Coroa

(DRG)

Atributo emblemático do poder sacerdotal e real, a Coroa, cuja raiz KRN a liga à mesma família do “chifre” ou “crânio”, é, por definição, o testemunho manifestado da grande influência espiritual ou temporal daqueles que com ela se adornam. Ligada à ideia de força e luz, por ser tradicionalmente constituída por um círculo realçado por raios de luz pontiagudos, a Coroa encarna a dimensão da soberania, da dominação e da mestria.

Colocado no topo da cabeça, é um elo entre o Céu e a Terra, símbolo de contato com forças invisíveis e sutis, local da abertura correspondente a Brahma-randhra, ponto de contato do indivíduo com o que é considerado por Guénon, como “o sétimo raio do sol espiritual”, ponto que pode ser comparado à “abertura superior do atanor hermético”. A expressão “Coroa da cabeça”, que encontramos com muita frequência nos textos de René Guénon, é também sempre uma referência a este ponto, o lugar de passagem entre os estados individuais e extra-individuais, porta do “núcleo da imortalidade”, a abertura superior, o zénite, a porta estreita.

Finalmente, não esqueçamos que a Coroa, chamada Kether na árvore Sephirótica, representa o Imanifesto, O Absoluto como Não-Ser, Coroa que se diz definir a cabeça de Adam Kadmon.

(SFCS, cap.XXVIII, “O Simbolismo dos Chifres”, cap. XXXIII, “A Caverna e o Ovo do Mundo”, cap. XLI, “A Porta Estreita”, cap. LVIII, “Janua Coeli”.)

Veja Kether, Portão, Zênite.