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CONFUSÃO E DESPERTAR
LAURANT, Jean-Pierre. Le Sens caché selon René Guénon. Paris: Éditions L’Age d’homme, 1975.
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A.K. Coomaraswamy qualificou Guénon não como orientalista, mas como um Guru no sentido hindu, contradizendo a própria autorrepresentação de Guénon.
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Valentine de Saint Point registrou que Guénon sempre negou ser Mestre Espiritual e recusou discípulos.
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Leitores em diversas partes do mundo se declaravam seus discípulos, e Guénon parece tê-los reconhecido ao fim da vida.
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A correspondência de um interlocutor identificado como C… revela uma evolução nas formas de tratamento dirigidas a Guénon, de “Monsieur” em 1932 a “vénéré Maître” em 1950, sem que Guénon protestasse.
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Em carta de 12 de novembro de 1950 a F.G. Galvão, Guénon negou ter pretendido ser mestre ou chefe de qualquer coisa.
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Guénon declarou considerar uma calamidade ter discípulos.
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Para o grupo do Dr. Grangier, Guénon era visto como chefe de uma escola metafísica; na juventude, a Ordem do Templo renovado o teve como figura central.
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A palavra “circunstância” foi apontada como chave para entender sua disposição de se submeter às condições externas.
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O Professor Vreede, que conviveu com Guénon em Paris e no Cairo, afirmou que a obra poderia ter tomado forma diferente se as circunstâncias fossem outras.
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As dificuldades práticas de viver a doutrina metafísica proposta multiplicaram-se tanto no plano teórico quanto no das pessoas.
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A fórmula “já explicamos suficientemente” tornou-se habitual nos últimos artigos de Guénon.
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Os redatores do Voile d'Isis, que ajudaram na transformação da revista em Etudes traditionnelles, debatiam a necessidade de buscar iniciação na Índia, na China ou na Maçonaria.
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Um deles viajou à Argélia, entrou em contato com a Tariqah Alioua em Mostaganem e recebeu a Barakah do Sheikh Ahmed.
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Em 1934, após a morte do Sheikh Ahmed, esse mesmo discípulo obteve do Sheikh Adda Ben Tounès o título de Moqaddem, com poder de transmitir a Barakah e presidir reuniões.
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Guénon passou a encaminhar a esse Moqaddem todos os candidatos à iniciação que não recusavam categoricamente o Islã.
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Em carta de 1948 a F.G. Galvão, Guénon reconheceu que sem o Moqaddem muitas coisas teriam permanecido como mera possibilidade teórica.
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Essa posição entrava em contradição com o que Guénon escrevera em Orient et Occident e La Crise du Monde moderne sobre o papel de uma elite que deveria permanecer ocidental.
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A.K. Coomaraswamy, em artigo de 1943, reafirmou que Guénon não pretendia orientalizar o Ocidente, mas reconduzi-lo às raízes de sua própria tradição, inclusive ao cristianismo ou a Platão.
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Guénon ofereceu uma explicação retroativa pouco convincente sobre o papel da Igreja Católica mencionado em Orient et Occident, alegando nunca ter tido ilusões sobre as possibilidades reais nas circunstâncias do momento.
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Guénon enviou cartas semelhantes a vários amigos, mas é improvável que tivesse aceitado bem essa interpretação de seus livros alguns anos antes.
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O grupo criado em Amiens pelo Moqaddem trouxe decepções proporcionais às esperanças geradas.
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C… construiu uma pequena Zaouïa em casa, recebeu encorajamento de Guénon para recitar o Wird e falou prematuramente de iluminação.
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Guénon respondeu a questões técnicas sobre o balanceamento do Dhikr e a prece “Ya latif”.
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As questões pessoais superaram em peso as doutrinárias, com recrutamento apressado e sem discernimento.
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O Moqaddem convertia candidatos ao Islã em poucos dias, mesmo os que ignoravam o árabe e chegavam por intermédio da redação das Etudes traditionnelles em Paris.
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C… sugeriu a Guénon que se fizesse o tema astrológico dos postulantes para verificar sua qualificação, o que gerou atrito entre ele e o Moqaddem.
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Discípulos com dificuldades recorriam diretamente a Guénon, ultrapassando a autoridade do Moqaddem.
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Guénon ficou instaurado como Mestre espiritual de fato, apesar de sua resistência declarada.
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Interrogado sobre os limites da jurisdição e da infalibilidade do Moqaddem, Guénon respondeu evasivamente que apenas a doutrina é infalível, não a pessoa.
