Águas

(DRG)

Águas inferiores. Águas superiores. Águas primordiais.

A Água (Maïm) é o elemento sensível (Ap) que representa o princípio passivo por excelência, em contraste com o Fogo, considerado como princípio ativo.

A água, símbolo da energia passiva, da faculdade de recepção e gestação, representa em todas as tradições “o conjunto potencial das possibilidades formais”. No início do Gênesis, está escrito que “o Espírito Divino pairava sobre as Águas” (Gn 1,1-2) — o que, como observa René Guénon, indica a complementaridade entre a Água e o Espírito, entre Purusha e Prakriti. Notemos que Guénon estabelece uma distinção entre as “Águas Inferiores”, associadas às possibilidades formais, e as “Águas Superiores”, ligadas às possibilidades informais. Essa distinção de caráter cosmogônico, presente também no relato bíblico do Gênesis (Gn 1,6-7), remete ao simbolismo das “Águas Primordiais”, que contêm em si, em sua unidade originária, tanto as possibilidades formais quanto as informais da manifestação. É por isso que Guénon afirma sem hesitação que as “Águas Primordiais” são idênticas à Possibilidade Universal.

Ressalte-se ainda que, segundo a Índia Védica, Varuna é o regente do reino da Água, o que permite a Guénon demonstrar, através da estreita relação entre Urano (o Céu, na Tradição mais antiga) e Varuna, que a identificação entre o Céu e as “Águas Superiores” é profundamente significativa.

Na Tradição, também se fala das “Águas que correm para cima”, símbolo do retorno à Fonte Primordial, à Origem celeste, da “reversão espiritual” do ser. Essa ascensão das Águas ao Céu, esse acesso às “Águas Superiores”, é sem dúvida a imagem mais expressiva do trabalho interior, da gestação do germe transcendente, da reintegração nas “Águas Primordiais” sobre as quais paira o Espírito Divino.

(O Homem e seu Devir segundo o Vedanta, cap. IV, “Purusha e Prakriti”, cap. XXI, “A jornada divina do ser em processo de libertação”. O Rei do Mundo, cap. VII, “A resolução das oposições”. Símbolos Fundamentais da Ciência Sagrada, cap. IX, “Flores Simbólicas”, cap. “O Ser”, cap. XII, “Os dois caos”.)

Ver: Passividade, Possibilidade, Prakriti.