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MELQUISEDEQUE NO CRISTIANISMO
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A transição da análise da figura de Melquisedeque no contexto do judaísmo para a sua interpretação à luz da teologia cristã, com base no Novo Testamento e na Epístola aos Hebreus.
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A centralidade da Epístola aos Hebreus para a compreensão do sacerdócio de Cristo segundo a ordem de Melquisedeque, estabelecendo uma ponte doutrinária entre as duas alianças.
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A figura de Melquisedeque como um elemento de conexão extraconfessional e extra-histórico entre o Antigo e o Novo Testamento, transcendendo as delimitações religiosas convencionais.
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A significação da Epístola aos Hebreus como um texto sacerdotal que remonta à tradição primária de Abraão, servindo de fundamento para a compreensão do sacerdócio cristão.
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O papel singular do apóstolo Paulo, também conhecido como Saulo de Tarso, que personifica a dupla condição de ministro do culto hebraico e discípulo de Cristo, facilitando a síntese teológica.
A proposição de que a cristologia sacerdotal, fundamentada na figura de Melquisedeque, identifica-o como testemunho de uma Tradição Primordial anterior e superior a todas as tradições religiosas históricas.-
A conceituação do sacerdócio cristão como não sanguinolento, realizado através das espécies eucarísticas, em contraste com os sacrifícios do culto levítico.
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A interpretação do cristianismo originário como uma remanifestação da Tradição Primordial, caracterizada pela indistinção entre puro e impuro, pela ausência de interditos alimentares, pela autoridade sobre o sábado e pela superação da clivagem entre judeu e não judeu.
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A citação clássica da Epístola aos Hebreus como fundamento escriturístico para esta interpretação, servindo de base para a argumentação subsequente.
A exposição doutrinária da Epístola aos Hebreus sobre a natureza do sumo sacerdote, estabelecendo um contraste fundamental entre o sacerdócio levítico e o sacerdócio de Cristo.-
A condição humana e compassiva do sumo sacerdote, estabelecido entre os homens para oferecer dons e sacrifícios pelos pecados, inclusive pelos seus próprios, devido à sua própria fraqueza.
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A origem divina da vocação sacerdotal, ilustrada pela chamada de Aarão e, de modo supremo, pela designação de Cristo, que não se autoglorificou mas foi constituído por Aquele que declarou: “Tu és meu Filho, eu hoje te gerei”.
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A proclamação do sacerdócio eterno de Cristo segundo a ordem de Melquisedeque, conforme o Salmo 110: “Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque”.
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A descrição de Cristo nos dias de sua carne, que ofereceu preces e súplicas com forte clamor e lágrimas e, tendo sido aperfeiçoado, tornou-se autor de eterna salvação para todos os que lhe obedecem, sendo por Deus declarado sumo sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque.
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A reprimenda aos destinatários da epístola pela sua imaturidade espiritual, necessitando de leite e não de alimento sólido, incapazes de compreender as profundezas da doutrina do sacerdócio de Melquisedeque.
A explanação sobre a imutabilidade do propósito divino, utilizando a figura do juramento feito a Abraão para fundamentar a firmeza da esperança cristã.-
O relato de que Deus, não podendo jurar por outro maior, jurou por si mesmo a Abraão, prometendo abençoá-lo e multiplicar a sua descendência.
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A constatação de que os homens juram por quem é maior, usando o juramento como garantia final, e a aplicação deste princípio ao ato divino para demonstrar de modo mais evidente a imutabilidade do seu conselho aos herdeiros da promessa.
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A definição da esperança cristã como âncora da alma, segura e firme, que penetra até o interior do véu, onde Jesus entrou como precursor, feito sumo sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque.
A exegese detalhada da figura de Melquisedeque a partir do relato do Gênesis, estabelecendo a sua superioridade e eternidade em relação ao sacerdócio levítico.-
A identificação de Melquisedeque como rei de Salém, sacerdote do Deus Altíssimo, que abençoou Abraão e recebeu dele os dízimos de tudo.
