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FIGURAS CARDEAIS

HERÁLDICA

  • O meuble constitui o corpo do brasão, expressando exteriormente a alma profunda do herói que o adota, à semelhança do que a concepção antiga atribuía à forma e natureza do corpo humano.
    • Forma, natureza e características do meuble revelam o caráter interior do portador.
    • A relação entre meuble e identidade do herói é análoga à relação entre corpo e alma na antropologia antiga.
  • O simbolismo heráldico não pode ser tratado sem evocar a significação dos meubles mais frequentes e insignes, por serem ilustrações da simbólica universal.
    • A abordagem visa a arte heráldica em sua técnica específica, enquanto manifestação das leis do simbolismo universal.
  • As cruzes heráldicas recebem primazia sobre qualquer outro meuble por derivarem de uma peça honorável, sendo evocadas em primeiro lugar.
  • As cruzes expressam, por sua forma, a união do quaternário, convergindo as quatro direções fundamentais do cosmos, as quatro estações, os quatro idades do mundo e os quatro elementos.
    • A cruz simboliza a estrutura essencial do mundo terrestre e a ordem divina moldada pelo Verbo do Todo-Poderoso.
    • O simbolismo remete ao Nome Tetragrama YHVH sobre o Trono sustentado pelos Quatro Viventes.
    • René Guénon, em O Simbolismo da Cruz, iluminou de modo magistral o simbolismo universal da cruz nas tradições ocidentais e orientais.
  • No brasão, a cruz carrega, além de seu significado cósmico geral, o sentido cristão da Redenção Universal pelo sacrifício do Homem-Deus.
    • Toda cruzada cavalheiresca consiste em restaurar o mundo pela potência do Verbo encarnado.
    • A cruz do Gólgota reestabelece a Árvore da Vida no centro do Paraíso, conforme expressa santo Hipólito.
    • A cruz é descrita por santo Hipólito como árvore imortal que toca o céu pelo cume, afirma a terra pelos pés e abraça a atmosfera com as mãos incomensurável.
  • A cruz, centro de regeneração do homem e do mundo, torna-se sinal eficaz da graça divina e da manifestação visível da Glória do Todo-Poderoso, sendo o símbolo dos símbolos.
    • Reúne a totalidade do universo em seu centro segundo a dinâmica do Amor criador e redentor.
  • No brasão, a peça honorável da cruz ocupa cinco nonos do escudo, unindo o pal e a fasce, e compreende os sete pontos maiores do escudo.
    • Os sete pontos são: o centro do chefe, o lugar de honra, o coração, o umbigo, a ponta e os flancos dextro e sinistro.
  • O sautoir, outra peça honorável cruciforme, representa a cruz de santo André e o símbolo antigo das barreiras ou chicanas.
    • Assim como santo André marca a passagem do Antigo ao Novo Testamento, o sautoir expressa a porta estreita que dá acesso ao Reino de Deus.
    • O nome sautoir evoca o estribo, meio pelo qual o homem a pé torna-se cavaleiro ao deixar a terra.
    • Unindo a banda e a barra, exprime as dimensões espaciais de comprimento e largura, e a totalidade do plano da manifestação.
    • Seu significado moral abrange largeza e longanimidade.
  • O ponto de encontro dos braços do sautoir, no coração ou abismo, é onde o plano horizontal se confunde com o eixo vertical do pal, desenhando o crismo, símbolo de ressurreição.
    • Em termos de iniciação, o sautoir expressa o acabamento dos Pequenos Mistérios, ou seja, a maestria da totalidade cósmica.
    • Expressa também a passagem aos Grandes Mistérios, ou seja, à dimensão unitiva do Eixo Celeste invisível.
  • O sautoir esgalhado era o emblema dos duques da Borgonha, cujo grito de guerra era Monjoye Saint-André.
    • Os estados da Borgonha formavam a marca entre o reino das Flores de Lis e a Águia do Sacro Império.
    • Os príncipes da Borgonha, os mais poderosos feudatários do Ocidente, tinham posto imediatamente após os reis e sustentavam a coroa no sagramento dos reis de França.
    • Carlos o Temerário foi considerado o último príncipe cavaleiro, defensor da ordem feudal no fim da Idade Média.
    • Com ele extinguem-se uma civilização brilhante e os últimos grandes torneios cavalheirescos.
