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ESTADOS PÓSTUMOS E DESPERTAR INICIÁTICO
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Um ponto decisivo é alcançado quando se coloca, em forma de pergunta, se faz sentido prosseguir uma via iniciática caso o Cristo assegure ao cristão, no prolongamento pós-morte individual, a Ressurreição ou a transformação no Verbo divino, que também corresponde ao fim espiritual último da iniciação chamado libertação.
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O prolongamento pós-morte individual é apresentado como contexto da questão.
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A Ressurreição e a transformação no Verbo divino são tratadas como garantidas pelo Cristo ao cristão.
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A libertação é indicada como finalidade derradeira da iniciação.
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A resposta é encaminhada por elementos que sustentam a compatibilidade entre pertença à Igreja do Cristo e pertença à via iniciática, sem rebaixar a transcendência da via sacramental eclesial, nem admitir qualquer inferioridade do cristianismo por ser Vida e Verdade divinas, conforme a lição litúrgica de São Leão Magno no segundo noturno da Ascensão.
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A dupla pertença é apresentada como não incompatível.
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A via sacramental eclesial é mantida como via de perspectivas mais elevadas.
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São Leão Magno associa a Ascensão do Cristo à elevação dos fiéis e à esperança do corpo.
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A graça inefável do Cristo é vinculada à obtenção de mais do que se perdeu pela falta de Eva.
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O trecho da liturgia da Ascensão é tomado como referência porque cada termo empregado possui sentido preciso reconhecido nas vias chamadas iniciáticas.
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A liturgia é tratada como portadora de linguagem técnica.
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A precisão terminológica é apresentada como ponto de contato com vias iniciáticas.
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São Leão Magno fala a todos os chamados da Igreja, cuja eleição depende da graça divina e do trabalho de cada um, e a abertura do acesso não é descrita como segredo, mas como exigência de desejo ativo segundo o conselho do Cristo de bater, pedir e buscar.
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Os chamados da Igreja são apresentados como destinatários universais.
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A eleição é associada à graça divina e ao esforço pessoal.
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O conselho do Cristo é expresso como prática de busca e tomada.
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A descrição é alinhada à demonstração de René Guénon em Considerações sobre a Iniciação ao distinguir a meta dos pequenos mistérios, situada no centro da individualidade humana e identificada ao Paraíso como realização horizontal, ao Paraíso terrestre de Dante e ao estado do homem primordial.
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René Guénon é mencionado como referência interpretativa.
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O centro da individualidade humana é apresentado como meta de uma realização horizontal.
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Dante é evocado pelo Paraíso terrestre e pelo estado primordial.
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A descrição também é alinhada à meta dos grandes mistérios, entendida como superação do estado central paradisíaco por meio do eixo vertical dos estados superiores e supraindividuais, figurada pela Árvore da Vida erguida no centro do Pardes para alcançar o mais alto dos Céus, em direção ao Paraíso celeste de Dante, à realização vertical e ao estado do homem universal incondicionado, coincidente com a Identidade Suprema própria da libertação.
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Pardes é tratado como imagem do recinto paradisíaco onde se ergue a Árvore da Vida.
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O eixo vertical é apresentado como caminho de estados superiores e supraindividuais.
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Dante é novamente evocado pelo Paraíso celeste.
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A Identidade Suprema é associada ao estado incondicionado da libertação.
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A exclamação litúrgica pascal Ó feliz culpa é apresentada como inteligível porque a falta de Eva, com suas consequências, é ligada à vinda do Cristo.
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Eva é mencionada como figura da falta e de seus efeitos.
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A vinda do Cristo é apresentada como consequência paradoxalmente benfazeja.
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Os dois eixos da realização, horizontal e vertical, desenham o emblema do Mestre na forma da Cruz.
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A Cruz é apresentada como síntese simbólica dos dois eixos.
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O Mestre é referido pelo emblema associado à Cruz.
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O aporte da iniciação é considerado incapaz de diminuir o monoteísmo religioso e o cristianismo, porque é descrito como elemento que os conforta e confirma.
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O monoteísmo é mantido como intacto.
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O cristianismo é reafirmado como confirmado pelo aporte iniciático.
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As mesmas verdades religiosas podem ser compreendidas de fora e de dentro, e o núcleo é alcançado através da casca sem mudar o fruto, de modo que a adição iniciática amplia o sentido do conteúdo doutrinal da fé e da realização do cristão, corporal ou pós-morte, para além dos limites de conceitos e estados individuais.
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A distinção entre exterior e interior é apresentada como dois modos de conceber o mesmo conteúdo.
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A realização do cristão é vinculada tanto à condição corporal quanto à pós-morte.
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O sentido é descrito como ultrapassando conceitos e estados individuais.
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Um efeito transformador é indicado quando a contribuição iniciática é entendida como parte da infinitude dos meios de graça do Cristo, ainda que não seja indispensável à graça que permanece absoluta e livre para todos.
