(DRG)
Derivada do sânscrito, a palavra darshana tem sua raiz em drish, que significa “ver”, e refere-se exatamente às diversas “perspectivas” ou “visões” que compõem o corpo doutrinário da Índia Védica. Essas correntes são consideradas ortodoxas porque, apesar de suas divergências, todas aceitam a autoridade suprema dos Vedas.
Como ramificações de uma única doutrina, os Darshanas se complementam e esclarecem mutuamente em diversos aspectos, revelando a unidade da Tradição e sua coerência interna, fruto da profunda conexão com o Princípio metafísico. Eles representam os seis sistemas filosóficos clássicos da Índia (Nyāya, Vaiśeṣika, Sāṅkhya, Yoga, Mīmāṃsā e Vedānta), que, por reconhecerem a autoridade dos Vedas, Brāhmaṇas e Upaniṣads, são classificados como parte da “fé” (āstikya), em contraste direto com as escolas que a rejeitam (nāstikya). Enquanto Nyāya e Vaiśeṣika são sistemas analíticos, Sāṅkhya e Yoga têm uma abordagem prática e sintética; já Mīmāṃsā e Vedānta, focados na interpretação dos Vedas, possuem um caráter mais teórico e especulativo. Apesar das aparentes contradições, todos compartilham um propósito comum: reconduzir a alma (ātman) à sua unidade primordial com o Absoluto (Brahman), libertando-a do ciclo de renascimentos (samsāra).
(HDV, cap. I, “Informações gerais sobre Vêdânta”.)
Voir Mimâmsa, Nyâya, Ortodoxia, Shankhya, Vaisheshika, Veda, Vedânta, Yoga.