  • A cruz, reta ou em sautoir, sendo fundamentalmente uma medida do mundo, tem seu valor simbólico determinado pelos números que contém.
    • As diferentes formas de cruzes heráldicas, com valores numéricos distintos, expressam estados particulares e graus na hierarquia do conhecimento.
    • O ponto de partida é o quaternário terrestre de base formado pela simples cruz grega da peça honorável.
  • O mundo foi criado segundo peso, número e medida, conforme o Livro da Sabedoria, e é salvo e recriado segundo o peso, o número e a medida da Cruz.
    • A Cruz serve de padrão para medir o caminho da realização espiritual.
    • As variações de forma quase infinitas das cruzes heráldicas expressam essa geometria sagrada do caminho de cruz.
  • A cruz potenciada deriva diretamente do quadrado em que se inscreve, evocando a fixação e o restabelecimento do mundo terrestre e a cessação dos erros da queda.
    • Foi escolhida como emblema da cidade e do reino de Jerusalém, coração do mundo para os cristãos.
    • O termo potenciado provém das forcas figuradas por seus braços, que evocam o sacrifício da Vítima expiatória e a Paixão do Filho do Homem.
    • Exprime também a potência sobre a vida e a morte, pois no medievo as forcas marcavam as terras dos senhores com direito de alta e baixa justiça.
    • Reúne quatro tau ou cruzes de santo Antônio, emblema da Salvação e selo que, segundo o Apocalipse, os eleitos portarão na testa.
    • Os 6×4 lados das armas de Jerusalém, unidos na cruz central, simbolizam a perfeição septenária da Terra Nova (7×4).
  • A cruz ancorada apresenta oito pontas formadas pela divisão e curvatura dos braços, e seu principal significado é dado pelo número oito.
    • O número oito remete às oito bem-aventuranças evangélicas e à passagem da criação antiga de sete dias ao oitavo dia, que a restitui em sua pureza nova pela Graça.
    • O simbolismo liga-se ao octógono, figura mediadora entre o quadrado do mundo terrestre e o círculo do mundo espiritual, usado nos batistérios.
  • A cruz de Malta, traçada em esquadro, simboliza a Fé defendida e anunciada pelos Hospitaleiros, cujo patrono são João Batista preparava os caminhos para a verdadeira Luz.
    • Difere da cruz ancorada por ter braços retilíneos derivados do quadrado, enquanto os desta derivam do círculo.
    • A cruz ancorada refere-se mais especialmente à virtude da Esperança, resultando do traçado a compasso de oito círculos.
    • A âncora é símbolo tradicional da Esperança que fixa o barco da alma no porto da salvação.
    • Figura nas armas de numerosas abadias cistercienses e constitui emblema adequado para a Ordem de são Bernardo.
  • A cruz pata evoca a pata do leão guardião das forças espirituais, que ameaça as quatro direções do espaço para proteger o centro.
    • É traçada por nove círculos compenetrados que determinam, para cada braço, uma tríplice cerca.
    • Simboliza a regeneração total expressa pelo número nove, a efusão do Espírito Santo no Pentecostes e a Caridade que reúne todos os graus do ser.
    • Foi adotada como emblema específico pelos monges-cavaleiros da Ordem do Templo.
    • Aparenta-se à cruz de são João, formada de quatro triângulos reunidos pela ponta, que exprime a vida interior em sua plenitude trinitária.
  • As cruzes de doze pontas, como a cruz clechada e pometeada de Toulouse, as cruzes flordelisadas ou trevadas e a cruz recruzada, simbolizam a maestria do universo em sua totalidade espacial e temporal.
    • A totalidade espacial corresponde aos doze signos do zodíaco; a temporal, aos doze meses do ano.
    • Ambas são reabsorvidas na unidade original e escatológica das doze portas da Jerusalém Celeste.
  • O leão é o meuble mais difundido do brasão e tipifica as virtudes centrais da nobreza, como coragem, autoridade e grandeza.
    • Em todas as tradições, o leão está associado à realeza, inclusive na tradição judaico-cristã, onde Cristo, da tribo real de Judá, é chamado o leão de Judá.
    • Representa as mais eminentes qualidades da alma e a majestade do homem reunindo as mais altas perfeições morais.
    • O adágio Qui n'a armes, qu'il prenne un lion atesta sua ubiquidade heráldica.