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A interpretação dos seus títulos como portadores de significado teológico: sendo rei de Salém, que é rei de paz.
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A ênfase nos atributos que o tornam uma figura única e tipológica: “sem pai, sem mãe, sem genealogia, não tendo princípio de dias nem fim de vida, mas feito semelhante ao Filho de Deus, permanece sacerdote para sempre”.
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A demonstração da superioridade de Melquisedeque sobre Abraão e, por consequência, sobre a tribo de Levi que dele descendia, uma vez que aquele que é menor é abençoado pelo maior, e Levi, por estar nos lombos de Abraão, pagou simbolicamente o dízimo a Melquisedeque.
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O argumento de que a perfeição não era alcançável pelo sacerdócio levítico, tornando necessário o surgimento de um outro sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque e não de Aarão.
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A consequência teológica radical de que, mudando-se o sacerdócio, necessariamente se faz também mudança da lei.
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A confirmação de que Cristo, da tribo de Judá, da qual Moisés nada falou acerca de sacerdócio, surgiu como outro sacerdote à semelhança de Melquisedeque, instituído não segundo a lei de um mandamento carnal, mas segundo o poder de uma vida indissolúvel.
O impacto duradouro da revelação paulina sobre o sacerdócio de Cristo segundo a ordem de Melquisedeque na exegese cristã subsequente, influenciando teólogos, místicos, esoteristas e fundadores de seitas.-
A seleção de autores representativos para análise, incluindo o Pseudo-Dionísio, o Areopagita, pensadores do boehmismo, do martinezismo judaico-maçônico-cristão, visionários da mística germânica como Ana Catarina Emmerich e Jakob Lorber, textos gnósticos como o Livro dos Segredos de Enoque, e as reticências cristãs face à interpretação guenoniana da Tradição Primordial.
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A justificativa para a escolha do Pseudo-Dionísio, o Areopagita, devido à autoridade magistral do seu Corpus dionisíaco na patrística medieval e pós-medieval, inclusive sobre a autoridade de Santo Agostinho no comentário de São Tomás de Aquino.
A análise da interpretação de Melquisedeque no tratado “A Hierarquia Celeste” do Pseudo-Dionísio, o Areopagita, no contexto da discussão sobre as funções angélicas e a economia da salvação.-
A menção ao arcanjo Miguel como o arconte do povo judeu, que suscita a questão de como apenas o povo judeu teria acessado as iluminações teárquicas.
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A resposta de que mesmo entre as outras nações, das quais também proviemos, não foram deuses estrangeiros que reinaram, mas o Princípio único e universal, para o qual os anjos encarregados de cada nação elevaram os que quiseram segui-los.
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A citação de Melquisedeque como exemplo paradigmático de um grande amor a Deus, que não foi sacerdote dos deuses falsos, mas do Deus Altíssimo e verdadeiro.
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A interpretação de que os conhecedores da sabedoria divina não se contentaram em chamar Melquisedeque de amigo de Deus, mas também de sacerdote, para indicar claramente aos homens sensatos que o seu papel não foi apenas converter-se pessoalmente, mas, como sumo sacerdote, conduzir outros na ascensão espiritual para a única e verdadeira Tearquia.
A referência ao papel de Melquisedeque no tratado “A Hierarquia Eclesiástica” do Pseudo-Dionísio, no contexto do mistério das consagrações episcopais e da fundação da hierarquia cristã.-
A afirmação de que o próprio divino fundador da nossa hierarquia, Jesus, recusou-se a glorificar a si mesmo, sendo outro que lhe anunciou: “Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque”.
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A observação de que mesmo ao conferir a ordenação sacra aos seus discípulos, Jesus, embora como Deus fosse o princípio hierárquico de todo sacramento, reportou o seu ato consagratório ao seu Santíssimo Pai e ao Espírito teárquico.
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A menção final de que o mesmo “sacerdote Dionísio” dedicará o capítulo sexto da sua “Hierarquia Eclesiástica” às ordens que formam os iniciados, sendo a mais elevada a santa legião dos monges.
