vivenza:principios-tradicionais
Princípios Tradicionais
VIVENZA, Jean-Marc. Le dictionnaire de René Guénon. Grenoble-France: Le Mercure dauphinois, 2002.
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O contato com a ordem metafísica universal coloca o homem diante da obrigação de se abrir ao que o ultrapassa radicalmente para que possa cumprir o que nele é essencial e menos humano.
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Essa abertura necessária, qualificada como vital em um sentido mais amplo que o da vida manifestada, consiste na descoberta dos fundamentos imutáveis e intemporais, os princípios universais.
René Guénon dedicou-se não apenas a elucidar esses princípios, tarefa imensa dado o estado de confusão de sua época, mas também a demonstrar a imperiosa necessidade de sua aplicação às sociedades e aos indivíduos.-
A aplicação dos princípios visa harmonizar a existência com as leis da ordem meta-humana.
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Para os indivíduos, essa aplicação permite alcançar a altura de sua vocação inicial e empreender o caminho de retorno ao essencial.
Os princípios tradicionais que estruturavam as sociedades normais emanavam do Princípio primeiro e fundador, fornecendo um conjunto de referências ordenadas em torno de um centro estável e coerente.-
Nessas sociedades, não existia a fratura entre o sagrado e o profano, pois todas as atividades humanas estavam inseridas em uma esfera una.
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As leis e os modos de vida que organizavam os grupos humanos e regulavam as etapas da existência baseavam-se na íntima relação com o Príncipio.
Essa harmonia e equilíbrio originais romperam-se profundamente ao longo de uma lenta erosão secular, culminando na dramática ruptura da época presente.-
A ruptura causa sofrimento e incompreensão devido à perda dos elementos referenciais mais elementares.
René Guénon, mais do que qualquer outro, veio lembrar o caráter profundamente desviado e inexato do mundo atual.-
A constatação da desordem não se limitou a uma descrição gratuita e distanciada das carências do mundo.
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Guénon insistiu que a origem única dessa desordem é o terrível afastamento do Princípio.
Para além da constatação da desordem moderna, Guénon propôs uma via autêntica àqueles que pressentiam sua necessidade.-
A perspectiva apresentada não consiste em empreender uma ação de restabelecimento pelos meios humanos comuns, considerados inábeis e inadaptados.
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Trata-se de incitar as inteligências a se formarem por meio do conhecimento metafísico para que sejam restabelecidas na união perdida com o Princípio.
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O objetivo é salvar o depósito tradicional e permitir que homens qualificados alimentem com seu saber os tempos futuros, quando surgirá a aurora de uma nova idade para a humanidade, conforme a lei cíclica.
Aos homens inquietos com a situação presente e que a ela não se resignam, é proposto um duplo dever de preservação e transmissão, que se resume na função de serem Guardiões.-
A função de Guardião implica a guarda da imensa tradição que contém o conhecimento sagrado.
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Ser Guardião significa preservar a longa memória dos séculos passados.
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O Guardião zela pela Arca santa que abriga os segredos e mistérios do trabalho iniciático.
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A função corresponde à guarda de um lugar invisível aos olhos da carne, mas sensível aos olhos do espírito: a Terra santa, onde o Princípio tem sua morada permanente.
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