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O efeito transformador é tratado como contribuição à mudança espiritual.
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A graça do Cristo é afirmada como suficiente e livre.
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A iniciação é descrita como meio incluído, não como condição necessária.
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Os mesmos ritos comuns a todos os cristãos podem, sob influxo iniciático, assumir carga doutrinal mais elevada e transformadora, porque a profundidade da interiorização é correlacionada à elevação nos Céus e à universalidade do sem limite, dimensão do Verbo e do Amor.
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A compreensão é apresentada como fator decisivo.
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A interiorização é associada a elevação e universalidade.
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O Verbo e o Amor são tratados como dimensões sem limite.
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Um mesmo suporte ritual é descrito como portador de duas faces, uma exterior e outra interior, segundo a linguagem de René Guénon.
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A face exterior é vinculada ao acesso comum.
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A face interior é vinculada ao aprofundamento iniciático.
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René Guénon é citado como referência terminológica.
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A retomada do fio argumentativo ocorre mantendo-se que o estado cristão basta, nos limites da salvação, para conduzir à libertação sem necessidade de ritos iniciáticos, ao mesmo tempo em que o prolongamento do ser na condição sutil individual é descrito como peregrinação com morte e ressurreição, provas ligadas ao mundo dos elementos, labirinto de purificação, marcha ao centro e busca da luz eterna associada ao repouso do sábado sagrado e ao ponto central septenário do Presente eterno.
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Salvação e libertação são distinguidas sem oposição.
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A condição sutil individual é apresentada como viagem com provas e purificação.
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A luz eterna é associada ao repouso e ao centro do Presente eterno.
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O sábado sagrado é referido como ponto central e origem simbólica das direções do espaço humano.
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Essas linhas são tomadas como suficientes para indicar um universo iniciático constituído de símbolos e ritos, sustentando-se que a iniciação, em qualquer grau, representa aquisição permanente e estado alcançado de uma vez por todas, do qual nada pode privar o ser que a recebeu.
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Símbolos e ritos são apresentados como estrutura do universo iniciático.
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A aquisição é descrita como permanente e irreversível.
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A iniciação é tratada como estado alcançado definitivamente.
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O caminho entre salvação e libertação, não percorrido na modalidade corporal, é apresentado como passível de ser percorrido na prolongação sutil perpétua com ajuda latente das recepções iniciáticas recebidas no estado corporal, aumentando-se assim a possibilidade de transposição ao estado incondicionado do Verbo-Cristo divino sem aguardar a ressurreição e o fim do ciclo.
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A modalidade corporal e a modalidade sutil são diferenciadas como campos de percurso.
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A ajuda latente é atribuída às recepções iniciáticas anteriores.
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A transposição ao estado incondicionado é descrita como possível antes do termo do ciclo.
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O caráter definitivo e insubstituível dos ritos iniciáticos é aproximado ao de certos sacramentos irrepetíveis como batismo, confirmação e ordenação sacerdotal, e a ausência de ganho adicional para a individualidade humana é atribuída ao fato de o salário ser o mesmo, isto é, a Unidade ou não-dualidade que não admite aumento nem limitação porque Deus é um.
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Batismo, confirmação e ordenação sacerdotal são citados como exemplos de irrepetibilidade.
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O salário é apresentado como Unidade indivisível.
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A não-dualidade é mencionada como expressão dessa Unidade.
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Deus é afirmado como um, impedindo qualquer acréscimo.
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O percurso iniciático é descrito como antecipação do desenrolar sutil do ser prolongado, sob a perspectiva do olho do coração, e o exemplo da iniciação maçônica é articulado por viagens numeradas na obscuridade, ameaças, purificação pelos elementos, meditação sobre a morte, presença protetora do guia no Rito Retificado ou do Anjo no grau de Rosa-Cruz de Heredom, morte e ressurreição rituais, recepção da luz e refúgio nos Nomes Divinos.
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O olho do coração é indicado como ponto de vista interior.
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A iniciação maçônica é apresentada como exemplo cristão conhecido.
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O Rito Retificado é citado pelo papel do guia.
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O grau de Rosa-Cruz de Heredom é citado pelo papel do Anjo.
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A sequência morte, ressurreição e recepção da luz é descrita como estrutura ritual.
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O desenrolar ritual da elevação ao grau de Rosa-Cruz de Heredom é apresentado como ainda mais sintomático por manifestar caráter pós-morte e ligação estreita com a revelação do Antigo e do Novo Testamento, incidindo diretamente sobre o estado pós-morte do cristão.
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O caráter pós-morte é declarado como evidente no rito.
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A ligação bíblica é explicitada pelo Antigo e pelo Novo Testamento.
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O estado pós-morte do cristão é apresentado como diretamente concernido.
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Na câmara negra em que aparecem apenas as três cruzes do Calvário, a rosa mística e a coroa de espinhos, o candidato gira sete vezes na sombra percebendo presenças sem distingui-las, e tais viagens circulares são associadas aos sete ciclos do mundo que conduzem ao segundo advento do grande Emanuel, quando o tempo seria transformado em eternidade, sendo também esclarecido que a expressão inglesa swallow up significa absorver ou engolir.
