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TEOFANIAS DO RAIO E DO TROVÃO E A LIBERAÇÃO
STABLES, Pierre. Deux clefs initiatiques de la “Légende dorée”, la kabbale et le “Yi-king”. Paris: Dervy, 1975
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O retorno da positividade após a meia-noite e no solstício de inverno marca a transição para o signo de Capricórnio, simbolizando o regresso ao bem e à fonte original da vida.
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A ascensão solar a partir do ponto mais baixo do ciclo anual representa, no domínio dos sintemas morais, a recuperação da virtude pelo homem dotado.
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Este movimento de retorno exige uma fundamentação ritual e religiosa para que os seus efeitos alcancem a totalidade da escala dos atos humanos.
O Koua 40, ䷧ (Liberação) descreve a liberação de entraves e o fim dos embaraços através da harmonia entre o raio e a chuva.-
A imagem da liberação manifesta-se pela germinação das plantas que rompem suas cascas e pelo restabelecimento das instituições tradicionais.
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A caridade, o perdão e a anistia são as aplicações sociais deste estado, enquanto a licença e a perversão constituem suas caricaturas.
A libertação espiritual é apresentada como uma separação necessária, encontrando paralelo no nome hebreu Phaleg (separado) e na figura de Saint Nazaire na Legenda Áurea.-
Phaleg simboliza a origem da entrega de Abram pela distinção absoluta, enquanto Saint Nazaire, como ser consagrado e separado, caminha sobre as águas.
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A separação no Yi-King estabelece a distinção entre Yang e Yin, permitindo que o princípio ativo domine a passividade das águas calmas.
As águas calmas sobre as quais o Santo caminha figuram a possibilidade universal estática, uma matéria prima líquida ou limo primordial, distinta da terra sólida.-
O Koua 38 ䷥ reforça a importância da separação dos gêneros como prelúdio indispensável à unificação final.
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A identificação da razão de ser das oposições aparentes permite conhecer a fonte única que subjaz à diversidade dos fenômenos.
A direção geográfica Sudoeste no Yi-King é um synthème do tempo da indulgência, onde tudo o que estava atado é finalmente desatado.-
Esta geografia não se refere a coordenadas terrestres, mas a um estado figurativo resultante de uma ação liberadora do céu.
O raio representa o máximo abalo físico e mental, forçando o homem a reformar sua pessoa através do temor à potência do Céu.-
O número nove, atribuído ao abalo máximo, exprime a relação harmônica entre o ritmo mental (Céu) e o ritmo corporal (Terra).
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Técnicas iniciáticas utilizam este abalo rítmico para alinhar a estrutura biológica do indivíduo com a atividade intelectual superior.
O raio sobre a montanha simboliza o pequeno excesso que serve de advertência para o retorno à pureza e à virtude.-
Pequenas falhas ou desvios, quando percebidos, tornam-se ocasiões para o reequilíbrio moral e o reajuste das condutas.
O Koua 34 (Grande Força) descreve o raio acima do Céu como o estado de florescimento e expansão máxima, onde a austeridade se completa pela vitória sobre si mesmo.-
A perfeição do homem dotado reside na capacidade de submeter a própria força às regras rituais.
A Legenda áurea apresenta casos de liberação realizada em vida, como o de Sainte Elisabeth, cuja união extática com Deus produzia efeitos físicos visíveis e térmicos nos assistentes.-
O resplendor solar da Santa e o calor insuportável sentido por um jovem mundano demonstram a natureza concreta das consolações divinas.
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Relatos de São Estêvão e São Teodoro confirmam que a abertura do céu e a união com Cristo são realidades acessíveis aos homens perfeitos antes do trépito final.
A liberação do tempo e do cativeiro é solicitada através das antífonas do Advento, onde cada invocação (Adonaï, Radix Jesse, Clavis David, Oriens, Rex Gentium, Emmanuel) marca uma etapa do resgate.-
O rachat por Adonaï é insuficiente sem a liberação de Radix Jesse e a saída da prisão proporcionada pela chave de David.
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A iluminação de Oriens prepara o caminho para a salvação universal de Rex Gentium, culminando no Emmanuel como salvador dos Justos em todas as nações.
Exemplos de libertação física de ferros e cadeias em São Savinien, São Loup e São Leonard atuam como emblemas da força do símbolo operando sobre a matéria.-
O desejo de liberação, embora comum, raramente inclui o desejo de libertar o próximo ou a aceitação de uma libertação coletiva mediada por um único libertador.
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A morte é frequentemente descrita sob influência platônica como a liberação da alma do cárcere do corpo, visão distinta da unidade psicofísica judaica.
O cristianismo afirma que a Liberdade incriada, encarnada no Cristo, liberta os Justos de todas as nações e oferece salvação aos demais através da humilhação e da Eucaristia.-
O suporte físico do sacramento permite a passagem da força liberadora para o indivíduo que aceita a descida divina em si.
O Yi-King limita-se ao plano moral da sabedoria sociopolítica, integrando o indivíduo à comunidade humana através dos ritos e das analogias da liberação.-
O texto oferece vias específicas para o súdito, o príncipe, o rei, o sábio e o homem universal como aplicações particulares da liberação.
O Yi-King define-se como a Sophia dos sintemas ao impor limites à proliferação fantasmagórica da imaginação, reconduzindo as imagens à verdade humana e social.-
As associações de ideias, sem o freio das instituições e marcos rituais, tendem à multiplicação paralógica infinita.
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A pedra Dionysia de Saint Denis atua interiormente como cura para a embriaguez fantasmagórica, complementando os obstáculos exteriores que garantem a ordem moral.
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