(DRG)
O Dualismo é, para René Guénon, um erro metafísico intrínseco. A distinção comum e corrente no Ocidente entre espírito e matéria, que pode apresentar alguns traços remotos de um certo Dualismo, não passa, na realidade, de uma aplicação teórica de princípios muito mais sutis do que as visões reducionistas de um maniqueísmo estreito — ou, pelo menos, dos conceitos que se identificam como tal.
A metafísica integral demonstra, com efeito, de maneira muito clara que não pode haver coexistência de dois “princípios”, assim como não pode haver dois “infinitos”. A Unidade do Princípio é uma lei axiomática fundamental, uma base doutrinal intangível comum a todas as tradições verdadeiras — base que, na verdade, é a expressão da própria natureza daquilo que constitui a essência da Verdade.
Assim, é possível compreender que o Dualismo não é apenas um erro, mas também o sinal de uma grave incompreensão teórica; não esqueçamos que a definição mais pura do Absoluto, segundo a Tradição primordial, é precisamente o seu caráter não dual, a sua “não-dualidade” (adwaita).
(IGEDH, cap. XI, «O Sânkhya», cap. XIV, «O Vêdânta».)