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Calvário é mencionado pelas três cruzes.
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Rosa mística e coroa de espinhos são citadas como sinais visíveis.
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Sete voltas são associadas aos ciclos do mundo.
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Emanuel é citado como figura do segundo advento.
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Swallow up é vertido como absorver ou engolir.
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O sétimo tempo é identificado com a chegada ao centro dos sete círculos, e a alusão à busca do estado central primordial é apresentada como inequívoca.
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O centro dos círculos é destacado como ponto de chegada.
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O estado central primordial é apresentado como objeto da busca.
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Durante as viagens o candidato deve descobrir o sentido das três virtudes teologais e depois meditar na câmara da morte sobre seus emblemas até encontrar a Palavra ou Nome Divino.
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As virtudes teologais são citadas como conteúdo a ser decifrado.
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A câmara da morte é citada como lugar de meditação.
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Palavra e Nome Divino são apresentados como alvo da busca.
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A passagem pela vale da sombra e da morte é descrita como precedente à residência da luz, sob intervenção e condução do arcanjo Rafael.
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Vale da sombra e da morte é apresentado como etapa liminar.
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A residência da luz é apresentada como destino imediato.
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Rafael é citado como arcanjo condutor.
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Na morada luminosa do lírio dos vales e da Rosa de Saron, o peregrino encontra a escada de sete degraus ligada às Virtudes e ao nome do Cristo, e a Palavra é associada ao início do Evangelho de São João como alfa e ômega, começo e fim, aquele que era, é e será, o Todo-Poderoso.
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Lírio dos vales e Rosa de Saron são citados como imagens da morada.
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A escada de sete degraus é associada às Virtudes.
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Cristo é citado como referência do nome ligado à escada.
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São João é citado pelo prólogo do Evangelho.
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Alfa e ômega e Todo-Poderoso são citados como atributos da Palavra.
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A referência à escada é tomada como indicação de realização vertical mediante travessia de estados angélicos e superiores do ser, culminando no Homem Universal em Cristo nas alturas, com menção ao Ba Meromin do Santo, Santo, Santo da tradição litúrgica de Jerusalém.
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Estados angélicos são citados como degraus de travessia.
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Homem Universal é apresentado como culminância em Cristo.
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Ba Meromin é mencionado como referência às alturas.
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A tradição de Jerusalém é referida pela forma do Santo, Santo, Santo.
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Essa forma de via iniciática é apresentada como compatível com o ensinamento dogmático cristão, como transposição das formulações exteriores em apreensão interior e como impressão, no ser que a percorre, da realização iniciática em modo cristão com pequenos e grandes mistérios e antecipação do estado pós-morte.
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O dogma cristão é apresentado como confirmado e apoiado.
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A transposição interior é indicada como passagem do exterior ao interior.
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Pequenos e grandes mistérios são retomados como estrutura da realização.
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A antecipação do estado pós-morte é apresentada como efeito do percurso.
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O exemplo é tomado como expressivo e serve de ponte para afirmar que outros ritos, como o do Rito Retificado, apresentariam elementos análogos com guia, virtudes, reflexão sobre a morte, contemplação da saída do túmulo e da Jerusalém celeste.
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O Rito Retificado é citado como exemplo adicional.
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Guia e virtudes são citados como elementos recorrentes.
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Jerusalém celeste é citada como objeto de contemplação.
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O tema recorrente é sintetizado como morte, errância, guia divino, centro, ascensão, Ressurreição e Eternidade.
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Errância é citada como condição do percurso.
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Centro e ascensão são apresentados como direções do itinerário.
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Ressurreição e Eternidade são apresentadas como termo e horizonte.
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Ainda que tais elementos não vivificassem as promessas cristãs aos fiéis prolongados na modalidade sutil, permanece a ideia de uma preparação pedagógica valiosa porque o conhecimento do itinerário facilita a orientação na sombra e a memorização do desenrolar, e porque as influências espirituais recebidas integram-se de modo indelével ao ser e podem atualizar-se em condições propícias no prolongamento pós-morte antes mesmo da ressurreição final.
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A preparação é apresentada como útil pela familiaridade com o itinerário.
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Transmissões de influências espirituais são descritas como parte integrante do ser.
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Possibilidades em germe são apresentadas como capazes de atualização.
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O despertar anterior à ressurreição final é apresentado como possibilidade.
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A passagem é descrita como trânsito da segunda nascença batismal, entendida como nascença anímica, para a terceira nascença espiritual de eternidade pelo Espírito Santo, caracterizada como renascer em Cristo e ser confirmado nele.
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O batismo é citado como segunda nascença anímica.
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O Espírito Santo é citado como agente da terceira nascença espiritual.
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Renascer em Cristo e confirmação são citados como marcos do processo.
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