoluto e a contingência.
    • A inteligência está na verdade quando seu conteúdo é o Real e quando se concentra em sua própria essência; a vontade está na virtude quando age exteriormente conforme a beleza e a bondade e repousa interiormente em sua própria natureza.
  • A joia, sendo a origem e o sustento da vida humana, desvia-se para a idolatria devido à condição decaída do homem, exigindo, para sua reintegração na Joia universal, a inversão de seu movimento em direção aos polos do Ser e da Consciência, movimento que pode ser auxiliado pelo símbolo e que culmina na contemplação divina.
    • O homem, criado pela Joia, vive dela, mas, em seu estado decaído, tende a fazer do prazer um fim em si mesmo, um ídolo.
    • A reintegração da joia humana requer que o prazer seja colocado na simplicidade existencial e na consciência intelectual, buscando o reino interior e não mendigando felicidade aos fenômenos externos.
    • A Misericórdia divina oferece o símbolo — manifestação do não-manifestado — como um objeto para a joia humana, que exterioriza a interioridade e canaliza os impulsos centrífugos, estando presente em todas as funções naturais consagradas pela Lei divina.
    • O movimento fundamental da joia deve, contudo, dirigir-se à contemplação de Deus na Existência pura e na Inteligência pura, sendo este esforço o que permite integrar as consolações sensíveis na Joia sobrenatural.
    • O ser humano deve buscar a felicidade naquilo que ele é essencialmente, acima de si mesmo, encontrando-a assim em seu próprio interior.
  • O símbolo revelado atua como uma objetivação da Verdade e da Beleza, permitindo que a joia e o amor humanos se orientem para a Consciência e o Ser, remontando assim à Beatitude divina.
    • O símbolo é a objetivação dos polos Consciência (Verdade) e Ser (Beleza/Virtude), manifestando também, por meio disso, o polo Joia.
    • Por intermédio do símbolo, a capacidade humana de amor e alegria posiciona-se virtualmente nos polos da Consciência e do Ser.
    • Esse posicionamento permite “remontar o curso” da manifestação até a Beatitude, a fonte última da Joia.
  • A criação e o propósito humano são descritos como um duplo movimento: um movimento divino que projeta a existência do Ser em direção ao nada, e um movimento humano, consciente e livre, que deve realizar o refluxo do nada de volta ao Ser divino.
    • Deus é definido como Ser, Consciência e Beatitude; é a Beatitude que projeta os elementos Ser e Consciência aos confins da manifestação, criando o mundo.
    • Esse movimento divino vai do Ser em direção ao nada, originando inúmeras criaturas.
    • O homem, incapaz de realizar a criação, tem como função ser um espelho do Criador e realizar o movimento inverso.
    • A finalidade da existência humana consiste no refluxo consciente e livre da criatura, partindo de sua condição contingente (“nada”) de volta ao Ser divino.
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