  • No brasão, a atitude normal do leão é o rampante, ou seja, erguido sobre os membros posteriores, expressando a tensão do ser em direção ao alto e sua dignidade.
    • Ao contrário do leopardo, o leão é sempre representado de perfil, olhando normalmente para a dextra.
  • O leão, animal mais difundido no brasão, está ligado ao coração enquanto fonte de vida e de sangue, e como órgão de comunicação com o sagrado e receptáculo da vida eterna.
    • O coração é símbolo do Paraíso, do estado do homem antes da queda e do Reino dos Céus.
    • O simbolismo astrológico associa o signo zodiacal do leão ao coração e ao plexo solar.
  • O leão torna-se guardião do Paraíso quando assume a forma do leopardo, voltando a cabeça de frente para o exterior do brasão e para o mundo profano.
    • As cabeças de animais postas de frente são chamadas no brasão de encontros.
    • A cauda do leopardo varre os espaços exteriores e afeta a forma serpentina enrolada do signo do infinito.
    • O leopardo é normalmente passante, ou seja, horizontal, percorrendo o mundo manifestado na fronteira entre o exterior visível e o interior invisível.
    • O leopardo simboliza o mundo lunar, a potência cósmica e a Força, ao mesmo tempo construtora e destruidora, enquanto o leão exprime o mundo solar.
  • Na gesta do Graal, Lancelot, modelo do perfeito cavaleiro terrestre, é identificado por um eremita como leopardo, enquanto seu filho Galaad, o cavaleiro celeste, será um leão.
    • Para Vulson de la Colombière e em certas tradições antigas, o leopardo é produto do cruzamento do leão com a pantera.
    • A pantera significa etimologicamente em grego todo o reino animal, ou seja, as potências de vida carnal atreladas ao carro de Dionísio.
    • O leopardo simboliza o estado intermediário entre o princípio animal do homem e sua consciência espiritual tipificada pelo leão: o animus, ou alma racional, situada entre a anima e o spiritus.
  • A águia heráldica é antes de tudo o emblema do Império e mais precisamente do Sacro Império, evocando, bicéfala ou explanada, a união dos dois impérios do Oriente e do Ocidente.
    • Evoca também certos aspectos do simbolismo de Janus herdados dos Césares enquanto Pontífices Supremos.
    • A potência imperial cobre todo o universo e é tradiconalmente superior ao poder real, que rege apenas uma parte do cosmos.
  • A águia possui o privilégio, segundo as lendas antigas, de poder olhar o sol de frente, tornando-se símbolo dos Grandes Mistérios e do Iniciado que conhece a Luz divina de face, como são João Evangelista.
    • No brasão, a águia é figurada com membros, asas e cauda estendidos, repousando sobre o esquema do crismo, que significa a Ressurreição e o acesso à imortalidade.
    • Ocupa todo o campo do brasão, preenchendo e cumprindo todo o espaço da tábua de espera.
  • A águia, Mestre das aves do céu, simboliza o mais alto grau da alma humana, dominando todos os outros, e é imagem do Rei do Mundo.
    • Sobrevoa o mundo inteiro, tocando o zênite com a cabeça e o nadir com a cauda.
    • Simboliza o estado soberano onde a realeza perfeita encontra a autoridade sacerdotal em seu princípio comum.
    • Na arte heráldica francesa, os membros da águia são desenhados em Z, evocando o esquema do raio, emblema do Todo-Poderoso.
  • Os armorials lendários dos cavaleiros da Távola Redonda apresentam uma proporção anormalmente elevada de águias como meubles do escudo.
    • A gesta do Graal afirma que a cavalaria celeste está muito acima da cavalaria terrestre.
    • A águia é mais difundida nos armorials germânicos por caracterizar terras pertencentes imediatamente à sede imperial, sem que isso implique necessariamente o simbolismo de maestria universal.
  • O grifo combina as significações do leão e da águia, possuindo a cauda e os membros posteriores do primeiro e o restante do corpo da segunda.
    • Animal ao mesmo tempo terrestre e celeste, é reputado guardar os tesouros ocultos e suas orelhas de cavalo percebem o menor som.
    • Simboliza o guardião dos Pequenos e dos Grandes Mistérios, aparentando-se a Hermes-Mercúrio por essa função.
    • Em sentido hermético, significa a união do fixo (o leão) e do volátil (a águia), ilustrando o lema alquímico Solve et Coagula.
