VIVENZA
Jean-Marc Vivenza
VIVENZA, Jean-Marc. Le dictionnaire de René Guénon. Grenoble-France: Le Mercure dauphinois, 2002.
A influência incontestável do pensamento de René Guénon, que aliás só tem crescido, o que nos deixa muito felizes, desde seu falecimento em 7 de janeiro de 1951, a profunda influência de sua obra em todos os domínios do pensamento tradicional e, de forma ainda mais ampla, sua marca discreta, mas bem real e profunda, no âmbito das pesquisas e análises contemporâneas mais diretamente voltadas para questões relacionadas a diferentes pontos da reflexão metafísica, simbólica ou iniciática, exigia que uma ferramenta prática e de fácil consulta, apresentando os diferentes termos utilizados por René Guénon em suas múltiplas obras, fosse finalmente colocada à disposição do público, a fim de facilitar o acesso a esse importante pensamento.
É certo que muitas tentativas foram feitas no passado, e pensamos, evidentemente, em primeiro lugar no excelente “Índice” proposto em seu tempo por André Désilets, ao qual devemos muito pela redação de nosso próprio dicionário, “Índice” que já tinha a intenção de responder às legítimas solicitações dos leitores para que pudessem se mover com mais facilidade dentro do imenso corpus guenoniano. No entanto, um verdadeiro e autêntico “Dicionário de René Guénon” ainda precisava ser escrito, fornecendo quase imediatamente uma definição dos principais termos empregados nas obras do pensador. Um dicionário que permitisse uma abordagem clara, ampla e concreta do vocabulário, por vezes especializado, muitas vezes obscuro para a maioria das pessoas, utilizado nos livros do nosso autor.
Nossa intenção ao redigir este dicionário foi sempre apresentar, da forma mais fiel possível, o próprio pensamento de René Guénon e, portanto, tornar-nos o mais transparentes, ousaríamos dizer o mais “ausentes” possível, para que apenas emergisse o sentido próprio e original desse pensamento e, na medida do possível, não incluir nada que fosse próprio nosso. Talvez não seja inútil lembrar que René Guénon, a título pessoal, recusava vigorosamente qualquer forma de pretensão à originalidade na exposição de sua obra e insistia no caráter impessoal e atemporal desta, declarando que ela não era outra coisa senão a formulação mesma, para um período determinado e uma época específica, da “Metafísica universal”. É também a serviço dessa doutrina perene que nos submetemos, por nossa vez, e nossa única ambição foi contribuir, com nosso presente trabalho, para seu esplendor e seu conhecimento; sabendo, evidentemente, que o imenso papel desempenhado por René Guénon, ao trazer à luz a “doutrina eterna” para o nosso tempo, é incontestavelmente único, soberano e incomparável, o que lhe confere um lugar de mestre incomparável, que lhe reconhecemos plenamente, no que diz respeito ao nosso período atual.
