(DRG)
O Demiurgo representa o princípio que exerce uma ação criadora sobre uma matéria que lhe é exterior – de modo análogo à forma como os seres humanos agem sobre o mundo em que estão inseridos. Essa concepção criadora do Demiurgo é essencialmente antropomórfica, pois equivocadamente projeta sobre a divindade o modo humano de criação artesanal, onde se trabalha com matéria preexistente. Aqui reside uma grave confusão metafísica, pois o verdadeiro poder criador divino (que, recordemos, produz todas as coisas a partir do Nada) é radicalmente distinto desse processo limitado.
Guénon alerta para a importância crucial de diferenciar:
- O Grande Arquiteto da Maçonaria (princípio supremo e transcendente)
- As divindades religiosas (meras manifestações demiúrgicas)
Enquanto o Demiurgo opera no plano da formação cósmica, o Grande Arquiteto representa uma realidade metafísica infinitamente superior. A função de “artífice do Universo” cabe, na verdade, à coletividade dos seres individuais – simbolizada pelo Adam protoplásmico (o formador primordial).
(Referências: IGEDH, cap. VII; RGGT, cap. XI; EFMC, vol. II, entre outros.)