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Suscetibilidades surgiram em torno de detalhes da vida cotidiana, incluindo a contradição entre autoridade espiritual e dependência material do Moqaddem em relação aos membros do grupo.
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A intenção não era ridicularizar os que abandonaram tudo por essa aventura do espírito, especialmente porque tais exemplos têm apelo sobre a juventude.
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Carta de Guénon de 24 de fevereiro de 1936 agradece a colaboração no “penoso ensaio de reconstituição de um centro iniciático no Ocidente”.
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Em 1946 eclodiu uma crise mais grave quando o Moqaddem, após a morte do Sheikh de Mostaganem, proclamou-se Sheikh e tomou distância de Guénon, fixando-se na Suíça.
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Não houve ruptura imediata, mas uma série de artigos e cartas de esclarecimento se seguiu.
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Um grupo introduziu meditações sobre Maria e temas cristãos em suas sessões, ao que Guénon respondeu com textos como “Contre le mélange des formes traditionnelles”, “Vrais et faux instructeurs spirituels” e “Nouvelles confusions”.
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O ponto culminante das oposições veio com um artigo do Sheikh sobre os “mistérios crísticos”, afirmando que os sacramentos cristãos conservavam valor iniciático e que todos os cristãos eram iniciados virtuais.
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Marius Lepage, em O Simbolismo, qualificava a Igreja Católica de organização iniciática.
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A distinção fundamental de Guénon entre exoterismo e esoterismo, elaborada ao longo de toda sua obra, era assim negada.
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Guénon respondeu com série de artigos a partir de setembro de 1949 sobre “Christianisme et Initiation”.
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Carta de Guénon de 27 de setembro de 1950 revela que ele guardou silêncio enquanto pôde, temendo que esse silêncio fosse interpretado como aprovação.
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Guénon reconheceu que a crise de 1950 era continuação da de 1946, nunca verdadeiramente resolvida.
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Concluiu que não havia mais esperança de melhora e que a questão da regularidade deixava de se colocar naquelas condições.
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Guénon não teve tempo de aprofundar suas pesquisas sobre o cristianismo primitivo, constatando que as coisas eram muito mais obscuras do que se poderia supor.
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Para Guénon, a semelhança de certos sacramentos com ritos iniciáticos derivava das origens esotéricas do cristianismo, que se exteriorizou progressivamente para reintegrar o mundo romano em decomposição.
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Carta de 9 de janeiro de 1950 revela que Jean Reyor estava cada vez mais perplexo sobre o caráter original do cristianismo.
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Enquanto o cristianismo permaneceu no quadro do judaísmo, não poderia comportar uma lei exotérica distinta.
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A exteriorização pode ter começado com a expansão do cristianismo para fora do meio judaico, possivelmente já na atividade de São Paulo.
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Passagens dos Evangelhos apresentam aparente contradição entre sentido esotérico e exotérico, e a imprecisão das traduções gregas pode explicar parte das dificuldades.
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A origem exata dos ritos primitivos, incluindo o Batismo, a Eucaristia e a Confirmação, permanece obscura.
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Carta de 9 de fevereiro de 1950 confirma que a exteriorização do cristianismo provavelmente começou mais cedo do que Guénon havia suposto, sem uniformidade entre as igrejas.
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Textos de Hipólito de Roma são citados como indícios dessa exteriorização precoce.
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O Hesicasmo, como sobrevivência de um esoterismo no interior da Igreja Católica Ortodoxa, também interessou a Guénon.
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Em carta a um correspondente, Guénon questionava se existiam outras possibilidades de iniciação além da Tariqah que permitissem algo mais do que uma iniciação simplesmente virtual.
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Uma possível via hesicasta no Monte Atos era considerada praticamente inacessível, especialmente para não ortodoxos de origem.
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Em correspondência com F.G. Galvão, Guénon descreveu as dificuldades de encontrar um guia qualificado para a via hesicasta.
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O Monte Atos, centro dessa via desde o século XIV, exigiria longa residência e conquista da confiança dos monges para obter transmissão e instruções técnicas.
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Em correspondência com J. Tourniac, Guénon apontou a existência de quadros do “Santo Dever de Deus” na Igreja Ortodoxa semelhantes aos usados pelos Companheiros, possivelmente provenientes do Monte Atos.
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Essa semelhança poderia confirmar antigas relações entre os Companheiros e o Monte Atos, mas Guénon não encontrou indicações sobre como tais relações teriam se estabelecido.
