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GVEI 395-414 SITUAÇÃO DA ESTRUTURA NEGATIVA E SIGNIFICADO DA ONTOLOGIA NEGATIVA
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Introdução e Definição da Estrutura Negativa
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A unidade das esferas não objetivantes (instante estético e negativo) repousa em sua comum proximidade com o Nada como polo substantivo da manifestação.
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A esfera estética é ambígua, por vezes vista com a estrutura negativa pela sua desessencialização, e por vezes com o instante lógico pela sua integração de indivíduos em uma totalidade.
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A estrutura negativa é caracterizada pela ausência de totalidade e pelo fracasso da integração panteística, revelando a singularidade irredutível dos indivíduos.
O Papel do Nada nas Diferentes Perspectivas-
Perspectiva metafísica: O Nada (“não-ser”, Maya) é o princípio negativo que se “sobrepõe” ao Absoluto para gerar a multiplicidade do mundo inteligível e sensível. Ele não é uma irrealidade absoluta, mas um reflexo invertido do Infinito, sendo a origem da limitação separativa.
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Ontologia criacionista: Inverte a relação metafísica, transformando o Nada de princípio de degradação ontológica em uma potência de “atualização” e “enriquecimento existencial”, que se manifesta como o ato de trazer a essência do mundo à existência.
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Cosmologismo temporalista: Leva essa visão adiante, identificando o Nada com a essência do próprio Absoluto (como na dialética hegeliana) que enriquece a si mesmo através de um devir.
A Negação Criadora e suas Limitações-
A “positividade da negatividade” nas estruturas panteísticas baseia-se em uma referência implícita às essências. Sem essa referência, o devir se torna um movimento “em vazio”, e o Nada revela seu verdadeiro aspecto destrutivo.
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A estrutura negativa desvela as últimas consequências da revolta antimetafísica: a essência, destituída de seu papel como princípio de determinação, revela a aparência existencial como puro e simples nada.
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O Nada se disfarça de plenitude nas estruturas panteísticas, que por sua vez se baseiam na ilusão e na negação, recusando a experiência que o Nada oferece.
A Dialética das Estruturas Temporais-
A dialética histórica (dos sistemas filosóficos) é um processo irreversível que vai da esfera lógica à negativa.
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A dialética individual é reversível, pois a consciência, ao entrever a estrutura negativa, tende a fugir dela, buscando refúgio nas totalidades panteísticas.
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O “divertimento” (no sentido de Pascal) é o ato de se desviar da experiência do nada e da solidão para a “plenitude” ilusória da vida cotidiana (na esfera lógica) ou de sensações (na esfera estética).
A Estrutura Negativa como Ponto de Virada-
A passagem para a estrutura negativa marca o fracasso da integração panteística, na qual o indivíduo se dissolve na totalidade. A estrutura negativa, ao contrário, revela a irredutível singularidade do eu.
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Nela, os dois aspectos do Nada (essência/subjetividade e existência/aparência) não são mais complementares, mas se tornam uma oposição irredutível. A subjetividade é pura negatividade, radicalmente separada do conteúdo do mundo.
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O Nada se manifesta como descontinuidade (entre o eu e o mundo) e indeterminação de pobreza (a aparência desprovida de essência).
A Significação da Estrutura Negativa-
A estrutura negativa serve como um caminho para as estruturas metafísicas, pois a consciência do “vazio das aparências” leva inevitavelmente à busca da Transcendência.
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Ela é também um símbolo invertido da forma mais elevada da metafísica. O “Nada” da filosofia existencialista (Sartre) é uma imagem caricatural do “Não-Ser” ou “Sobre-Ser” metafísico.
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A revolta antimetafísica, que culmina nesta estrutura, falha em justificar a individualidade, mas paradoxalmente, ao revelar sua própria impotência, aponta para a única via capaz de redescobrir a individualidade e a Transcendência.
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