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robin:ovni-exoterismo

OVNI – EXOTERISMO

OVNIs – A GRANDE PARÓDIA

  • Confirmação do caráter paródico do fenômeno OVNI manifesta-se na importância atribuída à Lua dentro da doutrina da nova religião.
    • Simbolismo ambivalente da Lua já havia sido evocado como chave interpretativa.
    • Papel lunar deixa de ser apenas astronômico e assume função doutrinária.
    • Inserção da Lua na narrativa reforça coerência interna do sistema.
  • Exposição dos grandes temas da nova doutrina exige distinção entre seu aspecto exotérico amplamente divulgado e um esoterismo emergente que começa a se delinear.
    • Autores soucoupistas apresentam variações secundárias sem alterar núcleo da crença.
    • Surgimento de discurso reservado aos “iniciados” adapta mensagem a públicos cientificamente exigentes.
    • Evolução da fase materialista inicial para tonalidade neo-espiritualista acompanha transformação cultural moderna.
    • Crescente ênfase no caráter psíquico ou parapsicológico das aparições desloca foco dos antigos modelos interplanetários.
  • Manutenção de um exoterismo acessível ao grande público assegura acolhimento dos “mutantes do Cosmos” como portadores de mensagem salvífica destinada à humanidade considerada madura para recebê-la.
    • Ideia de revelação progressiva substitui privilégio anteriormente reservado a elite.
    • Linguagem escatológica apresenta invasão extraterrestre como evento redentor.
    • Sondagens de opinião são invocadas como indício de expectativa coletiva de salvação externa.
  • Credo fundamental da nova religião afirma que extraterrestres teriam semeado na aurora da humanidade germes de consciência e espiritualidade mal compreendidos por ancestrais ainda rudes.
    • Bíblia é reinterpretada como registro deformado de colonização cósmica.
    • Exegese do termo Elohim é apresentada como prova dessa presença.
    • Gênese é lida como narrativa cifrada das intervenções desses seres.
    • Vigilância contínua da Terra pelos extraterrestres culminaria em futura manifestação libertadora.
    • Esperança de preservação da humanidade diante de catástrofes apocalípticas fundamenta adesão popular.
  • Reabilitação dos textos sagrados ocorre por meio de exegese dissolvente que subverte sentido tradicional sob aparência de valorização histórica.
    • Materialismo do século XIX negava frontalmente autenticidade das Escrituras.
    • Nova abordagem conserva letra enquanto altera radicalmente significado.
    • Advertência evangélica sobre a letra que mata torna-se pertinente nesse contexto.
  • Formulação de Jean Sendy interpreta Lei de Moisés como relato histórico de colonização por cosmonautas semelhantes aos humanos e atribui à Lua função de estação intermediária dessa civilização celeste.
    • Segurança afirmativa do autor contribui para sedução de público desorientado.
    • Alternativa apresentada reduz Escritura a mito fantasioso ou crônica factual.
    • Inserção da Lua como “relais” integra simbolismo celeste a narrativa tecnológica.
  • Argumentação central de Jean Sendy baseia-se na tradução de Elohim como “deuses” ou “anjos”, identificados a extraterrestres, com destaque para o capítulo VI da Gênese.
    • “Filhos de Deus” são assimilados inevitavelmente a seres cósmicos.
    • René Guénon associa simbolicamente esse trecho às origens da contra-iniciação.
    • Interpretação tradicional vê nesses filhos linhagem desviada geradora dos “Gigantes”.
    • Epístola de São Judas descreve anjos que abandonaram sua morada e aguardam julgamento sob trevas.
  • Fragilidade da tese de Sendy evidencia-se no fato de que tradições antigas julgam negativamente tais seres, associando-os à corrupção e não ao progresso.
    • “Inconsciente coletivo” dos ancestrais preserva memória de queda e degeneração.
    • Germes de corrupção são atribuídos aos mesmos personagens exaltados como benfeitores.
    • Contradição interna compromete idealização civilizadora.
  • Dificuldade enfrentada pelo evolucionismo diante da memória universal de um Paraíso perdido revela incoerência lógica entre progresso ascendente e recordação de Idade de Ouro.
    • Tradições antigas convergem na evocação de estado primordial superior.
    • Hipótese de homens emergindo da animalidade dificilmente explica nostalgia unânime de perfeição.
    • Referência ao “Ponto Ômega” de Teilhard de Chardin ilustra tensão entre evolução e memória arcaica.
    • Tentativa ufóloga de harmonizar evolução e colonização extraterrestre esbarra na condenação bíblica dos filhos de Elohim.
  • Interpretação correta de Elohim invalida identificação com plural de deuses, pois termo designa literalmente Aquele-que-é enquanto princípio do Ser.
    • Elohim é plural de Elôah, cujo sentido literal é “Aquele que é”.
    • Uso absoluto do pronome encontra paralelo em nomes divinos como Huwa.
    • Platão denominava to Auto a Causa inteligente do Universo.
    • Significado literal “Ele-eles-que-são” expressa unidade do Ser enquanto princípio da Criação ou da Manifestação.
  • Aproximação sugerida por Dom Devoucoux entre número 666 e expressão hebraica k-elohim reforça dimensão paródica associada à promessa de “ser como Deus”.
    • Gematria permite equivalência numérica entre 666 e “como Deus”.
    • Promessa do Tentador a Adão e Eva ilumina simbolismo dessa identidade.
    • Em grego, 666 corresponde a panathesmios, o fora-da-lei.
    • Indício aponta para natureza desviada dos filhos de Elohim e para imprudência de lhes atribuir missão civilizadora.
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