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A controvérsia com o Moqaddem trouxe o cristianismo de volta ao centro das preocupações de Guénon, e também, por consequência, a Maçonaria.
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Guénon continuou a encorajar conversões ao Islã, mas com menor intransigência e certo laxismo desabusado.
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A um correspondente que perguntava sobre a escolha de um exoterismo, Guénon chegou a responder que talvez as circunstâncias decidissem por ele.
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Guénon sugeriu que interdições alimentares muçulmanas podiam ser contornadas alegando males estomacais, e que as preces podiam ser ditas com antecedência.
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Guénon não viu mistura de formas tradicionais na admissão de muçulmanos na Maçonaria.
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Em carta de 12 de novembro de 1950 a F.G. Galvão, defendeu o pertencimento a várias organizações simultaneamente, desde que não incompatíveis entre si, aplicando o provérbio “duas seguranças valem mais que uma”.
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Guénon expressou pessimismo sobre a situação europeia, afirmando que poderia tornar-se intolerável mesmo sem nova guerra.
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Uma nova via iniciática se abriu em 1946 com a fundação da loja guénoniana “La Grande Triade” na obediência da Grande Loja da França.
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Um dos colaboradores mais próximos das Etudes traditionnelles, não convertido ao Islã, entrou na loja fortemente incentivado por Guénon.
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O primeiro trabalho consistiu em reunir e meditar os textos de Guénon sobre a Maçonaria, com o objetivo de reconduzir toda a Maçonaria à ortodoxia.
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A loja atraiu afiliados e visitantes interessados na obra de Guénon sem compartilhar a comunhão intelectual e espiritual do grupo fundador.
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J. Corneloup relatou espanto por ter sido admitido facilmente após expor suas dúvidas ao Venerável.
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Guénon havia emitido reservas sobre a admissão, declarando que não se pode deixar de estar de acordo com a Tradição.
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Em 1948, Guénon expressava satisfação com o trabalho da loja e esperança de expansão do espírito tradicional na Grande Loja e no Grande Oriente.
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Em 1949, o tom de Guénon mudou em relação à Grande Triade, reconhecendo deficiências em membros fundadores e duvidando que chegassem a compreender os verdadeiros objetivos.
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Guénon mantinha esperança de que a loja se sustentasse, mas reconhecia ser insuficiente para um trabalho realmente sério.
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Considerava necessário cogitar a constituição de algo diferente, usando a Grande Triade como meio de recrutamento.
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Fracassos semelhantes foram registrados em tentativas na Itália e na Síria.
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Alguns queriam transferir a Grande Triade para a Grande Loja Nacional Francesa, reconhecida pelas Grandes Lojas inglesas.
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Guénon temia o “moralismo” e o caráter anti-intelectual dos anglo-saxões, embora a provável sobrevivência de uma Maçonaria operativa na Inglaterra o atraísse.
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Poucos dias antes de sua morte, em janeiro de 1951, uma ruptura ocorreu entre os membros da loja.
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J. Corneloup concluiu que a Grande Triade foi “uma tentativa normalmente selvagem num quadro obediencial”.
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A tentativa de constituição de um grupo fora de qualquer obediência também avançou rapidamente, surpreendendo o próprio Guénon.
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A correspondência com o organizador desse grupo abunda em informações técnicas sobre o “enquadramento” de preces por abertura e fechamento rituais.
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Guénon se mostrou cauteloso quanto à associação de ritos de ordem diferente, exotérica e esotérica.
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Meses depois, Guénon expressava satisfação com as notícias das reuniões do grupo e respondia a questões técnicas sobre os Tableaux de Loge como suportes de meditação comparáveis a yantras.
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Guénon esclareceu que, na ausência de indicações sobre como os operativos contavam, o uso de um terço não apresentava inconveniente.
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A invocação do Nome divino tinha papel central no grupo, e Guénon aconselhou sobre o método de contagem durante a incantação.
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Guénon indicou que contar nos dedos era possível, mas o terço era preferível por reduzir o risco de erros.
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Certos aspectos surpreendiam em relação ao rigor doutrinário da obra escrita de Guénon, como a mistura de ritos exotéricos e esotéricos e uma etimologia sincretista da palavra maçônica “Jabelon”.
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A palavra era decomposta por Guénon em “Jah” hebraico, “Bel” caldaico e “On” egípcio, em carta a Marius Lepage.
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Guénon confiava generosamente nos que lhe pareciam de intenção reta, o que explica suas decepções posteriores.