    • As orelhas de cavalo indicam que é preciso ouvir a linguagem da cabala, associando o grifo psicopompo ao cavalo Pégaso.
  • Abordar o simbolismo da flor de lis é tarefa imensa, e os múltiplos autores que dela trataram derivaram-na ora do lírio ou da íris, ora de uma alteração de sapos ou rãs dos antigos francos, ora de uma lança de galhos curvos, ora do tridente de Netuno ou do símbolo caldeu da realeza.
    • Essas hipóteses, por interessantes que sejam, não explicam a significação própria da flor de lis heráldica.
  • O que importa é que o brasão reconhece na flor de lis um motivo floral, certamente a um tempo flor de lis e flor de Loys, emblema característico da monarquia francesa.
    • O motivo ornamental ou heráldico existia anteriormente no Oriente, e foram provavelmente as Cruzadas que o levaram a florescer no escudo dos reis de França.
    • A flor de lis ornava os cetros antes de entrar no brasão dos reis, revelando-se símbolo por excelência da autoridade real.
  • A flor de lis é primeiramente um emblema ternário que simboliza a Trindade divina e particularmente seu reflexo na alma e no corpo social.
    • O equilíbrio entre a pétala central e as duas pétalas laterais, e a dominação das três pétalas sobre as três raízes, simboliza a Justiça interior e exterior.
    • É emblema da conjunctio oppositorum, da união dos complementares e da resolução das dualidades na unidade, tanto no plano horizontal quanto no vertical.
  • O simbolismo da flor de lis aparenta-se ao do selo de Salomão ou escudo de Davi, atributo da realeza bíblica, com a diferença de que o equilíbrio de triângulos iguais torna-se, na flor dos Reis Muito Cristãos, nítida preeminência das pétalas superiores sobre seus reflexos inferiores.
    • Essa preeminência evoca a superioridade da Graça na Nova Aliança sobre a Lei na Antiga Aliança.
  • A tripla unidade da Criatura unida ao Criador restaura a realeza espiritual, que é a perfeição da natureza humana erguida de sua queda, tornando a flor de lis arquétipo da realeza original.
    • A Igreja atribui a flor de lis à Virgem Maria como sinal de sua natureza imaculada, de sua virgindade plena de graça e de sua realeza sobre os homens e os anjos.
  • A flor de lis reúne num mesmo símbolo a lança e o cálice do Graal, pureza de coração receptiva à influência celeste e fecundidade nas obras da Graça.
    • Reúne também as seis pétalas, correspondentes às direções do cosmos e aos dias da Criação, no eixo septenário da perfeição.
  • A arte real da flor de lis define-se, segundo autores antigos, como a união, pela pétala central que significa a Fé ou Lei de Deus, da Sapiência do pétalo direito e da Cavalaria ou Proeza do pétalo esquerdo.
    • A pétala direita significa a contemplação e a ordem do Clero; a esquerda, a ação e a ordem da Nobreza.
    • Essa ação mediadora e pontifical é atributo particular do Rei Muito Cristão, Filho primogênito e protetor da Igreja, considerado rei-sacerdote e por vezes chamado bispo do exterior.
  • A flor de lis simboliza a realeza interior, a alma do Justo, sendo atribuída a Jesus como homem perfeito e rei universal, e a Maria como Virgem imaculada e rainha.
    • A flor de lis, ou o florão dela derivado, aparece desde a mais alta Antiguidade como ornamento principal das coroas, emblema eminente da majestade real do homem.
  • O lírio parece ser uma das flores herdadas do jardim do Éden e símbolo do poder que Adão possuía sobre o mundo antes da queda; a rosa, que o acompanha na iconografia e na heráldica medieval, caracteriza outro aspecto da felicidade primordial.
    • A oposição da brancura do lírio ao vermelho encarnado da rosa caracteriza os dois domínios respectivos da iniciação, os Pequenos e os Grandes Mistérios, bem como a iluminação da alma e o ardor do espírito.
  • A rosa é símbolo do labor alquímico e da quête iniciática, emblema do amor que une todos os elementos da roda do mundo como as pétalas ao centro da flor.
    • Significa o segredo das ligações naturais e sobrenaturais: o segredo do amante e o do Sábio.
