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Simbolismo e Iniciação

VIVENZA, Jean-Marc. Le dictionnaire de René Guénon. Grenoble-France: Le Mercure dauphinois, 2002.

  • A restauração dos princípios, empreendimento que exige meios adaptados e distintos dos meios profanos modernos, fundamenta-se na certeza de que o sentido, testemunho concreto da presença do Princípio, pode ser negado e combatido, mas jamais desaparece completamente.
    • Embora de difícil acesso na época contemporânea, o sentido permanece real e vivo, dissimulado sob o véu dos símbolos.
    • É possível, sob certas condições, colocar-se inicialmente à escuta dos símbolos como etapa preparatória para, em seguida, aceder à intimidade do sentido que conduz ao Princípio.
  • A transmissão do saber ancestral até os dias de hoje deve-se aos símbolos, por meio dos quais os ensinamentos mais fechados foram preservados e o espírito daqueles que pressentiam uma realidade mais ampla pôde ser despertado.
    • Os símbolos introduzem a estados superiores que ultrapassam o nível existencial comum, o qual pretende ser erroneamente o único existente.
  • O poder dos símbolos é, em primeira análise, um poder de evocação, mas esta etapa conduz ao encontro com o fundamento principal que preside a origem de tudo o que é.
    • René Guénon esforçou-se por lembrar essa verdade, buscando fazer compreender o sentido real dos símbolos como vestígios prestigiosos da Tradição primordial e da autêntica metafísica.
  • A efetivação de uma perspectiva tradicional passa obrigatoriamente pela ciência dos símbolos, a ciência sagrada capaz de introduzir o ser na intimidade do Princípio.
    • Essa ciência visa a preservação da antiga sabedoria e, sobretudo, a manutenção da capacidade libertadora que especifica o ser humano na criação universal.
  • O desenvolvimento efetivo da capacidade libertadora exige a recepção de uma influência espiritual de natureza esotérica, indispensável por conferir as qualificações iniciáticas para abordar as verdades superiores e empreender a transformação interior visando a Delivrance.
    • Guénon, que cedo analisou essa questão e a expressou em sua obra enquanto a praticava pessoalmente, levanta a consequência prática de identificar as estruturas legitimamente qualificadas para conferir a transmissão iniciática.
    • A resposta de Guénon sobre o assunto, formulada com rigor e precisão, reconhece para o Ocidente apenas duas organizações legítimas detentoras de uma cadeia iniciática ininterrupta: o Compagnonnage e a Maçonaria.
    • Essa resposta, embora clara quanto às possibilidades reais, gerou interrogações devido ao estado de degradação extrema em que se encontravam essas duas instituições na época.
  • A degradação das instituições iniciáticas ocidentais explica a abertura para o Oriente, considerada por Guénon como vital e indispensável.
    • O Oriente ainda possuía mestres autênticos e uma tradição menos afetada pelo mundo moderno.
    • O Oriente representava uma oportunidade para despertar os germes da prática espiritual, então adormecidos no Ocidente.
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