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OVNI – SIMBOLISMO ANTIGO E EXEGESE MODERNA
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A exegese “ufóloga” dos textos sagrados revela absoluta vaidade intelectual, ao mesmo tempo em que a pluralidade de sentidos desses textos desmente as acusações de ingenuidade dirigidas aos Antigos.
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Joseph F. Blumrich, engenheiro austríaco da NASA responsável pelo setor de projetos de construção de naves espaciais, aplicou cálculos de engenharia à visão de Ezequiel para “reconstituir” uma suposta nave interplanetária.
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Blumrich forneceu especificações técnicas detalhadas: impulso específico de 2.080 seg., peso de 63.300 kg, diâmetro do reator de 18 m, potência de 70.000 PS, entre outros dados.
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Erich von Däniken apresentou os cálculos de Blumrich como prova de que engenheiros espaciais seriam os intérpretes mais qualificados de textos bíblicos relativos a aparições celestes.
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Von Däniken concluiu em L'Or des dieux que o ingresso humano na era das viagens interestelares marcará o fim de todas as representações da divindade, incluindo catolicismo, protestantismo, islamismo, budismo e outras tradições.
Dionísio Areopagita, no século I da era cristã, tratou precisamente do simbolismo das “rodas celestes” de Ezequiel em sua Hierarquia celeste, demonstrando a profundidade da exegese tradicional em contraste com as extrapolações modernas.-
Dionísio advertiu contra a impiedade de imaginar os espíritos celestes como seres com muitos pés e rostos, formas bovinas ou leoninas, rodas incandescentes ou tronos materiais.
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Tais imagens foram transmitidas pelas Escrituras como “ficções sagradas” carregadas de significação simbólica, não como descrições literais de realidades físicas.
O capítulo VI do Gênesis, base da exegese ufóloga, comporta pelo menos dois níveis de sentido que se superpõem sem contradição, segundo a lei de analogia própria dos textos sagrados.-
No plano quase “histórico”, a união dos filhos de Elohim com as filhas dos homens designa a perversão de uma linhagem espiritual que deu origem à contra-iniciação, ligada ao afundamento da Atlântida.
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René Guénon é invocado para situar a tradição hebraica como herdeira ocidental e atlanteana, distinguindo o Dilúvio bíblico do dilúvio original de Satyavrata da tradição hindu.
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No plano metafísico mais profundo, os filhos de Elohim são emanações espirituais que se incarnam na matéria simbolizada pelas filhas dos homens, configurando o processo de afastamento do Princípio e de materialização progressiva da entidade adâmica sutil.
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As “túnicas de pele” mencionadas em Gênesis III, 21 correspondem às formas sensíveis assumidas por essa entidade, e o “corpo de ressurreição” do Juízo Final seria não um corpo físico, mas o corpo sutil original de Adão.
O livro dos Mortos dos Egípcios pode aludir à Atlântida ao evocar o reino dos mortos Amenti a oeste, dado que a tradição egípcia é também herdeira da civilização atlanteana.-
O capítulo CX do Livro dos Mortos contém passagem referente a Seth capturando Hórus enquanto este vigiava a construção de muralhas.
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Em 1968, Dimitri Rebikoff e o Dr. Manson Valentine descobriram muralhas submersas próximas à ilha de Bimini, sugerindo possível relação com a subversão e submersão da Atlântida, onde teria nascido a contra-iniciação representada por Seth.
A Torre de Babel, reinterpretada pelos ufólogos como rampa de lançamento de foguetes, ilustra o procedimento de forçar os textos sagrados a confirmar hipóteses extraterrestres.-
Jean Sendy, apresentado como um dos mais eminentes e talentosos representantes da perspectiva soucoupista, afirmou fugir da tentação de interpretar o texto além do que ele diz.
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O fenômeno das populações que, durante a Segunda Guerra Mundial, construíram aeródromos e torres de controle em galhos para atrair aviões americanos de volta é invocado como analogia à Torre de Babel.
Jean Sendy incorreu em contradição fundamental ao afirmar, por um lado, a ingenuidade imensa dos Antigos e, por outro, que na Kabale, que remontaria a tempos pré-históricos, nada pode ser atribuído a crença ingênua.-
A tradição hebraica e sua língua sagrada, que Sendy atribui implicitamente a Elohim extraterrestres, contradizem seus próprios supostos autores ao retratar negativamente os filhos de Elohim no capítulo VI do Gênesis.
A ausência de base extraterrestre na Lua, após a chegada humana em 1969, abalou parcialmente o entusiasmo de Sendy, que havia previsto a descoberta de uma plataforma lunar deixada pelos colonizadores extraterrestres.-
Sendy antecipou-se às refutações declarando que os erros detectados até então não afetavam a hipótese em sua linha geral.
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Em Les Temps messianiques, Sendy concedeu que atribuir a Celestes a origem dos conhecimentos humanos constitui petição de princípio, e admitiu não conseguir interessar-se pelos OVNIs.
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Sendy comparou as dezenas de milhares de testemunhas de OVNIs aos que, ao longo de dezenove séculos de cristianismo, afirmaram ter visto a Virgem Maria pousar na Terra, usando o sigle SMDD para designá-la.
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Jacques Vallée, qualificado por Sendy como brilhante informático e astrofísico, é creditado por tê-lo reconectado ao tema ao publicar Visa pour la Magonie e Le Collège invisible, fazendo os OVNIs “entrarem no domínio da razão”.
O fenômeno OVNI opera em duas fases complementares, uma exotérica e uma esotérica, dirigidas a públicos distintos mas convergindo para um mesmo fim.-
A fase exotérica destina-se àqueles que se convencem pelos “milagres” materiais e sensíveis, como as naves metálicas do tipo descrito por Adamski, cujo caso envolveu uma nave que se assemelhava a uma tampa de lavanderia.
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A fase esotérica, representada por Jacques Vallée, destila a quintessência doutrinária de forma sutil e evanescente, mas carrega, segundo a análise aqui desenvolvida, uma assinatura inconfundível.
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Bertrand Méheust, em Ficção científica e discos voadores, demonstrou tanto a total “premonição” dos autores de ficção científica quanto a realidade não psicológica do fenômeno por eles antecipado.
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Os artesãos invisíveis do fenômeno OVNI não veem inconveniente em que parte do público permaneça na crença em extraterrestres de galáxias distantes, pois a apoteose final reunirá os diferentes níveis de crença em uma adoração comum.
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