    • O cálice perfumado da rosa recolhe ao amanhecer o orvalho celeste, ou seja, as influências espirituais provenientes das águas superiores.
  • A flor de lis restabelece o equilíbrio cósmico reabsorvendo a dualidade no terceiro eixo central, enquanto a rosa representa a inspiração secreta de Amor que permite começar, prosseguir e concluir esse trabalho na união interior e na contemplação.
    • A rosa exprime o desejo, etimologicamente desiderium, nostalgia da estrela, que sustenta a quête de amor em direção à união beatífica.
  • A reintegração espiritual não se faz sem sacrifício, e a rosa, cor de sangue, é figurada às vezes no lugar das chagas do Redentor ou no centro da cruz, como sinal de morte e ressurreição.
    • A imagem remete ao Amor que move o sol e as outras estrelas, evocado por Dante ao fim da Divina Comédia.
    • No topo do Paraíso, Dante descreve uma rosa de luz.
  • No brasão, a rosa inspira-se na forma da roseira brava e apresenta normalmente cinco pétalas externas em estrela, em torno de cinco outras pétalas internas invertidas e de um centro chamado botão.
    • A figuração une as significações da tríplice cerca, com a necessidade de conversão para ir do exterior ao centro, com as do número cinco como emblema do Homem-Microcosmo e das cinco chagas do Salvador.
    • As dez pétalas da rosa irradiando em torno do botão central evocam a totalidade cósmica reunida em seu centro pela ação do Todo-Poderoso.
  • A rosa reúne em seu coração os elementos dispersos do mundo e figura como emblema hermético da Pedra Filosofal, que permite revelar em todas as coisas o ouro incorruptível e encontrar o elixir de imortalidade.
    • A rosa de ouro, símbolo de regeneração e de paz, era até época recente o presente tradicional que os papas ofereciam às personalidades que desejavam honrar.
  • O trescheur é uma figura artificial curiosa do brasão, composta de uma orla flordelisada, às vezes dupla e contraflordelisada, com flores de lis em número de oito ou dezesseis alternadamente voltadas para o coração do escudo ou para sua borda.
    • É nessa moldura particular que se figura o leão de goles das armas da Escócia.
    • A cerca do trescheur significa a cerca sagrada do santuário interior, acessível apenas à alma justa, pois é preciso passar pela flor de lis para nela penetrar.
  • As oito flores de lis do trescheur simbolizam o mundo da ogdoade, intermediário entre o quadrado terrestre e o círculo celeste, delimitando externamente o lugar dos bem-aventurados.
    • O número oito remete ao estado do Homem Novo, estado de Graça onde se cumprem as oito bem-aventuranças evangélicas.
    • As flores de lis ornando as portas visíveis reforçam o simbolismo dessa flor como emblema da pureza primordial e do jardim do Éden.
    • O trescheur evoca o tríplice coração ou centro interior do corpo glorioso, da alma iluminada e pura e do Espírito.
  • As flores de lis associadas ao número oito reaparecem no rais d'escarboucle, onde terminam oito bastões pometeados reunidos no coração.
    • Os oito cetros reunidos pela base evocam a maestria da alma e do mundo intermediário.
    • Os raios flordelisados simbolizam a ação iluminadora da Graça partindo do centro do abismo e atravessando as cercas pometeadas do jardim das Hespérides para se difundir em todas as direções do espaço.
  • A escarbúnculo central possui ao longo de toda a Idade Média a significação de pedra mágica, de cor de sangue que a aproxima da Pedra Filosofal, reputada curar numerosas doenças.
    • Era portada sobre a testa ou sobre o nasal do elmo, o que evoca o terceiro olho da iniciação.
    • O rais d'escarboucle simboliza o irradiar do herói inspirado pelo Espírito e que domina a concentração das energias vitais.
    • Evoca os oito raios da roda do mundo acionados pelo motor imóvel que reina sobre o abismo e reside no coração.
  • As flores de lis são os pontos de passagem para retornar ao centro e a expressão trinitária visível desse centro, e a teologia medieval considerou incessantemente a Revelação divina como fruto da ação do Espírito divino na e pela flor de lis marial.
    • O arcanjo Gabriel, encarregado da Anunciação e da Revelação iluminadora, é tradicionalmente figurado segurando lírios na mão.
    • O rais d'escarboucle anuncia assim uma plenitude espiritual iluminadora e benéfica.
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