zolla:misticos-ocidente
MÍSTICOS DO OCIDENTE
ZOLLA, Elémire. I mistici dell'Occidente. 1. In: Gli Adelphi. Nuova edizione riveduta, quarto edizione ed. Milano: Adelphi edizioni, 2013
Há uma versão em quatro volumes em espanhol: Los Misticos De Occidente I-IV
Tópicos da nota introdutória do autor
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Le cattive definizioni
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Definição concisa do estado místico como “conhecimento experimental de Deus” em obras de referência filosófica e teológica.
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Uso do termo “místico” regido por regras secretas e simplistas, atraindo significados diversos consoante as falhas da cultura petrificada.
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Sinonímia com sentimentos confusos, aproximação complacente às instituições eclesiásticas e gestualidade estereotipada na cultura de massa.
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Consideração do termo como elogioso por um estrato da meiacultura, envolvendo consumidores de viagens, leituras e seitas supersticiosas.
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Consideração do termo como marca de opróbrio por consumidores de ideologias ligadas a sindicatos ou empresas neocapitalistas.
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Constrangimento face ao termo por parte da meiacultura protestante “desmitologizada” e católica adaptada a um eleitorado empresarial.
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Ligação da alta cultura aos estratos inferiores e aceção favorável do misticismo como sinal de um nacionalismo desaparecido na cultura italiana recente.
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Pudor no uso do termo pelos herméticos, marcado pela incapacidade de organização do pensamento e pelo prazer no puro som das palavras.
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Voto condicionado desfavorável por parte de historicistas, marxistas e neopositivistas, que o consideram sinónimo de irracionalidade.
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Concordância extraordinária de todos na má definição da palavra, independentemente do voto de condenação ou aprovação.
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Definições falsas mas direcionadas dos marxistas, que veem o misticismo como incapacidade anárquica ou apêndice eclesiástico.
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Exceções de Walter Benjamin, que buscou relação entre mística judaica e marxismo, e de Lucien Goldmann, que avaliou a mística jansenista.
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Definição dos pensadores “progressivos” de que “místico” é toda a confiança mágica em instituições ou líderes que impeça a crítica.
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Identificação inconsciente do “místico” com o “feminino” por parte de difamadores e apologistas.
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Necessidade de libertar a mente de estereótipos e associações inconscientes para ler os místicos.
O estado místico como norma do homem-
Existência de interpretações psicanalíticas da religiosidade e do misticismo como doença.
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Carácter mórbido da falta de uma ideia de homem normal e da teoria que considera são quem não critica a sociedade.
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Descrição pelos místicos da adequação à norma, ao ser que é como deveria ser: normativo.
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Confusão gerada pelo jargão simplista da psicologia moderna sobre conceitos como “abandono a Deus” e “passividade”.
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Equívoco sobre o uso do termo “eu” na psicanálise e nos místicos, não devendo confundir-se com a identidade pessoal prática.
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Análise de Federn sobre a “falta do sentido do eu” como um sentimento positivo de ausência, e não a ausência de sentimento.
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A “morte do eu” almejada pelo místico como a morte da personalidade blindada, preocupada com a sua própria imagem.
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Conceitos místicos como a libertação do desejo e a aceitação do real, mal interpretados como recusa de iniciativa ou submissão.
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A “mente vazia” do místico como ausência de módulos perceptivos ou cognitivos coercivos e estereotipados.
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Descrição da experiência mística em termos que sugerem uma regressão à infância, mas como acesso a fantasias infantis num quadro de comportamento maduro.
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A psicanálise como definição por exclusão do estado místico, um tentativo moderno de transformar o servo em filho do Senhor.
A mística como iniciação-
O misticismo como repetição da experiência iniciática numa civilização não mais coral, um retorno involuntário da tradição.
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Surgimento da antologia mística no esgotamento dos ritos iniciáticos, quando o indivíduo se dissocia da comunidade.
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Tendência do misticismo para criar novas comunidades, como conventos, para restaurar condições de uma comunidade arcaica.
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Observação de Simone Weil sobre a castidade como aceitação da criatura presente, não dirigindo o desejo para um futuro.
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Retorno ao estado de espírito arcaico, recreando as bases económicas do comunismo primitivo ou inserindo-se em sociedades já formadas.
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Análise de Jack Lindsay sobre o taoismo como movimento místico que visava um retorno ao tribalismo primitivo, usando a perspetiva da igualdade da gens.
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Extinção da sede de prestígio, riqueza e segurança, permitindo o retorno a uma espontaneidade nos atos.
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Interpretação moderna e distorcida da iniciação tribal como treino para privações, instrução eclesiástica ou antagonismo geracional.
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Objetivo real da iniciação: eliminar o medo dos desastres, substituindo-o pela reverência às divindades.
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Interpretação errónea do ascetismo como masoquismo e das metáforas eróticas místicas como indício de repressão sexual.
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Equívocos na antiguidade clássica e sua multiplicação após a revolução científica sobre a natureza da iniciação.
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Definição psicológica do misticismo como estado de normalidade, aparentando um paradoxo hiperbólico.
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Condição do homem moderno como “deslocável”, submetido a um ascetismo invertido e renunciando a bens profanos sem compensação espiritual.
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Semelhança aparente, mas oposição real, entre o místico, que transcende as paixões, e o homem deslocável, que regride aquém delas.
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Necessidade de uma dupla mediação preliminar à experiência mística moderna: crítica do falso consumo e configuração de uma vida pré-moderna.
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Exemplos da dupla mediação em místicos modernos: Kierkegaard, Hölderlin, Herman Melville, Emily Dickinson, Kafka, Robert Musil, Simone Weil e Pasternak.
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Interrupção da antologia de místicos ocidentais com a Revolução Francesa, devido à alteração do ponto de partida da experiência.
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Carácter festivo e calendarial do misticismo na história da religião grega, representando o mundo zodiacal pleno.
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Fim da antiga humanidade no século XVIII, marcado pelo misticismo sincretista e mistificador de Emmanuele Swedenborg.
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Carácter já moderno de William Blake, Claude de Saint-Martin e Fabre d'Olivet, os “gnósticos da Revolução”.
EXCERTOS E RESUMOS
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