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Na incerteza geral, o ponto de chegada assemelhava-se às hesitações e experiências do jovem Guénon entre 1905 e 1914.
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O aporte teórico de Guénon havia dado nova força, mas o chão cedia.
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Na Índia, falsos gurus e personagens duvidosos multiplicavam-se, enquanto os verdadeiros se tornavam cada vez mais ocultos.
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O governo indiano, de tendências anti-tradicionais, subvencionava uma suposta “Academia de Yoga” baseada em métodos “científicos” ocidentais.
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Guénon denunciou repetidamente, com ou sem razão, falsos instrutores espirituais.
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O Swami Siddeswarananda, de grande influência na França após a guerra, foi considerado por Guénon distante da ortodoxia.
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Marius Lepage, que admirava Guénon e o recebeu em Laval, também ouvia esse julgamento.
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Gurdjieff era considerado por Guénon particularmente perigoso, não como charlatão puro e simples, mas como alguém que coletou fragmentos de conhecimentos orientais e os reorganizou fora de qualquer ligação tradicional regular.
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Guénon reconhecia que Gurdjieff exercia sobre seus próximos uma espécie de domínio de ordem psíquica, da qual poucos tinham força de se libertar.
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Não havia, segundo Guénon, nada de autenticamente espiritual ou iniciático nessa influência.
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A necessidade de prática exotérica reconduz inevitavelmente a uma Igreja ocidental os que não se convertiam ao Islã.
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Guénon se mostrava prudente em seus conselhos sobre o “rattachement exotérique”.
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A Igreja Ortodoxa era a única cuja regularidade considerava incontestável; a Igreja Anglicana apresentava dúvidas quanto à sucessão apostólica.
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Um sacerdote católico conhecido por Guénon havia respondido a um recém-iniciado que podia simplesmente continuar a praticar o catolicismo como sempre fizera.
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Um fracasso nas tentativas junto às Igrejas orientais provocou reações cautelosas de Guénon, que não entendia bem as razões da nova atitude dessas Igrejas.
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Guénon cogitou que essa atitude pudesse ter relação com o movimento de união das Igrejas.
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As tentativas de aproximação entre a Igreja e a Maçonaria, conduzidas pelo Padre Bertheloot da Companhia de Jesus e pelo historiador maçônico Albert Lantoine, foram julgadas severamente por Guénon do ponto de vista doutrinário.
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Guénon duvidava que Bertheloot tivesse outra concepção da Maçonaria além da de seu amigo Lantoine, o que do ponto de vista iniciático não ia muito longe.
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A reação oficial romana contra as iniciativas do jesuíta foi recebida por Guénon quase com satisfação.
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Quando Jacques Maritain, embaixador da França junto ao Vaticano após a guerra, reclamou a inclusão de Guénon no Index, a reação deste foi comparável.
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Esse episódio remete ao artigo do jovem Guénon respondendo a O. Pontet em L'Acacia, no qual se orgulhava de ser excomungado.
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A abundância de informações e a desconfiança em relação ao Clero caracterizaram permanentemente a atitude de Guénon.
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O temperamento pouco robusto de Guénon e seu hábito de prever o pior lhe valeram problemas de saúde graves antes mesmo da guerra.
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Frithjof Schuon o encontrou imobilizado por crises de reumatismo durante uma visita ao Cairo.
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Louis Caudron expressou alívio em novembro de 1937 ao saber de sua convalescença.
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Valentine de Saint-Point o descreveu como um ser extraordinário cujas inquietações abreviaram a vida.
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O ano de 1950 começou mal para Guénon, com um frio incomum no Cairo, gripes sucessivas e incapacidade de trabalhar.
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Guénon lamentava os atrasos causados pelo estado de saúde em tudo que tinha a fazer.
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O Doutor Katz, médico e amigo da família, narrou os últimos dias de Guénon, que recusou ser tratado antes de ver suas filha Leila e filho Ahmed curados.
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Guénon aceitou apenas medicações de terapêutica “natural” e recusou qualquer exame complementar.
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Na manhã do domingo de janeiro em que morreu, Guénon repetidamente se erguia exclamando “El Nafass Khalâss” (a alma se vai).
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O Doutor Katz saiu para buscar o Hag Abou Bakr e um aparelho de inalação de oxigênio; ao retornar, soube que o Sheikh Abdel Wahed havia morrido pouco após sua partida.
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As últimas palavras de Guénon foram a invocação de Allah.