A transição para a patrística latina com a análise do pensamento de Santo Ambrósio sobre Melquisedeque na sua obra “De Sacramentis”, focando na antiguidade e divindade dos sacramentos cristãos.-
A questão levantada por Santo Ambrósio sobre a antiguidade dos sacramentos, contrastando o tempo de “São Moisés”, quando Deus fez chover maná para os judeus, com a época de Abraão, quando Melquisedeque ofereceu pão e vinho.
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A pergunta retórica “Quem detinha o pão e o vinho?”, concluindo que não foi Abraão, mas Melquisedeque, acentuando assim o caráter reservado e pré-figurativo das duas espécies eucarísticas.
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A identificação de Melquisedeque como o autor dos sacramentos e a interrogação sobre a sua identidade: “Quem é Melquisedeque, que significa rei de justiça, rei de paz?”.
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A resposta cristológica de que o rei de justiça não pode ser um mero homem, mas a própria justiça de Deus, a paz de Deus, a sabedoria de Deus, Aquele que pôde dizer: “Eu vos dou a minha paz, eu vos deixo a minha paz”.
O desenvolvimento da ideia da anterioridade do povo cristão em relação ao povo judeu, sendo que este detém o nome, mas aquele a predestinação, segundo Santo Ambrósio.-
A interpretação tipológica dos atributos de Melquisedeque: “Sem pai, nem mãe, diz-se. O Filho de Deus nasceu sem mãe pela geração celeste, porque nasceu de Deus Pai só. E, por outro lado, nasceu sem pai quando nasceu da Virgem”.
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A conclusão de que Melquisedeque, semelhante em tudo ao Filho de Deus, era também sacerdote, e que a Cristo, por sua vez, é dito: “Tu és sacerdote para sempre segundo a ordem de Melquisedeque”.
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A afirmação de que o autor dos sacramentos é o Senhor Jesus e que estes têm origem celeste, sendo um grande milagre divino, superior ao maná, pois envolve a transubstanciação do pão comum na carne de Cristo pela consagração.
A continuação do argumento de Santo Ambrósio no “De Mysteriis”, reafirmando a anterioridade dos sacramentos cristãos com base no encontro entre Abraão e Melquisedeque, que precede a Lei de Moisés.-
A constatação de que a Sinagoga teve origem na Lei de Moisés, mas Abraão é bem anterior, e foi a ele que Melquisedeque saiu ao encontro e ofereceu o pão e o vinho que Abraão recebeu com respeito.
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A reafirmação dos atributos de Melquisedeque como “sem pai, sem mãe, sem ter princípio nem fim de dias, mas semelhante ao Filho de Deus”, que permanece sacerdote para sempre e é chamado rei de justiça e rei de paz.
A conclusão da demonstração de Santo Ambrósio, que estabelece firmemente não apenas a anterioridade, mas também a superioridade absoluta dos sacramentos cristãos em relação às figuras do Antigo Testamento.-
A pergunta retórica sobre a impossibilidade de um homem ser rei de justiça ou de paz, contrastando com a natureza divina de Cristo, que é sem mãe na divindade e sem pai na encarnação, sendo Ele mesmo o princípio e o fim.
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A conclusão de que o sacramento de Cristo não é dom de um homem, mas de Deus, trazido por Aquele que abençoou Abraão, o pai da fé.
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A prova da superioridade: o maná, embora “pão dos anjos”, era corruptível e os que o comeram morreram, enquanto o pão vivo que desceu do céu, o corpo de Cristo, fornece o sustento da vida eterna e quem dele come não morrerá.
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A antítese final entre a figura e a verdade: “Para aqueles, a água correu da pedra; para ti, o sangue corre de Cristo. A água saciou-os por um momento; a ti, o sangue lava para sempre. O judeu bebe e tem sede. Tu, depois de teres bebido, não poderás mais ter sede. Aquilo passava-se em figura, isto em verdade”.
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