(DRG)
René Guénon dedicou um estudo detalhado ao domo na arquitetura, pois ele representa o Cosmos e a abóbada celeste, englobando os símbolos da arte de construir. Embora toda arquitetura faça referência ao Céu e ao Mundo, os edifícios com domos frequentemente possuem uma base quadrada, simbolizando o mundo terrestre, e um domo no topo, representando a união entre o Céu e a Terra.
O domo é comum em edifícios sagrados, como igrejas cristãs, stupas budistas e qubbahs islâmicas. Sua forma esférica simboliza Unidade e perfeição, e o ponto abaixo do topo indica o “Centro do Mundo”, um conceito simbólico e analógico, não geográfico.
Esse ponto central se compara ao omphalos (nâbhih prithivyâh), o umbigo ou Olho do mundo, e ao Brahma-randhra no plano microcósmico. É o altar, a passagem para além do Cosmos, onde rituais e palavras sagradas acontecem, e onde a fumaça do sacrifício se eleva. Algumas construções tradicionais até possuem uma abertura para esse fim.
O domo, portanto, simboliza a presença do Céu, a fronteira entre o plano celeste e o terrestre, e a porta para o Absoluto.
Referências: SFCS, ch. XXXIX, « Le symbolisme du Dôme », ch. XL, « Le Dôme et la Roue », ch. XLI, « La Porte étroite », XLIII, « La pierre angulaire », ch. LVIII, « Janua Coeli ».)
Vide: Brahma-randhra, Quadrado, Chave da abóbada, Cálice, Cubo, Guarda-sol, Esfera