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Martin Lings, o inglês islamizado conhecido como Abou Bakr, narrou em carta de 11 de janeiro ao Sheikh Aissa (Schuon) os últimos momentos de Guénon.
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Guénon havia dito à esposa Hagga Fatma que, se seus pertences ficassem no lugar, ele estaria entre eles.
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Morreu após as 23 horas na noite de 7 de janeiro; na manhã de 8 de janeiro, as últimas preces foram ditas na Azhar e ele foi sepultado no cemitério de Darassa, no jazigo do sogro, Sheikh Mohammed Ibrahim.
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A invocação de Ali Kamal el Dib, pintor e amigo egípcio, foi feita no aniversário da morte de Guénon, na villa Fatma, em torno de sua viúva, pela “Associação dos Amigos de René Guénon”.
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Meios “oficiais” franceses e autoridades egípcias vieram à casa de Guénon após sua morte.
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Théo Stéphanopoli de Comnène, provisor do Liceu Francês de Heliópolis, ofereceu-se imediatamente para custear a educação dos filhos.
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Artigos foram publicados em L'Egypte nouvelle por J. Moscatelli, Igor Volkoff e Gabriel Boctor.
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Em Paris, a rádio anunciou a morte de Guénon e a grande imprensa lhe dedicou algumas linhas.
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Paul Sérant escreveu em Combat e Rivarol; André Rousseaux, no Figaro Littéraire; Jacques Masui, nos Cahiers du Sud; François Bruel, no Carrefour; Olivier de Carfort, em Réforme.
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As Etudes traditionnelles publicaram um número especial de balanço de sua obra, no qual Jean Reyor, então diretor da revista com Chacornac, perguntava: “E agora?”
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Michel Valsan considerou toda a obra de Guénon, incluindo a massa documental e a vida, como participante de um plano divino.
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Para Valsan, a obra de Guénon funcionava como critério de verdade, regularidade e plenitude tradicional perante a civilização ocidental, em razão do caráter sagrado e não individual de sua função.
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Valsan a chamou de “bússola infalível” e “couraça impenetrável”, insuscetível de interpretações diversas ou adesões parciais.
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Frithjof Schuon qualificou a obra de Guénon como “teórica”, pois não visava diretamente a realização espiritual.
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Quanto às aplicações, exemplos e deduções, Schuon os considerava questão de opinião ou de fé.
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André Préau reconhecia a diversidade das interpretações possíveis e via na ideia metafísica o ponto de encontro geral.
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Marco Pallis retomou a questão do Budismo e apresentou a atitude de Shankaracharya.
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Paradoxalmente, a posição espiritual de Shankara e a do Budismo Mahayanico se aproximam a ponto de quasi identidade, apesar das diferenças de expressão e método.
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Interrogado sobre o futuro da revista, Guénon havia desejado sua continuidade; Jean Reyor entendia que a função de Guénon não exigia continuadores humanos.
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As Etudes traditionnelles deveriam permanecer como ponto de encontro dos poucos milhares de leitores atingidos pela obra.
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Nem a Igreja Católica nem a Maçonaria, às quais Guénon havia apelado, deram “sinal de boa vontade”; as adesões foram individuais de ambos os lados.
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A diáspora iniciada em vida de Guénon se acentuou após sua morte.
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Dos colaboradores mais antigos das Etudes tentados pelo Islã, apenas Titus Burckhardt permaneceu.
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André Préau cessou rapidamente sua participação na revista.
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Jean Reyor abandonou a direção, que passou a Michel Valsan, substituindo a “orientação cristã” pela islâmica.
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As rixas foram numerosas e o fracionamento contínuo; um novo grupo islamizado surgiu na Itália e publicou a Rivista di Studi Tradizionali.
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Certos números dessa revista, ao publicar cartas pessoais, provocaram conflito com a revista homônima parisiense.
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Todas as tentativas de “controle” falharam, mas a maioria dos grupos sobreviveu, realizando cada um à sua maneira o que Guénon chamaria de “bom trabalho”.
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As excomunhões recíprocas entre os “guénonianos” evocam a observação do judeu convertido que, diante dos escândalos da Papauça em Roma, concluiu que somente o Espírito Santo poderia explica a sobrevivência de tal instituição.
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Não houve continuação da obra de Guénon por consenso entre os que aderiram às verdades tradicionais por ele expostas.
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Dois tipos de magistério emergiram na ausência de consenso: um chefe de grupo tentou exercer a função de Mestre espiritual para o Ocidente ainda em vida de Guénon, sem conseguir impor sua autoridade aos demais grupos.
