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OVNI – EXOTERISMO
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Confirmação do caráter paródico do fenômeno OVNI manifesta-se na importância atribuída à Lua dentro da doutrina da nova religião.
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Simbolismo ambivalente da Lua já havia sido evocado como chave interpretativa.
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Papel lunar deixa de ser apenas astronômico e assume função doutrinária.
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Inserção da Lua na narrativa reforça coerência interna do sistema.
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Exposição dos grandes temas da nova doutrina exige distinção entre seu aspecto exotérico amplamente divulgado e um esoterismo emergente que começa a se delinear.
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Autores soucoupistas apresentam variações secundárias sem alterar núcleo da crença.
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Surgimento de discurso reservado aos “iniciados” adapta mensagem a públicos cientificamente exigentes.
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Evolução da fase materialista inicial para tonalidade neo-espiritualista acompanha transformação cultural moderna.
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Crescente ênfase no caráter psíquico ou parapsicológico das aparições desloca foco dos antigos modelos interplanetários.
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Manutenção de um exoterismo acessível ao grande público assegura acolhimento dos “mutantes do Cosmos” como portadores de mensagem salvífica destinada à humanidade considerada madura para recebê-la.
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Ideia de revelação progressiva substitui privilégio anteriormente reservado a elite.
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Linguagem escatológica apresenta invasão extraterrestre como evento redentor.
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Sondagens de opinião são invocadas como indício de expectativa coletiva de salvação externa.
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Credo fundamental da nova religião afirma que extraterrestres teriam semeado na aurora da humanidade germes de consciência e espiritualidade mal compreendidos por ancestrais ainda rudes.
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Bíblia é reinterpretada como registro deformado de colonização cósmica.
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Exegese do termo Elohim é apresentada como prova dessa presença.
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Gênese é lida como narrativa cifrada das intervenções desses seres.
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Vigilância contínua da Terra pelos extraterrestres culminaria em futura manifestação libertadora.
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Esperança de preservação da humanidade diante de catástrofes apocalípticas fundamenta adesão popular.
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Reabilitação dos textos sagrados ocorre por meio de exegese dissolvente que subverte sentido tradicional sob aparência de valorização histórica.
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Materialismo do século XIX negava frontalmente autenticidade das Escrituras.
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Nova abordagem conserva letra enquanto altera radicalmente significado.
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Advertência evangélica sobre a letra que mata torna-se pertinente nesse contexto.
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Formulação de Jean Sendy interpreta Lei de Moisés como relato histórico de colonização por cosmonautas semelhantes aos humanos e atribui à Lua função de estação intermediária dessa civilização celeste.
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Segurança afirmativa do autor contribui para sedução de público desorientado.
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Alternativa apresentada reduz Escritura a mito fantasioso ou crônica factual.
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Inserção da Lua como “relais” integra simbolismo celeste a narrativa tecnológica.
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Argumentação central de Jean Sendy baseia-se na tradução de Elohim como “deuses” ou “anjos”, identificados a extraterrestres, com destaque para o capítulo VI da Gênese.
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“Filhos de Deus” são assimilados inevitavelmente a seres cósmicos.
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René Guénon associa simbolicamente esse trecho às origens da contra-iniciação.
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Interpretação tradicional vê nesses filhos linhagem desviada geradora dos “Gigantes”.
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Epístola de São Judas descreve anjos que abandonaram sua morada e aguardam julgamento sob trevas.
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Fragilidade da tese de Sendy evidencia-se no fato de que tradições antigas julgam negativamente tais seres, associando-os à corrupção e não ao progresso.
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“Inconsciente coletivo” dos ancestrais preserva memória de queda e degeneração.
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Germes de corrupção são atribuídos aos mesmos personagens exaltados como benfeitores.
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Contradição interna compromete idealização civilizadora.
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Dificuldade enfrentada pelo evolucionismo diante da memória universal de um Paraíso perdido revela incoerência lógica entre progresso ascendente e recordação de Idade de Ouro.
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Tradições antigas convergem na evocação de estado primordial superior.
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Hipótese de homens emergindo da animalidade dificilmente explica nostalgia unânime de perfeição.
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Referência ao “Ponto Ômega” de Teilhard de Chardin ilustra tensão entre evolução e memória arcaica.
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Tentativa ufóloga de harmonizar evolução e colonização extraterrestre esbarra na condenação bíblica dos filhos de Elohim.
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Interpretação correta de Elohim invalida identificação com plural de deuses, pois termo designa literalmente Aquele-que-é enquanto princípio do Ser.
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Elohim é plural de Elôah, cujo sentido literal é “Aquele que é”.
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Uso absoluto do pronome encontra paralelo em nomes divinos como Huwa.
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Platão denominava to Auto a Causa inteligente do Universo.
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Significado literal “Ele-eles-que-são” expressa unidade do Ser enquanto princípio da Criação ou da Manifestação.
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Aproximação sugerida por Dom Devoucoux entre número 666 e expressão hebraica k-elohim reforça dimensão paródica associada à promessa de “ser como Deus”.
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Gematria permite equivalência numérica entre 666 e “como Deus”.
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Promessa do Tentador a Adão e Eva ilumina simbolismo dessa identidade.
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Em grego, 666 corresponde a panathesmios, o fora-da-lei.
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Indício aponta para natureza desviada dos filhos de Elohim e para imprudência de lhes atribuir missão civilizadora.
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