(DRG)
Segundo René Guénon, Emanação é uma palavra que deve ser absolutamente excluída das concepções metafísicas, na medida em que “não exprime outra coisa senão uma impossibilidade pura e simples”. Esta impossibilidade reside no fato de que é estritamente impossível que o Princípio possa ver algo surgir de si mesmo. A Manifestação não deriva sua realidade de nenhuma “Emanação” hipotética, que é nada menos teoricamente do que uma “saída” do Princípio. Se isso fosse possível, escreve Guénon, a partir de então o Princípio não seria mais infinito e, consequentemente, seria limitado pela própria Manifestação.
Na verdade, continua Guénon, “fora do Princípio existe e só pode haver nada”. Mesmo uma Emanação pensada não em relação ao Princípio como tal, mas apenas em relação ao Ser, apresenta inúmeras dificuldades, a principal das quais é que os seres emanados não seriam então verdadeiramente seres, mas se veriam, por definição, desprovidos de qualquer existência efetiva, sendo a existência por definição, e metafisicamente, uma “participação” no Ser, e em nenhum caso uma Emanação.
(AEIT, cap. IX, “Criação e Manifestação”.)
Veja Criação, Impossibilidade, Princípio, Panteísmo.