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As Etudes traditionnelles instituíram-se pouco a pouco guardiãs da “ortodoxia guénoniana”, atendo-se ao sentido estritamente literal da obra, na direção definida por Michel Valsan.
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Denys Roman, especialista em questões maçônicas, ao resenhar o livro de Jean Palou sobre a Maçonaria, aprovava a leitura de Guénon, mas acrescentava que Palou “não é guénoniano”.
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As tomadas de posição anti-guénonianas foram igualmente descosidas e desorganizadas.
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A briga com os neotomistas do grupo de Jacques Maritain nunca tomou forma oficial, e a tentativa de colocá-lo no Index não teve continuidade.
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Prelados como o Cardeal-Arcebispo de Nápoles e o Cardeal Tisserant eram favoráveis a Guénon.
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O Abade Berteaux teve problemas com a hierarquia por suas ideias sobre simbolismo, e o Abade Girrecourt, fervoroso “guénoniano”, não obteve o reconhecimento que merecia.
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Um artigo de inspiração guénoniana, assinado por François Chenique, chegou a ser publicado no Osservatore Romano.
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As críticas mais completas apareceram na revista Nova et Vetera, de orientação tomista, sob as plumas de Jounet e Meroz, sendo que Meroz publicou também um livro.
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A publicação de obras póstumas como Initiation et Réalisation spirituelle (1952) e Aperçus sur l'Esotérisme chrétien, reunidos por Jean Reyor, forneceu ocasião para novas avaliações críticas.
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Paul Sérant concluiu seu livro sugerindo que ao homem e à obra faltava o privilégio da Santidade, que a tradição ocidental distingue da mera pureza do conhecimento.
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Críticas recaíram também sobre a ideia de uma “surrevelação” presente em Les Etats multiples de l'Etre, entendida como negação da verdadeira Revelação.
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A ideia de uma verdade reservada foi considerada anticristã, assim como a tese sobre uma obscuridade intencional na história dos primeiros séculos da Igreja.
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Os redatores de Nova et Vetera criticaram a noção de manifestação como incompatível com a criação, pois limitaria Deus ao tornar o mundo tal como é necessário.
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Meroz opôs uma noção teológica da salvação por “participação” ao acesso guénoniano a Deus por “natureza”.
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O Cardeal Daniélou, em Essai sur le mystère de l'Histoire, dedicou um capítulo a Guénon intitulado “Grandeza e fraqueza de René Guénon”.
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Daniélou condenou a tese de uma transmissão a partir de uma origem comum a toda a humanidade e defendeu o caráter de evento único do escândalo da Cruz como fundamento do cristianismo.
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Para Daniélou, a revelação de Deus é progressiva e cada etapa assume e supera a anterior sem destruí-la; os símbolos cósmicos são recarregados de sentido novo pela religião abraâmica e cristã.
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Em 1970, o Cardeal Daniélou retomou a questão, censurando em Guénon um profundo desconhecimento do judaico-cristianismo.
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Para Daniélou, a revelação progressiva traz ao homem algo além da Lei, mesmo que a Lei em suas formulações metafísicas antigas seja perfeita.
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A recusa da historicidade constitui um dos principais argumentos universitários contra Guénon, tanto em relação à sua visão do Medievo quanto da Índia ou da tradição primordial.
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A Igreja Católica não pode venerar Guénon como um “Pai da Igreja interior”, assim como a universidade não pode declarar-se “guénoniana”.
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O traço mais notável é que a rejeição de Guénon foi institucional mesmo entre os que não pretendiam falar em nome de toda a Igreja.
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A tendência foi identificar elementos heréticos já condenados pelos Padres, acusando Guénon de retornar à antiga Gnose ou de propor uma regressão à dominação do homem pelo Cosmos.
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As críticas não repousam sobre uma análise real da obra, mas sobre posições institucionais preparadas de antemão.
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Os Maçons tiveram frequentemente a mesma desconfiança; para o Maçon laico, humanista e politizado do século XIX, um homem falando de ritos e de ortodoxia tradicional romana só podia ser emissário dos jesuítas.
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Oswald Wirth, que tentou restaurar a noção de trabalho espiritual e iniciação na Maçonaria, foi inicialmente reservado quanto a Guénon.
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Em carta a Marius Lepage de 10 de junho de 1934, Wirth atribuía apenas valor de sugestão à “sacramentalização magico-raticônica” cara a Guénon.
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Em carta anterior, Wirth afirmava que Guénon nada compreendeu dos graus maçônicos que recebeu.
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J. Corneloup estava certo ao afirmar que a Grande Triade foi uma tentativa “normalmente selvagem” num quadro obediencial.
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A Maçonaria não reconhece oficialmente a necessidade de uma prática religiosa exotérica, assim como a Igreja não reconhece a necessidade de um esoterismo e de uma iniciação.
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Guénon foi infinitamente mais paciente com a Maçonaria do que com a Igreja; nunca retomou as acusações lançadas em Le Théosophisme contra a Grande Loja da Inglaterra como agente do imperialismo britânico.
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Quando J. Marques-Rivière, colaborador das Etudes traditionnelles, publicou La Trahison spirituelle de la Franc-Maçonnerie, Guénon rompeu com ele.
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Cada grupo seguiu sua inclinação, atento apenas a que a estrutura não explodisse, enquanto o significado escapava.
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A acusação principal do Padre Beirnaert era que Guénon convidava o homem ocidental a regredir a um passado abolido e aos aspectos menos evoluídos de seu psiquismo.
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Beirnaert sugeria que uma “ferida secreta” havia levado Guénon, por volta dos vinte anos, a refugiar-se numa sabedoria que, segundo ele, não era a verdadeira Sabedoria.
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O “guénonismo” serviu de pensamento-refúgio a leitores aterrorizados pela evolução do mundo ou que a recusavam por ideologia.
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Serviu também como “fixação” em indivíduos já propensos ao desequilíbrio, como uma certa M…, que após ler O Rei do Mundo acreditou que as portas da Agartha se abriam para ela.
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Tentativas de apropriação política da obra de Guénon ocorreram em diversos contextos.
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A tradução italiana de La Crise du Monde moderne trouxe dificuldades ligadas às “circunstâncias particulares” da Itália, com modificações no texto que Guénon lamentou, mas aceitou em nome de ser traduzido.
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Dois artigos de Guénon foram publicados em Il Régime Fascista.
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Léopold Ziegler escreveu em 1934 que as ideias de Guénon concordavam de modo notável com suas próprias ideias sobre o Estado alemão, publicadas na Deutsche Rundschau.
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Ziegler especulou sobre o surgimento de uma “França secreta” sob inspiração de Guénon e desejou que os isolados que vislumbravam “um céu novo e uma terra nova” se dessem as mãos em benefício dos dois povos que formam “o coração dilacerado do continente”.
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Atacado por essa associação pelas Nouvelles Critiques d'Ordre, Guénon respondeu secamente que não tinha amigos na Alemanha.
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A ilegitimidade de qualquer apropriação política de sua obra é o único ponto sobre o qual todos os conhecedores de seus livros concordam.
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Em uma emissão de rádio do programa “Campus” dedicada a Guénon, Paul Sérant e Louis Pauwels o defenderam contra essa acusação.
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Guénon podia servir por vezes de instituição em si mesmo para pessoas isoladas e inquietas, cujos julgamentos sobre o bolchevismo, a psicanálise, o método histórico, a filosofia e a literatura as dispensavam de qualquer informação adicional.
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O lado reconstruído, ordenado e lógico do pensamento de Guénon, cultivado como homem dos anos 1900 e acentuado frente às flores do imaginário ocultista, se prestava a esse uso.
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Esse caráter é o que mais o afasta da mentalidade oriental.
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A influência de Guénon não se propagou no Islã; na Índia, as reações foram diversas conforme o aspecto de seu pensamento que impressionava.
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Guénon foi saudado do Tibet como “um grande Pandit do Ocidente”.
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A riqueza da obra de Guénon está na abertura de uma via de compreensão global e de despertar, não em sua institucionalização.
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John Levy escreveu dever a Guénon a certeza de que ele próprio e o Princípio do universo são um, e que essa unidade pode ser realizada efetivamente.
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Levy rejeitou posteriormente a apresentação guénoniana do Vedanta, mas esse despertar inicial foi considerado essencial.
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A afirmação de que a obra de Guénon deve ser tomada ou deixada em bloco é contestável.
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Aqueles que a avançam, sabendo que o mundo não a receberá integralmente, não podem fazer outra coisa senão construir uma “Arca”.
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Guénon nunca se instituiu Juiz dos Infernos nem designou quem seria lançado nas trevas exteriores.
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Há o perigo de a Arca se transformar em Torre de Babel, pois, segundo o provérbio árabe, “a última emboscada do demônio é a alma do justo em sua boa consciência”.
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A obra de Guénon opera ou coopera com as conversões interiores, transforma modos de pensar ou provoca um choque gerador de criação.
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Enquanto a institucionalização divide como os bens materiais, a partilha da obra a multiplica como os pães do Evangelho.
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Muitos leitores de Guénon foram reconduzidos à sua própria tradição; Guénon “fez católicos”, segundo expressão de Yves Millet, assim como fez muçulmanos e maçons.
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Esses fiéis e “iniciados” adquiriram nova visão do mundo, da abordagem simbólica, da sacralização da vida e da ideia de tradição e transmissão.
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A revisão geral das relações do homem com o mundo, dominante na época, passou por Guénon, ainda que por vias aparentemente tortuosas.
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A resposta de Jean Thamar em 1951 ao artigo do Padre Beirnaert nas Etudes traditionnelles, embora difícil de aceitar do ponto de vista teológico, carrega riquezas.
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O Ocidente, para sair do marasmo, deveria reconhecer que o caráter único do cristianismo se encontra no nível das realizações metafísicas, não das verdades em si.
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A Trindade é tardiamente uma formulação dogmática; no início, é uma via tríplice.
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Thamar concluiu citando Simone Weil: “Como Deus teria dado seu Filho ao mundo se o mundo não lho houvesse pedido?”
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Henri Bosco oferece um excelente exemplo de influência “indireta” de Guénon, como explicou em carta de 29 de dezembro de 1966 a J. Tourniac.
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Nos anos 1940, por intermédio de François Bonjean, discípulo e amigo de Guénon, Bosco tomou contato com seus livros e acompanhou as Etudes traditionnelles.
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A influência aparece em romances como Site et Mirages e L'Antiquaire.
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A leitura de Guénon confirmou Bosco em seu catolicismo, embora lamentasse que o esoterismo cristão arriscasse perder o pouco de mistério que lhe restava.
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Para Bosco, os símbolos eram ao mesmo tempo inspirados por um impulso interior misterioso e esclarecidos pelo conhecimento guénoniano, sem se reduzir a construção lógico-doutrinária.
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André Gide, diante do rigor doutrinário de Guénon, ficou perplexo e escreveu em seu diário: “se ele tem razão, toda a minha obra cai”; a reação veio logo: “tarde demais!”, e não falou mais no assunto.
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André Malraux foi atraído por essa apresentação do Oriente tão oposta à sua própria.
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Jean Paulhan editou Le Règne de la Quantité na NRF e demonstrou vivo interesse pelo modo de pensar guénoniano, pedindo números do Voile d'Isis e das Etudes traditionnelles, mas rejeitando a doutrina.
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Paulhan se interessou especialmente pela palavra “retournement” usada por Guénon, pela distinção entre duas linguagens, uma sensível e demonstrativa, outra interior e muda.
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Ao receber o manuscrito, Paulhan anotou: “é esplêndido”; sua objeção era que a ideia de transmissão tradicional lhe causava “desconforto insuportável”.
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Entre os surrealistas tentados pela obra de Guénon, René Daumal e Antonin Artaud reconheceram o que deviam a ele.
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A visão da Índia em Daumal e Artaud diferia da de Guénon; contudo, a viagem de Artaud ao país dos Tarahumaras parece ter certa ressonância guénoniana.
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No campo da história comparada das religiões, o aporte de Guénon é incontestável.
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Mircea Eliade, que parece muito a ele, nunca o citou (apenas duas menções breves em seu Journal, NRF 1973).
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Guénon está na origem de certas teses de G. Dumézil e de Jean Richer, cuja Géographie sacrée du monde grec desenvolve longamente temas guénonianos como o do centro espiritual ou da origem hiperbórea.
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A influência dispersa de Guénon no grande esfarelamento das ideias do tempo é impossível de medir; seu pensamento chegou até seminários de gestão empresarial e à imprensa “underground”, conforme George Michelson documentou.
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Os escritos de Guénon, incluindo os mais insensatos e as condenações do humanismo e do individualismo, têm, segundo André Thirion, uma ressonância humana.
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Os escritos dos homens nem sempre têm o sentido que seus autores quiseram lhes dar.
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Essa descida dos temas guénonianos para a vida cotidiana, aliada ao fracasso de uma organização sólida fundada em sua doutrina, é a imagem mesma da crise de consciência vivida pela modernidade, e é necessária.
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